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Autor:
Equipe Direito Constitucional
Estratégia Concursos
09 de Dezembro de 2024
Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos
Aula 00
Índice
1) Apresentação do Curso de Direito Constitucional
..............................................................................................................................................................................................3
2) Sentidos de Constituição
..............................................................................................................................................................................................5
7) Poder Constituinte
..............................................................................................................................................................................................
45
Tudo bem?
É com enorme alegria que hoje damos início ao nosso curso de Direito Constitucional. Antes de
qualquer coisa, pedimos licença para uma rápida apresentação e passagem de algumas
orientações importantes. :)
Este curso contemplará uma abordagem teórica verticalizada no estudo do Direito Constitucional,
incluindo a resolução de muitas questões da banca examinadora e uma preparação eficiente para
concurso público. Da nossa parte, pode esperar o máximo de dedicação para produzir o melhor
e mais completo conteúdo para vocês. ==0==
Os livros digitais contam com a produção intelectual originária dos professores Ricardo Vale e
Nádia Carolina, além das atualizações e revisões elaboradas pela nossa equipe de professores
em Direito Constitucional do Estratégia Concursos.
Uma recomendação importante! Procurem realizar o estudo das aulas em PDF realizando grifos e
anotações próprias no material. Isso será fundamental para as revisões futuras do conteúdo.
Mantenham também a resolução de questões como um dos pilares de seus estudos. Elas são
essenciais para a fixação do conteúdo teórico.
Buscaremos sempre apresentar um PDF com bastante didática, a fim de que vocês possam
realizar uma leitura de fácil compreensão e assimilação do conteúdo adequadamente. Tenham a
certeza de que traremos, a cada aula, o aprofundamento necessário para a prova, em todos os
tópicos fundamentais do Direito Constitucional.
Com essa estrutura e proposta, vocês realizarão uma preparação completa para o concurso, o
que, evidentemente, será fundamental para a sua aprovação. Além do livro digital, vocês terão
acesso a videoaulas, esquemas, slides, dicas de estudo e poderão fazer perguntas sobre as aulas
em nosso fórum de dúvidas.
No caso das videoaulas, contaremos com a participação do nosso time de professores: Nelma
Fontana e Adriane Fauth, visando a produção de conteúdo para o curso extensivo e também os
nossos eventos especiais e de reta final.
Dito tudo isso, já podemos partir para a nossa primeira aula! Todos preparados?
SENTIDOS DE CONSTITUIÇÃO
Sentido sociológico
Iniciaremos o estudo das concepções de constituição apresentando seu sentido sociológico, que
surgiu no século XIX, definido por Ferdinand Lassalle.
Na concepção sociológica, a Constituição é um fato social, e não uma norma jurídica. Busca-se
definir o que a Constituição “realmente é”, ou seja, leva-se em conta seu caráter material (sua
verdadeira essência), e não seu caráter formal (como foi criada).
Lassalle entende que a Constituição real e efetiva de um Estado consiste na soma dos fatores
reais de poder que vigoram na sociedade; ela é, assim, um reflexo das relações de poder que
existem no âmbito do Estado. Com efeito, é o embate das forças econômicas, sociais, políticas e
religiosas que forma a Constituição real (efetiva) do Estado.
Na Prússia do tempo de Lassalle, os fatores reais de poder (forças econômicas, políticas e sociais)
eram determinados pelo choque de interesses dos diversos atores do processo político: a
monarquia, o Exército, a aristocracia, os grandes industriais, os banqueiros e também a pequena
burguesia e a classe operária, ou seja, o povo. O equilíbrio instável entre esses interesses
resultaria, segundo o autor, na Constituição real.
Na situação ideal, essa Constituição real, resultante dos fatores reais do poder, adquiriria
expressão escrita. Uma vez que esses fatores fossem incorporados ao papel, tornar-se-iam
verdadeiro Direito – instituições escritas.
Por outro lado, caso essa situação ideal não se concretizasse, a Constituição escrita seria mera
“folha de papel”. O Estado teria, então, duas constituições: uma real, efetiva, correspondente à
soma dos fatores reais de poder que o regessem; e outra, escrita, que consistiria apenas numa
“folha de papel”. Em caso de conflito entre as duas, prevaleceria a primeira, ou seja, a efetiva.
Foi a partir dessa lógica que Lassalle entendeu que todo e qualquer Estado sempre teve e
sempre terá uma constituição real e efetiva, independentemente da existência de um texto
escrito. A existência das constituições não é algo dos “tempos modernos”; o que o evoluir do
constitucionalismo fez foi criar constituições escritas, verdadeiras “folhas de papel”.
Sentido político
Outra concepção de constituição que devemos conhecer é a preconizada por Carl Schmitt, a
partir de sua obra “A Teoria da Constituição”, de 1920. Na sua visão, a Constituição seria fruto da
vontade do povo, titular do poder constituinte; por isso mesmo é que essa teoria é considerada
decisionista ou voluntarista.
Para Schmitt, a Constituição é uma decisão política fundamental que visa estruturar e organizar
os elementos essenciais do Estado. A validade da Constituição, segundo ele, baseia-se na
decisão política que lhe dá existência, e não na justiça de suas normas. Pouco importa, ainda, se
a Constituição corresponde ou não aos fatores reais de poder que imperam na sociedade; o que
interessa tão somente é que a Constituição é um produto da vontade do titular do Poder
Constituinte. Daí a teoria de Schmitt ser chamada de voluntarista ou decisionista.
Schmitt distingue Constituição de leis constitucionais. A primeira, segundo ele, dispõe apenas
sobre matérias de grande relevância jurídica (decisões políticas fundamentais), como é o caso da
organização do Estado, por exemplo. As segundas, por sua vez, seriam normas que fazem parte
formalmente do texto constitucional, mas que tratam de assuntos de menor importância.
A concepção política de constituição guarda notória correlação com a classificação das normas
em materialmente constitucionais e formalmente constitucionais. As normas materialmente
constitucionais correspondem àquilo que Carl Schmitt denominou “Constituição”; por sua vez,
normas formalmente constitucionais são o que o autor chamou de “leis constitucionais”.
Sentido jurídico
Outra importante concepção de constituição foi a preconizada por Hans Kelsen, criador da Teoria
Pura do Direito.
Nessa concepção, a Constituição é entendida como norma jurídica pura, sem qualquer
consideração de cunho sociológico, político ou filosófico. Ela é a norma superior e fundamental
do Estado, que organiza e estrutura o poder político, limita a atuação estatal e estabelece
direitos e garantias individuais.
Para Kelsen, a Constituição não retira o seu fundamento de validade dos fatores reais de poder, é
dizer, sua validade não se apoia na realidade social do Estado. Essa era, afinal, a posição
defendida por Lassale, em sua concepção sociológica de constituição que, como é possível
perceber, opunha-se fortemente à concepção kelseniana.
Com o objetivo de explicar o fundamento de validade das normas, Kelsen concebeu o
ordenamento jurídico como um sistema em que há um escalonamento hierárquico das normas.
Sob essa ótica, as normas jurídicas inferiores (normas fundadas) sempre retiram seu fundamento
de validade das normas jurídicas superiores (normas fundantes). Assim, um decreto retira seu
fundamento de validade das leis ordinárias; por sua vez, a validade das leis ordinárias apoia-se na
Constituição.
Chega-se, então, a uma pergunta decisiva para que se possa completar a lógica do sistema: de
qual norma a Constituição, enquanto Lei suprema do Estado, retira seu fundamento de validade?
A resposta a essa pergunta, elaborada por Hans Kelsen, depende da compreensão da
Constituição a partir de dois sentidos: o lógico-jurídico e o jurídico-positivo.
No sentido lógico-jurídico, a Constituição é a norma hipotética fundamental (não real, mas sim
imaginada, pressuposta) que serve como fundamento lógico transcendental da validade da
Constituição em sentido jurídico-positivo. Essa norma não possui um enunciado explícito,
consistindo apenas numa ordem, dirigida a todos, de obediência à Constituição positiva. É como
se a norma fundamental hipotética dissesse o seguinte: “Obedeça-se à constituição positiva!”.
Sentido cultural
Apesar de pouco cobrado em prova, é importante que saibamos o que significa a Constituição
no sentido cultural, preconizado por Meirelles Teixeira. Para esse sentido, o Direito só pode ser
entendido como objeto cultural, ou seja, uma parte da cultura. Isso porque o Direito não é:
a) Real, uma vez que os seres reais pertencem à natureza, como uma pedra ou um rio, por
exemplo.
b) Ideal, uma vez que não se trata de uma relação (igualdade, diferença, metade, etc.) nem
de uma quantidade ou figura matemática (números, formas geométricas, etc.) ou de uma
essência, pois os seres ideais são imutáveis e existem fora do tempo e do espaço,
enquanto o conteúdo das normas jurídicas varia através dos tempos, dos lugares, dos
povos e da história.
c) Puro valor, uma vez que, por meio de suas normas, apenas tenta concretizar ou realizar
um valor, não se confundindo com ele.
Por isso, considerando que os seres são classificados em quatro categorias – reais, ideais, valores
e objetos culturais –, o Direito pertence a esta última. Isso porque, assim como a cultura, o
Direito é produto da atividade humana.
A partir dessa análise, chega-se ao conceito de constituição total, que é condicionada pela
cultura do povo e também atua como condicionante dessa mesma cultura. Essa constituição
abrange todos os aspectos da vida da sociedade e do Estado, sendo uma combinação de todas
as concepções anteriores – sociológica, política e jurídica.
O jurista alemão Konrad Hesse, autor da obra A força normativa da Constituição, é um dos
responsáveis pelo conceito mais moderno e atual de constituição. Como o próprio nome da obra
sugere, a linha de pensamento de Hesse vai no sentido de que a Constituição deve ser
considerada uma norma jurídica, tendo, portanto, força normativa.
Trata-se de um ponto de vista que vai de encontro ao que afirma Ferdinand Lassale: para este, a
Constituição seria uma simples "folha de papel" e um fato social (e não uma norma jurídica).
Hesse reconhece a importância da realidade histórica social do tempo em que a Constituição foi
editada, mas essa realidade temporal não pode ser uma única condicionante para a Constituição.
Ou seja, para Hesse, em caso de conflito entre um fato social e a Constituição, esta deve
preponderar.
Nesse sentido, para Hesse, não há que se falar em separação ou confusão entre "Constituição
real" e "Constituição jurídica". Há um condicionamento mútuo entre elas.
Acerca disso, leia o excerto a seguir, retirado da obra de Konrad Hesse1:
1
HESSE, Konrad. A força normativa da Constituição. Tradução de Gilmar Ferreira Mendes. Porto Alegre: S.A.
Fabris, 1991.
Konrad Hesse entende que a Constituição deve ser entendida como a ordem
jurídica fundamental de uma comunidade ou o plano estrutural para a
conformação jurídica de uma comunidade, segundo certos princípios
fundamentais, uma tarefa cuja realização só se torna possível porque a Lei
Fundamental2:
- fixa os princípios diretores segundo os quais se deve formar a unidade política e
desenvolver as tarefas estatais;
- define os procedimentos para a solução dos conflitos no interior da
comunidade;
- disciplina a organização e o processo de formação da unidade política e da
atuação estatal; e
- cria as bases e determina os princípios da ordem jurídica global.
2
MENDES, Gilmar Fereira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito
Constitucional. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
(CRP/MA – 2021) Para Konrad Hesse, o documento escrito com o nome de constituição, se não
espelhar fielmente a soma dos fatores reais de poder que coexistem em uma sociedade, não será
de serventia alguma, não passando de um pedaço de papel.
Comentários:
A alternativa expressa, na verdade, o sentido sociológico de constituição elaborado por
Ferdinand Lassale. Konrad Hesse é o jurista que defendeu a força normativa da Constituição.
Questão errada.
(FAPESP – 2018) No tocante ao tema conceito de constituição, existem pensadores e
doutrinadores que formularam concepções de constituição segundo seus diferentes sentidos.
Consequentemente, é correto afirmar que Ferdinand Lassale, Carl Schmitt e Hans Kelsen estão
ligados às concepções de constituição, respectivamente, nos sentidos sociológico, político e
jurídico.
Comentários:
Lassale é responsável pelo conceito sociológico de constituição, em que ela é a soma dos fatores
reais do poder. Schmitt, por sua vez, define constituição em seu sentido político, considerando-a
decisão política fundamental. Por fim, Hans Kelsen preconiza constituição em sentido jurídico,
como norma hipotética fundamental da qual se extrai a validade de todo o ordenamento jurídico.
Questão correta.
3
LENZA, Pedro. Direito Constitucional. 25. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2021.
(TJ-PR – 2017) Em sentido sociológico, a Constituição deve ser entendida como a norma que se
refere à decisão política estruturante da organização do Estado.
Comentários:
A Constituição em sentido sociológico é a soma dos fatores reais de poder que vigoram na
sociedade. Questão errada.
(PC/DF – 2015) Hans Kelsen concebe dois planos distintos do direito: o jurídico-positivo, que são
as normas positivadas; e o lógico-jurídico, situado no plano lógico, como norma fundamental
hipotética pressuposta, criando-se uma verticalidade hierárquica de normas.
Comentários:
No sentido lógico-jurídico, a Constituição é a norma hipotética fundamental. Já no sentido
jurídico-positivo, a Constituição é a norma positiva suprema. Questão correta.
(PC/DF – 2015) De acordo com o sentido político de Carl Schmitt, a constituição é o somatório
dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade. Isso significa que a constituição somente se
legitima quando representa o efetivo poder social.
Comentários:
No sentido sociológico, preconizado por Ferdinand Lassale, a Constituição é a soma dos fatores
reais de poder. Questão errada.
(PC/DF – 2015) De acordo com o sentido sociológico de Ferdinand Lassale, a constituição não se
confunde com as leis constitucionais. A constituição, como decisão política fundamental, irá
cuidar apenas de determinadas matérias estruturantes do Estado, como órgãos do Estado, e dos
direitos e das garantias fundamentais, entre outros.
Comentários:
Carl Schmitt é quem fez a distinção entre Constituição e “leis constitucionais”. Questão errada.
José Afonso da Silva4 aponta que as concepções de Lassale, Schmitt ou Kelsen, por exemplo,
pecam pela unilateralidade. Nesse sentido, vários juristas têm tentado formular um conceito
unitário de constituição, concebendo-a em sentido que revele conexão de suas normas com a
totalidade da vida coletiva. É o que se conhece como “Constituição Total”.
“A Constituição é algo que tem, (i) como forma, um complexo de normas (escritas ou
costumeiras); (ii) como conteúdo, a conduta humana motivada pelas relações sociais
(econômicas, políticas, religiosas); (iii) como fim, a realização dos valores que apontam para o
existir da comunidade; e, finalmente, (iv) como causa criadora e recriadora, o poder que emana
do povo. Não pode ser compreendida e interpretada, se não se tiver em mente essa estrutura,
considerada como conexão de sentido, como é tudo aquilo que integra um conjunto de valores”.
4
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 40. ed. São Paulo: Malheiros, 2017.
CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO
O estudo do Direito Constitucional – e do Direito, como um todo – necessariamente começa com
a seguinte pergunta: o que se entende por Constituição?
Objeto de estudo do Direito Constitucional, a Constituição é a lei fundamental e suprema de um
Estado, criada pela vontade soberana do povo. É ela que determina a organização
político-jurídica do Estado, dispondo sobre a sua forma, os órgãos que o integram e as
competências destes e, finalmente, a aquisição e o exercício do poder. Cabe também a ela
estabelecer as limitações ao poder do Estado e enumerar os direitos e as garantias
fundamentais.1
Na doutrina de Paulo Bonavides, Constituição, do ponto de vista material (ou seja, acerca do seu
conteúdo), é o conjunto de normas pertinentes à organização do poder, à distribuição de
competência, ao exercício da autoridade, à forma de governo, aos direitos da pessoa humana,
tanto individuais como sociais. Tudo quanto for, enfim, conteúdo básico referente à composição
e ao funcionamento da ordem política exprime o aspecto material da Constituição2. São as
determinações mais importantes e merecedoras de serem designadas como matéria
constitucional.
Por outro lado, há normas enxertadas no corpo da Constituição que não se referem aos
elementos básicos ou institucionais de organização política. São normas de aparência
constitucional, portanto. Logo, tudo o que está na Constituição tem aspecto formal, porquanto
está incorporado ao texto da Carta.
1
MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil Interpretada e Legislação Constitucional, 9ª edição. São Paulo
Editora Atlas: 2010, pp. 17.
2
BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 22. Ed. São Paulo: Malheiros, 2008.
Note a menção a princípios caros ao nosso ordenamento jurídico, como liberdade, segurança,
bem-estar, desenvolvimento, igualdade e justiça. O próprio preâmbulo afirma que se trata de
valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos.
A parte dogmática da Constituição é o texto constitucional propriamente dito, que prevê os
direitos e deveres criados pelo Poder Constituinte. Trata-se do corpo permanente da Carta
Magna, que, na CF/88, vai do art. 1º ao 250. Destaca-se que falamos em “corpo permanente”
porque, a princípio, essas normas não têm caráter transitório, embora possam ser modificadas
pelo Poder Constituinte Derivado Reformador, mediante Emenda Constitucional.
Por fim, a parte transitória da Constituição visa integrar a ordem jurídica antiga à nova, quando
do advento de uma nova Constituição, garantindo a segurança jurídica e evitando o colapso
entre um ordenamento jurídico e outro. Suas normas são formalmente constitucionais, embora,
no texto da CF/88, apresente numeração própria (veja ADCT – Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias). Assim como a parte dogmática, a parte transitória pode ser
3
ADI 2.076-AC, Rel. Min. Carlos Velloso, DJU de 23.08.2002.
4
MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil Interpretada e Legislação Constitucional, 9ª edição. São Paulo
Editora Atlas: 2010, pp. 53-55
modificada por reforma constitucional. Além disso, também pode servir como paradigma para o
controle de constitucionalidade das leis.
(FUB – 2022) Por ser norma jurídica, a CF é dotada de força normativa para vincular e impor os
seus comandos, a exemplo de seu preâmbulo, que possui força normativa de reprodução
==0==
SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO
Segundo José Afonso da Silva5, a rigidez constitucional decorre da maior dificuldade para sua
modificação do que para a alteração das demais normas jurídicas da ordenação estatal. Da
rigidez emana, como primordial consequência, o princípio da supremacia da Constituição.
Significa que a Constituição se coloca no vértice do sistema jurídico do país, a que confere
validade, e que todos os poderes estatais são legítimos na medida em que ela os reconheça e na
proporção por ela distribuídos. É nela que se encontram a própria estruturação do Estado e a
organização de seus órgãos; é nela que se acham as normas fundamentais de Estado, e só nisso
se notará sua superioridade em relação às demais normas jurídicas.
Todas as normas que integram a ordenação jurídica nacional só serão válidas se se conformarem
com as normas da Constituição Federal6.
5
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 40. ed. São Paulo: Malheiros, 2017
6
Op. cit.
(Receita Federal – 2023) Em determinado País, o grupo político que assumiu o poder com o uso
da força solicitou que uma comissão de notáveis elaborasse um projeto de Constituição. Ato
contínuo, após realizar os ajustes que lhe pareciam necessários, submeteu-o a um plebiscito, com
o objetivo de lhe conferir uma aparente legitimidade, o que resultou na sua aprovação popular.
Ato contínuo à aprovação, o texto constitucional foi publicado e sua observância se tornou
obrigatória. Essa Constituição, no entanto, foi moldada pelo grupo político dominante com o
intuito de atender aos seus objetivos.
A Constituição do referido País se compatibiliza com a classificação como cesarista e semântica.
Comentários:
Uma constituição cesarista (ou bonapartista) é outorgada, mas necessita de referendo popular. É
exatamente a situação retratada na questão, já que um grupo político assumiu o poder com o
uso da força e procedeu à elaboração de uma nova Carta. Essa constituição foi posteriormente
submetida a referendo popular para ter eficácia. Veremos mais à frente que a classificação de
constituição semântica também se amolda ao caso da questão, pois ela não tem por objetivo
regular a política estatal. Visa apenas formalizar a situação existente do poder político, em
benefício dos seus detentores. Questão correta.
(DPE-PR – 2017) As constituições cesaristas, normalmente autoritárias, partem de teorias
preconcebidas, de planos e sistemas prévios e de ideologias bem declaradas.
Comentários:
As constituições cesaristas são aquelas que, após serem impostas (outorgadas), precisam ser
aprovadas em um referendo popular. Não há relação entre “constituições cesaristas” e a
existência de uma ideologia bem declarada. Questão errada.
(PC / DF – 2015) As constituições outorgadas são aquelas que, embora confeccionadas sem a
participação popular, para entrarem em vigor, são submetidas à ratificação posterior do povo por
meio de referendo.
Comentários:
As constituições cesaristas é que são submetidas à ratificação por meio de referendo popular.
Questão errada.
(PC / DF – 2015) As constituições podem ser ortodoxas, quando reunirem uma só ideologia,
como a Constituição Soviética de 1977, ou ecléticas, quando conciliarem várias ideologias em
seu texto, como a Constituição Brasileira de 1988.
Comentários:
A CF/88 é eclética, pois suas normas originam-se de ideologias distintas. Por outro lado, a
Constituição Soviética de 1977 pode ser apontada como constituição ortodoxa, pois é baseada
apenas em uma única ideologia: a ideologia comunista. Questão correta.
votação em dois turnos, nas duas Casas do Congresso Nacional e aprovação de pelo
menos três quintos dos integrantes das Casas Legislativas (art. 60, §2º, CF/88). Exemplos:
Constituições de 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988.
d) Semirrígidas ou semiflexíveis — para algumas normas, o processo legislativo de
alteração é mais dificultoso que o ordinário; para outras, não. Um exemplo é a Carta
Imperial do Brasil (1824), que exigia procedimento especial para modificação de artigos
que tratassem de direitos políticos e individuais, bem como de limites e atribuições
respectivas dos Poderes. As normas referentes a todas as demais matérias poderiam ser
alteradas por procedimento usado para modificar as leis ordinárias.
e) Flexíveis — podem ser modificadas pelo procedimento legislativo ordinário, ou seja,
pelo mesmo processo legislativo usado para modificar as leis comuns.
É importante salientar que a maior ou menor rigidez da constituição não lhe assegura
estabilidade. Sabe-se hoje que esta se relaciona mais com o amadurecimento da sociedade e das
instituições estatais do que com o processo legislativo de modificação do texto constitucional.
Não seria correta, portanto, uma questão que afirmasse que uma constituição rígida é mais
estável. Veja o caso da CF/88, que já sofreu dezenas de emendas.
(FUB – 2022) A CF é classificada, quanto à estabilidade, como rígida, ou seja, para a alteração do
texto constitucional, exige-se um processo legislativo especial e mais cerimonioso que o
procedimento adotado para a alteração de normas não constitucionais, não podendo a CF estar
sujeita a mutações ao sabor das dificuldades passageiras.
Comentários:
Quanto à estabilidade, as constituições rígidas possuem um processo legislativo de modificação
mais complexo comparado ao da legislação infraconstitucional. Nesse sentido, o processo
legislativo destinado à aprovação de emendas constitucionais ocorre conforme o rito
estabelecido pelo § 2º do art. 60 da CF/88, sendo necessária a realização de votação em cada
Casa do Congresso Nacional (dupla votação), em dois turnos, considerando-se aprovada se
obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros. Questão correta.
(UEG – 2015) A CF/88 pode ser definida como semirrígida, pois apresenta dispositivos que
podem ser emendados por meio de lei (normas apenas formalmente constitucionais), ao passo
que as normas materialmente constitucionais só podem ser alteradas por meio de emendas à
constituição.
Comentários:
A CF/88 é classificada como rígida, pois somente pode ser modificada por um procedimento
mais dificultoso do que o das leis ordinárias. Na história brasileira, a Constituição de 1824 era
semirrígida. Questão errada.
1
Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Curso de Direito Constitucional, 27ª edição, p. 12, Ed. Saraiva.
2
Dirley da Cunha Junior. Curso de Direito Constitucional, 6ª edição, p. 149, Ed. JusPodivm.
(ALESE – 2018) Há hierarquia entre as normas constitucionais, sendo que aquelas classificadas
como materialmente constitucionais apresentam maior valor que as classificadas tão somente
como formalmente constitucionais.
Comentários:
Não há hierarquia entre as normas constitucionais. Todas possuem valor igual, situando-se no
topo da pirâmide de Kelsen, independentemente de serem materialmente ou apenas
formalmente constitucionais. Questão errada.
(Instituto Rio Branco – 2017) A Constituição Federal de 1988 é classificada, quanto à extensão,
==0==
como sintética, pois suas matérias foram dispostas em um instrumento único e exaustivo de seu
conteúdo.
Comentários:
A Constituição Federal de 1988 pode ser classificada, quanto à extensão, como analítica, por
tratar de matérias que não são materialmente constitucionais. Questão errada.
humanos (direitos de primeira geração, ou seja, direitos civis e políticos), a partir do final
do século XVIII. As constituições-garantia são também chamadas de negativas, uma vez
que buscam limitar a ação estatal; elas impõem a omissão ou negativa de atuação do
Estado, protegendo os indivíduos contra a ingerência abusiva dos poderes públicos.
b) Constituição dirigente — é aquela que traça diretrizes que devem nortear a ação
estatal, prevendo, para isso, as chamadas normas programáticas. Segundo Canotilho, as
constituições dirigentes voltam-se à garantia do existente, aliada à instituição de um
programa ou linha de direção para o futuro, sendo estas as suas duas principais
finalidades. Assim, as constituições-dirigentes, além de assegurarem as liberdades
negativas (já alcançadas), passam a exigir uma atuação positiva do Estado em favor dos
indivíduos. A Constituição Federal de 1988 é classificada como uma
constituição-dirigente.
Essas constituições surgem mais recentemente no constitucionalismo (início do século XX),
juntamente com os direitos fundamentais de segunda geração (direitos econômicos,
sociais e culturais). Os direitos de segunda geração, em regra, exigem do Estado
prestações sociais, como saúde, educação, trabalho, previdência social, entre outras.
c) Constituição-balanço — é aquela que visa reger o ordenamento jurídico do Estado
durante um certo tempo, nela estabelecido. Transcorrido esse prazo, é elaborada uma
nova constituição ou seu texto é adaptado. É uma constituição típica de regimes
socialistas, podendo ser exemplificada pelas Constituições de 1924, 1936 e 1977, da
União Soviética. Também chamadas de constituições-registro, essas constituições
descrevem e registram o estágio da sociedade em um dado momento.
4
José Afonso da Silva conceitua as normas programáticas como aquelas "através das quais o constituinte, em
vez de regular, direta e imediatamente, determinados interesses, limitou-se a traçar-lhes os princípios para
serem cumpridos pelos órgãos (legislativos, executivos, jurisdicionais e administrativos), como programas das
respectivas atividades, visando à realização dos fins sociais do Estado”.
(ISS – SP – 2014) No que diz respeito ao seu modo de elaboração, a CF/88 é definida como
constituição-dirigente, pois examina e regulamenta todos os assuntos que entenda ser relevantes
à destinação e ao funcionamento do Estado.
Comentários:
Quanto ao modo de elaboração, as constituições podem ser classificadas como dogmáticas ou
históricas. A CF/88 é classificada como dogmática. Questão errada.
(PGE-PR – 2015) A noção de Constituição dirigente determina que, além de organizar e limitar o
poder, a Constituição também preordena a atuação governamental por meio de planos e
programas constitucionais vinculantes.
Comentários:
Além de assegurarem as liberdades negativas (limitando o poder estatal), as constituições
dirigentes traçam diretrizes que devem nortear a ação estatal. Elas definem planos e programas
vinculantes para os poderes públicos. Questão correta.
Outras Classificações
A doutrina constitucionalista, ao estudar as constituições, identifica ainda outras classificações
possíveis:
a) Plástica — não há consenso doutrinário sobre quais são as características de uma
constituição plástica. O Prof. Pinto Ferreira considera como plásticas as constituições
flexíveis (alteráveis por processo legislativo próprio das leis comuns); por outro lado, Raul
Machado Horta denomina de plásticas as constituições cujo conteúdo é de tal sorte
maleável que estão aptas a captar as mudanças da realidade social sem necessidade de
emenda constitucional. Nessa perspectiva, “a Constituição plástica estará em condições
de acompanhar, através do legislador ordinário, as oscilações da opinião pública e do
corpo eleitoral”.5
b) Expansiva — na evolução constitucional de um Estado, é comum que uma nova
constituição, ao ser promulgada, traga novos temas e amplie o tratamento de outros, que
já estavam no texto constitucional anterior. Essas constituições são consideradas
expansivas, como é o caso da Constituição Federal de 1988 que, além de trazer à luz
vários novos temas, ampliou substancialmente o tratamento dos direitos fundamentais.
c) Dúctil (suave ou maleável) — é uma classificação desenvolvida pelo italiano Gustavo
Zagrebelsky. Para ele, em uma sociedade plural, na qual convivem diferentes ideologias e
interesses, a constituição deve ter como objetivo assegurar as condições necessárias para
uma vida comunitária.
Nessa concepção, a constituição não é um projeto acabado, finalizado; ao contrário, é um
projeto em construção. A constituição deve ser maleável, buscando viabilizar uma vida
comunitária pautada pelo pluralismo político, econômico e social. Para Zagrebelsky, o
texto da constituição é um “conjunto de materiais de construção”, que serve como base
para a construção de um “edifício concreto”, a partir da combinação desses materiais pela
política.
Quanta informação, não é mesmo? Vamos revisar? A tabela a seguir sintetiza as principais
classificações das constituições que vimos nesta aula:
5
HORTA, Raul Machado. Direito Constitucional, 5ª edição. Ed. Del Rey, 2010.
QUANTO À FORMA
QUANTO À ESTABILIDADE
QUANTO AO CONTEÚDO
QUANTO À EXTENSÃO
QUANTO À FINALIDADE
QUANTO AO SISTEMA
A classificação do Prof. José Afonso da Silva analisa a eficácia das normas sob um
ponto de vista jurídico. Também é possível se falar em eficácia social das normas,
que diz respeito ao grau em que uma determinada norma jurídica é aplicada no
dia a dia da sociedade. Do ponto de vista social, uma norma será eficaz quando
for efetivamente aplicada a casos concretos.
1
FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Curso de Direito Constitucional, 38ª edição. Editora Saraiva, São Paulo:
2012, pp. 417-418.
caso do art. 2º da CF/88, que diz: “são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si,
o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.
As normas de eficácia plena possuem as seguintes características:
a) são autoaplicáveis, é dizer, elas independem de lei posterior regulamentadora que lhes
complete o alcance e o sentido. Isso não quer dizer que não possa haver lei
regulamentadora versando sobre uma norma de eficácia plena; a lei regulamentadora até
pode existir, mas a norma de eficácia plena já produz todos os seus efeitos de imediato,
independentemente de qualquer tipo de regulamentação.
b) são não restringíveis, ou seja, caso exista uma lei tratando de uma norma de eficácia
plena, esta não poderá limitar sua aplicação.
c) possuem aplicabilidade direta (não dependem de norma regulamentadora para produzir
seus efeitos), imediata (estão aptas a produzir todos os seus efeitos desde o momento em
que é promulgada a Constituição) e integral (não podem sofrer limitações ou restrições em
sua aplicação).
(CNMP – 2023) As normas constitucionais de eficácia plena são assim classificadas porque não é
necessário que produzam todos os seus efeitos essenciais de forma direta, imediata e integral,
bastando terem a possibilidade de produzi-los.
Comentários:
A norma constitucional é plena porque ela tem a possibilidade de produzir efeitos de forma
direta, imediata e integral. Isso não significa que, necessariamente, as normas de eficácia plena
produzirão seus efeitos essenciais. Questão correta.
- outra norma constitucional — o art. 139 da CF/88 prevê a possibilidade de que sejam
impostas restrições a certos direitos e garantias fundamentais durante o estado de sítio.
- conceitos ético-jurídicos indeterminados — o art. 5º, inciso XXV, da CF/88 estabelece que,
no caso de “iminente perigo público”, o Estado poderá requisitar propriedade particular.
Esse é um conceito ético-jurídico que poderá, então, limitar o direito de propriedade.
c) possuem aplicabilidade direta (não dependem de norma regulamentadora para produzir
seus efeitos), imediata (estão aptas a produzir todos os seus efeitos desde o momento em
que é promulgada a Constituição) e possivelmente não integral (estão sujeitas a limitações
ou restrições).
(TCE-RJ – 2022) A norma constitucional que dispõe acerca da liberdade em relação ao exercício
de qualquer trabalho, ofício ou profissão constitui norma de eficácia contida.
Comentários:
Trata-se de norma de eficácia contida porque tem aplicabilidade direta e imediata, mas
possivelmente não integral na medida em que a CF/88 deixa margem para a criação de critérios
em lei infraconstitucional quando menciona "atendidas as qualificações profissionais que a lei
estabelecer". Questão correta.
(FGV – 2021) A norma constitucional veiculada pelo art. 26, inciso I, da CF/88 ("as águas
superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na
forma da lei, as decorrentes de obras da União") é de eficácia contida e aplicabilidade imediata.
Comentários:
Via de regra, sempre que houver a expressão "salvo disposição em lei", será norma de eficácia
contida, pois a lei, nesse caso, poderá restringir de alguma forma a sua eficácia. Além disso, as
normas constitucionais de eficácia contida são dotadas de aplicabilidade direta, imediata, mas
não integral (o legislador pode restringir a sua eficácia). Questão correta.
(FUNASG – 2015) As normas de eficácia contida têm eficácia plena até que seja materializado o
fator de restrição imposto pela lei infraconstitucional.
Comentários:
As normas de eficácia contida são restringíveis por lei infraconstitucional. Até que essa lei seja
publicada, a norma de eficácia contida terá aplicação integral. Questão correta.
órgãos previstos na Constituição. É o caso, por exemplo, do art. 88, da CF/88, segundo o
qual “a lei disporá sobre a criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração
pública”.
As normas definidoras de princípios institutivos ou organizativos podem ser impositivas
(quando impõem ao legislador uma obrigação de elaborar a lei regulamentadora) ou
facultativas (quando estabelecem mera faculdade ao legislador). O art. 88 da CF/88 é
exemplo de norma impositiva; como exemplo de norma facultativa, citamos o art. 125, §
3º, CF/88, que dispõe que a “lei estadual poderá criar, mediante proposta do Tribunal de
Justiça, a Justiça Militar estadual”.
b) normas declaratórias de princípios programáticos — são aquelas que estabelecem
programas ou fins sociais a serem desenvolvidos pelo legislador infraconstitucional. Um
exemplo é o art. 196 da Carta Magna (“a saúde é direito de todos e dever do Estado,
garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de
doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua
promoção, proteção e recuperação”). Cabe destacar que a presença de normas
programáticas na Constituição Federal é que nos permite classificá-la como uma
constituição dirigente. As normas programáticas podem estar vinculadas ao princípio da
legalidade, referidas aos poderes públicos e dirigidas à ordem econômico-social em geral.
É importante destacar que as normas de eficácia limitada, embora tenham aplicabilidade
reduzida e não produzam todos os seus efeitos desde a promulgação da Constituição, possuem
eficácia jurídica. Guarde bem isto: a eficácia dessas normas é limitada, porém existente! Diz-se
que as normas de eficácia limitada possuem eficácia mínima.
Diante dessa afirmação, cabe-nos fazer a seguinte pergunta: quais são os efeitos jurídicos
produzidos pelas normas de eficácia limitada?
As normas de eficácia limitada produzem imediatamente, desde a promulgação da Constituição,
dois tipos de efeitos: i) efeito negativo; e ii) efeito vinculativo.
O efeito negativo consiste na revogação de disposições anteriores em sentido contrário e na
proibição de leis posteriores que se oponham a seus comandos. Sobre esse último ponto, vale
destacar que as normas de eficácia limitada servem de parâmetro para o controle de
constitucionalidade das leis.
O efeito vinculativo, por sua vez, manifesta-se na obrigação de que o legislador ordinário edite
leis regulamentadoras, sob pena de haver omissão inconstitucional, que pode ser combatida por
meio de mandado de injunção ou Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão. Ressalte-se
que o efeito vinculativo também se manifesta na obrigação de que o poder público concretize as
normas programáticas previstas no texto constitucional. A Constituição não pode ser uma mera
“folha de papel”; as normas constitucionais devem refletir a realidade político-social do Estado e
as políticas públicas devem seguir as diretrizes traçadas pelo Poder Constituinte Originário.
É isso mesmo! As normas de eficácia limitada não produzem todos os seus efeitos no momento
em que a Constituição é promulgada. Para produzirem todos os seus efeitos, elas dependem da
edição de lei regulamentadora. Questão correta.
(CNMP – 2015) As normas constitucionais de aplicabilidade diferida e mediata, que não são
dotadas de eficácia jurídica e não vinculam o legislador infraconstitucional aos seus vetores, são
de eficácia contida.
Comentários:
As normas de eficácia limitada é que têm aplicabilidade diferida e mediata. Cabe destacar que as
normas de eficácia limitada possuem eficácia jurídica e vinculam o legislador infraconstitucional.
Questão errada.
Outra classificação das normas constitucionais bastante cobrada em concursos públicos é aquela
proposta por Maria Helena Diniz, explanada a seguir.
1) Normas com eficácia absoluta
São aquelas que não podem ser suprimidas por meio de emenda constitucional. Na
CF/1988, são exemplos aquelas enumeradas no art. 60, § 4º, que determina que “não será
objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir a forma federativa de
Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes e,
finalmente, os direitos e garantias individuais.” São as denominadas cláusulas pétreas
expressas.
2) Normas com eficácia plena
O conceito utilizado pela autora é o mesmo aplicado por José Afonso da Silva para as
normas de eficácia plena. Destaque-se que essas normas se assemelham às de eficácia
absoluta por possuírem, como estas, aplicabilidade imediata, independendo de
regulamentação para produzirem todos os seus efeitos. A distinção entre elas dá-se pelo
fato de as normas com eficácia plena poderem ser emendadas (ou seja, alteradas por meio
de Emenda Constitucional).
3) Normas com eficácia relativa restringível
Correspondem às normas de eficácia contida de José Afonso da Silva, referidas
anteriormente. Essas normas possuem cláusula de redutibilidade (podem ser restringidas),
possibilitando que atos infraconstitucionais lhes componham o significado. Além disso, sua
eficácia poderá ser restringida ou suspensa pela própria Constituição.
4) Normas com eficácia relativa complementável ou dependentes de complementação
São equivalentes às normas de eficácia limitada de José Afonso da Silva, ou seja,
dependem de legislação infraconstitucional para produzirem todos os seus efeitos.
Alguns autores consideram, ainda, a existência de normas constitucionais de eficácia exaurida e
aplicabilidade esgotada. São normas cujos efeitos cessaram, não mais apresentando eficácia
jurídica. É o caso de vários dispositivos do ADCT da CF/88. Por terem a eficácia exaurida, essas
normas não poderão ser objeto de controle de constitucionalidade.
da norma constitucional.
Acerca desse assunto, vale resolvermos a questão a seguir, elaborada pela banca
Vunesp.
A alternativa A exige a edição de lei para que o STF aprecie a ADPF, o que compromete a
densidade da norma constitucional. A alternativa B também está errada porque a promoção do
bem de todos é algo extremamente genérico e de baixa precisão. O mesmo pode ser
empregado em relação à alternativa C, pois a expressão "devido processo legal" demanda uma
definição melhor não trazida pela Constituição. A alternativa E, da mesma maneira como ocorre
na alternativa A, também sugere a edição de lei para abordar as exceções. O gabarito da
questão é a letra D, pois é uma norma de alta precisão e não exige nenhum outro esforço
legislativo para sua exata compreensão.
1
Estudaremos mais à frente sobre as cláusulas pétreas, que são normas que não podem ser objeto de emenda
constitucional tendente a aboli-las. As cláusulas pétreas estão previstas no art. 60, § 4º, da CF/88. Os direitos e
as garantias individuais são cláusulas pétreas (art. 60, § 4º, inciso IV).
2
Denúncia é o ato unilateral por meio do qual um Estado se desvincula de um tratado internacional.
3
MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Teoria Geral do Controle de Convencionalidade no Direito Brasileiro. In:
Controle de Convencionalidade: um panorama latino-americano. Gazeta Jurídica. Brasília: 2013.
4
AI 467822 RS, p. 04-10-2011.
PODER CONSTITUINTE
É hora de aprendermos tudo sobre Poder Constituinte. Vamos lá?
A teoria do poder constituinte foi originalmente concebida pelo abade francês Emmanuel Sieyès,
no século XVIII, em sua obra “O que é o Terceiro Estado?”. Nesse trabalho, concluído às
vésperas da Revolução Francesa, Sieyès trouxe tese inovadora, que rompia com a legitimação
dinástica do poder.1 Ao mesmo tempo, colocava por terra as teorias anteriores ao Iluminismo,
que determinavam que a origem do poder era divina. Quanta coragem para um clérigo, não é
mesmo?
A teoria do poder constituinte, que se aplica somente aos Estados com Constituição escrita e
rígida, distingue Poder Constituinte de poderes constituídos. Poder Constituinte é aquele que
cria ou atualiza a Constituição, enquanto os poderes constituídos são aqueles estabelecidos por
ela, ou seja, são aqueles que resultam de sua criação. Há autores que citam que o poder
constituído seria também aquele que atualiza a Constituição, mas não utilizaremos essa distinção
nesta aula por não ser um entendimento majoritário.
1
MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet, COELHO, Inocência Mártires. Curso de Direito
Constitucional, 5ª edição. São Paulo: Saraiva, 2010.
2
BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 22. Ed. Malheiros: São Paulo, 2008.
Pergunta importante que se deve fazer é a seguinte: quem é o titular do Poder Constituinte?
Para Emmanuel Sieyès, a titularidade do Poder Constituinte é da nação. Todavia, numa leitura
moderna dessa teoria, há que se concluir que a titularidade do Poder Constituinte é do povo,
pois só este pode determinar a criação ou modificação de uma constituição.
Segundo Canotilho, o “problema do titular do poder constituinte só pode ter hoje uma resposta
democrática. Só o povo entendido como um sujeito constituído por pessoas – mulheres e
homens – pode ‘decidir’ ou deliberar sobre a conformação da sua ordem político-social. Poder
constituinte significa, assim, poder constituinte do povo”.3
Embora o povo seja o titular do poder constituinte, seu exercício nem sempre é democrático.
Muitas vezes, a Constituição é criada por ditadores ou grupos que conquistam o poder
autocraticamente.
Assim, diz-se que a forma do exercício do poder constituinte pode ser democrática ou por
convenção (quando se dá pelo povo) ou autocrática ou por outorga (quando se dá pela ação de
usurpadores do poder). Note que, em ambas as formas, a titularidade do poder constituinte é do
povo. O que muda é unicamente a forma de exercício desse poder.
3
CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição, 7ª edição. Coimbra:
Almedina, 2003.
4
BONAVIDES, Paulo. Op. cit.
5
RE 94.414/SP. Rel. Min. Moreira Alves. Julgamento em 13.02.1985.
6
CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição, 7ª edição. Coimbra:
Almedina, 2003.
Para Paulo Gustavo Gonet Branco7, “se o poder constituinte é a expressão da vontade
política da nação, não pode ser entendido sem a referência aos valores éticos, religiosos,
culturais que informam essa mesma nação e que motivam as suas ações. Por isso, um
grupo que se arrogue a condição de representante do poder constituinte originário, se se
dispuser a redigir uma Constituição que hostilize esses valores dominantes, não haverá de
obter o acolhimento de suas regras pela população, não terá êxito no seu
empreendimento revolucionário e não será reconhecido como poder constituinte
originário”.
==0==
7
MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito
Constitucional. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
O Poder Constituinte Originário pode ser classificado, quanto ao momento de sua manifestação,
em histórico (fundacional) ou pós-fundacional (revolucionário). O Poder Constituinte Originário
histórico é o responsável pela criação da primeira Constituição de um Estado. Por sua vez, o
poder pós-fundacional é aquele que cria uma nova Constituição para o Estado, em substituição à
anterior. Ressalte-se que essa nova Constituição poderá ser fruto de uma revolução ou de uma
transição constitucional.
O Poder Constituinte Originário é, ainda, classificado, quanto às dimensões, em material e
formal. Na verdade, esses podem ser considerados dois momentos distintos na manifestação do
Poder Constituinte Originário. Primeiro, há o momento material, que antecede o momento
formal; é o poder material que determina quais serão os valores a serem protegidos pela
Constituição. É nesse momento que se toma a decisão de constituir um novo Estado. O poder
formal, por sua vez, sucede o poder material e fica caracterizado no momento em que se atribui
juridicidade àquele que será o texto da Constituição.
Trataremos, agora, da segunda forma de Poder Constituinte: o Derivado.
No magistério de José Afonso da Silva8, a Constituição brasileira conferiu ao Congresso Nacional
a competência para elaborar emendas a ela. Deu-se, assim, a um órgão constituído o poder de
emendar a Constituição. Por isso se dá a denominação de poder constituinte instituído ou
constituído. Por outro lado, como esse seu poder não lhe pertence por natureza, primariamente,
mas ao contrário, deriva de outro (isto é, do poder constituinte originário), é que também se lhe
reserva o nome de poder constituinte derivado (embora pareça mais acertado falar em
competência constituinte derivada ou constituinte de segundo grau).
Trata-se de um problema de técnica constitucional, já que seria muito complicado ter que
convocar o constituinte originário todas as vezes em que fosse necessário emendar a
Constituição. Por isso, o próprio poder constituinte originário, ao estabelecer a Constituição
Federal, instituiu um poder constituinte reformador, ou poder de reforma constitucional, ou
poder de emenda constitucional.
Ainda segundo José Afonso da Silva, no fundo o agente, ou sujeito da reforma, é o poder
constituinte originário, que, por esse método, atua em segundo grau, de modo indireto, pela
outorga de competência a um órgão constituído para, em seu lugar, proceder às modificações na
Constituição, que a realidade exige.
Então, o Poder Constituinte Derivado (poder constituinte de segundo grau) é o poder de
modificar a Constituição Federal, bem como o poder de elaborar as Constituições Estaduais. É
fruto do poder constituinte originário, estando previsto na própria Constituição. Tem como
características ser jurídico, derivado, limitado (ou subordinado) e condicionado.
8
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 40. ed. Malheiros: São Paulo, 2017.
(PC-AL – 2023) O chamado poder constituinte derivado está, juridicamente, no mesmo nível do
poder constituinte originário, pois ambos têm a capacidade de gerar e alterar a Constituição.
Comentários:
Somente o poder constituinte originário tem a possibilidade de gerar uma nova Constituição.
Ademais, o poder constituinte derivado é criado e instituído pelo poder constituinte originário,
não estando em níveis equivalentes, portanto. Questão errada.
(AGU – 2023) O poder constituinte originário é autônomo, limitado e incondicionado.
Comentários:
De acordo com a doutrina majoritária, há apenas um equívoco na questão: o Poder Constituinte
Originário é autônomo, ilimitado e incondicionado. É ilimitado porque pode desconsiderar por
completo o ordenamento jurídico anterior, tendo autonomia para estruturar a nova ordem
jurídica. Questão errada.
(AL-MG – 2023) O poder constituinte derivado reformador é criado pelo poder constituinte
originário e dele se distingue por ser pautado por regras e procedimentos rígidos, que visam
preservar a intangibilidade de alguns temas previamente definidos.
Comentários:
É exatamente isso, uma vez que o poder reformador é fruto do poder constituinte originário,
sendo por este limitado e a ele condicionado. Questão correta.
(PGE-RJ – 2022) O poder constituinte reformador subdivide-se em poder constituinte derivado e
poder constituinte decorrente.
Comentários:
O Poder Constituinte Derivado divide-se em dois: a) Poder Constituinte Derivado Decorrente; e
b) Poder Constituinte Derivado Reformador. Questão errada.
(TJ-BA – 2019) O poder constituinte originário é uma categoria pré-constitucional que
fundamenta a validade da nova ordem constitucional.
Comentários:
O Poder Constituinte Originário é um poder fático, extrajurídico. É ele que cria uma nova
Constituição, fundando um novo Estado. Por isso, podemos dizer que o Poder Constituinte
Originário é uma categoria pré-constitucional, que fundamenta a validade da nova ordem
constitucional. Questão correta.
(TJ-BA – 2019) Os direitos adquiridos são oponíveis ao poder constituinte originário para evitar
óbice ao retrocesso social.
Comentários:
Não há direitos adquiridos diante de uma nova Constituição. Logo, os direitos adquiridos não são
oponíveis ao Poder Constituinte Originário. Em outras palavras, os direitos adquiridos não
prevalecem diante da manifestação do Poder Constituinte Originário. Questão errada.
(MPF – 2015) O caráter ilimitado e incondicionado do poder constituinte originário precisa ser
visto com temperamentos, pois esse poder não pode ser entendido sem referenda aos valores
éticos e culturais de uma comunidade política e tampouco resultar em decisões caprichosas e
totalitárias.
Comentários:
Essa é uma questão doutrinária muito interessante, que consiste em saber se o Poder
Constituinte Originário encontra algum tipo de limitação. Adota-se aqui a posição de Canotilho,
para quem o Poder Constituinte Originário deve observar “padrões e modelos de conduta
espirituais, culturais, éticos e sociais radicados na consciência jurídica geral da comunidade
Questão correta.
(PC / DF – 2015) O poder constituinte originário pode ser material ou formal. O poder
constituinte originário material é responsável por eleger os valores ou ideais fundamentais que
serão positivados em normas jurídicas pelo poder constituinte formal.
Comentários:
O Poder Constituinte Originário tem duas dimensões: material e formal. O PCO material
determina quais valores serão protegidos pela Constituição; o PCO formal é o que atribui
juridicidade ao texto constitucional. O PCO material precede o PCO formal. Questão correta.
(TRE-GO – 2015) As constituições estaduais promulgadas pelos estados-membros da Federação
são expressões do poder constituinte derivado decorrente, cujo exercício foi atribuído pelo
poder constituinte originário às assembleias legislativas.
Comentários:
Exatamente isso! O Poder Constituinte Derivado Decorrente é o responsável pela elaboração das
Constituições Estaduais. Questão correta.
QUESTÕES COMENTADAS
Constituição: Conceito, Estrutura e Elementos
a) liberdade.
b) segurança.
c) igualdade.
d) meritocracia.
e) justiça.
Comentários:
Para a responder à questão, é importante conhecer o preâmbulo da Constituição Federal de
1988, abaixo transcrito:
Perceba que "meritocracia" não é um valor mencionado no preâmbulo. Por outro lado,
liberdade, segurança, igualdade e justiça constam na redação do citado dispositivo. Como a
questão pergunta o direito não passível de asseguração por parte de um Estado Democrático, a
alternativa "D" deve ser assinalada.
Gabarito: Letra D.
QUESTÕES COMENTADAS
Classificação das Constituições
1. FGV/TJ-AP/2024
Após um processo revolucionário francamente apoiado pela população do país Alfa, um grupo
extremista logrou êxito em dominar as estruturas estatais de poder. Esse grupo editou uma
Constituição, cujo fim único e exclusivo era o de legitimar o seu poder de mando e perpetuá-lo,
de modo que não houvesse pluralismo político ou renovação.
a) nominal;
b) normativa;
c) semântica;
d) promulgada;
e) compromissória.
Comentário Completo:
A questão exige conhecimento sobre a Classificação das Constituições. Com base no enunciado,
determinado grupo editou uma Constituição, cujo fim único e exclusivo era o de legitimar o seu
poder de mando e perpetuá-lo, de modo que não houvesse pluralismo político ou renovação.
Nesse sentido, de acordo com Karl Loewenstein, a referida constituição é aquela que, em vez de
limitar o poder do Estado, propicia aos detentores do poder a dominação da sociedade. É
aquela que trai o significado da Constituição. O constitucionalismo vem para limitar o poder, e a
Constituição semântica trai esse significado, pois, ao invés de limitar o poder, legitima ou
naturaliza o poder autoritário. Tem como exemplo a Constituição de 1937 de Getúlio Vargas, e a
Constituição de 1967, sendo ambas de viés autoritário .
(...)
LETRA A. INCORRETA. A nominal é aquela que existe apenas formalmente, mas não exerce um
verdadeiro controle sobre o poder estatal.
LETRA B. INCORRETA. A Constituição normativa é aquela que tem o comando de limitar o poder
do Estado, sendo ela devidamente cumprida.
LETRA D. INCORRETA. A Constituição promulgada é aquela que surge do debate político, não
se enquadrando na descrição do enunciado.
Gabarito: Letra C.
2. FGV/TJ-SC/2024
Em determinado país, o ditador que estava à frente do poder há algumas décadas decidiu que já
era o momento de adotar uma nova Constituição, que passaria a reger a organização
político-administrativa e os administrados. Com esse objetivo, submeteu o texto, por ele próprio
elaborado, à apreciação popular, que poderia votar “sim” ou “não”. Ao fim desse processo,
a Constituição recebeu a aprovação popular, foi publicada e entrou em vigor. À luz dessa
narrativa, estamos perante uma Constituição:
a) kantiana;
b) cesarista;
c) democrática;
d) promulgada;
e) compromissória.
Comentário Completo:
A "constituição cesarista" refere-se a um tipo de constituição que concentra poderes nas mãos
de um líder ou governante, muitas vezes em detrimento das instituições democráticas e dos
direitos individuais. O termo é derivado de Júlio César, que, ao assumir o poder absoluto em
Roma, simbolizou a transição de uma república democrática para um regime autocrático.
Trata-se de uma constituição outorgada, mas que precisa ser confirmada mediante referendo
popular. Tal modelo de Constituição possui as seguintes características:
● Centralização do Poder:
● Suspensão de Direitos:
● Legitimidade Popular:
● Práticas Autoritárias:
● Foco na Estabilidade:
A hipótese trazida pelo enunciado caracteriza-se como uma Constituição Cesarista, uma vez que
o representante do povo é um ditador que ocupa o cargo há décadas que decidiu adotar uma
nova constituição, submetendo a norma editada por ele ao referendo popular, configurando
assim a Constituição Cesarista.
(...)
LETRA A. INCORRETA. A alternativa está errada, porque a Constituição Kantiana tem como
fundamento a legitimidade democrática, isto é, ocorre a participação dos cidadãos na elaboração
das leis, o que diverge da Cesarista, que apenas passa pelo referendo popular.
LETRA B. CORRETA. É o nosso gabarito! A Constituição Cesarista é outorgada, mas necessita ser
confirmada mediante referendo popular.
LETRA D. INCORRETA. Uma Constituição promulgada é aquela que foi oficialmente adotada e
publicada de forma formal, geralmente após um processo de elaboração que pode incluir a
participação de representantes do povo ou de uma assembleia constituinte.
Gabarito: Letra B.
Art. 25. A lei votada nos termos do art. 22 poderá dispor sobre a realização de plebiscito que
decida da manutenção do sistema parlamentar ou volta ao sistema presidencial, devendo, em tal
hipótese, fazer-se a consulta plebiscitaria nove meses antes do termo do atual período
presidencial.
a) Constituição de 1934.
b) Constituição de 1937.
c) Constituição de 1946.
d) Constituição de 1988.
Comentário Completo:
A questão versa sobre conhecimentos gerais acerca das histórias das Constituições Federais do
Brasil que foram revogadas. Confesso que chega ser uma maldade a cobrança desse assunto em
prova (rs). Mas, vamos lá :(
Analisando:
Art. 25. A lei votada nos termos do art. 22 poderá dispor sobre a realização de plebiscito que
decida da manutenção do sistema parlamentar ou volta ao sistema presidencial, devendo, em tal
hipótese, fazer-se a consulta plebiscitaria nove meses antes do termo do atual período
presidencial.
A emenda nº. 4, modificou os art. 22 e 25, os quais tratam do sistema parlamentar, que veio com
o objetivo de substituir o sistema presidencial que, até então, estava em vigor desde 1946. Tal
emenda foi promulgada em 22 de dezembro de 1961, na vigência da Constituição Federal de
1946.
A referida Emenda veio com o objetivo de restaurar o sistema presidencial que tinha sido
revogado pela EC nº. 4. Foi promulgada em 24 de janeiro de 1961, na vigência da Constituição
Federal de 1946.
(...)
Gabarito: Letra C.
a) cesarista;
b) semântica;
c) plebiscitária;
d) consuetudinária;
e) de eficácia contida.
Comentário Completo:
Para respondermos à questão de forma correta, vamos nos restringir às características de uma
Constituição Semântica. Tem como objetivo a busca por dar legitimidade aos atos autoritários
de poder, que advém da usurpação do Poder Constituinte do povo.
(...)
LETRA E. INCORRETA. A eficácia contida refere-se à aplicabilidade de uma norma. Essas normas
precisam de uma regulamentação no campo infraconstitucional para que o sentido e o alcance
pretendido pelo Constituinte estejam satisfeitos.
Gabarito: Letra B.
LETRA D. INCORRETA. A Constituição Semântica é aquela cujas normas são instrumentos para a
estabilização e perpetuação do controle do poder político pelos detentores do poder fático.
LETRA E. CORRETA. É o nosso gabarito! O enunciado trouxe o que se entende por Constituição
Nominal. Não há uma plena integração do plano normativo ao plano político-social.
Gabarito: Letra E.
Esse texto, ademais, foi estruturado de modo a tão somente chancelar os objetivos do grupo
político, assegurando a sua continuidade no poder, não se destinando propriamente à disciplina
normativa dos institutos constitucionais.
Com a aprovação do texto pela população, o líder do grupo armado, após ressaltar o seu
compromisso com os “valores da revolução”, editou um ato estabelecendo a sua vigência e
tornando-o imperativo como Constituição do País Alfa.
a) cesarista e semântica.
b) nominal e promulgada.
c) outorgada e normativa.
d) bonapartista e semirrígida.
e) plebiscitária e compromissória.
Comentário completo:
A questão cobrou o conhecimento sobre a Teoria Geral da Constituição, em especial, o tema das
Classificações das Constituições!
- Foi elaborado um novo texto constitucional por esse grupo, com ulterior submissão à
população do País Alfa, que somente tinha a opção de aprová-lo ou rejeitá-lo.
- Esse texto, ademais, foi estruturado de modo a tão somente chancelar os objetivos do grupo
político, assegurando a sua continuidade no poder, não se destinando propriamente à disciplina
normativa dos institutos constitucionais.
- Com a aprovação do texto pela população, o líder do grupo armado, após ressaltar o seu
compromisso com os “valores da revolução”, editou um ato estabelecendo a sua vigência e
tornando-o imperativo como Constituição do País Alfa.
A melhor doutrina nos diz que a Constituição pode ser classificada quanto a sua origem em:
De acordo com o enunciado, “foi elaborado um novo texto constitucional por esse grupo, com
ulterior submissão à população do País Alfa, que somente tinha a opção de aprová-lo ou
==0==
Já quanto à normatividade de uma constituição, esta está ligada aos que os detentores e
destinatários do poder fazem dela na prática, podendo ser divida em:
ü Nominal: juridicamente válida, mas a dinâmica do processo político ainda não se adapta a suas
normas, carece assim de realidade existencial.
ü Semântica: é aquela que está a serviço das classes dominantes, legitimando os detentores do
poder político em benefício exclusivo dos detentores do poder de fato.
O enunciado ainda nos indica que o texto “foi estruturado de modo a tão somente chancelar os
objetivos do grupo político” e que “o líder do grupo armado, após ressaltar o seu compromisso
com os “valores da revolução”, editou um ato estabelecendo a sua vigência e tornando-o
imperativo como Constituição do País Alfa”.
(...)
Gabarito: Letra A.
7. (FGV/RFB/2023) Em determinado País, o grupo político que assumiu o poder com o uso da
força solicitou que uma comissão de notáveis elaborasse um projeto de Constituição. Ato
contínuo, após realizar os ajustes que lhe pareciam necessários, submeteu-o a um plebiscito,
com o objetivo de lhe conferir uma aparente legitimidade, o que resultou na sua aprovação
popular. Ato contínuo à aprovação, o texto constitucional foi publicado e sua observância se
tornou obrigatória. Essa Constituição, no entanto, foi moldada pelo grupo político
dominante com o intuito de atender aos seus objetivos.
a) dogmática e compromissória.
b) promulgada e plebiscitária.
c) heterodoxa e normativa.
d) cesarista e semântica.
e) outorgada e nominal.
Comentário Completo:
Constituição Dogmática: é fruto de um trabalho legislativo específico. Tem esse nome por refletir
os dogmas de um momento da história.
Constituição Heterodoxa ou Ecléticas: estabelece mais de uma ideologia, como a livre iniciativa e
valores socialistas, como a valorização do trabalho.
Letra D CORRETA. O grupo político assumiu o poder com o uso da força e depois de realizar os
ajustes que lhe pareciam necessários, submeteu-o a um plebiscito, com o objetivo de lhe conferir
uma aparente legitimidade. Além disso, a constituição foi moldada pelo grupo político
dominante com o intuito de atender aos seus objetivos. São características das constituições
cesarista e semântica.
Letra E. INCORRETA. A Constituição Outorgada é imposta por um soberano absolutista ou por
um chefe de governo autoritário e a Constituição Nominal possui função educativa e objetiva se
tornar normativa. O que não é o caso da questão.
Gabarito: Letra D.
A Constituição Super-rígida é aquela que possui um núcleo intangível, ou seja, imutável (que não
pode ser alterado) e as demais normas constitucionais só podem ser modificadas por um
procedimento legislativo especial (diferente do previsto para a normas infraconstitucionais).
Inclusive, Alexandre de Moraes defende que, por causa das chamadas cláusulas pétreas, a
CRFB/88 seria assim classificada. Entretanto, esse não é o posicionamento do STF. A Corte
entende que as cláusulas pétreas não são imutáveis. Elas apenas não podem ser abolidas.
Já a Constituição Rígida é aquela que pode ser modificada, mas por procedimento mais difícil do
que o aplicado às demais leis. Ex: CF/1891, 1934, 1946, 1967 e 1988. A rígida será sempre
escrita. No entanto, muito cuidado, pois não é toda Constituição escrita considerada rígida.
Temos ainda a Constituição Semirrígida. Ela é também chamada de semiflexível, visto possuir
normas em que o processo de alteração é mais difícil que o procedimento ordinário e outras não.
Ex: Carta Imperial do Brasil (1824)
Por fim, temos a Constituição Flexível, que é aquela que a alteração ocorre através procedimento
legislativo ordinário.
Gabarito: letra D
10. (FGV/ TJ-CE – 2019) Após um golpe de Estado, o líder do movimento armado vitorioso
solicitou que uma comissão de apoiadores, sob sua orientação, elaborasse um projeto de
Constituição, o qual foi submetido a plebiscito popular, sendo, ao final, aprovado e
publicado com força normativa. Essa Constituição dispôs que parte de suas normas exigiria a
observância de um processo legislativo mais rigoroso para a sua alteração, com quórum
qualificado para a iniciativa e a aprovação, enquanto a outra parte poderia ser alterada
conforme o processo legislativo da lei ordinária.
Essa Constituição deve ser classificada como:
a) outorgada e rígida;
b) popular e dogmática;
c) bonapartista e flexível;
d) cesarista e semirrígida;
e) promulgada e analítica.
Comentários:
A constituição descrita no enunciado foi produzida por uma comissão, após um golpe de Estado,
sendo submetida apenas ao final à aprovação popular. Trata-se, portanto, de uma comissão
cesarista.
Além disso, parte de suas normas exige um processo legislativo mais rigoroso para sua alteração,
enquanto o restante da Constituição pode ser alterado mediante processo legislativo ordinário.
Essa é uma característica das constituições semirrígidas.
Gabarito: letra D.
11. (FGV / AL-RO – 2018) O grupo que tomou o poder, após um golpe de estado, constituiu
uma comissão de notáveis para elaborar um projeto de Constituição, o qual foi submetido à
apreciação popular, tendo a população liberdade para escolher entre as opções sim e não.
Com a aprovação popular, a nova Constituição entrou em vigor com a edição de decreto da
junta de governo.
Para facilitar a atualização do texto constitucional, foi previsto que parte de suas normas poderia
ser alterada com observância do processo legislativo regular, enquanto a alteração das normas
restantes exigiria um processo legislativo qualificado.
A Constituição, além disso, buscou encampar distintas concepções ideológicas, como a livre
iniciativa e a função social da propriedade.
A Constituição acima descrita pode ser classificada como
a) revolucionária, semirrígida e ideologicamente neutra.
b) cesarista, semirrígida e compromissória.
c) promulgada, formal e compromissória.
d) liberal-social, outorgada e dirigente.
e) cesarista, flexível e dirigente.
Comentários:
A primeira característica da constituição descrita é ter sido produzida sem a participação popular
(por uma comissão de notáveis), após um golpe de Estado, cabendo ao povo apenas sua
ratificação. Conclui-se, a partir disso, que se trata de uma constituição cesarista.
A segunda característica da constituição descrita é que uma parte das suas normas pode ser
modificada por processo legislativo ordinário (mesmo processo legislativo de elaboração das
leis), enquanto outra parte depende de um processo legislativo mais difícil. Isso nos permite
classifica-la como uma constituição semirrígida.
Por fim, podemos dizer que a constituição citada é do tipo eclética (compromissória), uma vez
que suas normas se originam de ideologias distintas, como resultado de compromissos
constitucionais entre grupos políticos antagônicos.
Gabarito: letra B.
12. (FGV / TJ-AL – 2018) Após um conflito armado interno, o grupo vitorioso elaborou nova
Constituição para o País Delta. Ato contínuo, submeteu o texto a plebiscito popular, daí
resultando a sua aprovação por larga maioria. A Constituição assim aprovada dispôs que
parte de suas normas somente poderia ser alterada com observância de um processo
legislativo qualificado, mais rigoroso que o das demais espécies legislativas, enquanto que a
outra parte poderia ser alterada com observância do processo legislativo adotado para as
leis ordinárias.
À luz da classificação das Constituições, a Constituição do País Delta pode ser classificada como:
a) democrática, material e rígida;
b) cesarista, formal e semirrígida;
c) promulgada, material e flexível;
d) participativa, formal e semirrígida;
e) popular, material e rígida.
Comentários:
Para resolver a questão, o aluno tinha que considerar os seguintes pontos:
a) Na situação apresentada, o grupo vitorioso em um conflito armado interno impôs uma
Constituição, a qual foi posteriormente submetida à aprovação popular. Trata-se, portanto, de
uma Constituição cesarista.
b) Não se sabe exatamente qual é o teor das normas da Constituição descrita pelo enunciado.
No entanto, trata-se de uma Constituição escrita, composta por um único texto solene. Pode-se
dizer que é uma Constituição formal.
c) Parte das normas da Constituição descrita pelo enunciado pode ser alterado pelo mesmo
processo legislativo das leis (processo legislativo ordinário). Outra parte depende de processo
legislativo mais dificultoso para sua alteração. Essa é uma característica da Constituição
semirrígida.
Gabarito: letra B.
13. (FGV / MPE-RJ – 2016) Pedro, estudante de direito, disse ao seu professor que lera, em um
livro, que a Constituição brasileira era classificada como rígida. O professor explicou-lhe que
deve ser classificada como rígida a Constituição que:
a) precise ser observada por todos os que vivam no território do respectivo País;
b) seja escrita, distinguindo-se, portanto, das Constituições que se formam a partir do costume.
c) vincule todas as estruturas estatais de poder aos seus comandos.
d) só possa ser reformada mediante um processo legislativo qualificado, mais complexo que o
comum.
e) não possa ser revogada por outra Constituição, ainda que haja uma revolução.
Comentários:
A Constituição rígida é aquela que somente pode ser alterada por procedimento mais dificultoso
do que o de alteração das leis ordinárias. No Brasil, as emendas constitucionais são aprovadas
em 2 turnos, em cada Casa do Congresso Nacional, por 3/5 dos membros.
Gabarito: letra D.
14. (FGV / ISS Cuiabá – 2016) Edilberto, advogado constitucionalista, idealizou um modelo
constitucional com as seguintes características: a primeira parte não poderia sofrer qualquer
tipo de alteração, devendo permanecer imutável; a segunda parte poderia ser alterada a
partir de um processo legislativo qualificado, mais complexo que aquele inerente à
legislação infraconstitucional; e a terceira parte poderia ser alterada com observância do
mesmo processo legislativo afeto à legislação infraconstitucional.
À luz da classificação predominante das Constituições, é correto afirmar que uma Constituição
dessa natureza seria classificada como
a) rígida.
b) flexível.
c) semirrígida.
d) fortalecida.
e) plástica.
Comentários:
A questão cobra o conhecimento da classificação das Constituições quanto à estabilidade. Essa
classificação considera o grau de dificuldade para a modificação do texto constitucional e divide
as constituições em:
a) Imutáveis: aquelas cujo texto não pode ser modificado jamais. Têm a pretensão de serem
eternas.
b) Super-rígidas: apresentam um núcleo intangível (cláusulas pétreas), sendo as demais normas
alteráveis por processo legislativo diferenciado, mais dificultoso que o ordinário. Diferentemente
do caso proposto no enunciado, nenhuma de suas normas pode ser alterada por processo
legislativo ordinário.
c) Rígidas: são aquelas cujas normas só podem ser modificadas por procedimento mais
dificultoso do que aqueles pelos quais se modificam as demais leis.
d) Semirrígidas ou semiflexíveis: para algumas normas, o processo legislativo de alteração é mais
dificultoso que o ordinário; para outras não. É o caso da constituição citada no enunciado.
e) Flexíveis: todas as suas normas podem ser modificada pelo procedimento legislativo ordinário,
ou seja, pelo mesmo processo legislativo usado para modificar as leis comuns.
Gabarito: letra C.
15. (FGV / TJ-PI – 2015) A Constituição do Estado de Direito X, recém promulgada, dispôs que
(1) certas normas nela inseridas eram insuscetíveis de alteração por qualquer processo de
reforma constitucional, (2) outras poderiam ser alteradas com observância das regras do
processo legislativo ordinário e ainda indicou (3) aquelas que exigiriam um processo mais
complexo para reforma, com menor número de legitimados à sua deflagração e quórum
qualificado de aprovação. Sob a ótica da estabilidade, é correto afirmar que essa
Constituição é:
a) rígida;
b) permeável;
c) flexível;
d) oscilante;
e) semirrígida.
Comentários:
Na situação apresentada, estamos diante de uma Constituição semirrígida. Nesse tipo de
Constituição, algumas normas podem ser alteradas pelo processo legislativo típico das leis;
outras normas, para serem alteradas, dependem de um processo legislativo mais dificultoso. No
Brasil, a Constituição de 1824 era semirrígida (ou semiflexível).
Gabarito: letra E.
16. (FGV / TJ-RO – 2015) Após um conflito armado interno, o líder do movimento revolucionário
vitorioso, rompendo com suas promessas, deixou de convocar uma Assembleia Nacional
Constituinte e elaborou, sozinho, a nova Constituição. Ato contínuo, convocou um plebiscito
para que o texto fosse aprovado pelo povo, o que efetivamente foi feito, daí resultando a
sua entrada em vigor. A nova Constituição estabeleceu um processo diferenciado para a sua
reforma, bem mais complexo que aquele afeto às leis em geral, isso com exceção de
algumas poucas normas afetas a certas matérias, que poderiam ser alteradas da mesma
maneira que as leis ordinárias. Além disso, dispôs que os direitos fundamentais seriam
cláusulas pétreas, não podendo ser alterados por uma reforma constitucional.
Considerando os critérios de classificação dos textos constitucionais, essa Constituição é:
a) bonapartista quanto à origem e rígida quanto à estabilidade;
b) outorgada quanto à origem e flexível quanto à estabilidade;
c) promulgada quanto à origem e semirrígida quanto à estabilidade;
d) outorgada quanto à origem e semiflexível quanto à estabilidade;
e) cesarista quanto à origem e semiflexível quanto à estabilidade.
Comentários:
Quanto à origem, a Constituição será cesarista (bonapartista). Ela foi outorgada por um ditador,
mas sujeita a uma posterior confirmação pelo povo.
Quanto à estabilidade, a Constituição será semirrígida (ou semiflexível). Isso porque algumas de
suas normas são alteradas por processo legislativo mais complexo; outras, são alteradas pelo
mesmo processo legislativo das leis.
Gabarito: letra E.
18. (FGV / BADESC – 2010) Considerando os critérios de classificação das constituições quanto à
sua origem, estabilidade e extensão, é correto afirmar que a Constituição Federal de 1988 é:
a) promulgada, rígida e sintética.
b) outorgada, semi-rígida e analítica.
19. (FGV / TRE-PA – 2011) Com base no critério da estabilidade, a Constituição Federal de 1988
pode ser classificada como:
a) histórica, pois resulta da gradual evolução das tradições, consolidadas como normas
fundamentais de organização do Estado.
b) cesarista, pois foi formada com base em um plebiscito a respeito de um projeto elaborado
pela autoridade máxima da República.
c) flexível, por admitir modificações em seu texto por iniciativa de membros do Congresso
Nacional e pelo Presidente da República.
d) semirrígida, por comportar modificações de seu conteúdo, exceto com relação às cláusulas
pétreas.
e) rígida, pois só é alterável mediante a observância de processos mais rigorosos e complexos do
que os vistos na elaboração de leis comuns.
Comentários:
Quanto à estabilidade, as constituições podem ser: i) rígidas; ii) semirrígidas; iii) flexíveis ou; iv)
imutáveis. A CF/88 é uma constituição rígida, pois sua modificação ocorre por procedimento
mais dificultoso do que o de elaboração das leis ordinárias. A resposta é a letra E.
Gabarito: letra E
20. (FGV / TJ-PA – 2008) A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 deve ser
classificada como:
a) material, quanto ao conteúdo; escrita, quanto à forma; histórica, quanto ao modo de
elaboração; promulgada, quanto à origem; flexível, quanto à estabilidade.
b) formal, quanto ao conteúdo; escrita, quanto à forma; dogmática, quanto ao modo de
elaboração; promulgada, quanto à origem; semiflexível, quanto à estabilidade.
c) formal, quanto ao conteúdo; escrita, quanto à forma; histórica, quanto ao modo de
elaboração; outorgada, quanto à origem; rígida, quanto à estabilidade.
d) material, quanto ao conteúdo; escrita, quanto à forma; dogmática, quanto ao modo de
elaboração; outorgada, quanto à origem; semiflexível, quanto à estabilidade, haja vista as
inúmeras emendas constitucionais existentes.
e) formal, quanto ao conteúdo; escrita, quanto à forma; dogmática, quanto ao modo de
elaboração; promulgada, quanto à origem; rígida, quanto à estabilidade.
Comentários:
Letra A: errada. Quanto ao conteúdo, a CF/88 é formal. Quanto ao modo de elaboração, a CF/88
é classificada como dogmática. Quanto à estabilidade, a CF/88 é rígida.
Letra B: errada. Quanto à estabilidade, a CF/88 é rígida.
Letra C: errada. Quanto ao modo de elaboração, a CF/88 é dogmática. Quanto à origem, é
promulgada.
Letra D: errada. Quanto ao conteúdo, a CF/88 é formal. Quanto à origem, é promulgada. Quanto
à estabilidade, é rígida.
Letra E: correta. A CF/88 é formal, escrita, dogmática, promulgada e rígida.
Gabarito: letra E
21. (FEPESE / SEFAZ-SC – 2010) Com respeito ao modelo constitucional brasileiro, é correto
afirmar:
a) O conceito de constituição dogmática é conexo com o de constituição não escrita.
b) Constituição não escrita é aquela carente de qualquer norma positivada que defina o que é ou
não é constitucional.
c) As constituições cesaristas também podem ser designadas como populares ou revolucionárias.
d) Rígida é a constituição que somente é alterável mediante procedimentos formais iguais aos
das leis.
e) A Constituição formal é o modo peculiar de existir do Estado, reduzido sob forma escrita, a um
documento solenemente estabelecido pelo poder constituinte.
Comentários:
Letra A: errada. O conceito de constituição dogmática está relacionado ao de constituição
escrita. Por outro lado, as constituições históricas são do tipo não-escritas.
Letra B: errada. As constituições não-escritas também possuem normas escritas.
Letra C: errada. As constituições cesaristas não são populares. Trata-se de constituições
outorgadas, mas que necessitam de referendo popular.
Letra D: errada. As constituições rígidas são alteráveis por procedimento mais dificultoso do que
o das leis.
Letra E: correta. A constituição formal é escrita. É um documento solenemente elaborado pelo
Poder Constituinte Originário.
Gabarito: letra E
QUESTÕES COMENTADAS
Aplicabilidade das normas constitucionais
1. (FGV/TJ BA/2023) Constituição da República de 1988 estatuiu, em seu Art. 5º, LXXVI, que
o registro civil de nascimento e a certidão de óbito “são gratuitos para os reconhecidamente
pobres, na forma da lei”.
É correto afirmar que, da interpretação desse comando constitucional, é obtida uma norma de
eficácia:
Comentário completo:
Todas as normas constitucionais possuem uma eficácia jurídica. Ou seja, toda e qualquer norma
do texto constitucional tem ao menos como efeito jurídico inicial revogar normas infralegais
contrárias a ela.
José Afonso da Silva ensina que as normas constitucionais como um todo apresentam certa
juridicidade. Mas, há uma diferença entre elas quanto ao grau de eficácia. Assim, seria possível
avaliarmos as normas dispostas em uma Constituição e classificá-las em três grupos:
As normas de eficácia plena são aquelas normas constitucionais que, com o nascimento da
Constituição, não dependem de qualquer norma regulamentadora para produção dos seus
efeitos. São consideradas autoaplicáveis, pois já possuem sentido e alcance completos, não
sendo necessário a edição de lei para isso ocorrer.
No mais, são consideradas não-restringíveis, já que, havendo lei versando sobre uma norma
constitucional de eficácia plena, há impedimento para que tal lei venha de alguma forma limitar a
aplicação da norma em questão. Possuem aplicabilidade direta, imediata e integral. São
imediatas, pois a partir da promulgação da Carta Constitucional já se encontram aptas a produzir
completamente os seus efeitos; ainda são consideradas integrais, já que não estão sujeitas a
limitações ou restrições.
As limitações podem ocorrer de três formas: (i) por meio de lei (norma infraconstitucional); (ii) por
outra norma constitucional; (iii) através de conceitos éticos-jurídicos indeterminados. Por fim, as
normas de eficácia contida possuem aplicabilidade direta, imediata, mas são consideradas do
tipo “possivelmente não-integral”, já que eventualmente podem sofrer limitações ou restrições.
Essa é a grande diferença para as normas de eficácia plena.
Um detalhe importante é que as normas de eficácia limitada podem ser subdivididas em dois
grupos:
O Art. 5º, LXXVI da CF, prevê que o registro civil de nascimento e a certidão de óbito “são
gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei”. A referida norma caracteriza-se
como uma norma de eficácia limitada (depende de regulamentação) e de natureza programática
(tem o objetivo concretizar os fins sociais traçados pelo Estado).
Gabarito: Letra D.
Comentário completo:
Questão da FGV que exigiu do candidato o conhecimento sobre Aplicabilidade das Normas
Constitucionais. E, nesse caso, para resolvermos a questão, é importante a compreensão da
doutrina do José Afonso da Silva.
Assim, as normas dispostas em uma Constituição podem ser classificadas em três grupos:
As normas de eficácia plena são aquelas normas constitucionais que, com o nascimento da
Constituição, não dependem de qualquer norma regulamentadora para produção dos seus
efeitos. São consideradas autoaplicáveis, pois já possuem sentido e alcance completos, não
sendo necessário a edição de lei para isso ocorrer.
São normas consideradas não-restringíveis, já que, havendo lei versando sobre uma norma
constitucional de eficácia plena, há impedimento para que tal lei venha de alguma forma limitar a
aplicação da norma em questão. Ainda, possuem aplicabilidade direta, imediata e integral. São
imediatas, pois a partir da promulgação da Carta Constitucional já se encontram aptas a produzir
completamente os seus efeitos; ainda são consideradas integrais, já que não estão sujeitas a
limitações ou restrições.
As limitações podem ocorrer de três formas: (i) por meio de lei (norma infraconstitucional); (ii) por
outra norma constitucional; (iii) através de conceitos éticos-jurídicos indeterminados. Por fim, as
normas de eficácia contida possuem aplicabilidade direta, imediata, mas são consideradas do
tipo “possivelmente não-integral”, já que eventualmente podem sofrer limitações ou restrições.
Essa é a grande diferença para as normas de eficácia plena.
São normas que precisam de uma regulamentação no campo infraconstitucional para que o
sentido e o alcance pretendido pelo Constituinte estejam satisfeitos. São classificadas como do
tipo não-autoaplicáveis. A complementação legislativa para a plena produção dos seus efeitos é
necessária.
O art. 75, parágrafo único da Constituição Federal prevê que “as Constituições estaduais
disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos, que serão integrados por sete Conselheiros”.
Entendo que se trata de uma norma limitada e de princípio institutivo, pois depende de lei para
estruturar e organizar as atribuições de instituições, pessoas e órgãos previstos na Constituição.
(...)
Letra A. INCORRETA. Normas de eficácia plena são aquelas normas que desde a entrada em
vigor da Constituição já estão aptas a produzir eficácia. Por isso, são definidas como de
aplicabilidade direta, imediata e integral. No referido caso, temos uma norma limitada e de
princípio institutivo, pois depende de lei para estruturar e organizar as atribuições de instituições,
pessoas e órgãos previstos na Constituição.
Letra B. INCORRETA. Não se trata de norma de eficácia contida. Estas são dotadas de
aplicabilidade direta, imediata, mas não integral (o legislador pode restringir a sua eficácia). O
que não é o caso da questão.
Letra C. CORRETA. É o nosso gabarito!! Trata-se de uma norma limitada e de princípio institutivo,
pois depende de lei para estruturar e organizar as atribuições de instituições, pessoas e órgãos
previstos na Constituição. (classificação do professor José Afonso da Silva)
Letra E. INCORRETA. Eita! Nem temos essa classificação (rs). Segundo o professor José Afonso
da Silva, as normas constitucionais são classificadas como: (i) de eficácia plena; (ii) de eficácia
contida e (iii) de eficácia limitada de princípio institutivo ou programáticas.
Gabarito: Letra C.
A norma estudada por Ernesto determina que a lei infraconstitucional deve delinear os
contornos gerais e detalhar a composição de um órgão colegiado responsável pela definição e
pela implementação de determinado plano nacional de natureza assistencial. Já a norma
analisada por Antônio detalhava certo direito, passível de ser fruído pela generalidade dos
brasileiros, mas ressaltava que a lei infraconstitucional poderia excluir do seu alcance
determinadas situações fáticas.
À luz da narrativa, é correto afirmar que Ernesto estudou uma norma de eficácia
B) limitada e de princípio institutivo, enquanto Antônio analisou uma norma de eficácia contida e
de aplicabilidade imediata.
C) limitada e de princípio programático, enquanto Antônio analisou uma norma de eficácia plena
e de aplicabilidade não integral.
E) plena e de princípio integrativo, enquanto Antônio analisou uma norma de eficácia limitada e
de aplicabilidade restringível.
Comentário completo:
A questão cobrou o conhecimento sobre a eficácia das normas constitucionais. Para isso, é
necessário recorrer à classificação de José Afonso da Silva, adotada majoritariamente pela
doutrina brasileira.
Já as normas de eficácia contida também já produzem todos os seus efeitos desde que entram
em vigor. No entanto, podem sofrer restrições pelo legislador infraconstitucional. Por isso, a sua
aplicabilidade é direta e imediata, mas ela é do tipo possivelmente não integral.
Por último, temos a norma de eficácia limitada. Trata-se de norma constitucional que precisa de
regulamentação para produzir todos os seus efeitos. Dessa forma, possui aplicabilidade indireta,
mediata e reduzida. O doutrinador subdivide as normas de eficácia limitada em definidoras de
princípio institutivo ou organizativo; e as definidoras de princípio programático.
A norma constitucional estudada por Ernesto traz a previsão da edição de uma lei, cuja finalidade
é estipular “contornos gerais e detalhar a composição de um órgão colegiado”. Podemos
entender que estamos diante de uma norma de eficácia limitada de princípio institutivo e
aplicabilidade indireta, mediata e reduzida.
Por outro lado, a norma estudada por Antônio permite que lei infraconstitucional venha a excluir
do seu alcance determinadas situações fáticas, sendo assim uma norma de eficácia
contida/restringível, aplicabilidade direta, imediata, mas possivelmente não integral.
(...)
Letra A. INCORRETA. Ernesto estudou uma norma de eficácia limitada, ou seja, a aplicabilidade é
indireta e mediata. Por outro lado, Antônio analisou uma norma de eficácia restringível e de
aplicabilidade possivelmente não integral.
Letra B. CORRETA. Temos o nosso gabarito! Ernesto estudou uma norma de eficácia limitada e
de princípio institutivo, enquanto Antônio analisou uma norma de eficácia contida, que possui
aplicabilidade imediata e direta.
Letra C. INCORRETA. A norma analisada por Ernesto é do tipo de princípio institutivo e não de
princípio programático. Além disso, Antônio analisou uma norma de eficácia contida e de
aplicabilidade possivelmente não integral.
Letra E. INCORRETA. Não é princípio integrativo rs. Ernesto estudou uma norma de eficácia
limitada e de princípio institutivo. Já Antônio analisou uma norma de eficácia contida (e não
limitada), sendo a sua aplicabilidade possivelmente não integral. (ou do tipo restringível)
Gabarito: Letra B.
a) somente terão força normativa, produzindo algum efeito na realidade, após sua integração
pela legislação infraconstitucional.
b) somente adquirem eficácia após sua integração pela legislação infraconstitucional, não
ostentando, até então, a natureza de verdadeiras normas.
e) possuem eficácia, mas de modo limitado, devendo direcionar a interpretação dos demais
comandos da ordem jurídica, além de revogar as normas infraconstitucionais preexistentes que se
mostrem incompatíveis com elas.
Comentários:
Segundo José Afonso da Silva, normas de conteúdo programático são aquelas que traçam
princípios a serem cumpridos pelos órgãos estatais visando à realização dos fins sociais do
estado. São aquelas que, apesar de possuírem capacidade de produzir efeitos, por sua natureza
necessitam de outra lei que as regulamente, lei ordinária ou complementar.
Essas normas, portanto, são de eficácia mediata, e segundo essa corrente de entendimento
precisam de posterior complementação, só assim produzindo os efeitos desejados pelo
legislador.
Logo, podemos concluir que possuem eficácia, mas de modo limitado, devendo direcionar a
interpretação dos demais comandos da ordem jurídica, além de revogar as normas
infraconstitucionais preexistentes que se mostrem incompatíveis com elas.
a) erra apenas ao afirmar que o conflito entre os direitos fundamentais de primeira dimensão é
resolvido no plano da validade, enquanto o GEZZ erra apenas ao defender que os de segunda
dimensão são veiculados em normas de eficácia contida, não produzindo efeitos até a
regulamentação;
b) está totalmente certo, enquanto o GEZZ erra ao afirmar que os direitos fundamentais de
segunda dimensão são veiculados em normas de eficácia contida, carecem de regulamentação e
não produzem quaisquer efeitos até a regulamentação;
c) erra apenas ao afirmar que os direitos fundamentais de primeira dimensão são normalmente
veiculados em normas de eficácia plena, enquanto o GEZZ erra apenas ao afirmar que os de
segunda dimensão não produzem efeitos até a regulamentação;
d) está totalmente certo, enquanto o GEZZ erra apenas ao afirmar que os direitos fundamentais
de segunda dimensão não produzem efeitos até que sejam regulamentados pela legislação
infraconstitucional;
==0==
e) erra apenas ao afirmar que o conflito entre os direitos fundamentais de primeira dimensão é
resolvido no plano da validade, enquanto o GEZZ está totalmente certo em seus argumentos.
Comentários:
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão.
O grupo XX(GEXX) erra ao dizer que quando há conflito entre direitos de primeira
geração/dimensão eles serão resolvidos no plano da validade. A resolução na verdade é no plano
da eficácia, por meio da ponderação de princípios. Um não é maior que o outro.
O grupo ZZ (GEZZ), também erra, uma vez que não existe norma constitucional desprovida de
eficácia. No mais, as normas de eficácia contida são consideradas autoaplicáveis. Quer dizer que
possuem a capacidade de produzir plenamente os seus efeitos. Todavia, havendo
regulamentação teremos restrições ao exercício do direito.
6. (FGV/PC-RJ - 2021) Nos termos do Art. 26, I, da Constituição da República de 1988, estão
incluídos entre os bens dos Estados “as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes
e em depósito, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União”. Esse
preceito constitucional dá origem a uma norma de eficácia:
Via de regra, sempre que houver a expressão como "salvo disposição em lei" será norma de
eficácia contida, pois a lei nesse caso, poderá restringir de alguma forma a sua eficácia.
Portanto, a palavra "ressalva", da ideia de restrição ou de exceção.
7. (ESTRATÉGIA/INÉDITA 2022) A Constituição Federal de 1988, dispõe que no seio dos
direitos individuais e coletivos que “ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem
escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão
militar ou crime propriamente militar, definidos em lei". Nesse sentido, em razão do critério de
aplicabilidade e eficácia das normas constitucionais, é possível afirmar que estamos diante de
uma norma:
a) programática;
b) de eficácia plena e aplicabilidade imediata;
c) de eficácia contida e aplicabilidade imediata;
d) preceptiva;
e) de eficácia limitada e aplicabilidade mediata.
Comentários:
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão.
A norma de eficácia contida é aquela que apesar de produzir todos os seus efeitos pode ser
restringida por lei infraconstitucional posterior. Assim, o inciso LXI do art. 5° da CF/88 determina
que “ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de
autoridade judiciária competente”, mas que uma lei pode restringir esta norma nos casos de
transgressão militar ou crime propriamente militar.
Entende o professor José Afonso que aqui haverá discricionariedade do legislador. De tal modo,
não há necessidade de edição de norma regulamentadora para que o comando da Constituição
seja satisfeito (em seu sentido e alcance).
Mas, temos um pequeno detalhe. A norma regulamentadora pode ser editada. E, se vier, será
restringido o conteúdo e alcance pretendido pelo Constituinte.
8. (ESTRATÉGIA/INÉDITA 2022) O Supremo Tribunal Federal possui o seguinte
posicionamento: o atendimento em creche e acesso às unidades de pré-escola à criança menor
de cinco anos de idade não podem basear-se em juízo de simples conveniência ou mera
oportunidade, pois o sistema de ensino municipal é regido constitucionalmente por normas de
eficácia:
a) contida, possuindo aplicabilidade indireta, mediata e reduzida.
b) plena, possuindo aplicabilidade direta, imediata e integral.
c) limitada, possuindo aplicabilidade indireta, mediata e reduzida e estabelecem apenas
diretrizes.
d) contida, possuindo aplicabilidade direta, imediata e integral.
e) limitada, possuindo aplicabilidade direta, imediata e reduzida e estabelecem apenas diretrizes.
Comentários:
10. (FGV / Câmara Municipal de Salvador – 2018) De acordo com o Art. 144, § 8º, da
Constituição da República de 1988, “os municípios poderão constituir guardas municipais
destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei”.
Comentários:
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão.
O art. 144, § 8º, CF/88, ao dispor que os Municípios poderão constituir guardas municipais
conforme dispuser a lei, é norma de eficácia limitada. Isso porque é uma norma que depende de
regulamentação por lei para se concretizar. É mediante lei, afinal, que será criada guarda
municipal.
As normas de eficácia limitada possuem aplicabilidade indireta, mediata e reduzida.
11. (FGV / AL-RO – 2018) De acordo com o Art. 121, caput, da Constituição da
República, “lei complementar disporá sobre a organização e competência dos tribunais, dos
juízes de direito e das juntas eleitorais.”
Considerando a aplicabilidade das normas constitucionais, é correto afirmar que desse preceito
se extrai uma norma de eficácia
Comentários:
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão.
Trata-se de norma constitucional declaratória de princípio institutivo. Esse tipo de norma
depende de lei para estruturar e organizar as atribuições de instituições, pessoas e órgãos
previstos na Constituição.
12. (FGV / AL-RO – 2018) Renomado professor afirmou que a fruição de certos direitos
previstos na Constituição da República pressupõe a sua integração pela legislação
Comentários:
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão.
Esses direitos estão previstos em norma constitucional de eficácia limitada, declaratória de
princípios programáticos. As normas programáticas, como o próprio nome diz, estabelecem
programas a serem desenvolvidos pelo legislador infraconstitucional. É o caso das normas que
preveem direitos sociais, como a citada no enunciado.
13. (FGV / Câmara Municipal de Salvador – 2018) João, sentindo-se lesado em um direito
fundamental, procurou o seu advogado e solicitou que ingressasse com a ação judicial cabível.
Após analisar a Constituição da República de 1988, o advogado constatou que uma de suas
normas, apesar de dispor sobre o referido direito, permitia que ele fosse restringido pela lei, o
que de fato ocorrera. Concluiu, com isso, que não houve qualquer lesão ao direito de João.
Sob a ótica da aplicabilidade, a narrativa acima faz menção a uma norma constitucional de
eficácia:
a) plena;
b) pragmática;
c) limitada;
d) contida;
e) institutiva.
Comentários:
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão.
As normas de eficácia contida podem produzir todos os seus efeitos desde o momento em que a
Constituição é promulgada. No entanto, podem ser restringidas por lei. É exatamente o que
descreve o enunciado da questão (“o advogado constatou que uma de suas normas, apesar de
dispor sobre o referido direito, permitia que ele fosse restringido pela lei”).
14. (FGV / TJ-AL – 2018) De acordo com o Art. 5º, LVIII, da Constituição da República de
1988, “o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses
previstas em lei”.
Comentários:
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão.
Para classificar essa norma quanto à sua aplicabilidade é necessário que você a interprete.
Segundo o art. 5º, LVIII, CF/88, “o civilmente identificado não será submetido a identificação
criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei”. Isso significa que, a princípio, ninguém será
submetido à identificação criminal. No entanto, a lei pode restringir esse direito, ao estabelecer
hipóteses em que será cabível a identificação criminal.
Trata-se, portanto, de norma de eficácia contida, dotada de aplicabilidade direta, imediata e
possivelmente não integral. Ela já produz todos os seus efeitos desde o momento em que a
Constituição é promulgada, mas está sujeita a restrições legais.
15. (FGV / TJ-AL – 2018) De acordo com o Art. 40, §8º, da Constituição da República de
1988, “é assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter
permanente, o valor real, conforme critérios estabelecidos em lei.”
Comentários:
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão.
Para classificar essa norma quanto à sua aplicabilidade é necessário que você a interprete.
Segundo o art. 40, §8º, CF/88, “é assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes,
em caráter permanente, o valor real, conforme critérios estabelecidos em lei.”
Assim, a CF/88 garante o reajustamento dos benefícios previdenciário, mas afirma que isso
deverá ocorrer conforme critérios previstos em lei. Sem a lei prevendo os critérios, não há como
reajustar os benefícios previdenciários. Portanto, trata-se de norma constitucional que depende
de regulamentação legal para produzir todos os seus efeitos. Assim, podemos classificá-la como
norma de eficácia limitada, que possui aplicabilidade indireta, mediata e reduzida.
16. (FGV / TJ-SC – 2018) De acordo com o art. 5º, XXXII, da Constituição da República, “o
Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor”. Considerando a aplicabilidade das
normas constitucionais, a norma constitucional que se extrai do referido preceito tem:
c) natureza programática;
d) eficácia contida;
e) eficácia plena.
Comentários:
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão.
Segundo o art. 5º, XXXII, CF/88, “o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor”.
Trata-se de uma diretriz de atuação para o Estado brasileiro, que deverá adotar políticas públicas
destinadas à proteção do consumidor. Exige-se, ainda, que lei preveja a forma pela qual o Estado
promoverá a defesa do consumidor. Estamos, portanto, diante de uma norma de eficácia limitada
declaratória de princípios programáticos ou, simplesmente, norma programática.
17. (FGV / DPE-MT –2015) Considerando a classificação das normas constitucionais, assinale
a opção que indica a norma de eficácia contida.
c) O Presidente da República não está sujeito à prisão antes da sentença penal condenatória.
Comentários:
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão.
Letra A: correta. A liberdade profissional é uma norma de eficácia contida. Isso porque, desde a
promulgação da Constituição, todos já podem exercer qualquer trabalho, ofício ou profissão. No
entanto, a lei poderá estabelecer restrições ao exercício de algumas profissões.
Letra B: errada. É uma norma de eficácia limitada, de natureza programática. Para garantir o
desenvolvimento nacional, o Estará deverá implementar políticas públicas que tenham essa
finalidade.
Letra C: errada. É uma norma de eficácia plena, pois já produz todos os seus efeitos e não é
restringível.
Letra D: errada. É uma norma de eficácia limitada. Há necessidade de edição de lei
regulamentadora para definir as atribuições do Conselho de Defesa Nacional.
Letra E: errada. Essa é uma norma de eficácia limitada, uma vez que necessita da edição de lei
regulamentadora para produzir todos os seus efeitos. É a lei que irá definir como será a proteção
aos idosos.
18. (FGV / CGE-MA – 2014) A Constituição Federal estabelece que é livre o exercício de
qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei
estabelecer. Observadas as regras de aplicabilidade das normas constitucionais, trata-se de
norma considerada de eficácia:
a) plena.
b) organizacional.
c) contida.
d) institutiva.
e) programática.
Comentários:
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão.
A liberdade de exercício profissional é norma de eficácia contida. Desde a promulgação da
Constituição, já é possível exercer o direito ao livre exercício profissional. Todavia, a lei poderá
restringir esse direito, estabelecendo critérios para o exercício de determinadas profissões.
19. (FGV / TCE-BA – 2013) As normas de eficácia contida são aquelas que somente produzem
efeitos essenciais após um desenvolvimento normativo, a cargo dos poderes constituídos.
Comentários:
Esse é o conceito de normas constitucionais de eficácia limitada (e não de eficácia contida!). As
normas de eficácia limitada dependem de regulamentação para que possam produzir todos os
seus efeitos. As normas de eficácia contida, por outro lado, já produzem todos os seus efeitos
desde a promulgação da Constituição; todavia, podem ser restringidas por lei. Questão incorreta.
20. (FGV / AL-MT – 2013) A tradicional classificação tricotômica das normas constitucionais
afirma que, no tocante à sua eficácia e aplicabilidade, existem normas constitucionais de eficácia
plena e aplicabilidade imediata, normas constitucionais de eficácia contida e aplicabilidade
imediata, mas passiveis de restrição e normas constituidoras de eficácia limitada ou reduzida.
Comentários:
A classificação de José Afonso da Silva é uma classificação tricotômica. Para o autor, existem: i)
normas de eficácia plena (aplicabilidade direta, imediata e integral); ii) normas de eficácia contida
(aplicabilidade direta, imediata e possivelmente não integral) e; iii) normas de eficácia limitada
(aplicabilidade indireta, mediata e reduzida). Questão correta.
QUESTÕES COMENTADAS
1. (FGV / TCE-RJ – 2015) Considerando a sistemática de incorporação, na ordem jurídica interna, dos
tratados internacionais de proteção dos direitos humanos, bem como a posição que podem ocupar no
escalonamento das normas, é correto afirmar, de acordo com o entendimento prevalecente no âmbito do
Supremo Tribunal Federal, que:
a) sempre terão natureza supralegal, mas infraconstitucional;
b) podem ter natureza infralegal ou constitucional;
==0==
Comentários:
Os tratados internacionais de direitos humanos terão natureza supralegal ou constitucional. Quando forem
aprovados pelo rito próprio das emendas constitucionais, serão a elas equivalentes. Quando forem
aprovados pelo rito ordinário, terão natureza supralegal. A resposta é a letra D.
2. (FGV / AL-MT – 2013) A tese de que há hierarquia entre normas constitucionais originárias, dando
azo à declaração de inconstitucionalidade de uma em face de outras, é incompatível com o sistema de
Constituição rígida.
Comentários:
No Brasil, considera-se que não existe hierarquia entre normas constitucionais originárias. Todavia,
destacamos a tese de Otto Bachof, para quem as cláusulas pétreas são hierarquicamente superiores às
demais normas constitucionais originárias. Essa tese, todavia, é incompatível com o sistema de Constituição
rígida, conforme já decidiu o STF na ADI nº 815-3. Questão correta.
Comentários:
Comentários:
Letra A: errada. Os direitos fundamentais são elementos limitativos, à exceção dos direitos sociais (que são
elementos socioideológicos).
Letra B: correta. A organização do Estado e a organização dos Poderes são, de fato, elementos orgânicos.
QUESTÕES COMENTADAS
Poder Constituinte
1. (FGV/CÂMARA DOS DEPUTADOS/2023) Fábio, Daniel e Luiz travaram intenso debate a
respeito da natureza do poder constituinte originário.
Fábio defendia que o caráter fundante do poder constituinte, dando origem ao Estado, é prova
insofismável de que se trata de um poder de direito.
Daniel, por sua vez, defendia que o poder constituinte é direcionado por padrões preexistentes
ao seu exercício, a serem tão somente conhecidos, lastreados em um referencial metafísico de
sustentação, a exemplo da razão humana, sendo, portanto, um poder de fato.
Por fim, Luiz defendia que, uma vez exercido, daria origem a uma nova ordem constitucional,
que revogaria a integralidade da ordem anterior, embora fosse possível, a partir de previsão
expressa, a desconstitucionalização de normas constitucionais do regime anterior, que
permaneceriam em vigor.
Comentário Completo:
Pessoal, a questão trata da Teoria Geral da Constituição, em especial sobre o chamado Poder
Constituinte Originário. Para a explicação ficar mais dinâmica, vamos analisar os entendimentos
Fábio, Daniel e Luiz.
- Fábio defendia que o caráter fundante do poder constituinte, dando origem ao Estado, é prova
insofismável de que se trata de um poder de direito.
O entendimento de Fábio está equivocado, uma vez que o poder constituinte originário não é
um poder de direito, mas sim um poder de fato e político, porque antes de um Estado ser
instituído, não há direitos. Dessa maneira, podemos concluir que o Poder Constituinte Originário
antecede o Estado, sendo ele criado justamente para a formação e organização deste, mediante
a promulgação de uma Constituição.
- Daniel, por sua vez, defendia que o poder constituinte é direcionado por padrões preexistentes
ao seu exercício, a serem tão somente conhecidos, lastreados em um referencial metafísico de
sustentação, a exemplo da razão humana, sendo, portanto, um poder de fato.
Daniel também tem a visão errada do poder constituinte originário, porque este não está
direcionado a padrões preexistentes ao seu exercício. Tal poder é ilimitado juridicamente, isto
quer dizer que não deve ser observado os limites ditados pelo poder anterior.
- Por fim, Luiz defendia que, uma vez exercido, daria origem a uma nova ordem constitucional,
que revogaria a integralidade da ordem anterior, embora fosse possível, a partir de previsão
expressa, a desconstitucionalização de normas constitucionais do regime anterior, que
permaneceriam em vigor.
A ideia que Luiz tem sobre o Poder Constituinte Originário está correta. Uma nova Constituição
revoga a integralidade da norma anterior, extinguindo completamente a ordem jurídica
antecedente.
O PCO tem como características ser um poder político, inicial, incondicionado, permanente,
ilimitado juridicamente e autônomo.
==0==
Vale lembrar, inclusive, que a nossa Constituição Federal de 1988 não adotou essa tese
expressamente. Assim, podemos concluir que apenas o entendimento de Luiz está correto.
(...)
LETRA B. INCORRETA. A visão de Fábio sobre o Poder Constituinte Originário está equivocada,
haja vista que o poder constituinte originário não é um poder de direito, mas sim um poder de
fato e político.
LETRA D. INCORRETA. O entendimento de Daniel está incorreto, porque o PCO não está
direcionado a padrões preexistentes ao seu exercício. Não está condicionado a procedimento e
formas estabelecidas em ordem jurídica anterior. Também não é considerado um poder limitado
juridicamente.
LETRA E. CORRETA. É o nosso gabarito! Apenas o entendimento de Luiz está certo. De fato, uma
nova Constituição revoga a integralidade das normas Constitucionais anteriores, extinguindo
completamente a ordem jurídica antecedente.
Gabarito LETRA E.
Comentário:
Pessoal, a questão trata da Teoria Geral da Constituição, passando pelo tema do Poder
Constituinte Originário.
É um poder político, um poder de fato, extrajurídico. Diz-se poder inicial, pois inicia uma nova
ordem jurídica constitucional (um poder de criar, de inaugurar). Também é considerado um poder
incondicionado, pois não se submete a qualquer regra prefixada de manifestação, seja quanto a
forma, seja quanto ao procedimento.
Não menos importante, o PCO é considerado ilimitado juridicamente, tendo em vista que os
limites impostos pelo direito anterior não se aplicam a ele. A doutrina aponta ainda ser um poder
permanente, já que a edição de uma nova Constituição Federal não esgota o referido Poder.
Inclusive é poder autônomo, pois define de forma livre qual será o conteúdo da nova
Constituição.
1. O Alfa afirma que se tratar de um poder de direito, de caráter permanente, e ao qual não são
oponíveis direitos adquiridos.
De fato, estamos diante de um poder de caráter permanente, não sendo oponíveis direitos
adquiridos. O grupo erra ao afirmar que é um poder de direito, já que é um poder político.
Como vimos, o PCO é um poder inicial, bem como incondicionado, sendo possível
constitucionalizar o direito pré-constitucional de natureza infraconstitucional, mediante a
recepção das normas.
(...)
LETRA B. INCORRETA. Apenas o grupo alfa está parcialmente certo, o Beta está totalmente
certo.
LETRA C. CORRETA. É o nosso gabarito! Como já foi explicado, o grupo Alfa está parcialmente
certo, enquanto o grupo Beta está totalmente correto.
LETRA E. INCORRETA. O grupo Alfa está parcialmente certo, já o grupo Beta está totalmente
certo.
Gabarito: Letra C.
3. (FGV / TJ-AM – 2013 – adaptada) Os Estados da Federação editam suas constituições por
meio do Poder Constituinte Derivado Decorrente.
Comentários:
É exatamente isso! Ao elaborarem as Constituições Estaduais, os estados estão exercendo o
Poder Constituinte Derivado Decorrente. Questão correta.
LISTA DE QUESTÕES
Constituição: Conceito, Estrutura e Elementos
a) liberdade.
b) segurança.
c) igualdade.
d) meritocracia.
e) justiça.
GABARITO
1. LETRA D
LISTA DE QUESTÕES
Classificação das Constituições
1. FGV/TJ-AP/2024
Após um processo revolucionário francamente apoiado pela população do país Alfa, um grupo
extremista logrou êxito em dominar as estruturas estatais de poder. Esse grupo editou uma
Constituição, cujo fim único e exclusivo era o de legitimar o seu poder de mando e perpetuá-lo,
de modo que não houvesse pluralismo político ou renovação.
a) nominal;
b) normativa;
c) semântica;
d) promulgada;
e) compromissória.
2. FGV/TJ-SC/2024
Em determinado país, o ditador que estava à frente do poder há algumas décadas decidiu que já
era o momento de adotar uma nova Constituição, que passaria a reger a organização
político-administrativa e os administrados. Com esse objetivo, submeteu o texto, por ele próprio
elaborado, à apreciação popular, que poderia votar “sim” ou “não”. Ao fim desse processo,
a Constituição recebeu a aprovação popular, foi publicada e entrou em vigor. À luz dessa
narrativa, estamos perante uma Constituição:
a) kantiana;
b) cesarista;
c) democrática;
d) promulgada;
e) compromissória.
Art. 25. A lei votada nos termos do art. 22 poderá dispor sobre a realização de plebiscito que
decida da manutenção do sistema parlamentar ou volta ao sistema presidencial, devendo, em tal
hipótese, fazer-se a consulta plebiscitaria nove meses antes do termo do atual período
presidencial.
a) Constituição de 1934.
b) Constituição de 1937.
c) Constituição de 1946.
d) Constituição de 1988.
a) cesarista;
b) semântica;
c) plebiscitária;
d) consuetudinária;
e) de eficácia contida.
Esse texto, ademais, foi estruturado de modo a tão somente chancelar os objetivos do grupo
político, assegurando a sua continuidade no poder, não se destinando propriamente à disciplina
normativa dos institutos constitucionais.
Com a aprovação do texto pela população, o líder do grupo armado, após ressaltar o seu
compromisso com os “valores da revolução”, editou um ato estabelecendo a sua vigência e
tornando-o imperativo como Constituição do País Alfa.
a) cesarista e semântica.
b) nominal e promulgada.
c) outorgada e normativa.
d) bonapartista e semirrígida.
e) plebiscitária e compromissória.
7. (FGV/RFB/2023) Em determinado País, o grupo político que assumiu o poder com o uso
da força solicitou que uma comissão de notáveis elaborasse um projeto de Constituição. Ato
contínuo, após realizar os ajustes que lhe pareciam necessários, submeteu-o a um plebiscito,
com o objetivo de lhe conferir uma aparente legitimidade, o que resultou na sua aprovação
popular. Ato contínuo à aprovação, o texto constitucional foi publicado e sua observância se
tornou obrigatória. Essa Constituição, no entanto, foi moldada pelo grupo político dominante
com o intuito de atender aos seus objetivos.
a) dogmática e compromissória.
b) promulgada e plebiscitária.
c) heterodoxa e normativa.
d) cesarista e semântica.
e) outorgada e nominal.
e) rígida e popular.
10. (FGV/ TJ-CE – 2019) Após um golpe de Estado, o líder do movimento armado vitorioso
solicitou que uma comissão de apoiadores, sob sua orientação, elaborasse um projeto de
Constituição, o qual foi submetido a plebiscito popular, sendo, ao final, aprovado e publicado
com força normativa. Essa Constituição dispôs que parte de suas normas exigiria a observância
de um processo legislativo mais rigoroso para a sua alteração, com quórum qualificado para a
iniciativa e a aprovação, enquanto a outra parte poderia ser alterada conforme o processo
legislativo da lei ordinária.
Essa Constituição deve ser classificada como:
a) outorgada e rígida;
b) popular e dogmática;
c) bonapartista e flexível;
d) cesarista e semirrígida;
e) promulgada e analítica.
11. (FGV / AL-RO – 2018) O grupo que tomou o poder, após um golpe de estado, constituiu
uma comissão de notáveis para elaborar um projeto de Constituição, o qual foi submetido à
apreciação popular, tendo a população liberdade para escolher entre as opções sim e não. Com
a aprovação popular, a nova Constituição entrou em vigor com a edição de decreto da junta de
governo.
Para facilitar a atualização do texto constitucional, foi previsto que parte de suas normas poderia
ser alterada com observância do processo legislativo regular, enquanto a alteração das normas
restantes exigiria um processo legislativo qualificado.
A Constituição, além disso, buscou encampar distintas concepções ideológicas, como a livre
iniciativa e a função social da propriedade.
A Constituição acima descrita pode ser classificada como
a) revolucionária, semirrígida e ideologicamente neutra.
b) cesarista, semirrígida e compromissória.
c) promulgada, formal e compromissória.
d) liberal-social, outorgada e dirigente.
e) cesarista, flexível e dirigente.
12. (FGV / TJ-AL – 2018) Após um conflito armado interno, o grupo vitorioso elaborou nova
Constituição para o País Delta. Ato contínuo, submeteu o texto a plebiscito popular, daí
resultando a sua aprovação por larga maioria. A Constituição assim aprovada dispôs que parte
de suas normas somente poderia ser alterada com observância de um processo legislativo
qualificado, mais rigoroso que o das demais espécies legislativas, enquanto que a outra parte
poderia ser alterada com observância do processo legislativo adotado para as leis ordinárias.
À luz da classificação das Constituições, a Constituição do País Delta pode ser classificada como:
a) democrática, material e rígida;
b) cesarista, formal e semirrígida;
c) promulgada, material e flexível;
d) participativa, formal e semirrígida;
e) popular, material e rígida.
13. (FGV / MPE-RJ – 2016) Pedro, estudante de direito, disse ao seu professor que lera, em
um livro, que a Constituição brasileira era classificada como rígida. O professor explicou-lhe que
deve ser classificada como rígida a Constituição que:
a) precise ser observada por todos os que vivam no território do respectivo País;
b) seja escrita, distinguindo-se, portanto, das Constituições que se formam a partir do costume.
c) vincule todas as estruturas estatais de poder aos seus comandos.
d) só possa ser reformada mediante um processo legislativo qualificado, mais complexo que o
comum.
e) não possa ser revogada por outra Constituição, ainda que haja uma revolução.
14. (FGV / ISS Cuiabá – 2016) Edilberto, advogado constitucionalista, idealizou um modelo
constitucional com as seguintes características: a primeira parte não poderia sofrer qualquer tipo
de alteração, devendo permanecer imutável; a segunda parte poderia ser alterada a partir de um
processo legislativo qualificado, mais complexo que aquele inerente à legislação
infraconstitucional; e a terceira parte poderia ser alterada com observância do mesmo processo
legislativo afeto à legislação infraconstitucional.
À luz da classificação predominante das Constituições, é correto afirmar que uma Constituição
dessa natureza seria classificada como
a) rígida.
b) flexível.
c) semirrígida.
d) fortalecida.
e) plástica.
15. (FGV / TJ-PI – 2015) A Constituição do Estado de Direito X, recém promulgada, dispôs
que (1) certas normas nela inseridas eram insuscetíveis de alteração por qualquer processo de
reforma constitucional, (2) outras poderiam ser alteradas com observância das regras do
processo legislativo ordinário e ainda indicou (3) aquelas que exigiriam um processo mais
complexo para reforma, com menor número de legitimados à sua deflagração e quórum
qualificado de aprovação. Sob a ótica da estabilidade, é correto afirmar que essa Constituição é:
a) rígida;
b) permeável;
c) flexível;
d) oscilante;
e) semirrígida.
16. (FGV / TJ-RO – 2015) Após um conflito armado interno, o líder do movimento
revolucionário vitorioso, rompendo com suas promessas, deixou de convocar uma Assembleia
Nacional Constituinte e elaborou, sozinho, a nova Constituição. Ato contínuo, convocou um
plebiscito para que o texto fosse aprovado pelo povo, o que efetivamente foi feito, daí
resultando a sua entrada em vigor. A nova Constituição estabeleceu um processo diferenciado
para a sua reforma, bem mais complexo que aquele afeto às leis em geral, isso com exceção de
algumas poucas normas afetas a certas matérias, que poderiam ser alteradas da mesma maneira
que as leis ordinárias. Além disso, dispôs que os direitos fundamentais seriam cláusulas pétreas,
não podendo ser alterados por uma reforma constitucional.
Considerando os critérios de classificação dos textos constitucionais, essa Constituição é:
a) bonapartista quanto à origem e rígida quanto à estabilidade;
b) outorgada quanto à origem e flexível quanto à estabilidade;
c) promulgada quanto à origem e semirrígida quanto à estabilidade;
d) outorgada quanto à origem e semiflexível quanto à estabilidade;
e) cesarista quanto à origem e semiflexível quanto à estabilidade.
19. (FGV / TRE-PA – 2011) Com base no critério da estabilidade, a Constituição Federal de
1988 pode ser classificada como:
a) histórica, pois resulta da gradual evolução das tradições, consolidadas como normas
fundamentais de organização do Estado.
b) cesarista, pois foi formada com base em um plebiscito a respeito de um projeto elaborado
pela autoridade máxima da República.
c) flexível, por admitir modificações em seu texto por iniciativa de membros do Congresso
Nacional e pelo Presidente da República.
d) semirrígida, por comportar modificações de seu conteúdo, exceto com relação às cláusulas
pétreas.
e) rígida, pois só é alterável mediante a observância de processos mais rigorosos e complexos do
que os vistos na elaboração de leis comuns.
20. (FGV / TJ-PA – 2008) A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 deve ser
classificada como:
a) material, quanto ao conteúdo; escrita, quanto à forma; histórica, quanto ao modo de
elaboração; promulgada, quanto à origem; flexível, quanto à estabilidade.
b) formal, quanto ao conteúdo; escrita, quanto à forma; dogmática, quanto ao modo de
elaboração; promulgada, quanto à origem; semiflexível, quanto à estabilidade.
c) formal, quanto ao conteúdo; escrita, quanto à forma; histórica, quanto ao modo de elaboração;
outorgada, quanto à origem; rígida, quanto à estabilidade.
d) material, quanto ao conteúdo; escrita, quanto à forma; dogmática, quanto ao modo de
elaboração; outorgada, quanto à origem; semiflexível, quanto à estabilidade, haja vista as
inúmeras emendas constitucionais existentes.
e) formal, quanto ao conteúdo; escrita, quanto à forma; dogmática, quanto ao modo de
elaboração; promulgada, quanto à origem; rígida, quanto à estabilidade.
21. (FEPESE / SEFAZ-SC – 2010) Com respeito ao modelo constitucional brasileiro, é correto
afirmar:
a) O conceito de constituição dogmática é conexo com o de constituição não escrita.
b) Constituição não escrita é aquela carente de qualquer norma positivada que defina o que é ou
não é constitucional.
c) As constituições cesaristas também podem ser designadas como populares ou revolucionárias.
d) Rígida é a constituição que somente é alterável mediante procedimentos formais iguais aos
das leis.
e) A Constituição formal é o modo peculiar de existir do Estado, reduzido sob forma escrita, a um
documento solenemente estabelecido pelo poder constituinte.
GABARITO
1. LETRA C 6. LETRA A 11. LETRA B 16. LETRA E
2. LETRA B 7. LETRA D 12. LETRA B 17. LETRA D
3. LETRA C 8. LETRA D 13. LETRA D 18. LETRA C
4. LETRA B 9. LETRA B 14. LETRA C 19. LETRA E
5. LETRA E 10. LETRA D 15. LETRA E 20. LETRA E
21. LETRA E
LISTA DE QUESTÕES
Aplicabilidade das normas constitucionais
1. (FGV/TJ BA/2023) Constituição da República de 1988 estatuiu, em seu Art. 5º, LXXVI, que
o registro civil de nascimento e a certidão de óbito “são gratuitos para os reconhecidamente
pobres, na forma da lei”.
É correto afirmar que, da interpretação desse comando constitucional, é obtida uma norma de
eficácia:
A norma estudada por Ernesto determina que a lei infraconstitucional deve delinear os
contornos gerais e detalhar a composição de um órgão colegiado responsável pela definição e
pela implementação de determinado plano nacional de natureza assistencial. Já a norma
analisada por Antônio detalhava certo direito, passível de ser fruído pela generalidade dos
brasileiros, mas ressaltava que a lei infraconstitucional poderia excluir do seu alcance
determinadas situações fáticas.
À luz da narrativa, é correto afirmar que Ernesto estudou uma norma de eficácia
B) limitada e de princípio institutivo, enquanto Antônio analisou uma norma de eficácia contida e
de aplicabilidade imediata.
C) limitada e de princípio programático, enquanto Antônio analisou uma norma de eficácia plena
e de aplicabilidade não integral.
E) plena e de princípio integrativo, enquanto Antônio analisou uma norma de eficácia limitada e
de aplicabilidade restringível.
a) somente terão força normativa, produzindo algum efeito na realidade, após sua integração
pela legislação infraconstitucional.
b) somente adquirem eficácia após sua integração pela legislação infraconstitucional, não
ostentando, até então, a natureza de verdadeiras normas.
e) possuem eficácia, mas de modo limitado, devendo direcionar a interpretação dos demais
comandos da ordem jurídica, além de revogar as normas infraconstitucionais preexistentes que se
mostrem incompatíveis com elas.
a) erra apenas ao afirmar que o conflito entre os direitos fundamentais de primeira dimensão é
resolvido no plano da validade, enquanto o GEZZ erra apenas ao defender que os de segunda
dimensão são veiculados em normas de eficácia contida, não produzindo efeitos até a
regulamentação;
b) está totalmente certo, enquanto o GEZZ erra ao afirmar que os direitos fundamentais de
segunda dimensão são veiculados em normas de eficácia contida, carecem de regulamentação e
não produzem quaisquer efeitos até a regulamentação;
c) erra apenas ao afirmar que os direitos fundamentais de primeira dimensão são normalmente
veiculados em normas de eficácia plena, enquanto o GEZZ erra apenas ao afirmar que os de
segunda dimensão não produzem efeitos até a regulamentação;
d) está totalmente certo, enquanto o GEZZ erra apenas ao afirmar que os direitos fundamentais
de segunda dimensão não produzem efeitos até que sejam regulamentados pela legislação
infraconstitucional;
e) erra apenas ao afirmar que o conflito entre os direitos fundamentais de primeira dimensão é
resolvido no plano da validade, enquanto o GEZZ está totalmente certo em seus argumentos.
6. (FGV/PC-RJ - 2021) Nos termos do Art. 26, I, da Constituição da República de 1988, estão
incluídos entre os bens dos Estados “as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes
e em depósito, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União”. Esse
preceito constitucional dá origem a uma norma de eficácia:
a) plena e aplicabilidade diferida;
b) limitada e princípio institutivo;
c) plena e aplicabilidade imediata;
d) contida e aplicabilidade imediata;
e) limitada e princípio programático.
7. (ESTRATÉGIA/INÉDITA 2022) A Constituição Federal de 1988, dispõe que no seio dos
direitos individuais e coletivos que “ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem
escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão
militar ou crime propriamente militar, definidos em lei". Nesse sentido, em razão do critério de
aplicabilidade e eficácia das normas constitucionais, é possível afirmar que estamos diante de
uma norma:
a) programática;
b) de eficácia plena e aplicabilidade imediata;
c) de eficácia contida e aplicabilidade imediata;
d) preceptiva;
e) de eficácia limitada e aplicabilidade mediata.
11. (FGV / AL-RO – 2018) De acordo com o Art. 121, caput, da Constituição da República, “lei
complementar disporá sobre a organização e competência dos tribunais, dos juízes de direito e
das juntas eleitorais.”
Considerando a aplicabilidade das normas constitucionais, é correto afirmar que desse preceito
se extrai uma norma de eficácia
12. (FGV / AL-RO – 2018) Renomado professor afirmou que a fruição de certos direitos
previstos na Constituição da República pressupõe a sua integração pela legislação
infraconstitucional, que irá detalhar as prestações a serem oferecidas, os beneficiários e as
respectivas fontes de custeio.
13. (FGV / Câmara Municipal de Salvador – 2018) João, sentindo-se lesado em um direito
fundamental, procurou o seu advogado e solicitou que ingressasse com a ação judicial cabível.
Após analisar a Constituição da República de 1988, o advogado constatou que uma de suas
normas, apesar de dispor sobre o referido direito, permitia que ele fosse restringido pela lei, o
que de fato ocorrera. Concluiu, com isso, que não houve qualquer lesão ao direito de João.
Sob a ótica da aplicabilidade, a narrativa acima faz menção a uma norma constitucional de
eficácia:
a) plena;
b) pragmática;
c) limitada;
d) contida;
e) institutiva.
14. (FGV / TJ-AL – 2018) De acordo com o Art. 5º, LVIII, da Constituição da República de
1988, “o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses
previstas em lei”.
15. (FGV / TJ-AL – 2018) De acordo com o Art. 40, §8º, da Constituição da República de
1988, “é assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter
permanente, o valor real, conforme critérios estabelecidos em lei.”
16. (FGV / TJ-SC – 2018) De acordo com o art. 5º, XXXII, da Constituição da República, “o
Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor”. Considerando a aplicabilidade das
normas constitucionais, a norma constitucional que se extrai do referido preceito tem:
c) natureza programática;
d) eficácia contida;
e) eficácia plena.
17. (FGV / DPE-MT –2015) Considerando a classificação das normas constitucionais, assinale a
opção que indica a norma de eficácia contida.
c) O Presidente da República não está sujeito à prisão antes da sentença penal condenatória.
18. (FGV / CGE-MA – 2014) A Constituição Federal estabelece que é livre o exercício de
qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei
estabelecer. Observadas as regras de aplicabilidade das normas constitucionais, trata-se de
norma considerada de eficácia:
a) plena.
b) organizacional.
c) contida.
d) institutiva.
e) programática.
19. (FGV / TCE-BA – 2013) As normas de eficácia contida são aquelas que somente produzem
efeitos essenciais após um desenvolvimento normativo, a cargo dos poderes constituídos.
20. (FGV / AL-MT – 2013) A tradicional classificação tricotômica das normas constitucionais
afirma que, no tocante à sua eficácia e aplicabilidade, existem normas constitucionais de eficácia
plena e aplicabilidade imediata, normas constitucionais de eficácia contida e aplicabilidade
imediata, mas passiveis de restrição e normas constituidoras de eficácia limitada ou reduzida.
GABARITO
9. LETRA D 15. LETRA A
1. LETRA D 4. LETRA E 10. LETRA B 16. LETRA C
5. LETRA A 11. LETRA C 17. LETRA A
2. LETRA C 6. LETRA D 12. LETRA A 18. LETRA C
7. LETRA C 13. LETRA D 19. INCORRETA
3. LETRA B 8. LETRA B 14. LETRA A 20. CORRETA
LISTA DE QUESTÕES
1. (FGV / TCE-RJ – 2015) Considerando a sistemática de incorporação, na ordem jurídica interna, dos
tratados internacionais de proteção dos direitos humanos, bem como a posição que podem ocupar no
escalonamento das normas, é correto afirmar, de acordo com o entendimento prevalecente no âmbito do
Supremo Tribunal Federal, que:
a) sempre terão natureza supralegal, mas infraconstitucional;
b) podem ter natureza infralegal ou constitucional;
==0==
2. (FGV / AL-MT – 2013) A tese de que há hierarquia entre normas constitucionais originárias, dando
azo à declaração de inconstitucionalidade de uma em face de outras, é incompatível com o sistema de
Constituição rígida.
GABARITO
1. LETRA D 2. CERTA 3. LETRA D 4. LETRA B
LISTA DE QUESTÕES
Poder Constituinte
1. (FGV/CÂMARA DOS DEPUTADOS/2023) Fábio, Daniel e Luiz travaram intenso debate a
respeito da natureza do poder constituinte originário.
Fábio defendia que o caráter fundante do poder constituinte, dando origem ao Estado, é prova
insofismável de que se trata de um poder de direito.
Daniel, por sua vez, defendia que o poder constituinte é direcionado por padrões preexistentes
ao seu exercício, a serem tão somente conhecidos, lastreados em um referencial metafísico de
sustentação, a exemplo da razão humana, sendo, portanto, um poder de fato.
Por fim, Luiz defendia que, uma vez exercido, daria origem a uma nova ordem constitucional,
que revogaria a integralidade da ordem anterior, embora fosse possível, a partir de previsão
expressa, a desconstitucionalização de normas constitucionais do regime anterior, que
permaneceriam em vigor.
3. (FGV / TJ-AM – 2013 – adaptada) Os Estados da Federação editam suas constituições por
meio do Poder Constituinte Derivado Decorrente.
==0==
GABARITO
1. LETRA E 2. LETRA B 3. CERTA