Corpo e Mente II Unidade2

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As Diferentes Escolas de Yoga

Conteudista: Prof.ª Esp. Maria Clara Telles Caggiano


Revisão Textual: Prof.ª Esp. Lorena Garcia Aragão de Souza

Objetivos da Unidade:

Apresentar as diferentes escolas do Yoga, seus conceitos e seus objetivos;

Apresentar as origens e as razões de tantas vertentes do Yoga, além das suas


aplicações.

📄 Material Teórico
📄 Material Complementar
📄 Referências
📄 Material Teórico
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As Diferentes Escolas de Yoga


Você já deve ter observado as variedades de escolas de Yoga que são apresentadas nas redes
sociais e nas academias. Alguns começam a praticar, mas saem doloridos ou até mesmo
insatisfeitos com a aula parada ou com um grau muito além. Assim, não sabem ao certo se o

Yoga funciona, se dá para acreditar, se existe base científica ou se trata de charlatanismo. Além
disso, esses praticantes ficam sem saber das variedades das escolas e se aquilo que é proposto
realmente oferece resultados positivos.

O importante é saber que existem comprovações que a prática do Yoga promove benefícios
físicos e que são feitas pesquisas com o todo protocolo científico, mostrando que vale a pena
praticar. No entanto, é preciso avaliar o que a escola propõe e se os profissionais são
qualificados, pois não basta ser educador físico ou fisioterapeuta, é necessário ter certificado de
instrutor de Yoga.

Conforme você já estudou anteriormente, a origem do Yoga perde-se no tempo, por ser tão
antiga como a própria civilização indiana e, historicamente, o que se sabe sobre o Yoga é muito
pouco. Ao longo de sua trajetória, o Yoga foi desenvolvido em uma das escolas de filosofia
indiana, com uma profunda influência no desenvolvimento físico e no mental de seus

discípulos, sendo uma forma de vida e não uma religião.

O Yoga “moderno” foi introduzido na América no início dos anos 1900, com objetivo de ajudar
os indivíduos a se tornarem mais autoconscientes, sintonizados com as necessidades de seus
corpos e, ao mesmo tempo, das suas mentes.
O Yoga se espalhou no ocidente até mais do que na Índia, seu país de origem. Sem dúvida, isso se
deu devido à própria necessidade do homem ocidental, que, envolvido por um turbilhão de
estímulos externos, perdeu o hábito de ouvir a si próprio. Está se tornando cada vez mais um
sistema válido de melhorar a mente e de facilitação da concentração, tendo em vista o
relaxamento, a saúde psicofísica, a prevenção e até a cura de doenças.

O Yoga continua a evoluir em suas diversas manifestações e em seus conceitos. Foram


desenvolvidas várias maneiras e inumeráveis práticas de diferentes escolas, mas permanece
comum a todas as práticas como ajuda direta para a autorrealização, no sentido de acalmar a
mente.

Ao longo de sua existência, o Yoga foi vivenciado por grandes mestres que perceberam que era
possível acessar esse estado elevado de estabilidade mental e integração por meio de preciosas

técnicas psicofísicas, com práticas constantes e disciplinadas. Em outras palavras, a estabilidade


começa a ser construída no instrumento mais tangível que dispomos, o nosso corpo, e
gradualmente vai atingido níveis cada vez mais sutis.

A prática do Yoga é altamente eficaz em ajudar a remover distrações e a obter o foco, acalmar as
emoções e limpar a mente, o que estabelece uma base para o aumento da consciência espiritual.

Inicialmente, as pessoas buscam Yoga para conseguir melhorar a sua “performance” num
determinado esporte ou diminuir dor na lombar. Mesmo sendo importante, é muito menos do
que Yoga oferece. Esse pode ser um motivo inicial, pois o praticante pode ir além; à medida que
pratica, ele pode ir em busca do contato com o universo, com a criação e de entender o real

sentido da existência.

Porém, algumas escolas utilizam uma parte do Yoga, solicitando muito do corpo físico. Alguns
seguem um modelo, uma postura feita em uma foto “montada”, se esforçam para alcançar
aquele formato e utilizam os asanas que exigem muito da flexibilidade e da mobilidade articular
com realização de posturas invertidas e bastante complexas. Isso pode levar o praticante a sérias
complicações, pois ele acaba se excedendo, ultrapassando seus próprios limites e obtendo
muitas lesões.
Contudo, é importante que os praticantes sejam bem conduzidos por profissionais qualificados
e bastante conhecedores do Yoga, da anatomia e da fisiologia do corpo humano, passando
consciência aos alunos para que não aconteçam excessos. Além disso, conforme você já estudou
anteriormente, é preciso utilizar os Yamas, como, por exemplo, o Ahimsa, a não violência, e
assim se pratica Yoga.

Nesse contexto, não importa o porquê o praticante vem para a prática do Yoga sem conhecer
profundamente seus benefícios no início. Assim, ele é motivado por seus próprios objetivos,
como, por exemplo:

Para melhorar a qualidade de vida ou combater o estresse;

Para se manter em forma usando um método não convencional;

Buscando um treinamento físico rigoroso, exigente e energético;

Para tratamento terapêutico ou por indicação médica;

Procurando um caminho para o autoconhecimento e a transcendência;

Outros motivos.

Algumas pessoas fazem Yoga pelo “amor" e outros pela “dor” e até mesmo para seguir um

modismo, mas seja qual for a escola de Yoga, toda a prática deve realizada de forma segura, tanto
para o instrutor como para o praticante, seguindo sua verdadeira tradição.

As escolas tradicionais de Yoga permitem e levam ao caminho do autoconhecimento e possuem


um objetivo em comum.

Os métodos utilizados para trilhar o caminho do autoconhecimento são distintos de escola para
escola, porque levam em conta a natureza do indivíduo, suas necessidades e suas possibilidades.
Alguns métodos do conhecimento e do domínio da mente exigem mais estudos e meditação, ao
passo que outros métodos do serviço altruísta e do amor a Deus requerem mais prática que
teoria.

As formas utilizadas para a prática variam, porém, a finalidade de todas é a mesma, isto é, nos
levar a um estado de consciência e de libertação que conduz à paz e à felicidade, nos preparando
e nos fortalecendo para enfrentar os desafios da vida.

Com a prática regular, é obtida uma boa qualidade respiratória, tornando-a mais profunda e

controlada, o que estimula uma mente centrada e pacífica e um espírito calmo e alerta.

Já as posturas, os asanas, protegem o corpo, prevenindo doenças e fortalecendo o sistema de


suporte esquelético. Além disso, a saúde mental e o funcionamento do sistema neurológico e de
outras partes “invisíveis” do corpo melhoram e o bem-estar geral é alcançado.

A prática pode ser realizada por muitas pessoas, pois possui uma diversidade de formas e níveis
de dificuldade, variando do mais básico ao extremamente complexo.

Porém, a prática dos Asanas não deve ser encarada apenas como exercícios físicos, pois a
maioria das posições de Yoga estimula o sistema glandular, estimulando seus órgãos internos

para funcionar de forma eficiente, beneficiando a mente e as emoções.

“As práticas do Yoga como um todo, ou separedamente em alguns de seus

aspectos, trazem benefícios incalculáveis, sejam de ordem física, fisiológica ou

psíquica. Aparecem como resposta natural para as necessidades de nossa época,


cheias de tensões e pressa. Não são incompatíveis com nenhuma modalidade de

atividade física; ao contrário, contribuem para melhora da performace de qualquer

esportista.”
- RODRIGUES, 2006, p. 56

Para que os benefícios da prática aconteçam, deve-se evitar a prática mecânica dos Asanas,

assim, toda escola deve estimular uma interiorização. A atividade mental deve ser introduzida
pelo professor, que pode induzir o aluno a praticar com os olhos fechados para ampliar a
observação das sensações.

Geralmente, no início é mais difícil, quase não se permanece na postura, há pouco foco e há
distrações, mas com o tempo isso vai melhorando, pois o Yoga aumenta e fortalece a capacidade
de concentrar a mente, além de estabelecer um momento propício para autoanálise.

Com o tempo, é possível refinar a nossa percepção, a interligação das experiências vividas pela
mente e as reações que elas provocam no corpo físico de modo sutil. Isso é facilmente percebível

quando o praticante faz com atenção e com uma boa orientação do professor.

A introspecção durante a prática adequada de Asanas sensibiliza o praticante não apenas para o
que acontece com seu corpo físico, mas para tudo aquilo que se manifesta através dele.

Existem diferentes tipos de prática, que se adaptam às possibilidades e às necessidades de cada


um. Nem todas as formas de Yoga são adequadas para todo mundo. As escolas de Yoga trazem

resultados diferentes e variam de pessoa para pessoa. Portanto, a escolha da escola deve estar
em função das expectativas e das necessidades do praticante.

Os efeitos e os benefícios do Yoga, não obstante, estão acessíveis para todos,


independentemente da idade ou do estado físico de cada um. Basta apenas saber escolher a
modalidade que melhor se adapta às necessidades e às possibilidades de cada um.

Classificação das Escolas de Yoga


As escolas de Yoga podem ser classificadas em duas categorias, Bhavana-Yogas e
Pranasamyama-Yogas, conforme descritas a seguir.

Bhavana–Yogas
São escolas com maior ênfase em ponderações psíquicas e meditação.

Nos Bhavana-Yogas, o praticante leva a sua vida de forma a transformar o seu modo de pensar e
sentir. Isso facilita o condicionamento adequado da mente.

O significado de Bhavana é trazer de volta à mente repetidas vezes.

Jnana, Bhakti e Karma são os Yogas mais conhecidos na categoria de Bhavana-Yogas.

Jnana Yoga
São práticas meditativas que consistem em manter a mente desprendida, ou seja, espera-se que
os impulsos emocionais sejam mantidos em seu mínimo. As meditações do Jnana Yoga trazem
paz e serenidade. O praticante apenas pensa e pensa analiticamente até que o pensamento pare,
permitindo que a percepção da realidade apareça.

Bhakti Yoga
É o Yoga da extrema devoção a Deus. Sua finalidade é controlar e dominar como um todo as
atitudes do praticante. Meios de introspecção são criados para desenvolver o sentimento de

amor intenso a Deus. Desde tempos imemoriais, a sílaba OM tem sido aceita, por nossos
ancestrais, como a melhor representação simbólica de Deus.

Karma Yoga
Karma é um termo técnico que significa “processo purificatório”.

As ações comuns do indivíduo são utilizadas para a purificação dele próprio, livrando-o das
aflições mentais (kleshas) e abrindo as portas da realização. Karma Yoga também representa a

“Lei da ação e reação”, responsável pelos ciclos de prazer e dor, de nascimento e morte. O Karma
Yoga fornece um meio para que o indivíduo se livre desse ciclo.

Como a Bhagavad-Gita afirma: a arte do Karma-Yoga está em modificar todos os Karmas (que
desencadeiam efeitos em sua natureza, gerando reação para a ação) em Akarmas, que não

desencadeiam efeitos. O objetivo é libertar-se do apego e assim o Karma ficará estéril.

O Karma Yoga seguido adequadamente conduz ao Bhakti Yoga e, quando Bhakti atinge seu mais
elevado estado, resulta em Jnana para produzir uma vida integrada.

Vídeo
Raja Yoga: The Path of Meditation (Part 1) | Swami Sarvapriyananda
Nesse vídeo, você pode colocar a legenda em português.
Raja Yoga: The Path of Meditation (Part 1) | Swami Sarvapriyanan…
Sarvapriyanan…

Pranasamyama-Yogas
São escolas que dão ênfase a práticas psicofísicas para controlar impulsos de prana e, por meio
deles, causar a interrupção natural e automática de pensamentos e sentidos diferenciais,
possibilitando o descobrimento dos poderes intuitivos. Também são denominados Kundalini-
Yogas.

Desde os tempos dos Vedas, o termo Prana é utilizado com o significado de energia cósmica que
conduz o curso do universo, nome da manifestação do poder de Deus. Kundalini normalmente é
representada por uma serpente enrolada em si mesma. A serpente é uma representação
simbólica de uma força latente.

Quando a Kundalini está polarizada para interagir com o centro superior, a fase de consciência
altera-se e o indivíduo torna-se ciente da unidade na diversidade, mesmo em nível celular. Essa
interação com o centro superior é descrita como a elevação da Kundalini.
Nessa classe de yogas são inclusos apenas o Mantra-Yoga e o Hatha-Yoga, que conduzem o
Sadhaka à conquista do estágio de Raja–Yoga por meio do Laya-Yoga (Yoga da dissolução do
ego).

Mantra-Yogas
A teoria do Mantra-Yoga afirma que todo o cosmos, em todos os seus planos de existência,
manifesta-se por vibrações, uma vez que o universo é sonoro em sua forma rudimentar.

Há correspondência entre os sons sutis de um Mantra e os órgãos do corpo humano e, também,


entre esses órgãos e as forças adormecidas do cosmos.

Trabalhando com Mantras, podemos despertar as suas forças, em essência, por certos padrões
contínuos de vibração, sobre os quais os Mantras produzem efeitos, auxiliando na mudança

individual.

A teoria de que a forma emana do som é encontrada em todas as religiões. De acordo com os
hindus, essa palavra primordial era OM.

Vídeo
Om Chanting Meditation | Very Powerful Mantra
OM CHANTING MEDITATION | VERY POWERFUL MANTRA

Laya Yoga
Laya é um estado em que a mente se funde ao Supremo, torna-se una a ele, cessando a sua
função.

Raja Yoga
O estado de Laya Yoga leva automaticamente ao Raja Yoga. É um estado de ausência de
pensamento, destituído de qualquer conceptualismo.

O objetivo do Raja Yoga é atingir o estado mais elevado de consciência, denominado Samadhi,
Unmani, Amaratva ou Parampada.

Hatha-Yoga
Hatha é uma palavra em sânscrito composta por duas sílabas e quer dizer:

HA: sol, princípio masculino;

THA: lua, princípio feminino.

Por fazer parte de um sistema filosófico, o Hatha-Yoga trabalha com dois princípios básicos da
natureza: a energia solar e a lunar ou, ainda, o positivo e o negativo, o feminino e o masculino, o
yin e o yang, o corpo e a alma, buscando o equilíbrio dos opostos.

Esse sistema propõe trabalhar com os dois aspectos do indivíduo. Um corpo integrado,

harmônico, com as polaridades equilibradas, será um instrumento facilitador para o


desenvolvimento espiritual.

O Yoga é um recurso utilizado pela Medicina Ayurvedica e ambos nasceram na Índia ao mesmo
tempo, sendo que um sistema complementa o outro, e há vários núcleos que trabalham com o

Hatha-Yoga com fins terapêuticos.

Todo o sistema do Hatha-Yoga é baseado na teoria de que as correntes Prana fluem por meio de
padrões particulares em nosso corpo e que a forma como pensamos, sentimos e agimos
depende da natureza desses padrões. Os canais pelos quais as correntes de Prana fluem são

chamados de Nadis.
Figura 1– Ilustração de Pessoa em Postura Meditativa e
Representação dos Sete Chakras
Fonte: Getty Images

#ParaTodosVerem: ilustração de uma pessoa sentada de pernas cruzadas, em


postura meditativa. Mostra os nossos chakras, que são distribuídos verticalmente,
desde o topo da cabeça até a extremidade da coluna dorsal e agem como antenas,
emitindo e captando os sinais de energia vital em nosso corpo energético. A ordem
dos chakras é de baixo para cima, e começa na raiz da coluna; cada um possui uma
cor, conforme descrição a seguir: O 1º, Muladhara Chakra – Chakra básico, de cor
vermelha. O 2º, Svadisthana Chakra – Sacro esplênico, de cor laranja. O 3º, Manipura
Chakra – Chakra plexo solar, de cor amarela. O 4º, Anahata Chakra – Chakra cardíaco,
de cor verde. O 5º, Vishuddha Chakra – Chakra laríngeo, de cor azul. O 6º, Ajna Chakra
– Chakra frontal, de cor azul índigo. O 7º, Sahasrara Chakra – Chakra coronário, de cor
violeta. Fim da descrição.

No ser humano, há inúmeros Nadis interconectados, formando plexos em várias regiões.

Qualquer funcionamento inadequado do corpo e da mente deve-se a distúrbios causados na


passagem de correntes de Prana por um ou mais Nadis.

De todos os Nadis, destacam-se Ida, Pingala e Sushumna. Cada um deve trazer diferentes
resultados quando a corrente de Prana fluir por eles.
O Hatha-Yoga está particularmente interessado em estabelecer o equilíbrio dinâmico entre Ida e
Pingala e facilitar a passagem de correntes através de Susumna.

Refere-se também ao equilíbrio dos opostos aos dois principais canais de energia, os chamados

Nadis, que o yoga busca equilibrar (Pingala, o canal solar e Ida, o canal lunar). O equilíbrio de
opostos complementares é a chave para liberar a energia da consciência e obter liberdade
espiritual.

No estabelecimento desse equilíbrio entre Ida e Pingala, desses dois canais de energia, quando
essas duas correntes opostas, mas complementares, estão em equilíbrio, a Kundalini (energia
sutil) pode fluir através do canal central Sushumna até o chakra coronário, possibilitando a
experiência de felicidade e união, ocorrendo por meio de um longo processo que compõe a
prática do Hatha-Yoga. Todos são acompanhados de atitudes mentais favoráveis para o

desenvolvimento da autoconsciência, consistindo nos seguintes elementos:

Asanas: posturas;

Pranayamas: exercícios respiratórios;

Bandhas: contrações e liberação de toxinas;

Kriyas: exercícios de purificação;

Mudrás: gestos com as mãos;

Relaxamento.

A prática e as técnicas levam à ampliação da faculdade mental, harmonizando o corpo e a mente,

permitindo que o praticante tenha uma estrutura psicomotora e psicofísica em perfeita saúde e
com domínio emocional.

As técnicas respiratórias, as posturas corporais e o relaxamento são acompanhados de atitudes


mentais e promovem o desenvolvimento da autoconsciência.
As posturas, denominadas asanas, resumem-se em 84 posturas principais, sendo que a maioria
apresenta variações.

Figura 2 – Exemplo de Dezesseis Posturas de Hatha Yoga


Fonte: Adaptada do Getty Images

#ParaTodosVerem: ilustração de figuras de dezesseis variadas posturas de


Yoga, que estão representadas por uma mulher branca, com macacão azul, sem
manga.
Cada linha possui quatro posturas, sendo:
1º linha da esquerda para direita: 1ª Virabhadrasana 3 – Postura do guerreiro 3;
1º linha da esquerda para direita: 2ª Trikonasana – Postura do triângulo;
1º linha da esquerda para direita: 3ª Balasana–Postura da criança;
1º linha da esquerda para direita: 4ª Utkatasana – Postura da cadeira;
2º linha da esquerda para direita: 1ª Chaturanga dandasana – Postura da
prancha;
2º linha da esquerda para direita: 2ª Ustrasana – Postura do camelo;
2º linha da esquerda para direita: 3ª Sukhasana – Postura fácil;
2º linha da esquerda para direita: 4ª Bhujangasana – Postura da cobra;
3º linha da esquerda para direita: 1ª Purvottanasana – Postura da prancha
invertida;
3º linha da esquerda para direita: 2ª Dhanurasana – Postura do arco;
3º linha da esquerda para direita: 3ª Vajrasana – Postura do diamante;
3º linha da esquerda para direita: 4ª Halasana – Postura do arado;
4º linha da esquerda para direita: 1ª Virabhadrasana 1 – Postura do guerreiro 1;
4º linha da esquerda para direita: 2ª Adho Mukha Svanasana 1 – Postura do cão
de cabeça para baixo;
4º linha da esquerda para direita: 3ª Natarajasana 1– Postura do bailarino
cósmico;
4º linha da esquerda para direita: 4ª Sarvangasana – Postura da vela. Fim da
descrição.

Sabemos que as posturas atuam sobre um conjunto de músculos, vísceras, articulações, órgãos,
glândulas e estimulam massagens naturais.

As técnicas de relaxamento melhoram e regulam todos os sistemas, além de colocar a mente

disposta à autorreflexão.

Nesse caminho do físico para o mental, o emocional e o espiritual, cada indivíduo dirige a prática
para aquilo que mais necessita e/ou deseja.

A prática de Hatha Yoga tradicional tem um ritmo tranquilo, trabalhando a flexibilidade e a

redução das tensões, que são o foco dessa modalidade. O intenso trabalho respiratório e o
relaxamento consciente auxiliam no combate ao estresse. Essa é uma ótima opção para os
iniciantes e as pessoas com alguma limitação (problemas de coluna, cardiopatias etc.), embora
não possua finalidade de cura, como é o caso da yogaterapia. As técnicas de relaxamento e
meditação também estão presentes, aprimorando o intercâmbio entre corpo, mente e emoções.

O método de Hatha Yoga inclui não somente a prática das técnicas físicas, chamadas ásanas,
mas igualmente exercícios respiratórios e relaxamento, chamados pranayama e yoganidra,
respectivamente. Alguns professores acrescentam às práticas meditação e o estudo da filosofia

do Yoga e do hinduísmo (Samkhya, Vedanta e outras tradições). Os métodos podem ter


abordagens diferentes, dependendo do local em que cada professor coloca sua ênfase.

A partir do século XIX, contudo, vários mestres espirituais indianos começaram a difundir suas
mensagens para além das fronteiras da Índia, propiciando novas abordagens de Yoga que
passariam a se adaptar melhor às demandas de vários povos, em várias partes do mundo e, em

particular, no ocidente.
Considera-se esse período como o do renascimento do Hatha-Yoga e do nascimento de muitas
linhas por ela influenciadas, com ênfase na diversidade de posturas e técnicas respiratórias.

Destacam-se as seguintes linhagens do Hatha-Yoga:

1893 – 1950, Yoga da síntese de Sri Aurobindo, sucedido por Mirra Alfassa;

1836 – 1886, escola de Ramakrishna, sucedido por Vivekananda;

1891 – 1989, Krishnamacharya, cujos discípulos, Pattabhi Jois e B. K. Iyengar,


fundaram duas escolas hoje muito populares, Ashtanga Yoga e Iyengar Yoga;

1908 – 1982, Siddha Yoga, impulsionada por Muktananda;

1855 – 1936, linhagem de Yukteswar, sucedido por Paramahansa Yogananda, que


difundiu o Kriya Yoga no ocidente;

1887 – 1963, linhagem de Sivananda, sucedido por Devananda;

A linhagem de Brahmananda, sucedido por Mararishi Mahech, que difundiu a


meditação transcendental nos Estados Unidos;

1883 – 1966, linhagem de Madhava, cujo discípulo Swami Kuvalayananda


desenvolveu o que hoje se chama Yogaterapia, tendo fundado a escola de
Kaivalyadhama, em 1924, em Lonavla, Índia, conhecida como o primeiro centro de
pesquisas científicas sobre o Yoga em todo o Mundo. Yogendra, outro discípulo de
Madhava, fundou também um instituto de pesquisas sobre o Yoga em Versova,
também na Índia.

Essa diversidade foi sendo acentuada ainda mais nas últimas décadas, quando foram concebidas
outras escolas, tais como a Power, nos Estados Unidos e a Swásthya, no Brasil.
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Sivananda Yoga
Trata-se de uma prática de síntese dos principais ramos do Yoga tradicional (Karma, Bhakti,
Hatha, Raja e Jñana Yoga), segundo o mestre Swami Sivananda Saraswati. Esse método foi
elaborado na conhecida Yoga Vedanta Forest Academy de Rishikesh, Índia, uma das primeiras
instituições abertas aos praticantes ocidentais.

Chegou ao ocidente em 1957, por Swami Vishnu Devananda, um dos principais discípulos de
Sivananda e foi logo adaptado às necessidades da sociedade atual, propondo uma atenção
especial aos cinco pontos básicos:

Exercícios (asanas);

Respiração (pranayama);

Relaxamento (shavasana);
Alimentação (vegetariana);

Atitude positiva e meditação (dhyana).

Esses pontos visam sobretudo refinar a higiene de vida do praticante, o que resulta em uma
melhor consciência do verdadeiro propósito do Yoga. As aulas práticas são estruturadas em uma
série de doze asanas principais (com variações), precedidos pela saudação ao sol e respiratórios.
Há também uma ênfase no aprendizado dos mantras sânscritos, tanto em forma de canto
(kirtan) como para suporte à meditação.

O Vinyasa Yoga
“Vinyasa” é uma palavra do sânscrito formada por “vi”, que quer dizer “de uma forma em
especial” e “nyasa”, que quer dizer “colocar”.

Como muitos outros estilos de Yoga, Vinyasa deriva primariamente do Hatha Yoga, mas se
distingue pelas transições e planejamento das posturas. A prática dos asanas é realizada em
sequência, coordenada com a respiração, ligando uma postura na outra e criando um fluxo
contínuo, com transições.

Por meio da prática das posturas (asanas), é criado um estado de meditação em movimento e
meditação estática ao final da aula/concentração/relaxamento (dharana e dhyana). A sequência
da aula é fluida e segue “crescendo”; cada movimento é coordenado com a respiração em
composição previamente preparada a cada aula, alinhando a respiração com o corpo e com a

mente.

A prática de Vinyasa ajuda a criar um corpo mais forte, pois necessita de mais força, flexibilidade
e coordenação motora para praticar. Apesar do tempo de permanência nas posturas ser menor, a
exigência muscular é maior. Quanto à conexão física e mental, as introspecções e as meditações
irão depender da forma de como são praticadas. A respiração é fundamental na prática e a

capacidade pulmonar e resistência aumentam.


Além de força e flexibilidade física, a concentração na respiração e no físico da prática também é
desenvolvida nas aulas, e as atitudes ficam mais conscientes e pacíficas no dia a dia. Os
alinhamentos são bem explicados durante a aula e com muito movimento. O Vinyasana é
também chamado de “flow”, devido à sua fluidez e proporciona um nível de concentração
elevado, que podemos denominar de meditação em movimento. Pode ser praticado com
mantras; para as séries, a sequência ancestral de posturas é denominada Surya Namaskar, a
saudação do sol.

Figura 3 – Esquema das Posturas que Compõem o Surya


Namaskar
Fonte: Adaptada do Getty Images
#ParaTodosVerem: Figuras das doze posturas que são executadas no Surya
Namaskar (saudação do sol), por uma mulher vestindo roupa azul. A saudação
ao sol é o primeiro vinyasa (sequência fixa e ritmada) da tradição védica que,
além de envolver a prática de asanas (posições), representa um ritual de
profunda reverência ao astro rei. Por esse motivo, é aconselhável que, sempre
que possível, a sequência seja realizada com o corpo voltado para o sol.
Na sequência, há as seguintes posturas:
1ª Pramanasana (postura da prece);
2ª Hasta uttanasana (postura das mãos estendidas);
3ª Padahastasana (postura da cegonha);
4ª Asva Sancalāsana (postura do corredor);
5ª Santolanasana (postura do equilíbrio);
6ª Ashtanga Namaskara (postura da saudação com oito membros);
7ª Bhujangasana (postura da cobra);
8ª Adho Mukha Svanasana (postura do cachorro olhando para baixo);
9ª Asva Sancalasana (postura do corredor);
10ª Padahastasana (postura da cegonha);
11ª Hasta uttanasana (postura das mãos estendidas);
12ª Pramanasana (postura da prece). Fim da descrição.

Assim como a música para trazer alegria e inspiração deve ter a combinação de tons e ritmos, a
prática de asanas deve ter a combinação de pranayama e asanas para produzir seus melhores
benefícios.

Vinyasa foi um sistema introduzido por Tirumalai Krishnamacharya, conhecido como o


desenvolvedor do yoga contemporâneo e embaixador do Yoga no Ocidente. Apresentou o Yoga

para o ocidente de uma forma diferente, devido às suas caraterísticas, com a prática da ênfase no
corpo físico de forma disciplinada e constante para poder atingir o corpo mais sutil.

Krishnamacharya também foi guru de B. K. S. Iyengar, que criou uma metodologia própria. Seu
filho, chamado T. K. V. Desikachar, desenvolveu e ensina o que chama de Vinyoga, uma prática
também fluida, que tem como principal foco o trabalho com a respiração; cada série é
desenvolvida de acordo com as necessidades individuais de cada praticante
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Iyengar Yoga
O Iyengar Yoga é um método altamente preciso e exigente criado por B. K. S. Iyengar, com base
nos ensinamentos do seu mestre, Sri T. Krishnamacharya, de Mysore, Sul da Índia. Uma das
características mais marcantes desse método é o conceito de alinhamento das posturas. O
alinhamento proposto funciona para abrir caminhos para que a energia circule. Atingir o
alinhamento profundo pode comparar-se à tarefa de lapidar um diamante. É uma prática que
requer mais do corpo físico; é bastante forte, mas os resultados também são bons, se praticados
com instrutores qualificados.

Yoga Restaurativa
A Yoga restaurativa é uma prática associada a Iyengar Yoga. B. K. S. Iyengar, que ajudou a trazer o
yoga para o ocidente, na década de 1950, inventou um estilo de yoga em que se mantém as
posturas por mais tempo e inclui-se o uso de acessórios.
Yoga restaurativa é uma das ramificações do Yoga e tem como objetivo desenvolver o
relaxamento físico, o mental e o emocional. É uma prática que envolve poucos movimentos
corporais, sendo mais focada em restaurar o corpo para um ponto de relaxamento, liberando

músculos e tensões acumuladas.

Todas as posturas, os acessórios e as técnicas trazem uma sensação de conforto e bem-estar,


essencial para acalmar e equilibrar a mente.

Judith Hanson Lasater, uma professora de yoga americana, Ph.d. em psicologia e fisioterapia,

ajudou a disseminar e a explicar yoga restaurativa em seu livro “Relax and renew: restful Yoga for
stressful times”, publicado em 1995.

Viniyoga
A prática de viniyoga respeita o ritmo de evolução de cada um. Nas práticas, as posturas físicas
são sincronizadas com a respiração, em sequências que são montadas em função das
necessidades de cada praticante. O método é inspirado nos ensinamentos dos mestres Sri T.
Krishnamacharya e T.K.V. Desikachar.

Ashtanga Vinyasa Yoga


Esse sistema proveniente do Sul da Índia e ensinado pelo mestre Sri K. Pattabhi Jois está baseado
em seis séries de ásanas, progressivamente mais exigentes, nas quais cada praticante trabalha

em seu próprio ritmo por meio de uma técnica chamada vinyasa, que consiste em coordenar
respiração e movimento.

O Ashtanga Vinyasa Yoga é o mais exigente para o corpo físico e para praticá-lo é aconselhável
ter um bom condicionamento físico.

Power Yoga
O Power Yoga é uma adaptação mais acessível do Ashtanga Vinyasa Yoga, elaborada nos Estados
Unidos, para atender aqueles que não querem fazer uma prática tão exigente, porém ela é
bastante intensa. Através da respiração e da execução de posturas combinadas com movimento,

o praticante desenvolve resistência, força, flexibilidade, consciência respiratória, concentração


e vitalidade.

Yogaterapia Integrativa
Foi desenvolvida por Joseph Le Page, nos Estados Unidos. Esse método destaca-se por trabalhar
todos os níveis do ser humano: físico, mental, emocional e espiritual, para cura e equilíbrio. A
prática abordada é terapêutica, ensinando pessoas, por exemplo, com problemas cardíacos a se
tornarem mais conscientes da sua condição em todos os níveis, melhorando a qualidade de vida
e usando técnicas respiratórias, exercícios adequados e meditação com foco na cura do coração.

Escolhendo uma Escola de Yoga


Hoje, até mesmo os profissionais de Yoga se perdem em meio a tantas linhas, que, por vezes,

difundem informações desencontradas e chegam a fundamentar as práticas com princípios


opostos.

Vivemos um momento em que, para não transformar o Yoga em um simples nome que pode ser
utilizado como rótulo na embalagem, torna-se necessário resgatar a tradição e os seus valores

essenciais.

É preciso lembrar que o Yoga busca exatamente a regularidade e o que há de eterno em nós,
independentemente de quantas sejam as mudanças no mundo em que estamos.
Reflita
Agora que você recebeu este conteúdo, qual das escolas de Yoga faria
mais sentido para você ? Qual a razão da sua escolha?

Para responder essa questão, é importante que você saiba que:

Todas as variações do Yoga, se bem orientadas por profissionais com capacitação


em Yoga, seguindo sua tradição, são boas, pois não existe um Yoga superior, mais
completo ou melhor que os demais, pois cada um dos métodos é adaptado para os
diferentes objetivos.

As variedades de escolas não param de surgir, pois a cada dia estamos desenvolvendo métodos
para atender às diversas diferenças naturais entre as pessoas, para melhor adaptar a prática nas
suas necessidades e nos seus objetivos.

O melhor Yoga é aquele que funciona para você, aquele que você se sente melhor praticando e
mais equilibrado, de acordo com as suas necessidades, além de atender às suas expectativas,
sejam elas quais forem.

Boas práticas!
📄 Material Complementar
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Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Livros
O Coração do Yoga: Desenvolvendo a Prática Pessoal
Esse livro é fundamental para aqueles que se interessam pelo yoga. Do estudante iniciante ao
praticante avançado, todos encontrarão nele informações essenciais para a compreensão do
yoga. Possui uma sequência com passo a passo para uma prática completa, baseada nos
princípios tradicionais do yoga, passando pelos seus diversos elementos – posturas, respiração
consciente, meditação e filosofia –, até o conhecimento de como o aluno pode desenvolver uma
prática personalizada, que considere seu estado de saúde, sua idade, sua ocupação e seu estilo de
vida.

DESIKACHAR,T. K. V.; COSTA,G. O Coração do Yoga: desenvolvendo a prática pessoa. São Paulo:
Mantra. 2. ed. 2019.

Asana Pranayama Mudra Bandha


O livro é baseado em técnicas tradicionais do Yoga. Oferece a prática
com o passo a passo de posturas, pranayamas e mudra bandha.
SARASWATI, S.S. Asana Pranayama Mudra Bandaha. Munger: Yoga
Publications Trust. 1. ed. 2015.

Yoga: Cartas dos Ásanas


Com o firme propósito de facilitar e estimular a prática do Hatha Yoga,
apresentamos as cartas dos Ásanas, que, de maneira didática, dividem-
se em grupos de posturas, caracterizados por cores. Cada carta,
ilustrada com foto, mostra a postura, sua nomenclatura em sânscrito,
seu significado em português e, sobretudo, os seus principais benefícios
para o corpo e para a mente.

BASSOLI, R.M. Yoga: cartas dos Ásanas. Munger: Yoga Publications


Trust.1. ed. 2015.

Vídeos

Primary Series Ashtanga with Sri K. Pattabhi Jois


Primary Series Ashtanga with Sri K. Pattabhi Jois

30 – Minute Restorative Yoga with Props Full Body Self-care


Relaxe com essa aula de Yoga restaurativa de 30 minutos, com acessórios.

30-Minute Restorative Yoga with Props Full Body Self-Care


📄 Referências
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BARBOSA, C. E. G. Os Yoga Sutras de Pantanjali. 1. ed. São Paulo: Mantra. 1. ed. 2019.

BASSOLI, R. M. Yoga: um Caminho para a Luz Interior. Campinas: Átomo. 4. ed. 2012.

IYENGAR, B. K. S. Luz sobre o Yoga: o Guia Clássico de Yoga. São Paulo: Pensamento. 1. ed. 2016.

PACKER, M. L. G. A Senda do Yoga: Filosofia, Prática e Terapêutica. Blumenau: Nova Letra. 2. ed.
2009.

PAGE, J. L. Manual de Yoga Integrativa. Garopaba: Montanha Encantada. 1. ed. 2009.

RODRIGUES, M. R. (coord.). Estudos sobre o Yoga. São Paulo: Phorte. 1. ed. 2006.

SILVA, G. D. Curso Básico de Yoga: Teórico-Prático. São Paulo: Phorte. 2. ed. 2009.

SOUTO, A. A Essência do Hatha Yoga: Hatha Pradipika, Gheranda Samhita, Goraska Shataka. São
Paulo: Phorte. 1. ed. 2009.

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