Aula 10 - Licitacoes e Contratos Parte 2 PDF
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Autor:
Antonio Daud
20 de Outubro de 2022
Índice
1) Licitações Públicas - Lei nº. 14.133/2021 - Parte II
..............................................................................................................................................................................................3
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INTRODUÇÃO
Olá amigos!
Agora chegou o momento de conhecermos as fases da licitação de acordo com a Lei 14.133/2021,
as hipóteses de contratação direta e, por fim, as chamadas “disposições setoriais”.
Avante!
Esta versão da aula já se encontra de acordo com o exame dos vetos por parte do Congresso
Nacional, no início de junho de 2021.
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FASES DA LICITAÇÃO
A licitação é um processo administrativo e, como tal, deverá seguir um rito previsto na legislação.
Assim sendo, estudaremos a seguir as etapas (ou fases) que integram o procedimento licitatório.
Iremos tomar por base o “rito procedimental comum”, utilizado nas modalidades concorrência e
pregão (art. 29, caput), já que o rito das demais modalidades apresenta peculiaridades, como no
caso do diálogo competitivo.
Reparem que, antes de o edital de uma licitação ser publicado, a licitação já está sendo executada
internamente na Administração. Ou seja, até a divulgação do edital da licitação, ela pode não ser
de conhecimento público, mas já é executada no interior da máquina pública, no bojo da chamada
fase preparatória da licitação.
Com a NLL, ficou ainda mais bem definida a distinção entre fase preparatória da licitação (ou seja,
antes da publicação do edital) e sua “fase externa“ (que é inaugurada com a publicação do edital),
quando a licitação se torna pública.
Antes de analisarmos cada uma das etapas do procedimento licitatório, vale a pena destacar a
ordem geral em que acontecem1, a partir da previsão do art. 17 da NLL:
Apresentação
Fase Divulgação do
das propostas
preparatória edital
e lances
desinversão
Homologação
1
De modo similar ao rito constante do Regime Diferenciado de Contratações da Lei 12.462/2011 (RDC).
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4) As licitações passam a ter uma fase recursal única (art. 165, §1º, II), de modo
similar ao que já ocorria no pregão.
Fase preparatória
Seguindo um dos novos princípios expressos das licitações, a fase preparatória do processo
licitatório – caracterizada por intenso planejamento – ganhou detalhados contornos na nova lei.
Em síntese, nesta fase estarão presentes os seguintes momentos:
2
A exceção fica por conta dos municípios com até 20.000 habitantes, que terão 6 anos para se adequar
à forma eletrônica das licitações (art. 176, II).
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proj. básico e
estudo
executivo,
técnico orçamento análise de análise
termo de edital
preliminar estimado riscos jurídica
referência (ou
(ETP)
anteprojeto)
Primeiramente, vale destacar que o planejamento de cada contratação deve se compatibilizar com
o plano de contratações anual (caso tenha sido elaborado) e com os orçamentos aprovados (art.
18, caput).
Assim, para viabilizar o planejamento da licitação, a equipe envolvida na contratação irá elaborar
um ETP (Estudo Técnico Preliminar) 3 , o qual constitui a primeira etapa do planejamento da
contratação e irá servir de insumo para as atividades de definição e especificação do objeto a ser
contratado.
Exemplo: imagine que determinado órgão necessite contratar transporte para seus
servidores realizarem fiscalizações (problema a ser resolvido). O órgão irá fazer um
levantamento e identificar alternativas para atender a esta necessidade, como (i) a
compra de novos veículos e contratação de motoristas terceirizados, (ii) a locação de
veículos com contratação de motoristas e (iii) a contratação de serviços de transporte por
aplicativo, sem ter que alugar ou adquirir novos veículos.
3
O estudo técnico preliminar consiste no documento constitutivo da primeira etapa do planejamento de
uma contratação que caracteriza o interesse público envolvido e a sua melhor solução e dá base ao
anteprojeto, ao termo de referência ou ao projeto básico a serem elaborados caso se conclua pela
viabilidade da contratação (art. 6º, XX).
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A partir destas 3 soluções, a Administração iria avaliar qual delas melhor atende suas
necessidades, a qual será objeto de futura licitação.
É, também dentro desta fase, que a Administração irá elaborar o orçamento estimado da licitação
(art. 18, IV) e decidirá se será sigiloso ou não (art. 18, XI), fazendo uso da faculdade prevista no art.
24 da NLL. Friso, contudo, que o orçamento sigiloso depende de ato justificando esta opção.
Muito bem! Feita esta breve contextualização sobre as etapas da fase preparatória, adiante iremos
nos debruçar sobre pontos específicos.
➢ Elaboração do edital
Diferentemente da Lei 8.666, a NLL não detalhada expressamente o conteúdo mínimo do edital,
mencionando genericamente que o edital deverá conter o objeto da licitação e as regras relativas
à convocação, ao julgamento, à habilitação, aos recursos e às penalidades da licitação, à
fiscalização e à gestão do contrato, à entrega do objeto e às condições de pagamento (art. 25,
caput).
Além disso, para facilitar a elaboração do edital, em atenção ao princípio da eficiência, sempre
que possível, a Administração adotará minutas padronizadas de edital e de contrato com
cláusulas uniformes (art. 25, § 1º).
----
4
Documento necessário para a contratação de bens e serviços, que deve conter parâmetros e elementos
descritivos da licitação, como a definição do objeto, quantitativos, o prazo do contrato, requisitos da
contratação etc (NLL, art. 6º, XXIII).
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Todos os elementos do edital, incluídos seus anexos (minuta de contrato, termos de referência,
anteprojeto, projetos e outros documentos), deverão ser divulgados em sítio eletrônico oficial,
na mesma data de divulgação do edital, sem necessidade de identificação para acesso (art. 25, §
3º):
termo de referência
em sítio eletrônico
----
Ao final da fase preparatória, em regra, a minuta do edital da licitação deverá ser examinada e
aprovada pelo departamento jurídico, a fim de que seja realizado o controle preventivo quanto à
legalidade do procedimento licitatório (art. 53).
É importante que todos estes elementos do edital sejam avaliados sob o enfoque jurídico, até
porque, uma vez publicados, a Administração se vincula ao seu cumprimento (princ. da vinculação
ao edital).
Apesar de o “crivo” jurídico ser a regra geral, o legislador previu, em atenção aos princípios
expressos da celeridade e da eficiência, casos em que a análise jurídica é dispensável, que deverão
ser reguladas por ato da autoridade jurídica máxima competente (art. 53, § 5º).
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Aproveito para frisar uma novidade da NLL que busca valorizar a orientação constante do parecer
jurídico, especificamente do documento proveniente parecerista que pertence aos quadros
permanentes da Administração (art. 10).
Se, futuramente, o agente público que atuou na licitação estiver sendo investigado ou acusado de
praticar alguma irregularidade e, assim, precisar se defender judicial ou administrativamente, caso
ele tenha seguido a orientação constante do parecer jurídico, em regra os advogados públicos
poderão promovam sua defesa, ou seja, sem ônus para o servidor investigado.
----
Bem, seguindo adiante, além do controle jurídico sobre as minutas de editais, veremos mais
adiante o controle social sobre o teor dos editais publicados, exercido por qualquer pessoa
mediante impugnação.
Tratando-se de contratações de grande vulto (valor estimado superior a cerca de R$ 216 milhões),
friso que o edital deverá prever:
2) ainda a respeito das contratações de grande vulto, sendo relativas a obras ou serviços,
o edital obrigatoriamente contemplará matriz de alocação de riscos 6 entre o contratante e o
contratado (art. 22, §3º), de modo a indicar quais riscos são assumidos pelo setor público, quais
são da empresa contratada e, ainda, aqueles que seriam compartilhados (art. 103).
5
Em síntese, os programas de integridade representam trabalhos preventivos de prevenção a atos de
corrupção que as empresas, neste caso, deverão criar internamente.
6
Para licitações de menor vulto, a matriz de alocação de riscos é facultativa (art. 22) e permite que o
cálculo do valor estimado da contratação considere taxa de risco compatível com o objeto da licitação.
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Isto significa que as licitações presenciais se tornaram exceção, somente podendo ocorrer
mediante justificativa e desde que a sessão registrada em ata e gravada:
motivação
Agente de contratação
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A exceção fica por conta dos municípios com até 20.000 habitantes, que terão 6 anos para se adequar
à forma eletrônica das licitações (art. 176, II).
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Publicidade do edital
Uma vez concluída a elaboração do edital, etapa em que houve a manifestação do departamento
jurídico do ente promotor da licitação, inaugura-se a fase externa da licitação, iniciada pela
divulgação do edital no Portal Nacional de Contratações Públicas.
Por este motivo a lei prevê que encerrada a instrução do processo sob os aspectos técnico e
jurídico, a autoridade determinará a divulgação do edital de licitação no Portal (art. 53, § 3º).
Com a derrubada do veto ao art. 54, §1º, voltou a ser obrigatória a publicação de
extrato do edital no Diário Oficial e em jornal diário de grande circulação.
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No caso de consórcio público, a publicação seria no site eletrônico do ente federativo de maior nível entre eles (art. 54, §2º).
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Por fim, após a homologação do processo licitatório, serão disponibilizados no Portal Nacional os
documentos elaborados na fase preparatória que porventura não tenham integrado o edital e
seus anexos (poderíamos incluir aqui, por exemplo, a divulgação do estudo técnico preliminar da
contratação e do orçamento estimado, quando sigiloso) – art. 54, § 3º. E, facultativamente, estes
documentos também poderão ser disponibilizados no sítio eletrônico oficial do ente federativo
do órgão responsável pela licitação:
➢ Antecedência mínima
Para que uma empresa interessada em participar da licitação consiga examinar todo o conteúdo
do edital e formular sua proposta, é necessário que tenham tempo hábil para isto.
Ao contrário, se houvesse tempo muito exíguo para a formulação de propostas, as empresas que,
de algum modo, já detivessem conhecimento sobre a licitação seriam privilegiadas sobre as
demais que até então a desconheciam, em prejuízo do princípio da igualdade.
Assim, o legislador estabeleceu prazos de antecedência mínima. Estes prazos são computados
entre a data da divulgação do edital e a data de apresentação das propostas/lances.
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São prazos mínimos, nada impedindo que prazos superiores sejam estabelecidos. Dito isto, vamos
estudar estes prazos com o auxílio de uma tabela, que compila as regras do art. 55 da NLL:
- técnica e preço
Quaisquer licitações em que se
- melhor técnica ou conteúdo 35 dias úteis
adotem os critérios de:
artístico
Reparem que os prazos são computados em dias úteis – e não mais em dias corridos como ocorria
anteriormente para modalidades da Lei 8.666.
Aqui há uma especificidade para contratos da área de saúde: os prazos poderão, mediante decisão
fundamentada, ser reduzidos até a metade nas licitações realizadas pelo Ministério da Saúde, no
âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) – art. 55, §2º.
Além disso, é importante frisar que, assim como ocorria sob a égide da Lei 8.666, eventuais
modificações no edital exigem divulgação pela mesma forma que se deu o texto original e o
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cumprimento dos mesmos prazos, exceto quando a alteração não comprometer a formulação das
propostas (art. 55, §1º).
Assim sendo, havendo modificação, o edital será republicado e os prazos estudados acima serão
contados novamente, como regra geral. A exceção a esta última regra diz respeito àquelas
alterações que não afetam a formulação de propostas pelos licitantes.
Como forma de possibilitar o controle social, a NLL faculta a qualquer pessoa9 apresentar uma
impugnação ao edital de licitação, caso seja detectada alguma irregularidade. Para isto, o cidadão
deverá protocolar seu pedido de impugnação até 3 dias úteis antes da data de abertura do
certame, devendo a Administração julgar e responder o pedido em até 3 dias úteis, limitado ao
último dia útil anterior à data da abertura do certame (art. 164).
Além do controle social exercido por qualquer cidadão ou licitante, mediante impugnação, é
possível que os órgãos de controle atuem fiscalização das licitações e contratos, tema que será
comentado oportunamente nesta aula.
Uma vez cumpridos os prazos de antecedência mínimos exigidos por lei, comentados
anteriormente, os licitantes deverão apresentar suas propostas e lances.
Aqui ganham importância os (i) modos de disputa e (ii) a garantia de proposta, detalhados a seguir.
Modos de disputa
O edital da licitação irá definir o modo de disputa: (i) aberto, (ii) fechado e (iii) misto
aberto/fechado - art. 56.
No modo de disputa aberto, isolado, os licitantes apresentarão suas propostas por meio de lances
públicos e sucessivos (crescentes ou decrescentes). Ou seja, neste modo, característico de um
pregão, um licitante consegue visualizar o lance oferecido pelo outro.
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A Lei 8.666 atribuía tal faculdade a qualquer “cidadão”.
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Já no modo de disputa “combinado”, teremos uma conjunção dos dois modos mencionados
acima, de sorte que a disputa é marcada por dois momentos distintos, a exemplo do modo de
disputa “aberto e fechado” 10.
Vale destacar que é vedada a utilização isolada do modo de disputa fechado quando adotados os
critérios de julgamento de menor preço ou de maior desconto (art. 56, §1º). Isto porque, nestes
critérios, a competição é baseada em cada licitante dar lances baseados no comportamento dos
demais participantes do certame. Então, não fossem públicos, a competição seria reduzida, pois
haveria menor apelo à disputa entre os licitantes.
Por outro lado, utilização da disputa aberta é vedada quando adotado o critério de julgamento
de técnica e preço (art. 56, § 2º).
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À semelhança do que consta do Decreto federal 10.024/2019, art. 31
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Vale comentar também o conceito de “lances intermediários”. Trata-se de mecanismo que busca
evitar fraudes e combinações ardilosas entre licitantes, por meio do qual autoriza-se que um
licitante dê novo lance, que ao mesmo tempo é melhor que seu próprio lance anterior, mas pior
que o melhor lance geral do certame. Ou seja, com o lance intermediário o licitante poderão
melhorar sua colocação na disputa, mas continuará não sendo o melhor colocado.
Além disso, a lei prevê que, na disputa aberta, após a definição da melhor proposta, se a diferença
entre a melhor proposta e o segundo colocado for de pelo menos 5%, a Administração poderá
admitir o reinício da disputa, nos termos estabelecidos no edital, para a definição das demais
colocações (art. 56, § 4º). Ou seja, neste caso, ela poderá abrir disputa para os demais colocados,
a fim de definir todas as colocações do certame licitatório.
Por fim, para estimular a redução de preços e, ainda, evitar a utilização de “robôs” nas licitações,
o edital poderá estabelecer intervalo mínimo de diferença de valores entre os lances (art. 57).
Garantia de proposta
Assim como já ocorria sob o regramento da Lei 8.666, poderá ser exigida, no momento da
apresentação da proposta, a comprovação do recolhimento de quantia a título de garantia de
proposta, como requisito de pré-habilitação (Art. 58).
Quando exigida, esta garantia de proposta será imposta a todos os licitantes e não poderá ser
superior a 1% do valor estimado para a contratação.
Esta garantia será devolvida aos licitantes no prazo de 10 dias úteis, contado da assinatura do
contrato ou da data em que for declarada fracassada a licitação. No entanto, se o licitante
vencedor se recusar a assinar o contrato ou a não apresentar os documentos para a contratação,
a garantia de proposta será integralmente executada (art. 58, § 3º; art. 90, §5º).
A garantia poderá ser prestada na forma de (i) caução em dinheiro ou em títulos da dívida pública,
(ii) seguro-garantia ou (iii) fiança bancária emitida por banco ou instituição financeira devidamente
autorizada a operar no País pelo Banco Central do Brasil.
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Por fim, reparem que aqui não estamos falando da garantia de execução do contrato, prevista no
art. 96, que poderá ser exigida não de todos os licitantes, mas apenas daquele que for convocado
para celebrar o contrato.
Faculdade da Administração
Prevista em edital
fiança bancária
É justamente nesta etapa que serão aplicados os critérios de julgamento estudados anteriormente
(menor preço, maior lance, melhor técnica etc) para se definir a empresa com a melhor
proposta/lance.
Aqui observaremos, com grande força, a incidência do princípio expresso do julgamento objetivo,
o qual preceitua que as propostas devem ser classificadas e julgadas seguindo fielmente as regras
constantes do edital de licitação.
Reparem que, nesta etapa de julgamento das propostas, o agente de contratação não busca
avaliar as qualidades e características das empresas licitantes. Aqui o momento é de verificar se a
proposta apresentada atende às exigências do edital e classificá-las de acordo com o tipo de
licitação previsto em edital (menor preço, melhor técnica, técnica e preço etc), buscando
determinar quem foi o vencedor da licitação.
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Adaptando-se as lições de ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo
Descomplicado. 25ª ed. p. 723
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Reparem que, caso uma proposta não obedeça às exigências constantes do edital licitatório, a
proposta será desclassificada.
Portanto, após aplicar o critério de julgamento e, assim, definir a proposta mais bem classificada
(1º lugar), o agente de contratação irá desclassificar propostas que (art. 59, caput e §1º):
a) a desclassificação em regra não será automática, mas será determinada caso a empresa
não consiga demonstrar a exequibilidade de sua proposta;
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Orçamento da Administração
85%
exigência de garantia
75%
Inexequível
Para os demais casos (compras e demais serviços), a lei não chega a definir um critério objetivo.
Além disso, convém destacar que, na fase de julgamento, para se avaliar a conformidade da
proposta do licitante mais bem classificado, é possível realizar teste em amostras dos produtos
ofertados, prova de conceito, entre outros testes, de modo a comprovar sua aderência às
especificações definidas no termo de referência ou no projeto básico (art. 17, §3º). Isto tudo será
possível desde que previsto no edital.
Empate na licitação
Se, após realizado o julgamento das propostas oferecidas pelos licitantes, o agente de contratação
se deparar com empate, a solução é dada pelo art. 60, que prevê os seguintes critérios de
desempate e de preferência:
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Reparem que, neste ponto, várias foram as alterações em relação à Lei 8.666, iniciando pela
distinção entre critérios de desempate (4 primeiros do diagrama acima) e de preferência (4
últimos).
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Seguindo a ordem prevista em lei, o segundo critério, também inovação da NLL, privilegia aquele
licitante que já foi contratado anteriormente pela Administração e demonstrou bom desempenho
prévio.
Não tendo solucionado o empate, terá lugar a aplicação sucessiva dos “critérios de preferência”.
Inicialmente, dois critérios que consideram a localização da empresa licitante: a unidade da
federação em que ele se estabeleceu e, na sequência, se é brasileira ou não. Por fim, serão
privilegiadas as empresas que investem em pesquisa e no desenvolvimento (P&D) de tecnologia
no País e, ainda, comprovem a prática de mitigação12, prevista na Lei sobre mudanças climáticas
(Lei 12.187/ 2009).
Por fim, notem que não consta mais previsão para realização de sorteio, que existia na Lei
8.666/1993.
Sabemos que as licitações não são utilizadas somente para obter as melhores propostas para
contratar com o Estado. Os gastos do governo respondem por relevante fatia na economia
brasileira, representando em uma das formas de estimular nossa economia. Portanto, uma das
formas de estimular setores específicos da economia é criando preferências na legislação, de
forma a privilegiar determinados setores nas aquisições públicas.
Trata-se, portanto, de mecanismo por meio do qual a Administração Pública irá preferir, em uma
licitação, o setor a ser fomentado, em detrimento dos demais.
Na nossa atual legislação, há várias situações que ensejam preferência a determinados setores,
como na NLL e na Lei Complementar 123/2006.
De toda forma, reparem que aqui estamos diante de uma situação excepcional, em que o
legislador permitiu a criação de distinção entre particulares interessados em contratar com o
Estado.
12
As mitigações consistem em se implementarem mudanças tecnológicas que reduzam uso de recursos
e emissões de gases para cada unidade produtora, bem como implementação de medidas que reduzam
as emissões de gases de efeito estufa (Lei 12.187/2009, art. 2º, VII).
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Segundo a NLL, consoante posterior regulamentação por parte do Poder Executivo, poderá haver
preferência em duas situações:
São situações em que o Estado admite pagar um pouco mais caro a empresas enquadradas nas
duas situações acima descritas, tendo em vista o desenvolvimento nacional sustentável. Portanto,
entre um produto estrangeiro e um nacional (que atenda a normas técnicas brasileiras), a
Administração dará preferência aos brasileiros.
Mas há um limite! Admite-se pagar, no máximo, em regra 10% a mais aos bens nesta situação (art.
26, §1º, II), sendo que, no caso de tecnologia brasileira, a margem pode ser ampliada para até
20% (art. 26, §2º). Reparem que, sob as regras da Lei 8.666, o limite máximo era de 25%.
Além disso, tal preferência pode ser estendida até mesmo aos países do Mercosul, desde que haja
reciprocidade (art. 26, §1º,III).
13
Segundo o art. 6º, serviço nacional é aquele prestado em território nacional, nas condições
estabelecidas pelo Poder Executivo federal (inciso XXXVI) e produto manufaturado nacional é aquele
produzido no território nacional de acordo com o processo produtivo básico ou com as regras de origem
estabelecidas pelo Poder Executivo federal (XXXVII).
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De toda forma, a margem de preferência não se aplica aos bens manufaturados nacionais e aos
serviços nacionais se a capacidade de produção desses bens ou de prestação desses serviços no
País inferior à demanda (art. 26, §5º).
Por fim, como requisito de transparência, deverá ser divulgada, em sítio eletrônico oficial, a cada
exercício financeiro, a relação de empresas favorecidas pela margem de preferência, com
indicação do volume de recursos destinados a cada uma delas (art. 27).
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Aqui não houve alterações promovidas pela Lei 14.133, embora seja oportuna recapitularmos os
principais aspectos desta preferência da LC 123/2006.
De forma geral, se, em uma licitação, uma “grande empresa” oferecer o mesmo preço que uma
“pequena empresa”, para o mesmo bem ou serviço, haveria um empate. E, por força da LC
123/2006, a pequena empresa terá preferência para contratar com a Administração, de sorte que
a pequena empresa seria contratada, em detrimento da grande.
Isso é resultado de um dos princípios constitucionais da nossa Ordem Econômica, qual seja:
CF, art. 170, inciso IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte
constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País.
No entanto, o legislador ampliou o conceito de empate, criando situações em que uma micro (ME)
ou pequena empresa (EPP) apresenta proposta com valor superior ao da “grande empresa” e,
ainda assim, seriam consideradas empates. Estes casos são chamados de empates fictícios e
encontram-se assim previstos na LC 123/2006:
Pela análise do texto, fica clara a intenção de se estimularem as micro (ME) e pequenas empresas
(EPP) nas contratações públicas, até mesmo por meio do empate fictício. Note que o conceito de
empate foi estabelecido de duas maneiras distintas:
A) Para o caso de licitações públicas cuja modalidade não seja o pregão, todas as propostas
superiores ou iguais a 10% da melhor classificada e que forem fornecidas por micro e pequenas
empresas estão consideradas empatadas e, portanto, passíveis de aplicação do direito de
preferência.
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B) Já para os casos do pregão, contudo, esse índice de empate entre os lances é até 5%
superior ao melhor preço.
Em síntese:
empate = até 5%
pregão
do melhor preço
modalidade da
licitação empate = até
demais
10% do melhor
modalidades
preço
Atenção! As vantagens das micro e pequenas empresas trazidas não tornam, por si só,
as contratações mais caras. A vantagem dada a essas empresas é caracterizada pelo
direito de serem as últimas a fornecerem as propostas nos casos em que há empate.
E a adjudicação do objeto para as ME e EPP acontecerá somente se for apresentada
proposta de preço inferior ao da melhor classificada.
Caso o direito de preferência não seja exercido pela pequena ou microempresa melhor
classificada, as demais que também tenham ”empatado” com a melhor proposta deverão ser
chamadas, na ordem de classificação, para fornecer sua proposta. E é claro, se a melhor proposta
da licitação já for de uma micro ou pequena empresa, não haveria que se falar em exercício do
direito de preferência.
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até mesmo, com os demais colocados, caso a proposta do primeiro fique acima do limite máximo
(art. 61).
Uma vez obtida a proposta mais bem classificada, passa-se à etapa de habilitação.
Aproveito para frisar que, embora a regra geral seja a habilitação ocorrer após a etapa de
julgamento, é possível que o órgão público decida (motivadamente) aplicar a habilitação antes do
recebimento das propostas (seria a chamada “desinversão” de etapas).
Consoante define a própria lei, a habilitação tem como finalidade verificar “o conjunto de
informações e documentos necessários e suficientes para demonstrar a capacidade do licitante de
realizar o objeto da licitação” (art. 62).
Como forma de conferir celeridade às licitações, a NLL prevê que (art. 63):
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Nesse sentido, a NLL prevê que a documentação de habilitação será dividida nos seguintes
aspectos (art. 62):
econômico-
jurídica técnica
financeira
Antes de detalhar cada um deles, vale destacar que a Administração não pode exigir documentos
que não estejam previstos na Lei 14.133/2021, até porque podem tais documentos devem ser
“necessários e suficientes para demonstrar a capacidade do licitante de realizar o objeto da
licitação” (art. 62, caput).
----
A habilitação jurídica busca confirmar, apenas, se aquela pessoa que está participando da licitação
está juridicamente apta a exercer direitos e contrair obrigações, de modo a garantir a legitimidade
do contrato a ser celebrado. Assim, a NLL prevê que a documentação relativa à habilitação jurídica
“limita-se à comprovação de existência jurídica da pessoa” (art. 66), a exemplo de cédula de
identidade, ato constitutivo da empresa, estatuto ou contrato social, registro comercial da
empresa e, “quando cabível, de autorização para o exercício da atividade a ser contratada”.
A habilitação fiscal, social e trabalhista dos licitantes se presta a verificar se o licitante se encontra
regularmente inscrito nos cadastros dos fiscos brasileiros (receita federal, receita estadual e/ou
municipal). Além disso, a empresa deve apresentar certidões que comprovem que ela não possui
dívidas trabalhistas perante a Justiça do Trabalho, bem como de que cumpre as idades mínimas
para o trabalho14 (art. 68).
14
Previstas na CF, art. 7º, XXXIII.
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Ou seja, para que o licitante tenha tempo para regularizar o pagamento de seus
tributos junto ao “fisco”, a comprovação da regularidade fiscal será condição para
assinatura do contrato, isto é, em momento posterior ao julgamento das
propostas.
A qualificação técnica, por sua vez, busca aferir se o licitante pertence àquele nicho de mercado,
isto é, se já prestou aqueles serviços, se ele já executou aquele tipo de obras antes. Tal exigência
minimizará o risco de se contratar alguém que não esteja tecnicamente apto a executar o objeto.
Uma das novidades da nova lei é que a qualificação técnica é desdobrada em (i) técnico-
profissional e (ii) técnico-operacional – art. 67, caput.
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De toda forma, caso a Administração opte por realizar tais exigências, a lei impõe um limite
máximo para as exigências de capital social e para o valor do patrimônio líquido, que será de, no
máximo, 10% do valor estimado da contratação, no caso de compras para entregas futuras e em
obras e serviços (art. 69, §4º).
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15
Se o licitante for empresa constituída há menos de 2 anos, a exigência é limitada ao último exercício
(art. 69, §6º).
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Superada a etapa de julgamento das propostas e habilitação, terá lugar a etapa de recursos, se
houver, adiante estudada.
Etapa recursal
A lei assegura aos licitantes o direito de recorrer em face de vários atos praticados pelo agente de
contratação. Nesse sentido, a Lei prevê que cabe recurso do julgamento das propostas ou da
habilitação/inabilitação dos licitantes, entre outros atos (art. 165, I).
Aproximando-se da sistemática dos recursos da Lei 10.520, a NLL prevê que o licitante deverá
manifestar, inicialmente, uma intenção de recorrer e, em um segundo momento, apresentaria o
porquê de seu inconformismo (as chamadas “razões recursais”).
Manifestação imediata da intenção de recorrer significa que deve ocorrer logo após a divulgação
do ato do qual se pretende recorrer (por exemplo, a divulgação do resultado do julgamento das
propostas). Aqueles licitantes que não se manifestaram imediatamente, quanto ao seu interesse
de recorrer contra aquele ato, terão precluído seu direito de interpor recurso (art. 165, §1º, I, parte
inicial).
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Isto não significa que o licitante deva apresentar, naquele exato momento, toda a fundamentação
jurídica do seu recurso! O que ele deverá fazer, de imediato, é manifestar sua intenção de recorrer.
Uma vez manifestada a intenção, o licitante terá o prazo de 3 dias úteis para apresentação das
razões do recurso (ou seja, as razões de fato e de direito que fundamentam seu recurso). Este
prazo inicia-se na data de intimação ou de lavratura da ata de habilitação ou inabilitação ou, na
hipótese de adoção da inversão de fases, da ata de julgamento (art. 165, §1º, I, parte final).
Em igual prazo, os licitantes afetados poderão apresentar contrarrazões, prazo este que começará
a correr com a intimação pessoal ou divulgação da interposição do recurso (art. 165, §4º).
Este recurso será apreciado em fase única (art. 165, §1º, II), diferentemente do regramento da Lei
8.666 (que previa duas etapas recursais distintas). Isto significa que nesta fase recursal, única, é
concentrada a análise de todos os recursos daquela licitação, sejam eles referentes à etapa de
julgamento das propostas ou da habilitação. Este recurso será em fase única ainda que ocorra a
desinversão de fases16.
Além disso, este recurso será dirigido à autoridade que havia proferido a decisão recorrida, que,
se não reconsiderar o ato ou a decisão no prazo de 3 dias úteis, encaminhará o recurso com a sua
motivação à autoridade superior. A autoridade superior terá prazo máximo de 10 dias úteis para
proferir sua decisão, contado do recebimento dos autos (art. 165, § 2º).
16
Diferentemente da Lei das Estatais, em que a fase única deixa de existir quando houver a desinversão
de fases (Lei 13.303/2016, art. 59, caput).
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Superada a etapa recursal, seja por não terem sido interpostos ou já terem sido examinados, a
licitação chegará a seu fim, com a adjudicação e homologação.
Adjudicação e Homologação
A resposta é não! Antes de se falar em celebração do contrato, terá lugar a etapa de adjudicação,
que consiste no ato que atribui ao licitante vencedor o objeto da licitação, ato este que será
praticado não mais pelo agente de contratação, mas pela “autoridade superior” (art. 71, IV).
Ufa! Acabou?
Imagino que vocês já devem ter percebido a complexidade do processo licitatório e o emaranhado
de regras legais e infralegais imposto pela legislação. Assim, é bastante natural que a condução
da licitação esteja sujeita a erros.
Diante desse quadro, o legislador impôs – assim como já havia na Lei 8.666 – uma etapa de
controle antes de se concluir uma licitação, para que se possa verificar se ela foi conduzida de
acordo com os ditames legais.
17
Por uma questão de segregação de funções, o legislador estipulou que outras pessoas – diversas da
comissão de licitação – devem examinar o procedimento licitatório.
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Além disso, nesses casos de anulação e revogação, deverá ser assegurada a prévia manifestação
dos interessados (art. 71, § 3º).
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Neste assunto, não tivemos mudanças estruturais com a nova lei, mas alguns
poucos (e importantes) detalhes alterados.
Em especial, destaco a ampliação de 3 para 5 hipóteses de inexigibilidade de
licitação e, por outro lado, a redução de 34 para 28 hipóteses de licitação
dispensável.
De toda forma, vale lembrar que, como regra geral, a celebração de contratos pelo Estado exige
a prévia realização de licitação, admitindo-se, nos “casos especificados na legislação” 18 , a
contratação direta, isto é, sem prévia licitação.
Pois bem, neste tópico estudaremos tais situações excepcionais, em que o ordenamento jurídico
admite que um fornecedor seja contratado pela Administração sem que outros tenham a
oportunidade de concorrer com ele. Trataremos, portanto, de exceções ao dever de licitar.
A contratação direta (ou contratação sem licitação prévia) terá lugar nos casos de (i) inexigibilidade
ou (ii) dispensa de licitação.
Por outro lado, nos casos de dispensa de licitação, a competição entre mais de um fornecedor até
seria viável, porém o legislador entendeu por bem dispensar a realização do procedimento
licitatório, para conferir celeridade às compras governamentais, por considerar que o custo da
licitação não compensa os riscos que ela minimiza ou para fomentar determinados setores.
18
Nos termos da CF, art. 37, XXI.
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Assim, ainda falando da dispensa, tradicionalmente dizemos que há casos em que o legislador
autoriza o administrador a não realizar a licitação – conduta discricionária – e outros em que
determina ao administrador sua não realização – conduta vinculada. Ao primeiro grupo, dá-se o
nome de licitações dispensáveis (enumeradas no art. 75 da NLL) e, ao segundo, licitações
dispensadas (enumeradas no art. 76, incisos I e II).
Como tais casos representam uma decisão do legislador, suas hipóteses encontram-se
taxativamente previstas na legislação (diferentemente das hipóteses de inexigibilidade).
Em síntese:
Licitação
dispensável art. 75
(discricionário)
dispensa Rol taxativo
Contratação
direta
Inexigibilidade art. 74
Rol
inviabilidade de exemplificativo
competição
Vejam a questão a seguir, que buscou confundir o candidato quanto a estes conceitos:
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justificativa do preço
Reparem que os elementos mínimos dos processos de contratação direta, mencionados acima,
consistem na motivação destes atos, consoante previsto na Lei federal 9.784/1999, art. 50, IV21.
19
Na Lei 8.666, o procedimento de justificação envolvia a ratificação da contratação direta (art. 26), o
que deixa de existir.
20
Comparando tais elementos com aquelas exigidos pela Lei 8.666: razão da escolha do fornecedor,
justificativa do preço e, quando fosse o caso, caracterização da situação emergencial/calamitosa/de
grave risco à segurança pública e documento de aprovação dos projetos de pesquisa.
21
Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos
jurídicos, quando: (..) IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório;
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Art. 73. Na hipótese de contratação direta indevida ocorrida com dolo, fraude ou
erro grosseiro, o contratado e o agente público responsável responderão
solidariamente pelo dano causado ao erário, sem prejuízo de outras sanções legais
cabíveis.
É importante notar que, com a nova lei, tal responsabilização se dará apenas nos
casos de dolo, fraude ou erro grosseiro, sendo que, pela Lei 8.666, isto ocorreria
nos casos de superfaturamento em geral.
É importante destacar também que a realização de contratação direta fora das hipóteses previstas
em lei constitui crime previsto no Código Penal22.
Além disso, friso que, para fins de transparência, o ato que autoriza a contratação direta ou o
respectivo contrato devem ser divulgados na internet:
Art. 72, parágrafo único. O ato que autoriza a contratação direta ou o extrato
decorrente do contrato deverá ser divulgado e mantido à disposição do público
em sítio eletrônico oficial.
----
22
CP, art. 337-E Admitir, possibilitar ou dar causa à contratação direta fora das hipóteses previstas em
lei:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
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Avante!
Inexigibilidade
A inexigibilidade de licitação, como visto acima, diz respeito a situações em que não há viabilidade
de competição entre os fornecedores.
Dadas as múltiplas possibilidades de surgimento das situações de inexigibilidade (em que não há
possibilidade fática de mais de uma empresa competir pela celebração do contrato), o legislador
optou por conceituar brevemente o instituto da inexigibilidade e citar exemplos (rol
exemplificativo), da seguinte forma:
23
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Tópico
9.5
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Ou seja, se determinada situação não se enquadrar em um dos incisos do art. 74, mas se enquadrar
no conceito de inviabilidade de competição, mencionado no seu caput, será válida a contratação
mediante inexigibilidade.
Apesar de ser um rol exemplificativo, para fins de prova, é importante conheceremos “de perto”
cada uma das hipóteses, sintetizadas a seguir:
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Natureza intelectual
predominante
+
Notória especialização
+
Enumerados no art. 74
Serviços técnicos
publicidade
Inexigibilidade Vedada para
divulgação
Vedada subcontratação
Artista
divulgar cachê do artista
consagrado
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Passemos, adiante, a comentar cada uma destas cinco situações mencionadas no texto legal.
Outro ponto relevante a ser observado é que, assim como havia na Lei 8.666, nesta hipótese de
inexigibilidade é vedada a preferência de marca dos produtos fornecidos por meio da
inexigibilidade (art. 74, §1º, parte final). Assim, como regra geral, a Administração não poderia
realizar uma contratação fundamentada neste inciso I, após ter restringido o universo de produtos
a uma única marca. Isto porque a restrição por marca poderia artificialmente criar a inviabilidade
de competição, o que não se compatibiliza com a finalidade da inexigibilidade.
----
A seu turno, o inciso II do art. 74 prevê a inexigibilidade para contratação de atividades artísticas.
Assim, a contratação de artista que tenha sido consagrado (i) pela crítica ou (ii) opinião pública
tem cunho fortemente personalíssimo, não passível de avaliação por fatores objetivos (como seria
em uma licitação). Tal contratação pode ser realizada diretamente com o artista (ex.: contrato
assinado diretamente com a Ivete Sangalo) ou com o empresário que detenha exclusividade (ex.:
com o único empresário que representa a Ivete Sangalo).
Este último inciso, de igual teor ao que constava da Lei 8.666, foi objeto da seguinte questão:
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Exemplo: ainda em relação à seria contratação por inexigibilidade da Ivete Sangalo, temos
que: (a) seria possível contratá-la por intermédio de seu empresário que a representa
com exclusividade em todo o território nacional; (b) seria possível contratá-la, para um
show na Bahia, por meio do empresário que a representa com exclusividade naquele
Estado; (c) não seria possível contratá-la diretamente por intermédio de alguém que
detenha exclusividade de representação para a data de 29 de março de determinado ano;
(d) não seria possível contratá-la diretamente por intermédio de alguém que detenha
exclusividade de representação para o festival Axé Music 2022.
----
Outro caso expresso no art. 74 é o do inciso III, que dispõe sobre a inexigibilidade para
contratação de serviços técnicos especializados. A lista de serviços técnicos profissionais
especializados consta do próprio inciso III do 74, a saber:
24
Seguindo jurisprudência do TCU, a exemplo do Acordão 1.435/2017-Plenário.
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Se comparássemos esta nova listagem com aquela que constava da Lei 8.666,
iremos perceber que a novidade ficou por conta da alínea ‘h’: controles de
qualidade, análises, testes, ensaios, instrumentação e monitoramento.
Além destes serviços previstos no corpo da NLL, a Lei 14.039, de agosto de 2020, passou a
considerar, formalmente, como serviços técnicos singulares aqueles prestados por advogados25 e
por profissionais de contabilidade.
Entretanto, não basta que o serviço se enquadre nesta lista! Isto porque o inciso II
elenca outros dois requisitos para tal hipótese inexigibilidade:
25
A par do debate jurisprudencial existente quanto a este enquadramento, no STF (a exemplo dos Inqs
3074-SC e 3077-AL) e no TCU (a exemplo do Acórdão 5.318/2010-2ª Câmara).
26
A jurisprudência do TCU, a exemplo do Ac. 2471/2008-Plenário, já vinha entendendo que a natureza
intelectual é típica daqueles serviços em que a arte e a racionalidade humanas são essenciais para sua
execução satisfatória. Não se trataria de tarefas que possam ser executadas mecanicamente ou segundo
protocolos, métodos e técnicas pré-estabelecidos e conhecidos.
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A resposta é dada pelo art. 74, §3. Apesar de seu teor abrangente, podemos perceber que a
notoriedade da especialização do profissional diz respeito ao “reconhecimento da qualificação
daquele sujeito por parte de sua comunidade profissional”27:
Art. 74, § 3º Para fins do disposto no inciso III do caput deste artigo, considera-se
de notória especialização o profissional ou a empresa cujo conceito no campo de
sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiência,
publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica ou outros requisitos
relacionados com suas atividades, permita inferir que o seu trabalho é essencial e
reconhecidamente adequado à plena satisfação do objeto do contrato28.
Comparando os requisitos da inexigibilidade para serviços técnicos com aqueles previstos na Lei
8.666, percebemos que a grande novidade ficou por conta da substituição da antiga “natureza
singular”29 pela “natureza predominantemente intelectual”:
Portanto, ao menos expressamente, não mais se exige “natureza singular”, sendo que agora
exige-se que o serviço tenha “natureza predominantemente intelectual”.
----
Além disso, assim como fazia a Lei 8.666, o legislador tomou o cuidado de vedar a utilização deste
inciso III para a contratação de serviços de publicidade e divulgação.
Por fim, a NLL estabeleceu uma nova vedação: impedimento a que se tenha subcontratação dos
serviços que foram contratados com base nesta hipótese e a atuação de profissionais distintos
27
FILHO, Marçal Justen. Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. 17ª ed. p. 593
28
Idem ao disposto no art. 6º, XIX.
29
Requisito que, anteriormente, suscitava acalorados debates quanto à sua delimitação e efetivo alcance.
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daqueles que tenham justificado a inexigibilidade (art. 74, §4º). Ora, se uma empresa ou um
profissional foi contratado em razão de sua notória especialização, não faria sentido autorizar que
outro profissional ou outra empresa prestassem aquele serviço, não é mesmo?!
Em síntese:
Publicidade
Vedado para
divulgação
----
Voltando às hipóteses de inexigibilidade do art. 74, vemos que seu inciso IV menciona as
aquisições mediante credenciamento.
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Exemplo: é o que já ocorria quando um órgão público desejava, por exemplo, credenciar
médicos para lhe prestarem serviços. Neste caso, a Administração, após divulgar os
requisitos para o credenciamento, cadastrava os profissionais interessados em serem
contratados e, futuramente, os contratava para prestarem os serviços. Portanto, não
havia uma licitação propriamente dita, muito embora houvesse um procedimento para
“seleção” destes profissionais.
Assim, quando tal situação levar a uma inviabilidade de competição, a partir dos profissionais
credenciados seria possível a contratação direta mediante inexigibilidade.
----
Por fim, o inciso V do art. 74, que prevê a inexigibilidade para aquisição ou locação de imóvel
cujas características de instalações e de localização tornem necessária sua escolha.
Aqui podemos imaginar, como exemplo, a repartição pública que necessita se mudar para outro
edifício em uma mesma cidade. Para tanto, a Administração irá elaborar critérios de escolha do
novo imóvel, seja para locação (aluguel) ou compra (aquisição), como a localização, a dimensão do
imóvel, destinação etc.
30
Licitação Pública e Contrato Administrativo. 4ª ed., Ed. Fórum, p. 119,
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Art. 74, § 5º, I – avaliação prévia do bem, do seu estado de conservação e dos
custos de adaptações, quando imprescindíveis às necessidades de utilização, e
prazo de amortização dos investimentos;
HORA DO
INTERVALO!
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Dispensa
Conforme leciona Marçal Justen Filho 31 , a dispensa de licitação é “consagrada por lei para
situações em que é viável a competição”. No entanto, a lei reconhece que “sua realização não
traria os benefícios pretendidos” ou, até mesmo, que poderia acarretar malefícios indesejáveis.
Os casos de dispensa de licitação tratam, em síntese, de opções do legislador. Por este motivo,
não se admite a criação de um caso de dispensa sem a devida previsão em lei (em sentido estrito)
– diversamente do que se verifica sobre a inexigibilidade (cujo rol é exemplificativo).
Dito isto, passemos ao estudo das hipóteses de dispensa de licitação previstas na Lei 14.133/2021.
Comentaremos, primeiramente, os casos de licitações dispensáveis e, na sequência, de licitações
dispensadas. Veremos, adiante, que todos os casos de licitação dispensada referem-se à alienação
de bens (venda).
Licitação dispensável
Nos casos estudados a seguir, o legislador conferiu uma faculdade ao administrador público, o
qual poderá optar entre (i) realizar uma licitação ou (ii) celebrar o contrato diretamente.
Em razão dessa possibilidade de decisão, dizemos que, nas licitações dispensáveis, a conduta do
administrador é discricionária. Assim, fica claro que – diferentemente das hipóteses de licitação
dispensada – aqui o legislador autoriza o administrador a não realizar a licitação.
Justen Filho32, mesmo antes da NLL, já classificava as variadas hipóteses de dispensa de licitação
em 4 grandes grupos33:
31
FILHO, Marçal Justen. Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. 17ª ed. p. 468-
469
32
Op. Cit. p. 470
33
Di Pietro, por sua vez, agrupa as situações nas seguintes categorias: (i) em razão do pequeno valor,
(ii) situações excepcionais, (iii) em razão do objeto e (iv) da pessoa.
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Feita esta breve contextualização, passemos ao estudo de cada uma das hipóteses de dispensa
de licitação.
I – para contratação que envolva valores inferiores a R$ 100.000,00 (cem mil reais), no caso
de obras e serviços de engenharia ou de serviços de manutenção de veículos automotores;
II – para contratação que envolva valores inferiores a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), no
caso de outros serviços e compras;
Em ambos os casos, o legislador presumiu que o custo administrativo de se realizar uma licitação
(custos da divulgação do edital, remuneração dos servidores da comissão de licitação etc) seria
superior ao benefício potencialmente gerado pelo procedimento licitatório.
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Assim, considerando a atualização dos valores de R$ 50 e 100 mil pelo Decreto 10.922/2021, se o
contrato a ser celebrado estiver dentro dos limites de R$ 54.020,41 ou R$ 108.040,82, a
Administração poderá deixar de realizar a licitação, da seguinte maneira:
1) Reparem que, antes da NLL, os valores limites para esta hipótese de dispensa
eram de R$ 33 mil e 17,6 mil34. Com a nova Lei, os valores ficaram próximos aos
limites aplicáveis às empresas estatais.
Importante mencionar que, assim como constava da Lei 8.666, se a entidade contratante se
constituir como consórcio público ou for autarquia ou fundação qualificadas como agência
executiva35, os limites acima serão duplicados – art. 75, §2º.
Além disso, anualmente, a cada dia 1º de janeiro, o Poder Executivo federal atualizará estes
valores, a partir do índice de inflação (IPCA-E), devendo os novos valores serem divulgados no
Portal Nacional de Contratações Públicas (art. 182). Para o ano de 2022, como destacado acima,
os valores passaram a ser de R$ 54.020,41 ou R$ 108.040,82.
34
Considerando apenas a literalidade do art. 23 da Lei 8.666 (ou seja, antes da atualização promovida
pelo Decreto 9.412/2018), os valores seriam de R$ 15mil e R$ 8mil, respectivamente.
35
Autarquias ou fundações que celebrarem contratos de gestão.
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A título de aprofundamento, vale comentar que, nesta hipótese de dispensa, para facilitar os
pagamentos devidos pela Administração, que são de baixo valor neste caso, a lei prevê que,
preferencialmente, estas compras serão pagas por meio de cartão de pagamento (art. 75, §4º),
sendo que o extrato do cartão deverá ser divulgado no Portal Nacional de Contratações Públicas36.
Nesta hipótese de dispensa seria possível também haver um processo competitivo, na medida em
que a lei sugere que a Administração, preferencialmente, divulgue o aviso de contratação e
examine propostas de eventuais interessados (art. 75, §3º).
Por fim, para se evitar a prática do “fracionamento de despesas” (em que uma grande compra
seria artificialmente fracionada em duas ou mais compras de baixo valor), o § 1º do art. 75
estabelece que, para se aferir o respeito aos limites de cerca de R$ 54 e 108 mil, deverão ser
observados:
Esta aferição com o somatório, no entanto, não se aplica às contratações de até R$ 8.643,27de
serviços de manutenção de veículos automotores de propriedade do próprio órgão contratante,
incluído o fornecimento de peças (art. 75, § 7º).
36
O Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) consiste em um repositório de dados de licitações
e contratos na internet (NLL, art. 174).
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Obras
até
serviços de engenharia
R$ 108.040,82
manutenção de veículos
Dispensa de licitação por
diminuto valor Compras até
R$ 54.020,41
demais serviços
consórcios
públicos
Limites duplicados p/
agências
executivas
Art. 75, III – para contratação que mantenha todas as condições definidas em edital de licitação
realizada há menos de 1 (um) ano, quando se verificar que naquela licitação:
Este inciso trata da licitação deserta (em que há desinteresse na contratação por parte do
mercado) e também de alguns casos de licitação fracassada (em que todas as propostas
apresentadas pelos licitantes foram descartadas).
Mas, antes de avançarmos, muita atenção para não confundirmos a licitação deserta com a
licitação fracassada. Embora ambas sejam procedimentos licitatórios frustrados, a licitação deserta
consiste no certame em que nenhuma empresa se apresenta, enquanto, na fracassada, as
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Em síntese:
Todos os interessados
Licitação fracassada »» são inabilitados ou
desclassificados
Em qualquer dos casos (licitação deserta ou fracassada), o legislador estabeleceu duas condições:
a) todas as condições da licitação anterior (a exemplo das cláusulas da minuta de contrato) sejam
mantidas.
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Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: a) bens componentes ou peças de origem
nacional ou estrangeira necessários à manutenção de equipamentos, a serem adquiridos do
fornecedor original desses equipamentos durante o período de garantia técnica, quando essa
condição de exclusividade for indispensável para a vigência da garantia;
Neste caso, o computador é o produto principal (adquirido por meio de um contrato anterior),
sendo que sua garantia exige que seus acessórios sejam adquiridos junto ao fornecedor durante
o período da garantia. Assim, estaria autorizada a contratação daquele fabricante por meio de
dispensa.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) b) bens, serviços, alienações ou obras, nos
termos de acordo internacional específico aprovado pelo Congresso Nacional, quando as
condições ofertadas forem manifestamente vantajosas para a Administração;
Nesta hipótese, o país celebrou um acordo internacional (que foi referendado pelo Congresso),
prevendo aquisições pela Administração, que são claramente vantajosas para o país. Assim, o
legislador já pré-autorizou que estes casos dispensassem a realização de procedimento licitatório.
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Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) c) produtos para pesquisa e
desenvolvimento37, limitada a contratação, no caso de obras e serviços de engenharia, ao valor de
R$ 300.000,00 (trezentos mil reais);
Reparem que, quando tal hipótese for aplicada a obras e serviços de engenharia, foi imposto um
limite de valor, o qual após a atualização promovida pelo Decreto 10.922/2021, passou a ser de
R$ 324.122,46, além do que deverá seguir procedimentos instituídos em regulamentação
específica (art. 74, §5º).
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) d) transferência de tecnologia ou
licenciamento de direito de uso ou de exploração de criação protegida, nas contratações
realizadas por Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) pública ou por agência de
fomento, desde que demonstrada vantagem para a Administração;
Aqui temos uma hipótese de dispensa dirigida especialmente a agências de fomento (como o
CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) ou Instituição Científica,
Tecnológica e de Inovação 38 , que vão até o mercado buscar criações ou tecnologias já
desenvolvidas.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) e) hortifrutigranjeiros, pães e outros
gêneros perecíveis, no período necessário para a realização dos processos licitatórios
correspondentes, hipótese em que a contratação será realizada diretamente com base no preço
do dia;
37
Lei 14.133, art. 6º, LV - produtos para pesquisa e desenvolvimento: bens, insumos, serviços e obras
necessários para atividade de pesquisa científica e tecnológica, desenvolvimento de tecnologia ou
inovação tecnológica, discriminados em projeto de pesquisa;
38
Nos termos previstos na Lei 13.243/2016, são entidades da administração pública ou entidades
privadas sem fins lucrativos que tenham como missão institucional executar atividades de pesquisa
básica ou aplicada de caráter científico ou tecnológico.
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Assim como já constava da Lei 8.666, nesta alínea o legislador cuidou das compras eventuais de
produtos perecíveis (verduras, frutas, carnes, pães etc). Imagine se, às pressas, um ente público
necessite adquirir um gênero perecível. Como tais gêneros alimentícios se deterioram com o
decurso do tempo, não faria sentido a realização de uma licitação. Faz-se, assim, a contratação
direta com base no preço do dia.
Detalhe importante é que tal dispensa não é permanente39, na medida em que a Administração,
em geral, poderia se planejar e realizar uma licitação para o fornecimento contínuo destes gêneros
perecíveis (por meio de um registro de preços, por exemplo). Dessa forma, a compra dos
hortifrutis mediante dispensa somente será cabível durante o período de tempo necessário para
a realização da licitação.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) f) bens ou serviços produzidos ou prestados
no País que envolvam, cumulativamente, alta complexidade tecnológica e defesa nacional;
Sabemos que há grande demanda para serviços relacionados à construção de equipamentos para
processamento de dados ou softwares especialistas para a defesa nacional. Nesses casos, é
facultado à Administração dispensar a licitação caso os bens sejam produzidos ou os serviços sejam
prestados em território nacional, e estejam caracterizados por possuírem alta complexidade
tecnológica e serem relacionados à defesa nacional.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) g) materiais de uso das Forças Armadas,
com exceção de materiais de uso pessoal e administrativo, quando houver necessidade de manter
a padronização requerida pela estrutura de apoio logístico dos meios navais, aéreos e terrestres,
mediante autorização por ato do comandante da força militar;
Esta hipótese de dispensa, que já constava da Lei 8.666, foi pensada nos militares, buscando
facilitar a padronização dos materiais de uso das forças armadas. Reparem que aqui não estamos
39
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 259
40
Op. Cit.
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nos referindo a material de uso pessoal ou administrativo dos militares (como impressoras, toners,
resmas de papel etc).
Se formos considerar as aquisições em geral realizadas pelos militares por meio de dispensa de
licitação, além deste inciso, ganha especial aquelas hipóteses mencionadas no inciso VI
(possibilidade de comprometimento da segurança nacional) e do inciso IV, alínea ‘i’
(abastecimento ou suprimento de efetivos militares em estada eventual de curta duração em
portos, aeroportos ou localidades diferentes de suas sedes).
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) h) bens e serviços para atendimento dos
contingentes militares das forças singulares brasileiras empregadas em operações de paz no
exterior, hipótese em que a contratação deverá ser justificada quanto ao preço e à escolha do
fornecedor ou executante e ratificada pelo comandante da força militar;
Hipótese que nos remete às forças de paz que o país constituiu no exterior, a exemplo da atuação
das forças armadas no Haiti de 2004 a 2017.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) i) abastecimento ou suprimento de efetivos
militares em estada eventual de curta duração em portos, aeroportos ou localidades diferentes de
suas sedes, por motivo de movimentação operacional ou de adestramento;
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) j) coleta, processamento e comercialização
de resíduos sólidos urbanos recicláveis ou reutilizáveis, em áreas com sistema de coleta seletiva
de lixo, realizados por associações ou cooperativas formadas exclusivamente de pessoas físicas de
baixa renda reconhecidas pelo poder público como catadores de materiais recicláveis, com o uso
de equipamentos compatíveis com as normas técnicas, ambientais e de saúde pública;
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Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) k) aquisição ou restauração de obras de
arte e objetos históricos, de autenticidade certificada, desde que inerente às finalidades do órgão
ou com elas compatível;
Aqui teríamos um museu, por exemplo, contratando diretamente uma organização para fornecer
uma obra de arte ou restaurá-la.
Reparem que a restauração de obras de arte é serviço mencionado no rol do art. 74 da nova Lei,
de sorte que, havendo notória especialização e natureza predominantemente intelectual, poderia
ser objeto de inexigibilidade de licitação, nos termos do art. 74, III.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) l) serviços especializados ou aquisição ou
locação de equipamentos destinados ao rastreamento e à obtenção de provas previstas nos
incisos II e V do caput do art. 3º da Lei nº 12.850, de 2 de agosto de 2013 [em inquérito ou processo
criminal], quando houver necessidade justificada de manutenção de sigilo sobre a investigação;
Aqui temos uma novidade da Lei 14.133! Estamos diante da obtenção de equipamentos (como
grampos, gravadores, escutas etc) destinados à obtenção de provas, na seara criminal, relativa à
interceptação de comunicações telefônicas e telemáticas e captação ambiental de sinais
eletromagnéticos, ópticos ou acústicos.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) m) aquisição de medicamentos destinados
exclusivamente ao tratamento de doenças raras definidas pelo Ministério da Saúde;
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Aqui temos outra novidade da Lei 14.133! Trata-se de uma forma de facilitar a aquisição de
medicamentos para as DRs (doenças raras), que são aquelas que atingem, proporcionalmente, um
número muito reduzido de pessoas41.
Art. 75, V – para contratação com vistas ao cumprimento do disposto nos arts. 3º, 3º-A, 4º, 5º e 20
da Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004 [relacionadas à construção de ambientes
especializados e cooperativos de inovação], observados os princípios gerais de contratação
constantes da referida Lei;
Art. 75, VI – para contratação que possa acarretar comprometimento da segurança nacional, nos
casos estabelecidos pelo Ministro de Estado da Defesa, mediante demanda dos comandos das
Forças Armadas ou dos demais ministérios;
Nesta hipótese estaremos diante dos interesses da sobrevivência do Estado brasileiro 42 , nos
termos definidos no Decreto 2.295/1997, a exemplo da “aquisição de recursos bélicos navais,
terrestres e aeroespaciais”.
Caso concreto: ao final de 2019, o Brasil formalizou a aquisição de quatro navios de guerra
(chamadas “Corvetas Tamandaré”), ao custo aproximado de R$ 5,5 bilhões, fazendo uso
desta hipótese de dispensa (igual teor à que constava da Lei 8.666 43).
Segundo Jacoby, este inciso contém uma resposta da Lei de Licitações ao conflito entre o princípio
da licitação e o da segurança nacional, sendo que o legislador entendeu que deveria prevalecer a
segurança nacional, nestes casos. Isto porque há situações em que a realização de uma licitação
poderia trazer riscos à segurança nacional, a exemplo de sua ampla publicidade e dos prazos
necessários para seus procedimentos.
41
Segundo o Ministério da Saúde, são doenças que afetam até 65 pessoas em cada 100 mil indivíduos.
42
FILHO, Marçal Justen. Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. 17ª ed. p. 506
43
TCU - DEN: 02149320197, Relator: AUGUSTO SHERMAN, Data de Julgamento: 27/11/2019, Plenário),
ainda à luz da Lei 8.666/1993.
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Reparem que, no texto da Lei 8.666, exigia-se decreto do próprio Presidente da República, sendo
que a nova Lei admite ato normativo expedido pelo Ministro da Defesa.
Art. 75, VII– nos casos de guerra, estado de defesa, estado de sítio, intervenção federal ou de
grave perturbação da ordem;
O inciso acima deixa claro que, em tempos de guerra, de grave perturbação da ordem, estado de
defesa (CF, art. 136), de sítio (CF, art. 137, I) ou intervenção federal44 (CF, art. 34-36), não haveria
tempo hábil para a realização da licitação, podendo o administrador público se socorrer da
contratação direta mediante dispensa.
Art. 75, VIII – nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando caracterizada urgência
de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a continuidade dos
serviços públicos ou a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens,
públicos ou particulares, e somente para aquisição dos bens necessários ao atendimento da
situação emergencial ou calamitosa e para as parcelas de obras e serviços que possam ser
concluídas no prazo máximo de 1 (um) ano, contado da data de ocorrência da emergência ou da
calamidade, vedadas a prorrogação dos respectivos contratos e a recontratação de empresa já
contratada com base no disposto neste inciso;
No inciso VIII acima está descrita a hipótese de emergência ou calamidade pública que possa
ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas e bens públicos ou particulares.
Estejam atentos para o fato de que os bens ou serviços contratados deverão ser apenas os
necessários ao atendimento da emergência.
Além disso, o tempo total do contrato para esses casos deverá ser limitado a 1 ano, contados da
ocorrência da calamidade que justificou a situação de emergência, sendo proibida a prorrogação
dos instrumentos contratuais (e a recontratação da mesma empresa com base nesta mesma
hipótese de dispensa).
44
Que já eram apontados como exemplos de grave perturbação da ordem.
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Reparem que, pela Lei 8.666, o prazo máximo destes contratos era de 180 dias, tendo sido
ampliado para 1 ano na nova lei.
Por fim, vale comentar a chamada “emergência fabricada”, que é aquela em que a situação
emergencial decorreu da desídia do administrador – e não de uma causa natural. A Lei considera
tal contratação como sendo aquela que objetiva “manter a continuidade do serviço público” (art.
75, § 6º). Neste caso, embora seja possível a celebração do contrato por dispensa, devem ser
adotadas duas providências: (i) conclusão do processo licitatório e (ii) apuração das
responsabilidades dos agentes públicos que, por negligência, deram causa à situação
emergencial.
contado da data de
Prazo máximo=1 ano ocorrência da
emergência/calamidade
dispensável
Emergência ou
calamidade pública Vedada prorrogação
(inc. VIII)
Somente o necessário p/
atender à situação
Art. 75, IX – para a aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de bens produzidos
ou serviços prestados por órgão ou entidade que integrem a Administração Pública e que tenham
sido criados para esse fim específico, desde que o preço contratado seja compatível com o
praticado no mercado;
O inciso IX acima apresenta a hipótese que permite às pessoas jurídicas de direito público interno
(órgãos, autarquias e fundações de direito público) contratarem bens ou serviços de órgão ou
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entidade que tenha sido criado para o fim específico da contratação, desde que o preço
contratado seja compatível com o praticado no mercado.
Observe atentamente que há uma série de pré-requisitos que autorizam a contratação por meio
de dispensa, porém o mais importante deles é o fato de que o preço contratado deverá ser
compatível com o praticado no mercado.
Por fim, vale destacar que não há mais o limite temporal que havia sob a égide da Lei 8.666, que
exigia que a entidade contratada houvesse sido criada “em data anterior à vigência” daquela Lei.
Art. 75, X - quando a União tiver que intervir no domínio econômico para regular preços ou
normalizar o abastecimento;
Aqui temos um caso em que a contratação pretendida pela Administração não visa obter a
proposta mais vantajosa, mas sim regularizar o abastecimento e os respectivos preços em
benefício da população.
45
A celebração do contrato seria por meio da União - pessoa jurídica de direito público a que pertence o
órgão público.
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Carvalho Filho46 defende que este caso de dispensa destina-se exclusivamente à União, na medida
em que os demais entes federados não possuem competência constitucional para a intervenção
no domínio econômico (CF, art. 174).
Art. 75, XI – para celebração de contrato de programa com ente federativo ou com entidade de
sua Administração Pública indireta que envolva prestação de serviços públicos de forma associada
nos termos autorizados em contrato de consórcio público ou em convênio de cooperação;
Nestes casos, dispensou-se a licitação para a celebração de contrato de programa entre ente da
federação (ou entidade de sua administração indireta) com o consórcio público, para tal prestação
de serviços públicos de forma associada.
----
Vou abrir um parêntese para lembrar que, além da regra estudada acima, o consórcio público
pode ser contratado diretamente pela Administração Direta ou Indireta dos entes federativos
consorciados, isto é, dispensada a licitação (Lei 11.107/2005, art. 2º, III).
Art. 75, XII – para contratação em que houver transferência de tecnologia de produtos estratégicos
para o Sistema Único de Saúde (SUS), conforme elencados em ato da direção nacional do SUS,
inclusive por ocasião da aquisição desses produtos durante as etapas de absorção tecnológica, e
em valores compatíveis com aqueles definidos no instrumento firmado para a transferência de
tecnologia;
Art. 75, XIII – para contratação de profissionais para compor a comissão de avaliação de critérios
de técnica, quando se tratar de profissional técnico de notória especialização;
46
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 264
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Neste inciso temos outra novidade da Lei 14.133. Em algumas situações, a Administração precisará
avaliar critérios técnicos de ofertas de licitantes, por exemplo, como ocorre em uma licitação na
modalidade concurso. Assim, para se contratar particulares para realizar tal avaliação, é
dispensável a licitação, quanto os profissionais a serem contratados possuírem notória
especialização.
Art. 74, XIV – para contratação de associação de pessoas com deficiência, sem fins lucrativos e de
==1fb103==
Temos aqui uma hipótese de fomento proporcionado pela Administração Pública, visto que um
dos objetivos desta contratação é beneficiar tais associações, cujos associados possuem limitações
físicas (PcD – Pessoa com Deficiência).
Duas exigências importantes: (a) a associação de PcD não pode ter finalidade lucrativa e (b) os
serviços devem ser prestados apenas por PcD.
Art. 74, XV – para contratação realizada por Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT)
de instituição brasileira sem fins lucrativos que tenha por finalidade estatutária apoiar, captar e
executar projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e
tecnológico e de estímulo à inovação, inclusive gerir administrativa e financeiramente essas
atividades, ou para contratação de instituição dedicada à recuperação social da pessoa presa,
desde que a contratada tenha inquestionável reputação ética e profissional e não tenha fins
lucrativos;
Esse inciso ilustra o caso das contratações das fundações (pois não possuem fins lucrativos) de
ensino e pesquisa, por exemplo, para o fornecimento de bens ou para a prestação de serviços.
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A lei determina que a instituição deva ser brasileira, que detenha inquestionável reputação ético-
profissional (alguém sabe como medir isso?) e, também, não tenha fins lucrativos.
A novidade, nesta hipótese, fica por conta da inclusão (i) do estímulo à inovação e (ii) dos projetos
de extensão, que não constavam da Lei 8.666/1993.
Art. 74, XVI – para a aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de insumos
estratégicos para a saúde produzidos por fundação que, regimental ou estatutariamente, tenha
por finalidade apoiar órgão da Administração Pública direta, sua autarquia ou fundação em
projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e
de estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à execução
desses projetos, ou em parcerias que envolvam transferência de tecnologia de produtos
estratégicos para o SUS, nos termos do inciso XII do caput deste artigo, e que tenha sido criada
para esse fim específico em data anterior à entrada em vigor desta Lei, desde que o preço
contratado seja compatível com o praticado no mercado.
- contratação por parte de pessoa jurídica de direito público, de outro ente público (inciso
IX);
Neste inciso temos a previsão específica para contratação para atender a necessidades da área de
saúde.
Reparem que, embora a nova Lei tenha acrescido novos casos de dispensa, várias hipóteses que
constavam da Lei 8.666 não foram mencionadas na NLL, a exemplo das seguintes:
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- contratação de fornecimento de energia elétrica e gás natural (Lei 8.666, Art. 24, XXII): de
toda forma, parte da doutrina já defendia o enquadramento deste caso no conceito de
inexigibilidade de licitação;
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Licitação dispensada
Nas hipóteses estudadas a seguir, o legislador estabeleceu uma única conduta ao administrador
público: a não realização de licitação.
Todos os casos comentados nesta seção dizem respeito à alienação de bens, dominicais47, sendo
a alienação de bens imóveis tratada no inciso I do art. 76 a seguir e, no inciso II do mesmo artigo,
as hipóteses de dispensa que tem por objeto a alienação de bens móveis.
Antes, porém de avançar, notem que a alienação destes bens, ainda que realizada mediante
dispensa, como regra geral exige (art. 76, caput e incisos I e II):
A partir do diagrama acima, quero chamar a atenção para um detalhe: a despeito de, em regra,
se exigir autorização legislativa para alienação de bens imóveis, há dois casos em que esta não
será necessária. São as alienações de imóveis provenientes de (i) dação em pagamento48 ou (ii)
procedimentos judiciais49 (art. 76, § 1º). Para estas, embora se exija licitação na modalidade leilão,
a autorização legislativa não se faz necessária.
47
Bens públicos dominicais (ou dominiais) são aqueles que, apesar de integram o patrimônio público,
não possuem uma destinação pública definida.
48
Dação em Pagamento, em síntese, diz respeito à situação em que o particular dá bens imóveis ao
poder público como forma de quitar dívidas.
49
Neste caso são bens imóveis oriundos de processos judiciais, como nos casos em que o particular teve
seu patrimônio executado para pagamento de dívidas com o Estado.
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a) dação em pagamento;
d) investidura50;
50
Art. 76, § 5º Entende-se por investidura, para os fins desta Lei, a:
I – alienação, ao proprietário de imóvel lindeiro, de área remanescente ou resultante de obra pública que
se tornar inaproveitável isoladamente, por preço que não seja inferior ao da avaliação nem superior a
50% (cinquenta por cento) do valor máximo permitido para dispensa de licitação de bens e serviços
previsto nesta Lei;
II – alienação, ao legítimo possuidor direto ou, na falta dele, ao poder público, de imóvel para fins
residenciais construído em núcleo urbano anexo a usina hidrelétrica, desde que considerado dispensável
na fase de operação da usina e que não integre a categoria de bens reversíveis ao final da concessão.
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A partir do rol acima, reparem que, na alienação de imóveis residenciais, não houve limitação de
área (alínea ‘f’), sendo que para imóveis comerciais estabeleceu-se um máximo de 250 m2 (alínea
‘g’).
Seguindo adiante, além da hipótese estabelecida na alínea ‘h’ acima, destaco que a Administração
poderá conceder (i) título de propriedade ou (ii) direito real de uso de imóveis sem licitação
quando a utilização do imóvel se destinar a (art. 76, §3º):
Art. 76, § 3º, I – outro órgão ou entidade da Administração Pública, qualquer que
seja a localização do imóvel;
II - pessoa natural que, nos termos de lei, regulamento ou ato normativo do órgão
competente, haja implementado os requisitos mínimos de cultura, de ocupação
mansa e pacífica e de exploração direta sobre área rural, observado o limite de
que trata o § 1º do art. 6º da Lei nº 11.952, de 25 de junho de 200951.
No que se refere à dação em pagamento de bens imóveis, mencionada na alínea ‘a’ acima, lembro
que aqui é o Estado quem dá o imóvel em pagamento (licitação dispensada)! Diferentemente seria
se o Estado tivesse recebido o imóvel em pagamento a um particular, aí haveria o dever de licitar
a alienação deste imóvel por meio do leilão (embora se dispense a autorização legislativa – art. 76,
§1º).
51
Neste segundo caso, será dispensada a autorização legislativa nas situações arroladas no art. 76,
§4º, da Lei 14.133.
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Já no que diz respeito à doação de bens imóveis, mencionada na alínea ‘b’ acima, o § 2º do mesmo
artigo dispõe que, cessadas as razões que justificaram sua doação, os bens anteriormente doados
reverterão ao patrimônio da pessoa jurídica doadora, vedada sua alienação pelo beneficiário.
Por falar em doação, importante destacar que, se houver o estabelecimento de encargo52, ela
deverá ser licitada. Tal licitação, todavia, será dispensada no caso de interesse público
devidamente justificado (art. 76, §6º).
----
52
Doação com encargo consiste na doação que é acompanhada de uma contrapartida a cargo daquele
que recebeu o bem (exemplo: doação de uma gleba de terra em que o donatário deverá construir uma
escola).
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Antes de encerrar este tópico, destaco que, em junho de 2019, o STF 53 considerou que a venda
de subsidiárias de estatais não requer realização de licitação (nem mesmo autorização legislativa).
A alienação das empresas-matrizes, por outro lado, continua demandando prévio procedimento
licitatório (e também autorização legislativa).
53
STF - ADI 5624. Rel. Ricardo Lewandowski. Julgamento: 6/6/2019
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DISPOSIÇÕES SETORIAIS
O art. 40 e seguintes da nova lei de licitações apresenta uma série de regras próprias, que irão
variar de acordo com a natureza do objeto contratado, denominadas “disposições setoriais”. Nada
mais são do que diretrizes específicas às licitações de compras (arts. 40-44), de obras e serviços
de engenharia (arts. 45-46), serviços em geral (arts. 47-50), locações de imóveis (art. 51) e, ainda,
licitações internacionais (art. 52).
Sabemos que as compras consistem na aquisição remunerada de bens para fornecimento de uma
só vez ou parceladamente (art. 6º, X).
Adiante vamos comentar os principais preceitos aplicáveis às compras, constantes dos arts. 40-44
da Lei 14.133/2021, especialmente sobre (i) indicação de marca, (ii) diretrizes gerais e princípios
das aplicáveis às compras e (iii) vedação a artigos de luxo.
➢ Indicação de marca
Segundo a nova lei de licitações, a indicação de marcas ou, até mesmo de modelos de
equipamentos, pode ocorrer em caráter excepcional nas seguintes hipóteses (art. 41, I):
necessidade de padronização
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Não tivemos grandes novidades neste ponto, apenas a positivação, em lei, de hipóteses que já
eram consideradas pela jurisprudência dos tribunais de contas54.
Nos dois primeiros casos acima destacados, temos uma clara manifestação do princípio da
padronização. Ou seja, a partir da padronização das compras, o ente público, em tese, poderia ter
um parque de equipamentos do mesmo fabricante ou mesmo modelo, como forma de aumentar
a eficiência da operação e manutenção daqueles equipamentos.
Por fim, na quarta hipótese (indicação de marca apenas como referência), estamos diante de uma
conveniência para facilitar o trabalho de se descrever o produto no edital. São os casos em que
indica-se a marca como parâmetro, embora o certame não seja restrito àquele fornecedor. É o
que se tem, por exemplo, nas licitações que indicam como objeto “caneta BIC ou similar” ou
“caneta BIC ou equivalente”.
Em qualquer dos casos, deve haver uma justificativa formal para tanto.
-----
Isto ocorrerá, mediante processo administrativo, quando restar comprovado que produtos
adquiridos anteriormente pela Administração não atendem a requisitos indispensáveis ao pleno
adimplemento da obrigação contratual.
Agora vamos comentar uma série de diretrizes para as compras governamentais (art. 40), que têm
tudo para serem muito cobradas em prova!!
54
A exemplo da Súmula TCU 270.
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Primeiramente, vale ressaltar que os agentes públicos envolvidos nos setores de contratação
devem buscar sempre planejar previamente as aquisições. Nesse sentido, o legislador estabeleceu
que uma compra deve considerar o horizonte de 1 ano de consumo do órgão, a partir de técnicas
de estimativa.
condições de aquisição e
pagamento semelhantes às do em função da utilização
setor privado provável
compras
da responsabilidade fiscal
55
O mencionado “Sistema de Registro de Preços” basicamente consiste em um cadastro de
fornecedores, o qual irá subsidiar futuras contratações por parte do poder público.
56
Cuidado para não confundir o parcelamento do objeto da licitação (recomendado) com o fracionamento
de despesa (prática vedada). No fracionamento, vedado por lei, a Administração faria diversas
contratações de pequeno valor para não ter que realizar uma licitação, em suma.
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Exemplo 1: Suponha que determinado hospital público deseje ampliar sua ala da UTI,
adquirindo novos leitos e, ainda, comprar medicamentos para utilização futura.
Sendo assim, o hospital promove uma única licitação, aglutinando em um único objeto os
leitos e a aquisição dos medicamentos. Assim, todo este objeto seria adjudicado a uma
única empresa.
Então, naquela situação hipotética daquele, notem que a Administração poderia realizar
uma licitação contendo dois lotes distintos, como por exemplo:
- lote 1: medicamentos
- lote 2: aquisição de leitos
Ou, até mesmo, duas licitações distintas.
Em qualquer destes casos, tal parcelamento iria permitir que empresas farmacêuticas
participassem da licitação para os medicamentos e empresas especializadas no
fornecimento de leitos participassem da outra licitação.
Esta ampliação do mercado certamente levaria à contratação de preços inferiores aos
obtidos na licitação do exemplo anterior.
Se, por um lado, o legislador impôs o parcelamento como regra geral (para ampliar o número de
empresas potencialmente interessadas), por outro, estabeleceu que deve ser preservada a modalidade
de licitação a que corresponderia à integralidade do objeto:
Lei 8.666, art. 23, § 2o Na execução de obras e serviços e nas compras de bens, parceladas nos termos
do parágrafo anterior, a cada etapa ou conjunto de etapas da obra, serviço ou compra, há de
corresponder licitação distinta, preservada a modalidade pertinente para a execução do objeto em
licitação.
Assim, se for cabível a concorrência, o gestor público não poderia artificialmente fracionar a contratação
para realizar, por exemplo, 2 tomadas de preço. Da mesma forma, ele não poderia fracionar uma
contratação por meio de sucessivos convites para “fugir” de uma tomada de preços:
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O parcelamento das compras, embora seja uma regra geral, comporta exceções, assim previstas
no texto da nova lei:
Aproveitando esta última exceção, já destaco o princípio da padronização das compras (art. 47, I;
art. 40, V, ‘a’), o qual pode ser utilizado para buscar a compatibilidade de especificações estéticas,
técnicas ou de desempenho. A partir da padronização, como vimos acima, poderia ser feita uma
indicação de marca no edital e autoriza-se a contratação sem parcelamento.
Na nova lei, as regras relacionadas à padronização foram mais bem detalhadas, passando-se a
estabelecer um processo que deve ser seguido para que a padronização seja regular (art. 43). Em
síntese, a padronização de um produto exige: (a) um parecer da área técnica, analisando o produto
e descrevendo suas vantagens, (b) um despacho da autoridade superior, estabelecendo o padrão
e (c) divulgação em sítio eletrônico do padrão e respectiva justificativa.
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Exemplo: determinado órgão pretende definir, como padrão de computador, aqueles que
possuem processadores da marca Intel. Para isto, deve obter um parecer da área de
informática do órgão com a justificativa técnica, um despacho da autoridade superior
aprovando o padrão e, por fim, divulgar em seu site o padrão definido e as respectivas
justificativas.
Chama a atenção regra prevista da NLL que permite que um ente federativo “aproveite” a
padronização formalizada por outro ente (art. 43, §1º). No entanto, somente será possível que
entes federativos de nível inferior adotem padrões definidos por entes federativos de nível igual
ou superior.
Outra regra que se relaciona com o princípio da padronização consiste no catálogo eletrônico de
padronização de compras, serviços e obras a constar do Portal Nacional de Contratações (art. 6º,
LI c/c art. 174, §2º, II). Trata-se de um cadastro informatizado, destinado a permitir a padronização
de itens a serem adquiridos pela Administração Pública e que estarão disponíveis para a licitação,
com os respectivos preços.
----
Por fim, o princípio da responsabilidade fiscal (art. 40, V, ‘c’), de origem do direito financeiro (a
exemplo da Lei de Reponsabilidade Fiscal – LC 101/2000), busca assegurar que a compra
pretendida “cabe no bolso” daquele órgão, considerando as limitações orçamentárias. Assim, o
legislador estabeleceu que a despesa estimada com a compra deve ser comparada com aquela
prevista no orçamento.
----
Relacionado ao presente assunto, vale comentar uma das particularidades da NLL, que veda a
aquisição de artigos de luxo por parte de órgãos públicos.
Isto porque os itens de consumo adquiridos deverão ser de qualidade comum, não superior à
necessária para cumprir as finalidades às quais se destinam (art. 20). Portanto, em atenção ao
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Como “luxo” é um conceito muito relativo, o legislador previu que será editado um regulamento,
dentro do prazo de 180 dias, para viabilizar o enquadramento dos bens de consumo nas categorias
comum e luxo (art. 20, §§1º e 2º).
Em linhas gerais, podemos dizer57 que a avaliação de amostras e a sujeição do produto a uma
prova de conceito consiste na apresentação, por parte do licitante, de uma amostra dos produtos
ofertados, seguida da realização de testes pelo órgão que está promovendo a licitação. Dessa
forma, a aceitação da amostra constitui condição necessária para a celebração do contrato.
Este teste pode ocorrer dentro do (i) procedimento de pré-qualificação permanente, (ii) na fase
de julgamento das propostas ou de lances ou (iii) no período de vigência do contrato ou da ata
de registro de preços.
Em qualquer caso, é necessário que tenha sido previsto no edital da licitação e justificada a
necessidade de sua apresentação (art. 41, II).
Seguindo regra do RDC58, a Lei 14.133 passou a admitir, também, a exigência da chamada carta
de solidariedade em certames licitatórios (art. 41, IV).
57
DAUD, Antonio. BRAGA, Carlos Renato. Revista do TCU, jan/abr 2013. Revista Zênite – ILC, n 224, p.
1020-1030, out-2012. Avaliação de amostras em pregão para contratação de objetos de TI
58
E contrariamente ao entendimento majoritário do TCU, a exemplo dos Acórdãos 216/2007, 423/2007
e 539/2007, ambos do Plenário.
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Exemplo: A Microsoft emite uma carta de solidariedade em favor de uma empresa que é
sua parceira, a partir da qual ela se obriga a garantir o fornecimento daquele bem, caso a
empresa parceira não consiga
Em síntese:
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Os serviços de engenharia, por sua vez, são aquelas atividades que, embora não sejam
enquadradas como obras, por força de lei, são privativas das profissões de arquiteto e engenheiro
ou de técnicos especializados (art. 6º, XXI), em síntese.
Em qualquer destes dois casos, foram previstas regras específicas para tais contratações, adiante
comentadas.
Havendo contratação da obra (execução indireta), a nova lei previu 7 regimes de execução (art.
46):
forneciment
empreitada empreitada contratação oe
empreitada contratação
por preço por preço tarefa semi- prestação
integral integrada
global unitário integrada de serviço
associado
Mão-de- Empresa
Empresa Empresa
obra para elabora e empresa
executa elabora e fornece o
Preço certo pequenos executa os
todas as executa objeto e
de trabalhos. projetos
Preço certo etapas da projeto responsabili
unidades Com ou básico e executivo
e total obra até za-se pela
determinad sem executivo operação,
entrega p/ (entrega
as fornecimen (entrega manutenção
entrada em final do
to de final do ou ambas
operação. objeto)
materiais objeto)
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Comparando os regimes da Lei 8.666 com aqueles previstos na nova Lei, observamos apenas o
acréscimo da contratação integrada e da semi-integrada, que já eram previstos na Lei do RDC e
na Lei das Estatais, respectivamente, bem como o fornecimento e prestação de serviço associado:
Neste regime, o contrato é fixado um preço certo para remunerar o construtor pela totalidade da
obra. Assim, o pagamento é feito quando da conclusão integral da obra ou de etapas fixadas no
cronograma da obra (conclusão da etapa de ‘fundação’, conclusão de cada laje etc) - art. 6º, XXIX.
A empreitada por preço unitário tem lugar quando se contrata a execução da obra ou de serviço
por preço certo de unidades determinadas (exemplos: quilômetro de rodovia pavimentada, metro
quadrado edificado etc) – art. 6º, XXVIII.
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3) empreitada integral
A empreitada integral é uma modalidade de turn key, pois o empreendimento deve ser entregue
à Administração em situação tal que seu funcionamento dependa apenas de “girar a chave”.
Exemplo: contratação de uma empresa para edificar a nova sede da Receita Federal em
Brasília. A empresa deverá erguer o edifício, passar todo o cabeamento, instalar
divisórias, persianas, baias de trabalho etc.
Enfim, sua obrigação estará concluída quando entregar as ‘chaves’ em condições da
entrada em operação daquele empreendimento.
Caso a contratação desta repartição pública se desse por meio de “empreitada por preço global”,
o objeto alcançaria apenas a obra, de sorte que a empresa não se responsabilizaria pelas etapas
seguintes, necessárias à entrada em operação daquele empreendimento.
Mas notem que, na empreitada integral, embora o contratado realize todo o trabalho de execução
e testes, a Administração se incumbe de elaborar os projetos básicos e executivo, o que não
acontece nos regimes comentados a seguir.
59
Regime previsto desde o RDC (Lei 12.462/2011).
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Por outro lado, na contratação semi-integrada60 o poder público elabora o projeto básico e a
contratada, o projeto executivo (art. 6º, XXXIII).
Para além desta importante distinção, lembro que, em ambos os casos, será obrigatória a
existência de matriz de alocação de riscos no edital (art. 22, §3º). Outra peculiaridade destes dois
regimes é que o orçamento da obra não é item obrigatório do projeto básico (art. 6º, XXV, ‘f’).
Ainda tratando-se destes dois regimes, vale já adiantar que, em regra, não será possível a
ocorrência de ajustes no valor contratado, embora existam exceções a esta regra, detalhadas no
art. 133 da nova lei.
6) tarefa
É o regime caracterizado pela contratação de mão de obra para pequenos trabalhos por preço
certo, envolvendo ou não o fornecimento de materiais (art. 6º, XXXI). Segundo Marçal Justen
Filho61, trata-se de uma “modalidade de empreitada, caracterizada pela dimensão reduzida do
objeto”.
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Em qualquer destes casos, é vedada a realização de obras e serviços de engenharia sem projeto
executivo (art. 46, § 1º), ressalvada a contratação de obras e serviços comuns de engenharia, se
demonstrada a inexistência de prejuízos para aferição dos padrões de desempenho e qualidade
almejados (§ 3º do art. 18).
Agora, vale frisar que, no caso da contratação integrada e da contratação semi-integrada, este
projeto executivo será elaborado pela própria empreiteira contratada para executar as obras,
sendo que, na contratação integrada, o contratado elabora até mesmo o projeto básico (com base
no anteprojeto de engenharia).
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➢ Orçamento de obras
Quando a Administração for estimar o custo das obras, deverá seguir os preceitos contidos no art.
23, §2º, da Lei 14.133, buscando preços a partir de bancos de preços da Administração62, de dados
de pesquisa em mídia especializada, tabelas de referências, contratações similares e, até mesmo,
de uma base nacional de notas fiscais eletrônicas.
62
Especificamente o Sistema de Custos Referenciais de Obras (Sicro), para serviços e obras de
infraestrutura de transportes, ou do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices de Construção
Civil (Sinapi).
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Aqui iremos incluir os “outros serviços”, isto é, aquelas atividades contratadas destinada a obter
determinada utilidade concreta de interesse para a Administração, desde que não sejam
enquadradas como “serviços de engenharia” (comentados no tópico anterior).
O art. 48 da nova Lei estabelece que podem ser contratados junto a empresas do mercado serviços
considerados acessórios, instrumentais ou complementares aos assuntos que constituam área de
competência legal do órgão ou da entidade.
Sem pretender esgotar o tema, o legislador buscou indicar que as atividades desempenhadas
pelas próprias carreiras de servidores públicos não sejam terceirizadas, mas apenas aquelas
atividades acessórias, instrumentais ou complementares.
O art. 47 da Lei 14.133 prevê princípios a serem atendidos nas licitações para serviços:
considerada a compatibilidade
da padronização de especificações estéticas,
técnicas ou de desempenho
licitações p/ serviços
- princípios
quando for tecnicamente viável
do parcelamento
e economicamente vantajoso
O princípio da padronização, comentado pouco acima por ocasião das “compras”, dispensa novos
comentários. A ideia aqui também é racionalizar e conferir maior eficiência ao funcionamento da
Administração.
63
Já previsto na Lei 8.666 e amplamente debatido na jurisprudência brasileira, a exemplo da SUM 247
do TCU.
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Nos contratos com dedicação exclusiva de mão de obra, como já adiantado anteriormente, os
terceirizados ficam alocados apenas para determinado órgão (isto é, sem serem “compartilhados”
com outros contratos), prestando serviços nas dependências físicas do próprio órgão público (art.
6º, XVI).
Em tais contratos, a nova Lei prevê mecanismos para assegurar o cumprimento, por parte da
empresa contratada, das obrigações trabalhistas. Assim, o art. 50 traça diretrizes para que a
Administração exerça a fiscalização das questões trabalhistas relacionadas a tais contratos,
podendo exigir uma série de documentos que comprovem o pagamento de verbas trabalhistas
aos terceirizados, como o recibo de pagamento dos salários e vale-transporte, a folha de ponto,
recolhimento do FGTS etc.
Em relação aos agentes públicos indicarem pessoas para atuarem como terceirizados nos
contratos administrativos, além de tal prática ser vedada, há que se ressaltar a vedação ao
“nepotismo” também na terceirização.
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Nesse sentido, durante a vigência do contrato, é vedado à empresa contratada admitir cônjuge,
companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o 3º grau, de dirigente do
órgão ou entidade contratante ou de agente público que desempenhe função na licitação ou atue
na fiscalização ou na gestão do contrato, devendo essa proibição constar expressamente do edital
de licitação (art. 48, p. u.).
O art. 49 da nova Lei prevê a possibilidade de se contratar mais de uma empresa para um mesmo
objeto, de modo similar ao que já constava na lei do RDC.
Imagine, por exemplo, um grande órgão público que precisa contratar serviços de
manutenção para seu enorme parque computacional. A partir do permissivo do art. 49,
ela poderá contratar duas ou mais empresas e todas elas seriam incumbidas de prestar
os serviços, de acordo com a divisão estabelecida pela Administração, não
“sobrecarregando” nenhuma delas.
Para que seja possível a contratação de mais de uma empresa, devem ser atendidos os seguintes
requisitos cumulativos (art. 49):
justificativa expressa
No entanto, ainda que a Administração faça uso desta possibilidade, deverá manter controle
individualizado sobre cada contrato.
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Friso que a locação de bens imóveis, em regra, deve ser precedida de licitação. No entanto, em
caráter excepcional, é possível a locação ser realizada sem uma licitação prévia, mediante
inexigibilidade de licitação64 (art. 51).
64
Sob o regramento da Lei 8.666/1993, a locação de bens imóveis poderia se dar mediante dispensa
de licitação.
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Art. 74, § 5º, I – avaliação prévia do bem, do seu estado de conservação e dos
custos de adaptações, quando imprescindíveis às necessidades de utilização, e
prazo de amortização dos investimentos;
regra licitação
locação de inexigibilidade
bens imóveis
instalações e localização tornem
exceção necessária sua escolha
avaliação prévia
Percebam que, na nova lei, há dois critérios para a licitação ser considerada “internacional”, a
saber:
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ou
Novamente por razões de isonomia, o legislador previu que as garantias de pagamento ao licitante
brasileiro serão equivalentes àquelas oferecidas ao licitante estrangeiro (art. 52, § 3º).
Além disso, quando for permitido ao licitante estrangeiro cotar preço em moeda estrangeira, o
licitante brasileiro igualmente poderá fazê-lo (art. 52, § 1º). Apesar disso, caso o licitante brasileiro
venha a ser contratado, o pagamento devido pela Administração será efetuado em moeda
corrente nacional (art. 52, § 2º).
Vale frisar que, muito embora, em regra, não sejam admitidas condições de habilitação,
classificação e julgamento que constituam barreiras de acesso ao licitante estrangeiro,
excepcionalmente admite-se a previsão de margem de preferência para bens produzidos no País
e serviços nacionais que atendam às normas técnicas brasileiras (art. 52, § 6º).
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processadas no Brasil,
admitida a participação de estrangeiros,
conceito com possibilidade de cotação em moeda estrangeira ou
licitação na qual o objeto contratual pode/deve ser
executado no todo ou em parte em território estrangeiro
Já adianto que este prazo de convocação poderá ser prorrogado, uma vez, por igual período (art.
90, §1º), mediante solicitação da parte durante seu transcurso, devidamente justificada, e desde
que o motivo apresentado seja aceito pela Administração.
Por outro lado, uma vez passado o prazo de validade na proposta indicado no edital, sem que a
Administração convoque para a assinatura do contrato, os licitantes ficam liberados dos
compromissos assumidos (art. 90, §3º).
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Nesta situação, o 1º colocado perderá a preferência que detinha para ser contratado (art. 90,
caput, parte final) e a Administração poderá aplicar-lhe uma sanção prevista na Lei 14.133 (a
exemplo da multa) e, até mesmo, reter a garantia de proposta, caso tenha sido prestada, conforme
indica o art. 90, §5º.
Isto porque considera-se que a proposta ofertada pelo licitante representa, para si, um
compromisso assumido de fornecer os bens ou prestar os serviços naquelas condições. Portanto,
diante deste descumprimento de obrigação, o licitante estará sujeito a uma sanção.
Vejam que aqui temos outra novidade da Lei 14.133/2021. Sob o regramento da Lei 8.666, era
possível convocar os próximos colocados, mas, para serem contratados, estes teriam que aceitar
65
A Lei 8.666/1993 previa também a possibilidade de revogação da licitação, o que não mais se encontra
expresso na Lei 14.133/2021.
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honrar a proposta do 1º colocado. Ou seja, pela Lei 8.666/1993, a Administração não admitia
pagar a mais do que a proposta do 1º colocado, sendo que isto passa a ser possível pela nova lei.
Portanto, pela nova Lei, a Administração irá indagar se é do interesse dos próximos colocados,
celebrar o respectivo contrato, embora não tenham sido os vencedores da licitação. Inicialmente,
ela irá buscar alguém que aceite os termos do 1º colocado, mas, se não conseguir, poderá
contratar outros colocados por valor superior ao ofertado pelo 1º colocado ou, ainda, por valor
proposto pelos demais colocados.
----
Antes de encerrar este tópico, vale frisar outra diferença importante entre a Lei 14.133 e a Lei
8.666, a respeito da contratação do remanescente de obra, serviço ou fornecimento.
Pela Lei 8.666, caso uma empresa rescindisse o contrato sem concluir 100% de sua execução, a
Administração estaria autorizar a contratar diretamente os próximos licitantes, por meio de uma
hipótese de dispensa de licitação (Lei 8.666, Art. 24, XI).
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Pela nova lei, para facilitar, a Administração poderá simplesmente convocar o próximo licitante da
lista de classificados para celebrar o contrato (Lei 14.133, art. 90, §7º), sem ter que lançar mão de
um processo de dispensa de licitação:
Em relação ao preço a ser pago, outra diferença com a Lei 8.666, pois aqui valem as mesmas
regras comentadas acima para a hipótese de o primeiro colocado não assinar o contrato,
detalhadas no art. 90, §§2º e 4º.
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RECURSOS
A NLL, em seu art. 165, prevê dois instrumentos para que os interessados submetam os atos de
licitações e contratos a uma reavaliação administrativa.
Após a leitura atenta dos dispositivos, podemos assim sintetizar estes instrumentos:
advertência
Por fim, uma diferença importante em relação à Lei 8.666 é que, na nova lei, o recurso e o pedido
de reconsideração terão efeito suspensivo (art. 168).
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São disposições que passaram a constar do título “Dos Crimes Contra a Administração Pública”
do Código Penal e, portanto, perdem ainda mais a relevância para o Direito Administrativo. De
toda forma, sintetizamos no quadro a seguir as condutas e respectivas penas:
66
Trata-se do único trecho da Lei 8.666 que foi revogado imediatamente com a publicação da Lei 14.133.
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CONCLUSÃO
Bem, pessoal,
@professordaud
www.facebook.com/professordaud
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RESUMO
Fases da licitação:
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Contratação direta:
Licitação
dispensável art. 75
(discricionário)
dispensa Rol taxativo
Contratação
direta
Inexigibilidade art. 74
Rol
inviabilidade de exemplificativo
competição
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Disposições setoriais:
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regra licitação
locação de inexigibilidade
bens
imóveis instalações e localização tornem
necessária sua escolha
exceção
avaliação prévia
processadas no Brasil,
admitida a participação de estrangeiros,
conceito com possibilidade de cotação em moeda estrangeira ou
licitação na qual o objeto contratual pode/deve ser
executado no todo ou em parte em território estrangeiro
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QUESTÕES COMENTADAS
Contratação direta
1. Questões inéditas/Daud
(B) pode ensejar a responsabilidade solidária do agente público por dano causado ao erário, no caso de
contratação indevida ocorrida com erro grosseiro.
(C) as situações de licitação dispensada facultam ao gestor público a realização de contratação direta.
Comentários:
A letra (A) está correta, dada o estabelecimento do “processo de contratação direta” previsto no art. 72 da
Lei 14.133/2021.
A letra (B) está correta, considerando a possibilidade de o agente público responder nos termos do art. 73
da Lei 14.133/2021.
A letra (C), por sua vez, está incorreta, visto que as hipóteses de licitação dispensada não dizem respeito a
mera “faculdade”. A “não licitação”, neste caso, é a única alternativa do gestor público.
Por fim, a letra (D), correta, dados os termos do caput do art. 74 da Lei 14.133/2021, que menciona alguns
exemplos de situações em que a competição seria inviável.
Gabarito (C)
2. Questões inéditas/Daud
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Comentários:
A letra (A) está incorreta, pois admite-se a inexigibilidade para locação de bens imóveis cujas características
de instalações e de localização tornem necessária sua escolha (Lei 14.133/2021, art. 74, V). A letra (B) se
equivoca, na medida em que é vedada a contratação direta por inexigibilidade de serviços de publicidade
(art. 74, III, parte final).
A letra (C), correta, menciona a hipótese listada no inciso IV do art. 74, a respeito de objetos que devam ou
possam ser contratados por meio de credenciamento.
Por fim, a letra (D), incorreta, visto tratar-se de hipótese de dispensa de licitação (art. 75, VII) – e não de
inexigibilidade.
Gabarito (C)
3. Questões inéditas/Daud
(A) compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento das finalidades precípuas da administração.
Comentários:
As alternativas (A), (B) e (C) mencionam hipóteses de licitação dispensável que constam da Lei 8.666/1993
mas não foram previstas na nova lei de licitações.
A letra (D), por sua vez, menciona a hipótese de licitação dispensável estabelecida no art. 75, inciso I, da Lei
14.133/2021.
Gabarito (D)
4. Questões inéditas/Daud
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
A alienação de bens imóveis, inclusive os pertencentes às autarquias e às fundações, dependerá de avaliação
prévia e licitação na modalidade concorrência.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
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De Oliveira Correia
Antonio Daud
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A assertiva está errada e cobra, justamente, uma mudança promovida pela nova lei de licitações.
Pelas disposições da Lei 8.666, a regra geral para alienação de bens imóveis era a realização de licitação na
modalidade concorrência. Entretanto, a Lei 14.133/2021, em seu art. 76, I, dispõe que a alienação agora
dependerá, em regra, de licitação realizada pela modalidade leilão:
Art. 76. A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à existência de
interesse público devidamente justificado, será precedida de avaliação e obedecerá às
seguintes normas:
I - tratando-se de bens imóveis, inclusive os pertencentes às autarquias e às fundações,
exigirá autorização legislativa e dependerá de licitação na modalidade leilão, dispensada a
realização de licitação nos casos de:
Gabarito (E)
5. Questões inéditas/Daud
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
É dispensável a licitação para contratação de serviços e obras para atender à situação de calamidade pública,
desde que tais serviços e obras possam ser concluídas no prazo máximo de 180 dias, contados da data da
ocorrência da calamidade.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
A assertiva está errada e aborda mais alteração que a Lei 14.133/2021 trouxe. A antiga lei de licitações, Lei
8.666/1993, previa que, nessa hipótese, a duração máxima do contrato seria, mesmo, de 180 dias.
Entretanto, a nova lei de licitações, em seu art. 75, VIII, alterou esse prazo para 1 ano. Vejamos o referido
dispositivo legal:
Art. 75. É dispensável a licitação:
(...)
VIII - nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando caracterizada urgência de
atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a continuidade
dos serviços públicos ou a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros
bens, públicos ou particulares, e somente para aquisição dos bens necessários ao
atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para as parcelas de obras e serviços
que possam ser concluídas no prazo máximo de 1 (um) ano, contado da data de
ocorrência da emergência ou da calamidade, vedadas a prorrogação dos respectivos
contratos e a recontratação de empresa já contratada com base no disposto neste inciso;
Gabarito (E)
6. Questões inéditas/Daud
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021 sobre licitações dispensáveis, julgue o item a seguir:
Não é hipótese de licitação dispensável a contratação de obra com valor estimado de R$ 90.000,00.
( )Certo
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De Oliveira Correia
Antonio Daud
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( )Errado
Comentários:
A assertiva está errada e aborda uma mudança de valores da Lei 8.666/1993 para a Lei 14.133/2021. A
"antiga" lei de licitações trazia a hipótese de licitação dispensável quando o valor dessa contratação não
fosse superior a R$ 33.000,00 (10% do limite da modalidade convite para obras e serviços de engenharia).
Logo, se essa questão fosse examinada com base na Lei 8.666/1993, estaria correta. Entretanto, a nova lei
de licitações trouxe uma alteração de valor para esse caso, contida no art. 75, I da Lei 14.133/2021:
I - para contratação que envolva valores inferiores a R$ 100.000,00 (cem mil reais), no caso
de obras e serviços de engenharia ou de serviços de manutenção de veículos automotores;
[valor atualizado para R$ 108.040,82 pelo Decreto 10.922/2021]
Gabarito (E)
7. Questões inéditas/Daud
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
É dispensável licitação para contratação que envolva valores inferiores a R$ 54.020,41, no caso de outros
serviços e compras.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
A assertiva está correta. A "antiga" lei de licitações, Lei 8.666/1993, trazia a hipótese de licitação dispensável
quando o valor das contratações de outros serviços e compras não fosse superior a R$ 17.600,00 (10% do
limite da modalidade convite para contratação de compras e outros serviços). Logo, se essa questão fosse
examinada com base na Lei 8.666/1993, estaria errada. Entretanto, a nova lei de licitações trouxe uma
alteração de valor para esse caso:
Art. 75. É dispensável a licitação: (...)
II - para contratação que envolva valores inferiores a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais),
no caso de outros serviços e compras; [valor atualizado para R$ 54.020,41 pelo Decreto
10.922/2021]
Gabarito (C)
8. Questões inéditas/Daud
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
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É dispensável a licitação para celebração de contratos de prestação de serviços com organizações sociais
para atividades contempladas no contrato de gestão.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
A assertiva está errada. Apesar de a mencionada contratação ser hipótese de licitação dispensável pela Lei
8.666/1993 (Art. 24, XXIV), a Lei 14.133/2021 não trouxe tal hipótese no rol dos casos de licitação
dispensável, presente em seu art. 75.
Gabarito (E)
9. Questões inéditas/Daud
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
É hipótese de licitação dispensável a aquisição ou locação de imóvel cujas características de instalações e de
localização tornem necessária sua escolha.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
A assertiva está errada. A partir da nova lei de licitações, art. 74, V, tal situação passa a ser enquadrada como
hipótese de licitação inexigível. Lembro que essa mesma situação na Lei 8.666/1993 "era" hipótese de
licitação dispensável:
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Gabarito (C)
Gabarito (E)
Gabarito (C)
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A assertiva está correta e traz a situação elencada no art. 77 da Lei 14.133/2021. Vejamos:
Art. 77. Para a venda de bens imóveis, será concedido direito de preferência ao licitante
que, submetendo-se a todas as regras do edital, comprove a ocupação do imóvel objeto da
licitação
Gabarito (C)
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É importante destacar que essa prática já era bastante utilizada, como causa de inexigibilidade,
pela doutrina e jurisprudência, que se tornou expressa apenas com o advento da Nova Lei de
Licitações (NLC). Conforme define a Lei 14.133/21:
Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos casos de:
Portanto, a alternativa (A) está correta, uma vez que o credenciamento de fornecedores é causa
expressa de inexigibilidade de licitação e, assim, as demais alternativas estão incorretas.
Gabarito (A)
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Para esta questão, basta nos lembrarmos de que a Lei 14.133/2021 considera inexigível a licitação
nesta hipótese:
Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos casos de: […]
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Esta questão cobrou hipótese em que é dispensável a licitação, segundo a Lei 14.133/2021, art.
75, XII:
O Estado do Amazonas pretende alienar um prédio público que atualmente não está sendo utilizado.
De acordo com a nova Lei de Licitações (Lei Federal nº 14.133/2021), a alienação pretendida está
subordinada à existência de interesse público devidamente justificado, será precedida de avaliação e, via de
regra:
A dependerá de autorização do Governador do Estado e poderá ser feita com inexigibilidade de licitação;
B dependerá de autorização do Tribunal de Contas e poderá ser feita com dispensa de licitação;
Comentários:
A questão trata da alienação de bem imóvel, cujo regramento é dado pelo art. 76, inciso I, da Lei 14.133:
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justificado
avaliação prévia
procedimentos
judiciais
autorização legislativa, inclusive para dispensada se imóvel
autarquias e fundações oriundo de
dação em pagamento
admitida a dispensa
licitação na modalidade de leilão nos casos do art. 76
da nova Lei
Gabarito (D)
Com base na nova Lei de Licitação, o Estado Alfa pretende proceder à locação de determinado imóvel, cujas
características de instalações e de localização tornam necessária sua escolha. Trata-se de imóvel exatamente
ao lado da Secretaria Estadual de Fazenda, que abrigará novas instalações para os Auditores Fiscais da
Receita Estadual. No bojo do processo administrativo, já foi observada regularmente a avaliação prévia do
bem, do seu estado de conservação, dos custos de adaptações, pois imprescindíveis às necessidades de
utilização, e do prazo de amortização dos investimentos. Com base na Lei nº 14.133/2021, a contratação
pretendida enseja
(A) dispensa de licitação, mediante certificação da inexistência de imóveis públicos vagos e disponíveis que
atendam ao objeto, justificativas que demonstrem a singularidade do imóvel a ser locado e economicidade
do contrato, que deve estar de acordo com o preço de mercado.
(B) inexigibilidade de licitação, mediante certificação da inexistência de imóveis públicos vagos e disponíveis
que atendam ao objeto, e justificativas que demonstrem a singularidade do imóvel a ser locado pela
Administração e que evidenciem vantagem para ela.
(C) licitação frustrada, em razão da falta de outros imóveis que atendam ao objeto do contrato, sendo
imprescindíveis justificativas que demonstrem a singularidade do imóvel a ser locado e economicidade do
contrato, que deve estar de acordo com o preço de mercado.
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Comentários:
Questão que cobrou uma das diferenças entre a Lei 8.666 e a Lei 14.133, adiante sintetizada:
Ou seja, para a nova lei, o inciso V do seu art. 74 prevê a inexigibilidade para aquisição ou locação de imóvel
cujas características de instalações e de localização tornem necessária sua escolha (e não mais dispensa,
como era na Lei 8.666/1993).
Aproveito para lembrar que, nestas contratações, devem ser demonstrados os seguintes elementos:
Art. 74, § 5º, I – avaliação prévia do bem, do seu estado de conservação e dos custos de
adaptações, quando imprescindíveis às necessidades de utilização, e prazo de amortização
dos investimentos;
II – certificação da inexistência de imóveis públicos vagos e disponíveis que atendam ao
objeto;
III – justificativas que demonstrem a singularidade do imóvel a ser comprado ou locado
pela Administração e que evidenciem vantagem para ela.
Gabarito (B)
Não sendo caso de interesse público devidamente justificado, a doação com encargo deverá ser licitada,
constando de seu instrumento, obrigatoriamente, os encargos, o prazo de seu cumprimento e cláusula de
reversão, sob pena de nulidade do ato.
Comentários:
Mesmo se examinarmos esta questão à luz da Lei 14.133/2021, o gabarito seria correto, em virtude de a
nova lei replicar regra que constava da Lei 8.666/1993.
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Assim, em uma doação, se houver o estabelecimento de encargo1 ao donatário, em regra ela deverá ser
licitada. Tal licitação, todavia, será dispensada no caso de interesse público devidamente justificado:
Art. 76, § 6º A doação com encargo será licitada e de seu instrumento constarão,
obrigatoriamente, os encargos, o prazo de seu cumprimento e a cláusula de reversão, sob
pena de nulidade do ato, dispensada a licitação em caso de interesse público devidamente
justificado.
Gabarito (C)
Considera-se deserta a licitação em que todos os candidatos tenham inobservado os requisitos contidos no
respectivo edital.
Comentários
A licitação deserta é aquela em que nenhum interessado compareceu. Tal situação não se confunde com a
licitação fracassada, que é aquela em que todos os licitantes foram inabilitados ou desclassificados por
descumprirem os termos do edital.
Gabarito (E)
Comentários:
O item está incorreto, porquanto refere-se a hipótese de inexigibilidade de licitação. Isto porque, nos termos
do art. 74, III, da NLL, o serviço mencionado na questão (i) possui natureza predominantemente intelectual,
(ii) o contratado possui notória especialização e (iii) o serviço está listado no artigo 74, inciso III, da Lei 14.133
(restauração de obra de arte, com valor histórico – alínea ‘g’).
Gabarito (E)
1
Doação com encargo consiste na doação que é acompanhada de uma contrapartida a cargo daquele
que recebeu o bem (exemplo: doação de uma gleba de terra em que o donatário deverá construir uma
escola).
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Comentários:
Gabarito (C)
Comentários:
A única alternativa que possui conexão com a inexigibilidade de licitação é a letra (B), que refere-se a
situações em que há inviabilidade de competição.
Aproveito para ressaltar que as alternativas (A), (C) e (E) dizem respeito a hipóteses de dispensa de licitação,
previstas no art. 75 da NLL, em que em tese há viabilidade de competição, mas o legislador decidiu
excepcionar o dever de licitar:
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Gabarito (B)
Considerando que seis geradores de energia do parque tecnológico de determinado órgão estejam
inoperantes, julgue o próximo item, acerca de inventário, alteração, baixa e controle de bens.
A doação desses geradores para estabelecimentos assistenciais de saúde geridas por organizações da
sociedade civil de interesse público poderá ser realizada sem licitação.
Comentários:
A questão aborda a necessidade ou não de realização de licitação para a doação de bens móveis (geradores).
Neste caso, quando a finalidade da doação for o interesse social (neste caso assistência à saúde), a licitação
estará dispensada:
Lei 14.133, art. 76, II - tratando-se de bens móveis, dependerá de licitação na modalidade
leilão, dispensada a realização de licitação nos casos de:
a) doação, permitida exclusivamente para fins e uso de interesse social, após avaliação de
oportunidade e conveniência socioeconômica em relação à escolha de outra forma de
alienação;
Esta mesma hipótese de licitação dispensada já existia sob a égide da Lei 8.666/1993 (art. 17, II, ‘a’).
Gabarito (C)
Na contratação de restaurador para preservar obra arquitetônica existente em prédio público estadual,
tombado pelo patrimônio histórico e a ser reformado, é inexigível a licitação.
Comentários:
A “restauração de obras de arte e bens de valor histórico” encontra-se prevista no art. 74, III, da nova lei de
licitações, que arrola os serviços técnicos especializados passíveis de serem contratados diretamente,
mediante inexigibilidade de licitação.
Gabarito (C)
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Comentários:
Pelo contrário! A contratação pública, seja direta ou mediante licitação, requer a autuação de processo
administrativo para tanto, até para que tal ato de gestão deixe “rastros” que poderão ser objeto de controle
posterior.
Além de estipular a necessidade de criação de processo administrativo, a nova lei de licitações chega a prever
elementos mínimos do processo de contratação direta (art. 72):
Gabarito (E)
Se comprovada fraude em contratação direta indevida, o contratado e o agente público responsável poderão
responder solidariamente pelos danos causados ao erário.
Comentários:
O legislador presumiu que a ocorrência de fraude, dolo ou erro grosseiro nas contratações diretas decorreu
de conluio entre o agente público e a empresa contratada, atribuindo a responsabilidade solidária pelos
danos decorrentes:
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Lei 14.133, art. 73. Na hipótese de contratação direta indevida ocorrida com dolo, fraude
ou erro grosseiro, o contratado e o agente público responsável responderão
solidariamente pelo dano causado ao erário, sem prejuízo de outras sanções legais
cabíveis.
Gabarito (C)
b) para aquisição, por empresas públicas e autarquias, de bens produzidos por órgãos públicos.
c) para contratação de profissional de qualquer setor artístico, desde que consagrado pela crítica
especializada.
d) para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam ser fornecidos por produtor
exclusivo.
Comentários:
A letra (a) está correta. Imagine se, em plena guerra, em que se exigem soluções rápidas, eficazes e muitas
vezes confidenciais, o ordenamento jurídico ainda demandasse a realização de licitação! Assim, a alternativa
encontra fundamento no inciso VII do art. 75:
Art. 75, VII - nos casos de guerra, estado de defesa, estado de sítio, intervenção federal ou
de grave perturbação da ordem;;
A letra (b) está incorreta. Quem produz bens são órgãos públicos ou empresas públicas? É o contrário do
mencionado na questão, não é mesmo?! Nesse sentido, a legislação prevê que entes dotados de
personalidade jurídica de direito público contratem – mediante dispensa – outros entes públicos, atendidos
os seguintes requisitos:
Art. 75, IX - para a aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de bens
produzidos ou serviços prestados por órgão ou entidade que integrem a Administração
Pública e que tenham sido criados para esse fim específico, desde que o preço contratado
seja compatível com o praticado no mercado;
A letra (c) está incorreta, ao prever hipótese de inexigibilidade de licitação – e não de dispensa:
Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos casos de: (..)
II - contratação de profissional do setor artístico, diretamente ou por meio de empresário
exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública;
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Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos casos de:
I - aquisição de materiais, de equipamentos ou de gêneros ou contratação de serviços que
só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivos;
Gabarito (A)
Nessa situação hipotética, conforme previsão da Lei 14.133, para a contratação de nova empresa para
finalizar a obra remanescente, a Administração poderia convocar os demais licitantes que participaram da
concorrência, seguindo a ordem de classificação, sem ter que realizar contratação direta por dispensa de
licitação.
Comentários:
A empresa X executou 70% da obra, deixando o remanescente de 30% inacabado. Tal situação autoriza que
a Administração vá até a lista de participantes da licitação anterior e os convoque, seguindo a ordem de
classificação, para a celebração de contrato destinado à execução do remanescente:
Vejam que, pelas regras da nova lei, não mais se trata de hipótese de dispensa de licitação, mas de simples
convocação de novo licitante que havia participado do certame anteriormente.
Gabarito (C)
Na hipótese de rescisão de contrato administrativo de execução de obra, estando esta inacabada, a lei
permite que outro prestador de serviços seja contratado mediante dispensa de licitação.
Comentários:
Esta questão estaria correta à luz da Lei 8.666 (art. 24, XI), mas errada de acordo com a Lei 14.133/2021.
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Neste caso, se houver a rescisão de um contrato celebrado após procedimento licitatório, será possível que
se convoque os demais licitantes para a contratação do remanescente daquela obra (art. 90, §7º), não mais
sendo necessário realizar uma dispensa de licitação.
Gabarito (E)
Considerando que, iniciado procedimento licitatório voltado à aquisição de determinados bens de interesse
do estado do Maranhão, não tenham aparecido interessados em participar do referido certame, assinale a
opção correta de acordo com a legislação pertinente.
d) A despeito da falta de interessados no referido certame licitatório, novo processo licitatório deverá ser
realizado, sob pena de burla à obrigatoriedade de realização de licitação para as contratações públicas.
Comentários:
Se o ente público estadual promove uma licitação e nenhum interessado comparece, estaremos diante de
licitação deserta.
Nesta situação, se a licitação tiver sido realizada há menos de 1 ano, é possível a contratação direta mediante
dispensa de licitação:
Art. 75, III - para contratação que mantenha todas as condições definidas em edital de
licitação realizada há menos de 1 (um) ano, quando se verificar que naquela licitação:
a) não surgiram licitantes interessados ou não foram apresentadas propostas válidas;
b) as propostas apresentadas consignaram preços manifestamente superiores aos
praticados no mercado ou incompatíveis com os fixados pelos órgãos oficiais
competentes;;
Assim, a letra (b) está correta. Aproveito para lembrar que tal hipótese consiste em dispensa de licitação,
não se confundindo com inexigibilidade, tornando a letra (a) está incorreta.
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Por fim, a letra (e) está incorreta, pois não há tal “imposição”. A dispensa é mera faculdade do gestor, tendo
lugar desde que a licitação não possa ser realizada sem prejuízo à Administração.
Gabarito (B)
c) concurso.
Comentários:
A questão aborda a contratação de artista consagrado pela mídia, a qual pode ser realizada por meio de
inexigibilidade de licitação:
Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos casos de: (..)
II - contratação de profissional do setor artístico, diretamente ou por meio de empresário
exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública;
Gabarito (B)
Considerando que a Secretaria de Cultura do DF pretenda contratar empresa de publicidade para realizar
campanha de divulgação de um festival de música que ocorrerá em Brasília, julgue os itens que se seguem.
Será necessária a licitação para a contratação da empresa de publicidade, mesmo que o serviço a ser
prestado seja considerado predominantemente intelectual e a empresa a ser contratada possua notória
especialização na área.
Comentários:
A questão aborda corretamente a vedação prevista na parte final do inciso III do art. 74 da NLL:
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Art. 74, III - contratação dos seguintes serviços técnicos especializados de natureza
predominantemente intelectual com profissionais ou empresas de notória especialização,
vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação: (..)
Gabarito (C)
Um estado da Federação criou uma premiação como forma de reconhecimento pelos serviços prestados por
agentes públicos de diversos órgãos. Assim, o estado contratou um artista plástico amplamente consagrado
pela crítica especializada para elaborar os troféus e as medalhas, hipótese que configura
a) inexigibilidade de licitação.
b) dispensa de licitação.
c) leilão.
d) concorrência.
e) tomada de preço.
Comentários:
Imagine aí se, na contratação deste artista consagrado, seria viável a realização de um procedimento
competitivo? A resposta é negativa, não é mesmo.
Neste caso, aplica-se a hipótese de inexigibilidade de licitação prevista no inciso II do art. 74 da NLL:
Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos casos de: (..)
II - contratação de profissional do setor artístico, diretamente ou por meio de empresário
exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública;
Tal situação não se confunde com a “dispensa de licitação”, em que há um afastamento do dever de licitar
por uma decisão do legislador, motivo pelo qual a letra (b) está incorreta.
Gabarito (A)
Fases da Licitação
Quanto aos recursos no rito procedimental comum da Lei 14.133/2021, é correto afirmar que:
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(D) o exercício do direito de recorrer pode ocorrer a qualquer tempo até a declaração do licitante vencedor.
Comentários:
A letra (A), incorreta, visto haver diferenças importantes com o regramento da Lei 8.666/1993, a exemplo
da fase recursal única, a necessidade de manifestar o interesse em recorrer e os prazos distintos.
A letra (B) está correta. Na nova lei, existe uma etapa que concentra a análise de todos os recursos daquela
licitação, sejam eles referentes à etapa de julgamento das propostas ou da habilitação (art. 165, §1º, II).
A letra (C), incorreta, pois o acolhimento do recurso implicará invalidação apenas de ato insuscetível de
aproveitamento (art. 165, § 3º).
A letra (D), incorreta, visto o licitante ter o prazo de 3 dias úteis para manifestar sua intenção em recorrer,
prazo contado da data de intimação ou de lavratura da ata.
Gabarito (B)
À luz da redação atualizada da Lei 14.133, a divulgação de um edital de licitação se dará obrigatoriamente:
(A) por meio da publicação de seu inteiro teor em diário oficial do respectivo ente federativo.
(B) por meio da publicação de seu inteiro teor em jornal diário de grande circulação.
(D) mediante afixação de cópia em local de ampla circulação de pessoas na sede da Administração.
Comentários:
Com a derrubada do veto ao art. 54, §1º, da nova lei, além de o edital ser obrigatoriamente divulgado no
Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) – Lei 14.133/2021, art. 54, caput, também deverá ter seu
extrato divulgado no diário oficial e em jornal diário de grande circulação.
No entanto, o inteiro teor somente é divulgado no Portal, de sorte que o gabarito encontra-se na letra (C).
Em relação à letra (D), vale destacar que a afixação de cópia na sede da Administração é exigida apenas na
modalidade “leilão” (art. 31, §3º).
Gabarito (C)
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Comentários:
Uma das novidades da Lei 14.133/2021 é a realização das licitações, preferencialmente, pela forma
eletrônica (art. 17, §2º).
A forma presencial é admitida, excepcionalmente, desde que exista motivação e a sessão seja registrada em
ata e gravada em áudio e vídeo.
Gabarito (B)
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Gabarito (E)
Gabarito (E)
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em lei para pessoa com deficiência (que havia na Lei 8.666/1993). Aproveito para sintetizar as principais
características da margem de preferência da NLL:
bens manufaturados e serviços nacionais que atendam a
normas técnicas brasileiras
Gabarito (E)
Gabarito (E)
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( )Certo
( )Errado
Comentários:
A assertiva está errada, pois somente propostas que apresentem vícios insanáveis serão desclassificadas. É
o que diz o art. 59 da Lei 14.133/2021, adiante sistematizado:
contiverem vícios insanáveis
Gabarito (E)
Gabarito (E)
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(B) a aquisição de artigos de luxo somente pode ser feita nas hipóteses em que o cronograma de
entrega seja mais eficiente que no caso de artigos comuns.
(C) a vedação ao sigilo do procedimento de licitação é obrigatória, sendo todos os atos praticados
essencialmente públicos, salvo decisão judicial.
(D) o autor do projeto básico poderá participar da licitação para a contratação da respectiva obra,
sob qualquer modalidade.
(E) os profissionais organizados sob a forma de cooperativa, qualquer que seja a natureza ou o
regime de funcionamento ou de distribuição de receitas, poderão participar de procedimentos de
licitação por ela regidos.
Comentários:
A alternativa (A) está correta. O artigo 18 da Lei 14.133/21 versa sobre a fase preparatória do
processo licitatório, e elenca alguns aspectos que devem ser considerados no planejamento, entre
eles:
X - a análise dos riscos que possam comprometer o sucesso da licitação e a boa execução
contratual;
XI - a motivação sobre o momento da divulgação do orçamento da licitação, observado o
art. 24 desta Lei.
A alternativa (B) está incorreta, pois há vedação expressa quanto à aquisição de artigos de luxo:
Art. 20. Os itens de consumo adquiridos para suprir as demandas das estruturas da
Administração Pública deverão ser de qualidade comum, não superior à necessária para
cumprir as finalidades às quais se destinam, vedada a aquisição de artigos de luxo.
Art. 13. Os atos praticados no processo licitatório são públicos, ressalvadas as hipóteses de
informações cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado, na forma
da lei.
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Apesar de os atos praticados na licitação serem, em regra, públicos, existem algumas situações
que podem afastar essa publicidade. Não há, portanto, exigência de decisão judicial para que seja
mantido o sigilo nessas situações. Dessa forma, a alternativa está errada.
A alternativa (D) está incorreta. O autor do projeto, seja ele pessoa física ou jurídica, empresa ou
consórcio, estará impedido, em regra, de participar da licitação e da execução do contrato:
Art. 14. Não poderão disputar licitação ou participar da execução de contrato, direta ou
indiretamente:
I - autor do anteprojeto, do projeto básico ou do projeto executivo, pessoa física ou jurídica,
quando a licitação versar sobre obra, serviços ou fornecimento de bens a ele relacionados;
II - empresa, isoladamente ou em consórcio, responsável pela elaboração do projeto básico
ou do projeto executivo, ou empresa da qual o autor do projeto seja dirigente, gerente,
controlador, acionista ou detentor de mais de 5% (cinco por cento) do capital com direito
a voto, responsável técnico ou subcontratado, quando a licitação versar sobre obra,
serviços ou fornecimento de bens a ela necessários;
O parágrafo segundo do artigo 14 permite a participação do autor do projeto “no apoio das
atividades de planejamento da contratação, de execução da licitação ou de gestão do contrato,
desde que sob supervisão exclusiva de agentes públicos do órgão ou entidade”.
Ademais, ocorrem situações em que aquele que é o vencedor, elabora tanto o projeto básico
como o executivo, como pode ser visto no parágrafo quarto:
Art. 14, § 4º. O disposto neste artigo não impede a licitação ou a contratação de obra ou
serviço que inclua como encargo do contratado a elaboração do projeto básico e do projeto
executivo, nas contratações integradas, e do projeto executivo, nos demais regimes de
execução.
Por fim, a alternativa (E) está incorreta. Esses profissionais poderão participar do processo
licitatório, desde que cumpram os requisitos elencados no artigo 16:
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Portanto, está incorreto afirmar: “qualquer que seja a natureza ou o regime de funcionamento ou
de distribuição de receitas”, em especial, com relação ao inciso II do artigo acima.
Gabarito (A)
46. FGV/Prefeitura de Niterói – Auditor Municipal de Controle Interno – Controladoria – 2018 (adaptada)
II. A apresentação dos documentos de habilitação será exigida apenas do licitante vencedor, exceto no caso
de inversão de fases.
III. Após o julgamento das propostas, os documentos de regularidade fiscal serão exigidos apenas do licitante
com melhor classificação.
a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
Comentários:
O Item I está incorreto, por ter invertido a regra com a exceção. Segundo a NLL, a apresentação da proposta
ou lance ocorre, como regra geral, antes da habilitação dos concorrentes. No entanto, a fase da habilitação
poderá, mediante ato motivado, anteceder a apresentação da proposta ou lance e o julgamento, desde que
expressamente previsto no instrumento convocatório (art. 17, §1º).
Por sua vez, o Item II está de acordo com o disposto no art. 63, II, da Lei 14.133/2021:
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Art. 63. Na fase de habilitação das licitações serão observadas as seguintes disposições: (
..)
II - será exigida a apresentação dos documentos de habilitação apenas pelo licitante
vencedor, exceto quando a fase de habilitação anteceder a de julgamento;
O Item III encontra-se em conformidade com o inciso III do mesmo art. 63 da Lei 14.133/2021:
Art. 63, III - serão exigidos os documentos relativos à regularidade fiscal, em qualquer caso,
somente em momento posterior ao julgamento das propostas, e apenas do licitante mais
bem classificado;
Gabarito (D)
Comentários:
A assertiva está correta. Nos termos previstos no art. 165, §1º, I, caso não manifeste imediatamente a
intenção de recorrer, o licitante não poderia, posteriormente, interpor recursos na via administrativa, por
ter se operado a preclusão do direito de recorrer.
Gabarito (C)
Comentários:
A assertiva está correta. Uma das principais características do rito comum da NLL consiste na consolidação
da inversão de fases como regra geral. Então, em regra, a etapa de habilitação ocorre em momento posterior
à etapa de propostas/lances e ao seu julgamento. Apesar disto, em caráter excepcional, é possível que o
edital da licitação preveja a realização antecipada da habilitação, situação na qual a habilitação ocorrerá
antes da apresentação de propostas e lances (art. 17, §1º).
Gabarito (C)
No rito comum, qualquer licitante terá o prazo de três dias para manifestar a intenção de recorrer, prazo
contado a partir da lavratura da ata de habilitação ou inabilitação.
Comentários:
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O item está incorreto. A manifestação da intenção de recorrer é imediata! O prazo de três dias úteis, previsto
em lei, diz respeito à entrega das razões recursais:
NLL, art. 165. Dos atos da Administração decorrentes da aplicação desta Lei cabem:
I - recurso, no prazo de 3 (três) dias úteis, contado da data de intimação ou de lavratura da
ata, em face de:
a) ato que defira ou indefira pedido de pré-qualificação de interessado ou de inscrição em
registro cadastral, sua alteração ou cancelamento;
b) julgamento das propostas;
c) ato de habilitação ou inabilitação de licitante; (..)
§ 1º Quanto ao recurso apresentado em virtude do disposto nas alíneas “b” e “c” do inciso
I do caput deste artigo, serão observadas as seguintes disposições:
I - a intenção de recorrer deverá ser manifestada imediatamente, sob pena de preclusão,
e o prazo para apresentação das razões recursais previsto no inciso I do caput deste artigo
será iniciado na data de intimação ou de lavratura da ata de habilitação ou inabilitação ou,
na hipótese de adoção da inversão de fases prevista no § 1º do art. 17 desta Lei, da ata de
julgamento;
Gabarito (E)
No rito comum, a definição das exigências de habilitação no certame é feita durante a fase externa.
Comentários:
Lei 14.133, art. 18. A fase preparatória do processo licitatório é caracterizada pelo
planejamento e deve compatibilizar-se com o plano de contratações anual de que trata o
inciso VII do caput do art. 12 desta Lei, sempre que elaborado, e com as leis orçamentárias,
bem como abordar todas as considerações técnicas, mercadológicas e de gestão que
podem interferir na contratação, compreendidos: (..)
V - a elaboração do edital de licitação; (..)
IX - a motivação circunstanciada das condições do edital, tais como justificativa de
exigências de qualificação técnica, mediante indicação das parcelas de maior relevância
técnica ou valor significativo do objeto, e de qualificação econômico-financeira, justificativa
dos critérios de pontuação e julgamento das propostas técnicas, nas licitações com
julgamento por melhor técnica ou técnica e preço, e justificativa das regras pertinentes à
participação de empresas em consórcio;
O que acontece na fase externa é a própria execução da etapa de habilitação, em que é verificado se os
licitantes atendem as exigências definidas na fase preparatória.
Gabarito (E)
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Cabe à administração pública exigir documentos de habilitação compatíveis com o ramo do objeto licitado.
Comentários:
Uma das formas de se garantir que o licitante pertença ao nicho de mercado em questão é por meio de
exigências de qualificação técnica, principalmente por meio de atestados de qualificação técnica:
Gabarito (C)
Comentários:
Imagine se, em uma licitação com 20 interessados, a Administração necessitasse consultá-los quanto a uma
alteração que deseja promover no edital ou em um de seus anexos. No caso de alteração posterior à
conclusão da licitação, igualmente não haveria esta necessidade.
Neste caso, ainda durante a licitação, o edital pode ser modificado, desde que haja divulgação pela mesma
forma que se deu o texto original, reabrindo-se o prazo inicialmente estabelecido, exceto quando a
alteração não comprometer a formulação das propostas (art. 55, §1º).
Gabarito (E)
Qualquer pessoa é parte legítima para impugnar edital de licitação por irregularidade na aplicação da lei,
devendo a administração pública, caso a impugnação seja protocolada no prazo da lei, julgá-la e respondê-
la em até três dias úteis.
Comentários:
Como forma de possibilitar o controle social, a NLL faculta a qualquer pessoa a apresentar impugnação ao
edital de licitação, caso seja detectada alguma irregularidade. Para isto, a pessoa deverá protocolar seu
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pedido de impugnação até 3 dias úteis antes da data fixada para a abertura do certame, devendo a
Administração julgar e responder o pedido em até 3 dias úteis, limitado ao último dia útil anterior à data da
abertura do certame (art. 164, p.u.).
Gabarito (C)
A Administração não poderá negociar diretamente com o licitante classificado em primeiro lugar para obter
melhor preço.
Comentários:
A assertiva está incorreta. É uma faculdade da Administração negociar com o licitante que ofereceu melhor
preço, para reduzir ainda mais os valores contratados pelo poder público:
Lei 14.133, art. 61. Definido o resultado do julgamento, a Administração poderá negociar
condições mais vantajosas com o primeiro colocado. (..)
Gabarito (E)
Disposições setoriais
Comentários:
A assertiva está correta. A questão trouxe os conceitos apresentados no art. 46, § 1º, e no art. 18, § 3º,
ambos da Lei 14.133/2021. Vejamos:
Art. 46, § 1º É vedada a realização de obras e serviços de engenharia sem projeto
executivo, ressalvada a hipótese prevista no § 3º do art. 18 desta Lei.
Art. 18, § 3º Em se tratando de estudo técnico preliminar para contratação de obras e
serviços comuns de engenharia, se demonstrada a inexistência de prejuízo para a aferição
dos padrões de desempenho e qualidade almejados, a especificação do objeto poderá ser
realizada apenas em termo de referência ou em projeto básico, dispensada a elaboração
de projetos.
Reparem que a lei não veda a realização de licitação sem projeto executivo, mas, na verdade, a execução da
obra sem o referido documento.
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Gabarito (C)
I. Parcelamento do objeto para as compras, quando for tecnicamente viável e economicamente vantajoso.
a) II.
b) I e II.
c) II e III.
d) III.
e) I e III.
Comentários:
O item I está correto. Um dos princípios aplicáveis às compras públicas é, de fato, a recomendação para que
o objeto seja parcelado:
Lei 14.133, art. 40. O planejamento de compras deverá considerar a expectativa de
consumo anual e observar o seguinte: (..)
V - atendimento aos princípios: (..)
b) do parcelamento, quando for tecnicamente viável e economicamente vantajoso;
O item II está correto. A Administração pode indicar marca ou modelo na situação apresentada pela
afirmativa, consoante indica o art. 41 da NLL:
Art. 41. No caso de licitação que envolva o fornecimento de bens, a Administração poderá
excepcionalmente:
I - indicar uma ou mais marcas ou modelos, desde que formalmente justificado, nas
seguintes hipóteses: (..)
c) quando determinada marca ou modelo comercializados por mais de um fornecedor
forem os únicos capazes de atender às necessidades do contratante;
O item III está incorreto. O orçamento, segundo a nova lei de licitações, poderá ser público ou sigiloso, como
regra geral (art. 24). Portanto, não existe essa obrigatoriedade de divulgação do orçamento. Relembrando:
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público (regra)
Além disso, vale destacar que, caso seja adotada, na licitação, o critério de julgamento por maior desconto,
o orçamento estimado para a contratação será divulgado no instrumento convocatório (art. 24, p.u.).
Gabarito (B)
57. CEBRASPE/TCU – Auditor Federal de Controle Externo – Tecnologia da Informação – 2015 (adaptada)
Comentários:
necessidade de padronização
Gabarito (C)
Na contratação de obras e serviços regidas pela Lei 14.133/2021, entende-se como empreitada por
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a) preço global aquela que envolve o desenvolvimento do projeto executivo para a entrega final do objeto,
sem prévia estipulação do preço total.
b) preço global aquela que envolve empreendimento em sua integralidade, por preço certo de unidades
determinadas, com todas as etapas de obras sob inteira responsabilidade da contratada.
c) preço global aquela que envolve todos os elementos de contornos necessários e fundamentais à
elaboração do projeto básico, na qual o preço é incerto.
d) preço unitário aquela destinada a pequenos trabalhos por preço certo e global, com fornecimento de
material.
Comentários:
Art. 6º, XXVIII - empreitada por preço unitário: contratação da execução da obra ou do
serviço por preço certo de unidades determinadas;
XXIX - empreitada por preço global: contratação da execução da obra ou do serviço por
preço certo e total;
XXX - empreitada integral: contratação de empreendimento em sua integralidade,
compreendida a totalidade das etapas de obras, serviços e instalações necessárias, sob
inteira responsabilidade do contratado até sua entrega ao contratante em condições de
entrada em operação, com características adequadas às finalidades para as quais foi
contratado e atendidos os requisitos técnicos e legais para sua utilização com segurança
estrutural e operacional;
XXXI - contratação por tarefa: regime de contratação de mão de obra para pequenos
trabalhos por preço certo, com ou sem fornecimento de materiais;
XXXII - contratação integrada: regime de contratação de obras e serviços de engenharia
em que o contratado é responsável por elaborar e desenvolver os projetos básico e
executivo, executar obras e serviços de engenharia, fornecer bens ou prestar serviços
especiais e realizar montagem, teste, pré-operação e as demais operações necessárias e
suficientes para a entrega final do objeto;
XXXIII - contratação semi-integrada: regime de contratação de obras e serviços de
engenharia em que o contratado é responsável por elaborar e desenvolver o projeto
executivo, executar obras e serviços de engenharia, fornecer bens ou prestar serviços
especiais e realizar montagem, teste, pré-operação e as demais operações necessárias e
suficientes para a entrega final do objeto;
XXXIV - fornecimento e prestação de serviço associado: regime de contratação em que,
além do fornecimento do objeto, o contratado responsabiliza-se por sua operação,
manutenção ou ambas, por tempo determinado;
Assim, a letra (e) é a única que apresenta corretamente os conceitos listados acima.
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A letra (a) está incorreta. A contratação do desenvolvimento do projeto executivo conjuntamente com a
execução da obra é característica da contratação integrada e da semi-integrada.
A letra (c) está incorreta, ao mesclar elementos da definição do anteprojeto de engenharia (art. 6º, XXIV) e
mencionar que o preço é incerto.
Gabarito (E)
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1. Questões inéditas/Daud
(B) pode ensejar a responsabilidade solidária do agente público por dano causado ao erário, no caso de
contratação indevida ocorrida com erro grosseiro.
(C) as situações de licitação dispensada facultam ao gestor público a realização de contratação direta.
2. Questões inéditas/Daud
3. Questões inéditas/Daud
(A) compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento das finalidades precípuas da administração.
4. Questões inéditas/Daud
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
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5. Questões inéditas/Daud
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
É dispensável a licitação para contratação de serviços e obras para atender à situação de calamidade pública,
desde que tais serviços e obras possam ser concluídas no prazo máximo de 180 dias, contados da data da
ocorrência da calamidade.
( )Certo
( )Errado
6. Questões inéditas/Daud
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021sobre licitações dispensáveis, julgue o item a seguir:
Não é hipótese de licitação dispensável a contratação de obra com valor estimado de R$ 90.000,00.
( )Certo
( )Errado
7. Questões inéditas/Daud
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
É dispensável licitação para contratação que envolva valores inferiores a R$ 54.020,41, no caso de outros
serviços e compras.
( )Certo
( )Errado
8. Questões inéditas/Daud
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
É dispensável a licitação para celebração de contratos de prestação de serviços com organizações sociais
para atividades contempladas no contrato de gestão.
( )Certo
( )Errado
9. Questões inéditas/Daud
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
É hipótese de licitação dispensável a aquisição ou locação de imóvel cujas características de instalações e de
localização tornem necessária sua escolha.
( )Certo
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( )Errado
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Cumpridas todas as formalidades legais, na presente hipótese, de acordo com o citado diploma
legal, em se tratando de caso de objeto que deva ser contratado por meio de credenciamento, a
licitação é:
a) inexigível, por expressa previsão legal;
b) dispensável, por expressa previsão legal;
c) obrigatória, na modalidade diálogo competitivo;
d) obrigatória, na modalidade pregão;
e) obrigatória, na modalidade leilão.
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a) pode ser feita mediante inexigibilidade de licitação, por expressa previsão legal, com as cautelas
procedimentais previstas nas normas de regência;
b) pode ser feita mediante dispensa de licitação, por expressa previsão legal, com as cautelas
procedimentais previstas nas normas de regência;
c) deve ser feita mediante prévia e indispensável licitação, na modalidade concorrência ou pregão,
em razão do valor estimado da contratação;
d) deve ser feita mediante prévia e indispensável licitação, na modalidade diálogo competitivo,
em razão da natureza do objeto da contratação;
e) deve ser feita mediante prévia e indispensável licitação, na modalidade concorrência, com
adoção do critério de julgamento de técnica e preço, por expressa previsão legal.
18. FGV/TCE-AM – Auditor TI - 2021
==1fb103==
O Estado do Amazonas pretende alienar um prédio público que atualmente não está sendo utilizado.
De acordo com a nova Lei de Licitações (Lei Federal nº 14.133/2021), a alienação pretendida está
subordinada à existência de interesse público devidamente justificado, será precedida de avaliação e, via de
regra:
A dependerá de autorização do Governador do Estado e poderá ser feita com inexigibilidade de licitação;
B dependerá de autorização do Tribunal de Contas e poderá ser feita com dispensa de licitação;
Com base na nova Lei de Licitação, o Estado Alfa pretende proceder à locação de determinado imóvel, cujas
características de instalações e de localização tornam necessária sua escolha. Trata-se de imóvel exatamente
ao lado da Secretaria Estadual de Fazenda, que abrigará novas instalações para os Auditores Fiscais da
Receita Estadual. No bojo do processo administrativo, já foi observada regularmente a avaliação prévia do
bem, do seu estado de conservação, dos custos de adaptações, pois imprescindíveis às necessidades de
utilização, e do prazo de amortização dos investimentos. Com base na Lei nº 14.133/2021, a contratação
pretendida enseja
(A) dispensa de licitação, mediante certificação da inexistência de imóveis públicos vagos e disponíveis que
atendam ao objeto, justificativas que demonstrem a singularidade do imóvel a ser locado e economicidade
do contrato, que deve estar de acordo com o preço de mercado.
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(B) inexigibilidade de licitação, mediante certificação da inexistência de imóveis públicos vagos e disponíveis
que atendam ao objeto, e justificativas que demonstrem a singularidade do imóvel a ser locado pela
Administração e que evidenciem vantagem para ela.
(C) licitação frustrada, em razão da falta de outros imóveis que atendam ao objeto do contrato, sendo
imprescindíveis justificativas que demonstrem a singularidade do imóvel a ser locado e economicidade do
contrato, que deve estar de acordo com o preço de mercado.
Não sendo caso de interesse público devidamente justificado, a doação com encargo deverá ser licitada,
constando de seu instrumento, obrigatoriamente, os encargos, o prazo de seu cumprimento e cláusula de
reversão, sob pena de nulidade do ato.
Considera-se deserta a licitação em que todos os candidatos tenham inobservado os requisitos contidos no
respectivo edital.
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Considerando que seis geradores de energia do parque tecnológico de determinado órgão estejam
inoperantes, julgue o próximo item, acerca de inventário, alteração, baixa e controle de bens.
A doação desses geradores para estabelecimentos assistenciais de saúde geridas por organizações da
sociedade civil de interesse público poderá ser realizada sem licitação.
Na contratação de restaurador para preservar obra arquitetônica existente em prédio público estadual,
tombado pelo patrimônio histórico e a ser reformado, é inexigível a licitação.
Se comprovada fraude em contratação direta indevida, o contratado e o agente público responsável poderão
responder solidariamente pelos danos causados ao erário.
b) para aquisição, por empresas públicas e autarquias, de bens produzidos por órgãos públicos.
c) para contratação de profissional de qualquer setor artístico, desde que consagrado pela crítica
especializada.
d) para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam ser fornecidos por produtor
exclusivo.
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Nessa situação hipotética, conforme previsão da Lei 14.133, para a contratação de nova empresa para
finalizar a obra remanescente, a Administração poderia convocar os demais licitantes que participaram da
concorrência, seguindo a ordem de classificação, sem ter que realizar contratação direta por dispensa de
licitação.
Na hipótese de rescisão de contrato administrativo de execução de obra, estando esta inacabada, a lei
permite que outro prestador de serviços seja contratado mediante dispensa de licitação.
Considerando que, iniciado procedimento licitatório voltado à aquisição de determinados bens de interesse
do estado do Maranhão, não tenham aparecido interessados em participar do referido certame, assinale a
opção correta de acordo com a legislação pertinente.
d) A despeito da falta de interessados no referido certame licitatório, novo processo licitatório deverá ser
realizado, sob pena de burla à obrigatoriedade de realização de licitação para as contratações públicas.
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c) concurso.
Considerando que a Secretaria de Cultura do DF pretenda contratar empresa de publicidade para realizar
campanha de divulgação de um festival de música que ocorrerá em Brasília, julgue os itens que se seguem.
Será necessária a licitação para a contratação da empresa de publicidade, mesmo que o serviço a ser
prestado seja considerado predominantemente intelectual e a empresa a ser contratada possua notória
especialização na área.
Um estado da Federação criou uma premiação como forma de reconhecimento pelos serviços prestados por
agentes públicos de diversos órgãos. Assim, o estado contratou um artista plástico amplamente consagrado
pela crítica especializada para elaborar os troféus e as medalhas, hipótese que configura
a) inexigibilidade de licitação.
b) dispensa de licitação.
c) leilão.
d) concorrência.
e) tomada de preço.
Fases da Licitação
Quanto aos recursos no rito procedimental comum da Lei 14.133/2021, é correto afirmar que:
(D) o exercício do direito de recorrer pode ocorrer a qualquer tempo até a declaração do licitante vencedor.
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À luz da redação atualizada da Lei 14.133, a divulgação de um edital de licitação se dará obrigatoriamente:
(A) por meio da publicação de seu inteiro teor em diário oficial do respectivo ente federativo.
(B) por meio da publicação de seu inteiro teor em jornal diário de grande circulação.
(D) mediante afixação de cópia em local de ampla circulação de pessoas na sede da Administração.
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(B) a aquisição de artigos de luxo somente pode ser feita nas hipóteses em que o cronograma de
entrega seja mais eficiente que no caso de artigos comuns.
(C) a vedação ao sigilo do procedimento de licitação é obrigatória, sendo todos os atos praticados
essencialmente públicos, salvo decisão judicial.
(D) o autor do projeto básico poderá participar da licitação para a contratação da respectiva obra,
sob qualquer modalidade.
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(E) os profissionais organizados sob a forma de cooperativa, qualquer que seja a natureza ou o
regime de funcionamento ou de distribuição de receitas, poderão participar de procedimentos de
licitação por ela regidos.
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II. A apresentação dos documentos de habilitação será exigida apenas do licitante vencedor, exceto no caso
de inversão de fases.
III. Após o julgamento das propostas, os documentos de regularidade fiscal serão exigidos apenas do licitante
com melhor classificação.
a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
No rito comum, qualquer licitante terá o prazo de três dias para manifestar a intenção de recorrer, prazo
contado a partir da lavratura da ata de habilitação ou inabilitação.
No rito comum, a definição das exigências de habilitação no certame é feita durante a fase externa.
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Cabe à administração pública exigir documentos de habilitação compatíveis com o ramo do objeto licitado.
Qualquer pessoa é parte legítima para impugnar edital de licitação por irregularidade na aplicação da lei,
devendo a administração pública, caso a impugnação seja protocolada no prazo da lei, julgá-la e respondê-
la em até três dias úteis.
A Administração não poderá negociar diretamente com o licitante classificado em primeiro lugar para obter
melhor preço.
Disposições setoriais
I. Parcelamento do objeto para as compras, quando for tecnicamente viável e economicamente vantajoso.
a) II.
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b) I e II.
c) II e III.
d) III.
e) I e III.
57. CEBRASPE/TCU – Auditor Federal de Controle Externo – Tecnologia da Informação – 2015 (adaptada)
Na contratação de obras e serviços regidas pela Lei 14.133/2021, entende-se como empreitada por
a) preço global aquela que envolve o desenvolvimento do projeto executivo para a entrega final do objeto,
sem prévia estipulação do preço total.
b) preço global aquela que envolve empreendimento em sua integralidade, por preço certo de unidades
determinadas, com todas as etapas de obras sob inteira responsabilidade da contratada.
c) preço global aquela que envolve todos os elementos de contornos necessários e fundamentais à
elaboração do projeto básico, na qual o preço é incerto.
d) preço unitário aquela destinada a pequenos trabalhos por preço certo e global, com fornecimento de
material.
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GABARITOS
1. C 21. E 41. E
2. C 22. E 42. E
3. D 23. C 43. E
4. E 24. B 44. E
5. E 25. C 45. A
6. E 26. C 46. D
7. C 27. E 47. C
8. E 28. C 48. C
9. E 29. A 49. E
10. C 30. C 50. E
11. E 31. E 51. C
12. C 32. B 52. E
13. C 33. B 53. C
14. E 34. C 54. E
15. A 35. A 55. C
16. E 36. B 56. B
17. B 37. C 57. C
18. D 38. B 58. E
19. B 39. E
20. C 40. E
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