Veneração, Adoração e Interpretação Da Bíblia

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Veneração, adoração e interpretação da Bíblia

PERGUNTA
Nome: Lilian
Enviada em: 27/09/2004
Local: São Paulo - SP,
Religião: Protestante
Idade: 29 anos
Escolaridade: 2.o grau concluído
Profissão: Aux. Administrativo

Sr. Marcos Libório

“A Graça e a Paz em nome de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”

Lendo as perguntas e respostas, achei interessante a resposta que o senhor deu a pergunta de
Patrícia de Sousa Pereira e Silva sobre a virgindade perpétua de Maria, a adoração às imagens e à
procissão.

1º - O senhor diz que o que existe na Igreja Católica em relação às imagens é Veneração e não
Adoração. Mas sendo veneração, adoração, enfeite, peso de papel, ou sei lá o que, não importa, pois a
ordem de Deus é expressa quando diz:

“Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem
em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.” Êxodo 20:4

Neste ponto fica claro que os “protestantes” obedecem melhor, não acha? Pois não são tão
teimosos em querer desobedecer as ordens do Pai.

A Arca, a cobra de Metal no deserto, ou qualquer coisa que o Senhor ordenou que fizesse no Velho
Testamento, não serve de base para justificar a fabricação e utilização de imagens seja para adoração ou
veneração. Se depois disso tudo Ele diz que NÃO é para manter essa prática porque os católicos teimam?

2º - Sobre as procissões, segue o mesmo raciocínio, a procissão da Arca citada tem alguma
semelhança com as procissões da Igreja Católica? O que eles estavam levando ali era a Arca da Aliança
que Deus mandou construir. Bem diferente das imagens de mortos que vocês andam carregando nas ruas
não acha? Se fosse para continuar com essa prática, teríamos que levar somente a Arca da Aliança e não
as estátuas dos defuntos. Mas onde está a Arca? Sumiu !!! Deus não queria que a adorássemos ou a
venerássemos (como queiram). A não ser que a Igreja resolva “descobrir” onde “ela” está. Mas ainda assim
Deus não autorizou tal prática.

“...nada sabem os que conduzem em procissão as suas imagens de escultura, feitas de madeira, e
rogam a um deus que não pode salvar.” Isaías 45:20

Novamente, alegro-me muito em dizer que os “protestantes” obedecem melhor ao Senhor.

3º - Sobre a virgindade de Maria, o senhor diz que a Bíblia não tem que dizer o que queremos
saber. Realmente há pontos na Bíblia que não são esclarecidos. Neste ponto concordo com o senhor. Mas
como a própria palavra diz: “ o que foi escrito é suficiente para que creiamos”. E é por isso, que os
“protestantes” não acrescentam nada na Palavra de Deus porque se há pontos não escritos, não somos nós
que vamos escrever, não é mesmo?

Embora, para nós, aqueles filhos citados são realmente irmãos de Jesus porque não é fruto da
imaginação como no caso da virgindade perpétua, é uma suposição baseada em algo escrito. Mas isso,
acho que não seja relevante, pois se ela ficou virgem, José que se entendesse com a decisão dela ! E se
ela não ficou, não pecou, pois ela era casada com José e o sexo no casamento é algo deixado por Deus,
não cometendo pecado nenhum.
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Novamente os “protestantes” são menos desobedientes não acha? Pelo menos não acrescentamos
nada na Bíblia.

Se vocês tivessem o direito de raciocinar poderiam perceber as diferenças entre a Igreja de Cristo e
a Igreja Católica. Mas se você quiser fazer isto senhor Marcos não perca tempo! Jesus disse: “Examinais as
Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;” João 5:39.

RESPOSTA

Prezada Lilian,
salve Maria, "Mãe de meu Senhor" (S. Lucas, I, 43)
    

        Agradecemos seu interesse em nossos debates e também por nos enviar seus argumentos.
Assim podemos esclarecer nossa posição e mostrar a verdadeira doutrina Católica e Bíblica, tão distorcida
pelos protestantes.

        A senhora retoma a resposta que demos à consulente Patrícia de Souza


(http://www.montfort.org.br/perguntas/citacoes_biblicas.html), buscando então mostrar que nossa defesa do
culto às imagens está equivocada.
        Começa a senhora dizendo:
"1º - O senhor diz que o que existe na Igreja Católica em relação às imagens é Veneração e não
Adoração. Mas sendo veneração, adoração, enfeite, peso de papel, ou sei lá o que, não importa, pois a
ordem de Deus é expressa quando diz:
        “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos
céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.” Êxodo 20:4
        Neste ponto fica claro que os “protestantes” obedecem melhor, não acha? Pois não são tão
teimosos em querer desobedecer as ordens do Pai.
        A Arca, a cobra de Metal no deserto, ou qualquer coisa que o Senhor ordenou que fizesse no
Velho Testamento, não serve de base para justificar a fabricação e utilização de imagens seja para
adoração ou veneração. Se depois disso tudo Ele diz que NÃO é para manter essa prática porque os
católicos teimam?"

        Permita-nos várias críticas, Lilian. Não fique zangada, mas sua falta de coerência é gritante.
        Em primeiro lugar, veneração não é adoração. Quando os israelitas veneraram a serpente de
bronze, foram curados. Quando posteriormente os israelitas adoraram a mesma serpente, cometeram uma
abominação e Deus mandou destruí-la:
        No primeiro caso, o ato curava; no segundo, o ato era abominável diante de Deus.
        No primeiro caso, veneração; no segundo, idolatria, adoração de uma criatura.
        A imagem era sempre a mesma, porém o ato era completamente diferente!
        Se veneração fosse igual a adoração, então Deus teria permitido a adoração aos ídolos,
ainda que somente no Antigo Testamento, o que é um absurdo!

        Em segundo lugar, chamo a atenção para sua exposição tendenciosa do problema: a


proibição divina de fazer imagens mereceu da senhora a citação da Bíblia. Já as permissões não
mereceram o mesmo tratamento. Esperamos que isso tenha sido involuntário, embora seja revelador...
        Para manter a imparcialidade da análise, citemos Deus permitindo e mesmo ordenando as
imagens:
"Fez no santuário dois querubins de pau de oliveira, que tinham dez côvados de altura. Cada uma
das asas dos querubins tinha cinco côvados, o que fazia dez côvados da extremidade de uma asa à
extremidade da outra.   O segundo querubim tinha também dez côvados; (...) Revestiu também de ouro
os querubins. Mandou esculpir em relevo em todas as paredes da casa, ao redor, no santuário como no
templo, querubins, palmas e flores abertas." (I Rs, 6, 23-29)
        E ainda:
 "Hirão fez também o mar de bronze, (...) Este [o mar] apoiava-se sobre doze bois, dos quais três
olhavam para o norte, três para o ocidente, três para o sul e três para o oriente(...) " (I Rs, 7, 23-25)
        Lembramos também a serpente de bronze:
 "O povo veio a Moisés e disse-lhe: “Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao
Senhor que afaste de nós essas serpentes.” Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés:
“Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para
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ela, será salvo.” Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era
mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida." (Nm, XXI, 7-9)
        E a arca da aliança:
"Far-me-ão um santuário e habitarei no meio deles. Construireis o tabernáculo e todo o seu
mobiliário exatamente segundo o modelo que vou mostrar-vos. Farão uma arca de madeira de acácia; seu
comprimento será de dois côvados e meio, sua largura de um côvado e meio, e sua altura de um côvado e
meio. Tu a recobrirás de ouro puro por dentro, e farás por fora, em volta dela, uma bordadura de ouro.
Fundirás para a arca quatro argolas de ouro, que porás nos seus quatro pés, duas de um lado e duas de
outro. Farás dois varais de madeira de acácia, revestidos de ouro, que passarás nas argolas fixadas dos
lados da arca, para se poder transportá-la. Uma vez passados os varais nas argolas, delas não serão mais
removidos. Porás na arca o testemunho que eu te der. Farás também uma tampa de ouro puro, cujo
comprimento será de dois côvados e meio, e a largura de um côvado e meio. Farás dois querubins de
ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro,
fixando-os de modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa. Terão esses querubins
suas asas estendidas para o alto, e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada.
Colocarás a tampa sobre a arca e porás dentro da arca o testemunho que eu te der. Ali virei ter contigo, e
é de cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as
minhas ordens para os israelitas.” (Êxodo XXV, 8-22) 
        E o lugar de honra onde deveria ser colocada a arca:
 "Colocarás o véu debaixo dos colchetes, e é ali, atrás do véu, que colocarás a arca da aliança.
Esse véu servirá para separar o ‘santo’ do ‘santo dos santos’. É no santo dos santos que colocarás a
tampa sobre a arca da aliança." (Êxodo XXVI, 33-34)
        E ainda sobre a entronização da arca da aliança no templo:
"Os sacerdotes levaram a arca da aliança do Senhor para seu lugar, no santuário do templo, no
Santo dos Santos, debaixo das asas dos querubins. Pois os querubins estendiam as suas asas sobre o
lugar da arca, e cobriam por cima a arca e os seus varais." (I Rs, 8, 6-7), com a aprovação divina: "a glória
do Senhor tinha enchido a casa do Senhor"  (III Rs 8,11).
        E ainda, sobre prostrar-se diante de imagens:
"Os israelitas cometeram uma infidelidade a respeito do interdito. Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi,
filho de Zara, da tribo de Judá, reteve para si algumas coisas condenadas, e a cólera do Senhor inflamou-se
contra os israelitas. (...) Josué rasgou suas vestes e prostrou-se com a face por terra até a tarde
diante da arca do Senhor, tanto ele como os anciãos de Israel, e cobriram de pó as suas cabeças."
(Josué, 7)
        É muita imagem, dona Lilian!
        Se Deus não permitisse a veneração, não se explica tanta imagem na Bíblia.
        Repito: se veneração = adoração, Deus teria permitido a idolatria no Antigo Testamento. A sã
doutrina não comporta tal absurdo.

        Note, em terceiro lugar, a sua contradição clara:


                1. Deus proibiu as imagens, e essa proibição continua valendo; e
                2. Deus permitiu as imagens, mas essa permissão não vale mais?
        E qual a prova disso? Nenhuma, apenas sua frase: "Se depois disso tudo Ele diz que NÃO é
para manter essa prática..."
           Onde na Bíblia diz que Deus proibiu "depois disso" a veneração das imagens, Lilian? Onde
estão as passagens que apoiam essa sua conclusão? A senhora esqueceu de colocar...
        Não adianta citar a destruição da serpente de bronze, pois o texto é claro: Deus mandou
destruir a serpente quando os israelitas passaram a adorá-la,  mostrando claramente a diferença entre
veneração (permitida) e adoração (proibida).
 
"Ezequias, filho de Acaz, começou a reinar em Judá (...) Ezequias fez o que Javé aprova, seguindo
em tudo o seu antepassado Davi. Ele acabou com os lugares altos, quebrou as estelas e derrubou os
postes sagrados. Despedaçou também a serpente de bronze que Moisés havia feito, porque os
israelitas ainda queimavam incenso diante dela. Eles a chamavam de Noestã. Ezequias pôs sua
confiança em Javé, o Deus de Israel." ( II Rs, 18,1-5)
        Como o Prof. Orlando colocou bem na resposta ao protestante Saul:
"(...) Teria agido mal Moisés ao fazer a serpente de bronze? É claro que não, pois foi o próprio Deus
quem ordenou fazê-la e olhar para ela para que os judeus se curassem.
        Erraram os judeus conservando-a? É evidente que não, porque mostravam gratidão e
obediência a Deus. E entre os que conservaram estavam Moisés, Josué, os Juízes, Daví, Salomão. Será
que todos eles estavam errados? Será que nenhum deles tinha um "Aurélio" -- um dicionário à mão para
saber que adorar, venerar, reverenciar, amar extremamente é tudo a mesma coisa?
        E nenhum deles contou com um sábio Saul para aconselhá-lo? Por que, durante tantos
séculos, Deus e seus enviados permitiram que se guardasse a serpente de bronze?
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        É evidente que permitiram porque ela não era adorada. Quando a transformaram
abusivamente em ídolo, Ezequias a destruiu.(...)" (http://www.montfort.org.br/perguntas/imagens2.html)        
        Portanto, se Deus proibiu as imagens para idolatria e essa proibição continua valendo, também
continua valendo a permissão às imagens para veneração!
        E note - de novo -  como a interpretação protestante coloca a Escritura em contradição:
supondo que Deus tivesse proibido as imagens de forma absoluta séculos depois de haver permitido, antes
dessa proibição Deus teria proibido imagens e permitido ao mesmo tempo! Supondo que a destruição
da serpente significasse a extinção de todo e qualquer culto de veneração da imagens, como Deus pôde ter
permitido o culto às imagens por tanto tempo, se tal culto é sempre abominável?
        Como sair dessa, dona Lilian?
        Não se sai, e aí os ateus se aproveitam para mostrar-lhes mais uma das supostas
"contradições bíblicas"...

       Prossegue a senhora:
 "2º - Sobre as procissões, segue o mesmo raciocínio, a procissão da Arca citada tem alguma
semelhança com as procissões da Igreja Católica? O que eles estavam levando ali era a Arca da Aliança
que Deus mandou construir. Bem diferente das imagens de mortos que vocês andam carregando nas ruas
não acha? Se fosse para continuar com essa prática, teríamos que levar somente a Arca da Aliança e não
as estátuas dos defuntos. Mas onde está a Arca? Sumiu !!! Deus não queria que a adorássemos ou a
venerássemos (como queiram). A não ser que a Igreja resolva “descobrir” onde “ela” está. Mas ainda assim
Deus não autorizou tal prática.
       “...nada sabem os que conduzem em procissão as suas imagens de escultura, feitas de
madeira, e rogam a um deus que não pode salvar.” Isaías 45:20
        Novamente, alegro-me muito em dizer que os “protestantes” obedecem melhor ao Senhor."

        De novo a senhora não separa veneração e adoração, o que é um erro lamentável.


        Deus reprova a idolatria e todas cerimônias ligadas à ela, como a procissão dos ídolos. Mas a
procissão em si não é condenável, como vimos na passagem já citada (Josué, III), e também na seguinte:
 "Jericó, cidade murada, tinha se fechado diante dos israelitas, e ninguém saía dela nem podia
entrar. O Senhor disse a Josué: Vê, entreguei-te Jericó, seu rei e seus valentes guerreiros. Dai volta à
cidade, vós todos, homens de guerra; contornai toda a cidade uma vez. Assim farás durante seis dias.
Sete sacerdotes, tocando sete trombetas, irão adiante da arca. No sétimo dia dareis sete vezes volta
à cidade, tocando os sacerdotes a trombeta. Quando o som da trombeta for mais forte e ouvirdes a sua
voz, todo o povo soltará um grande clamor e a muralha da cidade desabará. Então o povo tomará (de
assalto) a cidade, cada um no lugar que lhe ficar defronte. Josué, filho de Nun, convocou os sacerdotes e
disse-lhes: Levai a arca da aliança, e sete sacerdotes estejam diante dela tocando as trombetas. E
disse em seguida ao povo: Avante! Dai volta à cidade, marchando os guerreiros diante da arca do Senhor.
Logo que Josué acabou de falar, os sete sacerdotes, levando as sete trombetas, retumbantes, puseram-se
em marcha diante do Senhor, tocando os seus instrumentos; e a arca da aliança do Senhor os seguiu.
Marcharam os guerreiros diante dos sacerdotes que tocavam a trombeta, e à retaguarda seguia a arca; e
durante toda a marcha ouvia-se o retinir das trombetas. Ora, Josué havia dado essa ordem ao povo: não
griteis, nem façais ouvir a vossa voz, nem saia de vossa boca palavra alguma, até o dia em que eu vos
disser: Gritai! Então clamareis com força. A arca do Senhor deu uma volta à cidade, e retornaram ao
acampamento para ali passar a noite. Josué levantou-se muito cedo e os sacerdotes levaram a arca do
Senhor. Os sete sacerdotes, levando as sete trombetas retumbantes, marchavam diante da arca do Senhor,
tocando a trombeta durante a marcha. Os guerreiros precediam-nos, e à retaguarda seguia a arca do
Senhor. E ouvia-se o retinir da trombeta durante a marcha. Deram volta à cidade uma vez, no segundo dia,
e voltaram ao acampamento. O mesmo fizeram durante seis dias. Mas, ao sétimo dia, levantando-se de
madrugada, deram volta à cidade sete vezes, como nos dias precedentes: esse foi o único dia em que
fizeram sete vezes a volta. Quando os sacerdotes tocaram as trombetas na sétima volta, Josué disse ao
povo: Gritai, porque o Senhor vos entregou a cidade. (...) O povo clamou e os sacerdotes tocaram as
trombetas. E logo que o povo ouviu o som das trombetas, levantou um grande clamor. A muralha
desabou. A multidão subiu à cidade, sem nada diante de si." (Josué, VI)

        A senhora disse que a arca da aliança não tinha nada a ver com as atuais imagens Católicas.
Ora, mas como citamos acima, a arca tinha na tampa dois querubins esculpidos, duas imagens de anjos!
Também eram imagens, como a que nós Católicos carregamos nas procissões. O povo israelita sabia
distinguir as imagens dos ídolos?
        Curioso que os protestantes dizem que o povo católico não sabe a diferença entre latria e dulia
quando reza diante de uma imagem de Cristo ou de um santo. Agora vem a senhora dizer que havia uma
diferença enorme entre a arca com seus querubins e o andor Católico? Francamente, senhora...
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        Os israelitas carregavam a arca conforme a ordem de Deus, davam voltas em torno da cidade,
e em decorrência desse fato caem as muralhas de Jericó. O povo israelita então sabe distinguir que é pelo
poder Deus e não pelo poder das imagens que se deu aquele milagre?
        Se sim, aplique o mesmo raciocínio às procissões Católicas.
        Se não, a Bíblia elogia uma prática condenável, o que é um absurdo.

        E o fato da arca da aliança ter sumido não significa o fim da veneração das imagens. Pois não
veneramos o objeto, não atribuímos ao objeto um poder que não tem, mas o utilizamos pela lembrança que
nos traz. Deus permitiu que a arca da aliança desaparecesse exatamente para não se atribuir à arca um
poder que não tinha, para que não se adorasse a arca como se fez com a serpente.
        É claro que a Igreja não busca a arca, pois entende que os objetos são apenas meios, e não
fins em si mesmos. Quem busca a arca e outros objetos como se tivessem poder em si são os hereges,
como os cátaros e mais recentemente os nazistas, em Montségur.
        Agora, note o seguinte, dona Lilian: o que estava dentro da arca? As tábuas da lei. Perdeu-se a
arca, e com a arca... perderam-se as tábuas da lei. Seguindo o seu raciocínio, se Deus fez desaparecer a
arca da aliança para acabar com a veneração às imagens, também devemos entender que Deus fez
desaparecer a lei, pois fez sumir as tábuas que entregou a Moisés... e se não há mais lei, não há mais
proibição de fazer imagens... tire as conclusões ... de seu próprio raciocínio!
        Infelizmente, mais uma vez, vemos quanta incoerência move os protestantes que
desconhecem a Bíblia...        

        Diz também a senhora:


"3º - Sobre a virgindade de Maria, o senhor diz que a Bíblia não tem que dizer o que queremos
saber. Realmente há pontos na Bíblia que não são esclarecidos. Neste ponto concordo com o senhor. Mas
como a própria palavra diz: “ o que foi escrito é suficiente para que creiamos”. E é por isso, que os
“protestantes” não acrescentam nada na Palavra de Deus porque se há pontos não escritos, não somos nós
que vamos escrever, não é mesmo?
       Embora, para nós, aqueles filhos citados são realmente irmãos de Jesus porque não é fruto da
imaginação como no caso da virgindade perpétua, é uma suposição baseada em algo escrito. Mas isso,
acho que não seja relevante, pois se ela ficou virgem, José que se entendesse com a decisão dela ! E se
ela não ficou, não pecou, pois ela era casada com José e o sexo no casamento é algo deixado por Deus,
não cometendo pecado nenhum.
       Novamente os “protestantes” são menos desobedientes não acha? Pelo menos não
acrescentamos nada na Bíblia.

        Em primeiro lugar corrijo uma imprecisão sua: eu não disse que " a Bíblia não tem que dizer o
que queremos saber", mas que "A Bíblia não tem que dizer o que você quer ler". Vai grande diferença entre
uma e outra expressão.
        O argumento é que há muitas verdades na Escritura que não foram escritas da maneira que o
protestante acha que deve estar, como a Trindade. Encontre na Bíblia a expressão Santíssima Trindade,
dona Lilian. Adianto que não encontrará. No entanto não existe doutrina mais fundamental e elevada em
toda a Escritura! Só que a maneira como Deus se revelou precisou ser esclarecida, definida, explicitada,
isolada dos erros, de uma forma que só o Magistério da Igreja poderia fazer. Pois Cristo constituiu um
Magistério exatamente para isso, para guardar fielmente a doutrina e ensinar a toda gente.
       Cristo chamou os Apóstolos e confiou a eles o depósito da fé:
"Então Jesus se aproximou, e falou: «Toda a autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra.
Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e
do Filho, e do Espírito Santo,  e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que eu estarei
com vocês todos os dias, até o fim do mundo.» (Mt, 28,18-20) e São Paulo também nos diz: " Eu recebi do
Senhor o que vos transmiti (...)" (I Cor. 11,23)
    
        A virgindade de Maria deduz-se das passagens bíblicas, que os protestantes não entendem.
Já foi explicado em nosso site como a palavra irmão no hebraico poderia significar parente, e que a mesma
palavra irmão é aplicada a Lot e Abrão, que eram tio e sobrinho.
"Abraão chama de Irmão a Lot: "Peço-te que não haja rinhas entre mim e ti, nem entre os meus
pastores e os teus, porque somos irmÃos (Gênesis, XIII-8). Mais adiante a própria Bíblia o chama assim:
"Abraão, tendo ouvido que Lot, seu irmão, ficara prisioneiro... (Gênesis XIV-14). Pois bem,  "Lot era apenas
sobrinho de Abraão, pois já antes disto se lê no Gênesis: "Tinha Abraão setenta e cinco anos, quando saiu
de Harã. E ele levou consigo a Sarai, sua mulher, a Lot, filho de seu irmão, e todos os bens que possuíam
(Gênesis XII-4 e 5) (http://www.montfort.org.br/perguntas/nossasenhora5.html).
        Já Sto Agostinho e São Jerônimo mostravam isso nó século IV, contra os hereges de sua
época. No entanto, a teimosia protestante insiste em ler em sua bíblia incompleta que os parentes de Jesus
eram seus irmãos... que vai se fazer...
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        E por fim, infelizmente a senhora derrapa, ofendendo desnecessariamente os Católicos:


"Se vocês tivessem o direito de raciocinar poderiam perceber as diferenças entre a Igreja de Cristo
e a Igreja Católica. Mas se você quiser fazer isto senhor Marcos não perca tempo! Jesus disse: “Examinais
as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;” João 5:39.""

        A senhora, dona Lilian, que vinha razoavelmente bem até aqui, usa de um deboche
desnecessário. Estamos discutindo idéias, e não pessoas. Fica muito feio apelar dessa forma. Procure se
ater aos fatos e aos argumentos, para que possamos melhorar nossa impressão acerca dos protestantes.
        É claro que devem se examinar as Escrituras, porém, sem querer interpretar contra o sentido
que Deus colocou. Pois "nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular" (II Pe I, 20)

        Esperando ter diminuído seu preconceito em relação à Igreja de Cristo - a Igreja Católica - nos
despedimos cordialmente,

In Jesu et Mariae
Marcos Libório

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