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II Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte Nordeste de Educação Tecnológica

João Pessoa - PB - 2007

COMPORTAMENTO DE ARGAMASSAS SUBMETIDAS À ATAQUE


ÁCIDO

Munique LIMA (1); Danielle OLIVEIRA (2); Gibson MEIRA (3); Marcos PADILHA (4)
Raphaele LIRA (5)
(1) Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba, Rua Dom Bosco -1070 Cristo Cep 58070470 João Pessoa –
PB , e-mail: [email protected]
(2) Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba, e-mail: [email protected]
(3) Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba, e-mail: [email protected]
(4) Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba, e-mail: [email protected]
(5) Universidade Federal da Paraíba, e-mail: [email protected]

RESUMO
A exposição de materiais à base de cimento em ambientes específicos como é o caso de ambientes
industriais com a presença de substâncias ácidas conduz a um processo de degradação que depende das
características dos materiais empregados. Este trabalho teve como objetivo avaliar o comportamento de
argamassas submetidas à ambientes com a presença de ácido sulfúrico. Para tal, foram moldados corpos de
prova obedecendo à proporção em massa 1:1,5:0,45(cimento: areia: água) e com e sem substituição de
metacaulim na proporção de 10%. Os ensaios realizados envolveram a exposição dos corpos de prova a
ciclos de imersão e secagem em solução de H2SO4 e monitoramento de perda de massa. Adicionalmente,
foram realizados ensaios de absorção capilar e resistência mecânica aos 28, 43 e 91 dias. Os resultados
obtidos indicam um melhor desempenho das argamassas com adição de metacaulim, com menor perda de
massa e melhores resultados em relação aos demais ensaios.
Palavras-chave: argamassa; ataque químico; durabilidade; adições minerais.
II Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte Nordeste de Educação Tecnológica
João Pessoa - PB - 2007

1. INTRODUÇÃO
Durante muito tempo, o concreto e de certa forma a argamassa foram considerado um material
extremamente durável, essa afirmação era baseada em obras muito antigas ainda em bom estado de
conservação. Porém, Neville (1997) afirma que a durabilidade do concreto não significa vida indefinida,
nem significa suportar qualquer tipo de ação.
Para que possam ser elaboradas especificações adequadas a fim de se evitar futuras patologias torna-se
imprescindível conhecer o comportamento dos materiais que compõem a estrutura quando submetidos a
condições severas de exposição. Outro aspecto de extrema relevância é a avaliação do nível de agressividade
do meio ambiente. Tendo assim a possibilidade de produzir concretos e/ou argamassas resistentes às
influências ambientais, apresentando degradação tolerável durante um determinado período de tempo, desde
que sejam tomadas as devidas precauções, levando-se sempre em consideração a agressividade do meio
ambiente.
A durabilidade inadequada se manifesta por uma deterioração que pode ser originada por fatores externos ou
por causas internas no interior de próprio concreto. As diferentes formas de ação podem ser físicas,
químicas ou mecânicas (NEVILLE, 1997). As causas químicas de deterioração podem incluir as reações
álcali-sílica e álcali-carbonato. O ataque químico externo ocorre principalmente pela ação de íons
agressivos, como cloretos, sulfatos ou dióxido de carbono e muitos líquidos e gases naturais ou industriais.
O ataque químico consiste numa troca de massa entre o concreto e o meio ambiente, o que resulta,
eventualmente, na modificação de certas propriedades do concreto, que ocorre predominantemente através
dos poros e fissuras, sempre presentes no concreto. Dentre os ataques químicos temos os ataques
provocados pelos ácidos ou soluções ácidas, pela água do mar, pelos cloretos, pelos sulfatos e pelo ácido
carbônico. Neste trabalho iremos nos deter ao ataque químico pelo ácido sulfúrico (H2 SO4).
Em geral, concretos de cimento Portland não oferecem boa resistência aos ácidos, contudo, há uma
tolerância a alguns ácidos mais fracos, especialmente se a exposição for eventual. Outros fatores que
conferem um pouco mais de resistência do concreto ou argamassa ao ataque ácido é uma mistura apropriada
dos materiais que os compõem e o bom adensamento da mistura.
Entre as substancias ácidas que atacam severamente o concreto destacam-se: os ácidos carbônicos,
hidroclorídico, hidrofluórico, fosfórico, sulfúrico, acedido, cítrico, fórmico, láctico e tânico (Neville, 1997).
A ação de ácidos capazes de causar danos expressivos na pasta de cimento não é comum e a agressão só se
manifesta, na prática, para pH inferior a 6,5. Contudo, nenhum concreto resiste a soluções com pH menor ou
igual a 3 por muito tempo. Nestes casos, torna-se necessária uma proteção especial.
Segundo BRANDÃO (1995), na maioria dos casos, o resultado das reações químicas é a constituição de
compostos de cálcio solúveis em água, os quais podem ser facilmente lixiviados, resultando em perda da
capacidade de ligação entre os constituintes do concreto ou argamassa. A lixiviação ocorre por ação de
águas puras, carbônicas agressivas e ácidas que dissolvem e acarretam os compostos hidratados da pasta de
cimento. O sintoma básico desse fenômeno é uma superfície arenosa ou com agregados expostos sem a pasta
superficial, com eflorescências de carbonato, com elevada retenção de fuligem e com risco de aumentar a
quantidade de fungos e bactérias. Como resultado observa-se também uma diminuição do pH do extrato
aquoso dos poros superficiais da argamassa com risco de perda da camada passivadora.
Lima;Helene (2001), observou que durante o processo de hidratação, após o estado plástico, quando
começam as reações finais de endurecimento, os canais capilares da pasta no estado fresco começam a ser
preenchidos pelos produtos de hidratação. Esse processo reduz rapidamente o volume e tamanho dos
capilares, não implicando necessariamente na interrupção da sua continuidade. No entanto, adições minerais
introduzidas ao concreto, segundo Lima, Helene (2001), diminuem tanto a porosidade, quanto a
conectividade entre os poros.
ANDRADE at al (2003), menciona que o contato da argamassa com soluções ocorre principalmente em
ambientes onde predomina o micro-clima industrial. Como na indústria de petróleo, por exemplo, onde há o
ataque de soluções com baixo pH usada na acidificação dos poços de petróleo para aumentar a produção em
áreas cimentadas. Outro fator de degradação exposto por ele é o que ocorre por meio da ação de bactérias
que transformam o enxofre (comum em materiais orgânicos) em substâncias bastante agressivas. Um
exemplo desse fenômeno acontece com as chamadas bactérias Dessulfovíbrios, que liberam ácido sulfúrico
e quando em contato com a água torna-se agressivo ao concreto, possuindo também ação descalcificante.
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BRANDÃO (1995) relata que o ácido sulfúrico pode ser constituído a partir de gases sulfurosos oriundo da
queima de combustíveis, a partir da oxidação do sulfeto de ferro (pirita) presente em determinados tipos de
solos (como a turfa e a argila) ou em águas de poço ou ainda pela ação de bactérias em algumas águas
minerais com grandes concentrações de dióxido de carbono, sulfeto de hidrogênio ou ambos, ocorrendo um
fenômeno semelhante ao que se dá nos esgotos.
No caso do ácido sulfúrico, a deterioração é acelerada, porque além da ação ácida, há a formação de íons
sulfatos (SO4-2 ) que podem causar expansão do material.
Dentro dos processos da degradação química por ácidos, a relação água e cimento e o tipo de cimento
utilizado são um fatores muito importante para determinar a intensidade do ataque por ácido em estruturas
de concreto e argamassa, por isso, uma das primeiras medidas que devem ser tomadas para minimizar a ação
desses agentes é a escolha adequada do tipo de cimento a ser utilizado e a relação a/c a ser adicionada a
mistura.
Diante disto, buscou-se analisar o comportamento da argamassa submetida ao ataque ácido utilizando uma
solução de H2SO4 (ácido sulfúrico), usando no traço com adição de 10% e 0% de metacaulim que é uma
adição mineral de alta eficácia para concretos e produtos à base de cimento Portland, destinado a inúmeras
aplicações na construção civil em geral.

2. METODOLOGIA

2.1. Materiais utilizados:


Para a confecção da argamassa, utilizou-se o cimento Portland CPV- ARI, que tem como caracteristicas
adquirir elevadas resistência inicial e desforma rápida. O agregado miúdo utilizado foi uma areia
regularizada de acordo com a granulometria de uma areia normal. Para tal regularização, foram utilizadas as
orientações da NBR 7214(ABNT,1982). À pasta, foi adicionado o Metacaulim que é uma adição mineral
alunino-silicosa obtida, normalmente, de calcinação entre 600°c e 900°C de alguns tipos de argilas. Além
desta adição, empregou-se um aditivo plastificante para melhorar a trabalhabilidade da argamassa devido o
traço utilizado que foi de 1:1,5, com relação a/c de 0,45.
Na solução preparada para submeter às argamassas a agressividade em meio ácido, empregou-se uma
concentração de 2% H2SO4.

2.2. Ensaios realizados

2.2.1. Resistência á compressão

Na determinação das resistências características aos 28, 43, 58 e 91 dias, foram seguidas as orientações da
NBR 7215(ABNT,1996) - “Cimento Portland – Determinação da resistência à compressão”, que específica
o método de determinação da resistência à compressão de cimento. Para cada idade pré-determinada
(28,43,53,91 dias) e cada tipo de traço usado na composição da argamassa, foram ensaiados 3 corpos de
prova e calculada a média dos resultados obtidos.Para a regularização da superfície dos corpos de prova
cilíndricos, foi realizado o capeamento de cada corpo de prova com uma mistura à base de cimento e água.

2.2.2. Ensaio de absorção total

Foi realizada a determinação da absorção de água por imersão (Índice de Vazios e Massa específica) da
argamassa regida pela NBR 9778(ABNT, 2005). Este ensaio foi realizado com amostra de 3 corpos de provas
com a adição de 10% de metacaulim e 3 corpos de provas sem metacaulim para cada idade estabelecida.

2.2.3. Perda de massa

O ensaio de perda de massa foi realizado com o intuito de avaliar a capacidade de proteção do cimento
CPV-ARI com e sem adição de metacaulim ao ataque químico. Seguindo tais procedimentos: após o
processo de cura por 28 dias em câmera úmida, os corpos de prova foram pesados e totalmente imergidos
em uma solução composta por água destilada e uma concentração de 2% de ácido sulfúrico( H2SO4) por três
dias com a finalidade de antecipar o processo de corrosão. Passado esses três dias imersos, os corpos de
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prova foram retirados do recipiente contendo ácido e, em seguida, foram lavados a fim de retirar os resíduos
depositados em suas superfícies, deixando-os secar ao ar livre por quatro dias e pesando novamente após
este período. Completando assim, um ciclo de sete dias que foram repetidos durante dez ciclos. Vale
salientar que os corpos de provas utilizados neste ensaio foram os mesmos em todos os ciclos.

3. ANÁLISE E DISCURSÃO DOS RESULTADOS

3.1. Granulometria do agregado miudo


Entendendo que os agregados quando bem graduados, quando misturados com o cimento, são capazes de
produzir concretos e ou argamassas com grande capacidade e resistência mecanica; pois este fato favorece o
rolamento das partículas maiores entre as menores, reduzindo o consumo da água de amassamento para uma
mesma trabalhabilidade estipulada. Este parâmentro foi levado em consideração pelo traço utilizado nesta
pesquisa que é 1:1,5 com relação água cimento fixada em 0,45.

100

90

80

70

60

50

40

30

20

10

0
0 20 40 60 80 100 120

Porcetagem retida Log. (Porcetagem retida)

Figura 1 -Curva Granulométrica

3.2. Resistência á compressão


Nos ensaios de resistência á compressão das argamassas, percebe-se que aos 28 dias os corpos de provas
sem adição apresentam uma melhor resistência com uma diferença de 2.05 MPa. Já aos 43 dias o melhor
desempenho foi observado na argamassa com 10% de adição de metacaulim apresentando uma diferença de
2,70Mpa Aos 58 dias a diferença 4,86MPa tendo o melhor desempenho.
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Argamassa de referência CP V-ARI


Argamassa com adição de 10% de metacaulim
52

50

48

46

Resistência em MPa
44

42

40

38

36

34

32

30

28 56 84
Idade em dias

Figura 2 - Resistência das Argamassas

Foi realizado após o términos dos ciclos de ensaios de perda de massa, os corpos de provas atacados foram
submetidos a ensaios de resistência onde os corpos de provas sem ataque estava em cura em câmera úmida.

Argamassa de referência CPV ARI


Argamassa com 10% de adição de metacaulim
Argamassa de referência CPV ARI (atacado)
52
Argamassa com 10% de adição de metacaulim (atacado)
50

48

46
Resistência em MPa

44

42

40

38

36

34

32

28 42 56 70 84 98
Idade (em dias)

Figura 3 - Resistência das argamassas atacadas


Percebe-se que as argamassas de referências atacadas, apresenta sua resistência semelhante as argamassa
com adição de 10% de substituição de aglomerante por metacaulim.
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3.3. Absorção
Foi realizada a determinação da absorção de água por imersão (Índice de Vazios e Massa específica) da
argamassa regida pela NBR 9778(ABNT,2005).Nota-se que o maior índice de absorção é conseguido nos
corpos de prova com a adição do metacaulim substituindo 10% do aglomerante; já o menor índice absorção
é obtido pelos corpos de prova de referência na idade de 91 dias. Como mostra a Figura 4.

Argamassa de referência CPV ARI ( 28 dias )


Argamassa com 10% de adição de metacaulim ( 28 dias )
Argamassa de referência CPV ARI ( 43 dias)
Argamassa com 10% de adição de metacaulim ( 43 dias )
Argamassa de referência CPV ARI ( 91 dias)
12 Argamassa com 10% de adição de metacaulim ( 91 dias )

Absorção por capilaridade 10

0 24 48 72
Horas

Figura 4 -Absorção das argamassas


Observa-se que a maior taxa de absorção final é encontrada nas argamassas com adições, enquanto que
amedidade aumenta a idade dos corpos de prova de referência(sem adição) diminuir o índice de absorção.

3.4. Perda de massa


Constatou-se uma perda de massa com o tempo de exposição, de dez ciclos por processos de molhagem
(3dias) e secagem (4 dias) com uma perda de massa de 6,60% para argamassa sem adição , 7,4 %para a
argamassa com adição de 10% de metacaulim.
Podemos observar que a argamassa sem adição(referência) teve um porcentual menor de desgaste quando
exposto ao meio ácido.Na Figura 5 é possível notar que até o sétimo ciclo, a argamassa de referência
apresentava maior percentual de perda de massa.
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Argamassa de Referência CPV Ari


8 Argamassa com 10% de adição de metacaulim

Perda de massa em (%)


5

0
0 2 4 6 8 10
Ciclos

Figura 5 - Avaliação da perda de massa


Na Figura 6 pode se observar o desgaste dos corpos de prova quando expostos a meio ácido, onde já é
possível sua perda de massa , bem como o aspecto dos corpos de prova submetidos a cura em câmera úmida.

CPs de referência atacados


CPs com adição atacados

CPs com adição CPs de referência

Figura 6 -Desgaste dos corpos de prova


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4. CONCLUSÃO
O desenvolvimento da construção civil durante as últimas décadas mostra a importância de se estudar e
avaliar os agentes que afetam a durabilidade dos materiais. Neste trabalho buscou-se avaliar o
comportamento das argamassas submetidas a degradação química.
Com relação ao ataque ácido, percebe-se que visualmente tanto os corpos de prova de referência como os
corpos de prova com adição de metacaulim, sofrem desgaste superficial com mudança de tonalidade nos
corpos de prova.

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉNICAS. NBR 9778: Argamassa e concreto endurecidos –


Determinação da absorção de água por imerção – índice de vazios e massa específica. 2005.

______. NBR 7214: Areia normal para ensaio de cimento. 1982.

______. NBR 7215: Cimento Portland – Determinação da resistência à compressão. 1996.

ANDRADE, J.J.O. et al. Avaliação das características do concreto quando submetido à degradação de
Origem Química. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CONCRETO. INSTITUTO BRASILEIRO DO
CONCRETO, 45., 2003, Vitória. Anais...Vitória: 45 CD-ROM.

BRANDÃO, A. M. S.. Qualidade e durabilidade das estruturas de concreto armado. São Carlos,1995.
LIMA, E.P.; HELENE,P.R.L.. Influência do volume de pasta na zona de transição pasta / agregado com
relação às propriedades mecânicas e de durabilidade do concreto São Paulo : EPUSP, 2001. 13p. –
(Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP, Departamento de Engenharia de Construção Civil,
BT/PCC/270)

NEVILLE, A. M. Propriedades do concreto. 2ª edição, revisada e atualizada. Tradução Salvador E.


Gammusso. São Paulo: Pini, 1997.

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