Sistema Internacional de Guerra Fria

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DESCRIÇÃO

Reconhecimento dos processos após a Segunda Guerra Mundial, em um conflito entre Estados
Unidos e União Soviética, definindo uma nova geopolítica mundial.

PROPÓSITO
Estruturar as relações políticas que constituem a história do século XX como fundamento para
entender uma parte importante do mundo contemporâneo.

OBJETIVOS

MÓDULO 1

Identificar a experiência de Guerra Fria como uma das principais referências para o entendimento
do século XX

MÓDULO 2

Distinguir os conflitos internacionais influenciados pela Guerra Fria em todo o mundo


MÓDULO 3

Reconhecer a transição do fim da Guerra Fria como fato importante para a compreensão da nova
ordem mundial

INTRODUÇÃO
Guerra Fria é o termo atribuído ao período histórico de disputas políticas e conflitos indiretos entre
os Estados Unidos e a União Soviética, entre os anos de 1945 e 1991. Diante da inviabilidade de
uma batalha nuclear que impusesse uma explosão mundial e, consequentemente, o extermínio da
humanidade, a alternativa encontrada pelas duas superpotências foi não encaminhar um confronto
direto, uma guerra “quente”.

A corrida armamentista, pela construção de um grande arsenal de armas nucleares, foi o objetivo
central durante as primeiras décadas da Guerra Fria, estabilizando-se nos anos 1960 e 1970.
Havia a necessidade de imposição do modelo de desenvolvimento/projeto de sociedade de um em
relação ao outro, ou seja, do ponto de vista norte-americano, o modelo capitalista/liberal e, na
perspectiva soviética, a alternativa socialista.

Conflitos reais aconteceram na Coreia, nas Américas, no Vietnã, na África e no Afeganistão.


Ditaduras e guerras civis foram apoiadas pelas duas partes. A escalada das armas é um exemplo
poderoso ao pensarmos nos fuzis portáteis. As relações internacionais passaram a ser
fundamentais com a ideia de que o mundo estava perto de seu fim. A disputa entre as duas
potências mundiais acabou por inaugurar muitas relações mundiais que ainda marcam nossa
sociedade.

MÓDULO 1

 Identificar a experiência de Guerra Fria como uma das principais referências para o
entendimento do século XX
ANTECEDENTES
No vídeo a seguir, vamos falar sobre o fim da Guerra Fria, explicando como a União Soviética e os
Estados Unidos se tornaram potências.

 1 de Setembro de 1939: os alemães derrubam a fronteira da Polônia. Tem início a II Guerra


Mundial.

A Segunda Guerra Mundial é considerada o maior conflito bélico da humanidade. De modo direto
ou indireto, ela provocou cerca de 60 milhões de mortes, mobilizando praticamente todo o planeta
entre os anos de 1939 e 1945. A guerra exigiu grandes esforços econômicos por parte dos países
envolvidos, que chegaram a utilizar até dois terços de seus produtos internos brutos.
A vitória dos Aliados promoveu uma reconfiguração do sistema internacional, restabelecendo
uma nova ordem mundial. Ainda que vitoriosos, franceses e ingleses saíram muito enfraquecidos
do embate, por causa das perdas humanas e econômicas. O cenário europeu ficou marcado por
centenas de cidades bombardeadas, transformadas em escombros; estradas e ferrovias
destruídas; indústrias e campos de plantação arruinados.

Os Estados Unidos, entretanto, saíram bastante fortalecidos. Perderam soldados nas batalhas,
mas não sofreram ataques em seu território e, por conseguinte, não tiveram de arcar com custos
de reconstrução. Suas fábricas e seus campos se especializaram em prover, à Europa, produtos
industrializados e alimentos, tanto para a manutenção da guerra quanto para o abastecimento da
população.

ALIADOS

Grupo formado por Inglaterra, França, União Soviética e Estados Unidos.

ESTADOS UNIDOS

Enquanto a guerra destruía a economia europeia, fortalecia o desenvolvimento norte-americano,


de modo que a produção industrial dos Estados Unidos se multiplicou por três, nesse período!
Associado a isso, havia outro aspecto fundamental: a força militar, cujas demonstrações mais
evidentes estavam nas bombas nucleares disparadas contra as cidades japonesas de Hiroshima e
Nagasaki. Por esses motivos, os líderes norte-americanos participaram com protagonismo de
todos os acordos diplomáticos feitos a partir de 1945.

 Baixas da Segunda Guerra Mundial.

Apesar das mortes e da destruição causadas pela guerra, a União Soviética também emergiu do
conflito como grande potência, passando a ocupar política e militarmente a Europa Oriental e a
exercer forte influência na Ásia. A força soviética fez-se notar também no crescimento, em toda a
Europa, do apoio popular aos partidos comunistas. Isolados até 1939, lutando para construir um
regime socialista sem pares ideológicos no continente, os soviéticos passaram a ser vistos como
símbolos da luta contra o nazismo e potência política importante. Uma força que, ao longo do
tempo, estendeu-se para além da Europa, inspirando revoluções e movimentos comunistas no
mundo.
 Países com armas nucleares.

Em suma, o final do conflito iniciou um tempo novo, marcado por uma nova correlação de forças
no cenário mundial, sob comando dos EUA e da URSS. Ainda que precário e instável, este novo
equilíbrio de forças buscava, sobretudo, evitar uma nova guerra de proporções catastróficas em
escala mundial, como foi a grande guerra encerrada em 1945.

É à sombra do medo de destruição mundial que a Guerra Fria se estabelece: justamente para
evitar um conflito direto “quente”, que o embate entre EUA e URSS ocorre de maneira “fria”.

 COMENTÁRIO

A Guerra fria foi o período de disputas estratégicas e conflitos diretos entre os Estados Unidos e a
União Soviética, compreendendo os anos de 1945 e 1991. Por causa da impossibilidade de vitória
em uma batalha nuclear, não houve uma guerra direta ou “quente” entre as duas potências. Mas
esses países estimularam e apoiaram conflitos, e participaram de muitos enfrentamentos armados
em outras nações. A oposição e a disputa entre as duas potências se manifestavam na economia,
na política, no campo das ideias e na competição tecnológica e bélica, criando um mundo
marcado pela bipolaridade.
POLÍTICA DE ALIANÇAS E ÁREAS DE
INFLUÊNCIA NA EUROPA

DIVERGÊNCIAS ENTRE EUA E URSS

Os primeiros movimentos da Guerra Fria ocorreram, em grande parte, por causa das divergências
acerca da melhor forma de organização da nova geopolítica do continente europeu com o fim da
presença do nazifascismo. As Conferências de Cúpula de Yalta (4 a 11 de fevereiro de 1945) e
Potsdam (17 de julho a 2 de agosto de 1945) refletiram o antagonismo entre os EUA e a URSS.

CONFERÊNCIA DE YALTA

Reuniu os EUA, a URSS e a Grã-Bretanha, representados por Franklin Roosevelt (1882-1945),


Josef Stalin (1878-1953) e Winston Churchill (1874-1965) respectivamente. Yalta foi a conferência
da conciliação dos vencedores e sua declaração final deveria iniciar uma era de paz e estabilidade
na Europa. Ali, eles decidiram sobre as fronteiras soviéticas, o destino dos países do Leste
Europeu e dos países do Eixo, derrotados na guerra — Itália, Japão e Alemanha. Na conferência,
a União Soviética conseguiu recuperar praticamente todos os territórios perdidos durante a
Primeira Guerra Mundial, anexando os Estados Bálticos (Letônia, Lituânia e Estônia) e da Polônia
(Bielorrússia).

CONFERÊNCIA DE POTSDAM

Ocorreu uma correlação de forças. Pouco antes da abertura da Cúpula, o governo norte-
americano autorizou testes da bomba atômica no deserto do Novo México (EUA) e o presidente
Harry Truman (1874-1972) apresentou postura agressiva em relação à União Soviética. O tema
principal da discussão foi o futuro do território alemão.

MOVIMENTOS INICIAIS
Em 12 de março de 1947, no congresso norte-americano, o presidente Truman proferiu um
discurso que pode ser considerado, simbolicamente, inaugurador da Guerra Fria. Ele afirmou: “os
povos livres do mundo olham para nós, esperando apoio na manutenção de sua liberdade”,
assumindo o compromisso de "defender o mundo capitalista contra a ameaça socialista". Assim,
legitimava a defesa do sistema capitalista em diferentes regiões por meio de intervenção direta
dos EUA.

 HarryTruman.

 Stalin e Jdanov
Os soviéticos não ficaram para trás. Em 1947, Andrei Jdanov (1896-1948), um dos principais
assessores de Stalin, afirmou sua disposição em apoiar movimentos anti-imperialistas e as
democracias sociais contrárias às potências coloniais e à exploração capitalista norte-americana.

O mundo saíra da Segunda Guerra Mundial com a ideia de um grande inimigo: o nazifascismo,
mas a teoria da divisão do mundo ficava estabelecida conforme a visão de cada lado: para os
norte-americanos, os Estados não alinhados com suas ideias seriam usurpadores da liberdade e
antidemocráticos; para os soviéticos, os usurpadores da liberdade seriam aqueles que “tomavam”
o capital, reproduzindo a noção de algo antidemocrático. Nos dois discursos, havia um jogo de
retórica, de construção de imagens, usado tanto pela URSS quanto pelos EUA, de acordo com
seus interesses.

No bojo desses movimentos iniciais e como parte do princípio de contenção do socialismo – nos
termos da chamada Doutrina Truman – o secretário de Estado norte-americano George Marshall
(1880-1959) anunciou a disposição dos Estados Unidos a efetivar uma colaboração financeira
para a recuperação da economia dos países europeus.

 Mapa dos países da Europa que receberam ajuda do Plano Marshall. As colunas azuis
mostram a quantidade total relativa de ajuda por país.

Investimentos norte-americanos foram feitos principalmente na Alemanha, França e Inglaterra.


Ofertas de apoio econômico à Grécia, Turquia e aos países com presença de tropas soviéticas no
Leste Europeu foram pontos de tensão entre as duas potências. A URSS recusou-se a receber
tais recursos, acusando os Estados Unidos de quererem subordinar sua economia a seus
interesses. O plano de ajuda financeira norte-americana para reconstrução econômica de países
europeus no pós-Guerra ficou conhecido como Plano Marshall.

PLANO MARSHALL

Elaborado em 1947, o Plano Marshall foi um projeto norte-americano de ajuda econômica aos
países europeus que consistiu na concessão de empréstimos a juros baixos e em doações para
estimular a reconstrução europeia.

 SAIBA MAIS

Os principais objetivos norte-americanos com o Plano Marshall eram: promover o


desenvolvimento das sociedades capitalistas europeias e, por meio dos ganhos materiais
proporcionados à população, combater o crescimento de grupos políticos comunistas; garantir à
indústria norte-americana um mercado consumidor para suas mercadorias; investir o grande
capital que haviam acumulado com o crescimento econômico durante os anos de guerra e abrir a
economia europeia para a atuação das empresas norte-americanas, sob regras estabelecidas por
eles.

O governo soviético também buscou fortalecer seus laços políticos e econômicos com os países
do Leste Europeu. De acordo com os interesses soviéticos, os políticos comunistas foram
ocupando as posições mais importantes nos governos de coalizão e conduzindo seus países para
a implantação de regimes socialistas. Os estados socialistas surgidos a partir de 1947 ficaram
conhecidos como “democracias populares”. Foi o caso de Bulgária, Romênia, Polônia, Hungria,
Tchecoslováquia e Albânia.

 ATENÇÃO
O único país comunista da Europa Oriental criado após 1945 a não se submeter à autoridade
soviética foi a Iugoslávia, onde o comunista Joseph Tito (1892-1980) havia liderado internamente a
luta contra os nazistas e, depois da Segunda Guerra Mundial, estabeleceu um país formado por
várias nações: Eslovênia, Croácia, Sérvia, Montenegro, Macedônia e Bósnia-Herzegovina.

Em 1949, a URSS criou o Conselho de Ajuda Econômica Mútua (Comecon), uma espécie de
Plano Marshall do lado comunista. O objetivo era estimular a cooperação econômica e tecnológica
dos países comunistas e elaborar planos conjuntos de desenvolvimento. Assim, as economias
comunistas também estabeleceram laços com o desenvolvimento industrial soviético.

Winston Churchill, duro adversário do socialismo, cunhou um termo bastante conhecido para
marcar a divisão entre a Europa capitalista e a socialista: a “cortina de ferro”, divisória do mapa
europeu entre os lados ocidental (capitalista liberal) e oriental (comunista), atrás da qual estariam
as “democracias populares”.

 Nações parte da OTAN (em azul) e do Pacto de Varsóvia (em vermelho)

 SAIBA MAIS

Com o objetivo de fortalecer laços políticos, econômicos e militares com suas áreas de influência
na Europa, nos Estados Unidos e na URSS criaram-se a Organização do Tratado do Atlântico
Norte (OTAN) e o Pacto de Varsóvia. A OTAN (1949) e o Pacto de Varsóvia (1955), constituíam
alianças militares entre os aliados dos Estados Unidos e da União Soviética, respectivamente.
Com bases militares espalhadas em diversos países, as tropas da OTAN e do Pacto de Varsóvia
aumentavam as tensões entre as nações capitalistas e socialistas.

CORRIDA ARMAMENTISTA E CORRIDA


ESPACIAL
A fabricação de armas nucleares era um fator decisivo de disputa entre os EUA e a URSS. Era
uma forma de demonstração do poderio das superpotências e da possibilidade velada de decidir
uma guerra em um apertar de botões.

 A nuvem de cogumelo sobre Hiroshima (esquerda) após a queda da Little Boy (em 6 de agosto
de 1945) e sobre Nagasaki (direita), após o lançamento de Fat Man (9 de agosto de 1945).

O lançamento de duas bombas atômicas garantiu aos Estados Unidos a rendição japonesa e o fim
da Segunda Guerra Mundial. Deixou também um recado muito claro para o mundo: havia armas
capazes de causar imensa destruição em massa, em poucos segundos, e elas estavam nas mãos
de um só país, os Estados Unidos, que dominavam a tecnologia de sua fabricação.

Essa realidade, entretanto, sofreu uma alteração em 1949, quando a União Soviética declarou ter
desenvolvido a tecnologia para a produção de armas nucleares. A partir daí, soviéticos e norte-
americanos iniciaram uma “corrida armamentista”, investindo vultosas somas de recursos para
produzir bombas nucleares cada vez mais potentes, que atingissem maiores distâncias.

No final dessa corrida, as duas superpotências possuíam arsenais compostos por bombas muito
poderosas, capazes de destruir o planeta. A guerra era “fria” justamente por este motivo: um
conflito armado direto entre os dois países nunca poderia ocorrer, pois significaria a destruição de
todo o mundo, mas o clima contínuo de ameaça estava traçado.

Os meios de comunicação eram muito utilizados para mostrar os feitos alcançados pela União
Soviética ou pelos Estados Unidos na corrida espacial, outra forma de manifestação de poderio
das duas superpotências: foguetes, naves espaciais, satélites enviados para a órbita da Terra. Em
1957, a União Soviética ostentava seu desenvolvimento tecnológico ao enviar o primeiro satélite
artificial ao espaço – o Sputnik. Em 1969, diante do olhar espantado do mundo e da desconfiança
de alguns, foi a vez de os Estados Unidos mostrarem seu poderio na corrida espacial, quando o
seu astronauta Neil Armstrong (1930-2012) pisou na Lua.

 Neil Armstrong na lua.

Poyekhali (Lá vamos nós) foi a fala do cosmonauta soviético, Yuri Gagarin, o primeiro homem a
viajar pelo espaço, em 12 de abril de 1961. Ouça:
 Uma réplica do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial, lançado em 1957 pela URSS.

A corrida espacial era uma maneira de demonstrar ao mundo – e, sobretudo, ao seu adversário do
outro lado da Guerra Fria – a força econômica e tecnológica soviética e norte-americana. Cada
vitória de uma sobre a outra era a demonstração da capacidade superior do sistema capitalista ou
comunista de promover o desenvolvimento e o progresso. A propaganda, neste sentido, sempre
foi um dos instrumentos mais eficazes para empreender o projeto de conquistar aliados e atacar
os adversários.

A Guerra Fria também originou a criação de poderosos órgãos de espionagem que atuavam no
mundo inteiro: nos Estados Unidos, era a CIA; na União Soviética, a KGB. Ambos recebiam a
colaboração dos serviços de informação dos países aliados, criando uma rede internacional de
espionagem que, algumas vezes, interferiu diretamente em crises políticas de vários países.

IMPACTOS DA POLÍTICA DE ALINHAMENTO


NOS PAÍSES EUROPEUS: LADOS NORTE-
AMERICANO E SOVIÉTICO
As consequências econômicas do Plano Marshall nas economias europeias do pós-Guerra foram
positivas. Naquele momento, os países capitalistas buscaram meios de se prevenir contra outras
crises como a iniciada em 1929.

Intervenção do Estado na economia

Com a ideia de prevenção à futuras crises, fortaleceu-se a ideia de que o Estado deveria intervir
na economia de diversas maneiras: participando das atividades produtivas, por meio de empresas
estatais, impondo regras de funcionamento para as empresas; garantindo um sistema de
transportes eficiente e programas de habitação popular; assegurando serviços de previdência
social aos trabalhadores – como aposentadoria, seguro-desemprego, seguros contra doenças.

Liberalismo econômico

Pregava a não intervenção dos Estados na economia e, por isso, era preterido. O Estado
construído após 1945, principalmente na Europa capitalista, ficou conhecido como Estado de
Bem-Estar Social, pois deveria garantir a todos os seus cidadãos as condições mínimas de
sobrevivência (como pensões e seguros), além de ser responsável pela sustentação dos sistemas
públicos de educação e saúde.

O desenvolvimento econômico, além de contar com a intervenção do Estado, baseou-se em um


fator muito importante: a expansão do fordismo para a Europa e o Japão.

FORDISMO

O fordismo pode ser definido como um modo específico de organizar a produção de mercadorias
em linhas de montagem, com a divisão das tarefas por trabalhadores. Prevê a produção em série,
em larga escala. Transforma o trabalhador em um consumidor daquilo que produz pelo aumento
do seu salário.

A expansão da economia capitalista na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, após a Segunda
Guerra Mundial, significou a incorporação das classes trabalhadoras ao mercado consumidor, a
partir de ganhos salariais. Assim, seria possível que soldadores, tecelões, torneiros mecânicos,
pedreiros, entre outros, pudessem adquirir mercadorias.

 SAIBA MAIS

É nesse período, então, que vemos surgir a sociedade de consumo de massa. Com os avanços
tecnológicos e o aumento de salários, carros, refrigeradores, batedeiras, freezers, alimentos
enlatados, enceradeiras, lavadoras, batedeiras, televisões e rádios passaram, realmente, a fazer
parte da vida de milhões de pessoas nos países mais desenvolvidos. As cidades começaram a se
reorganizar em torno das ruas e avenidas; a vida familiar, em torno dos programas de TV e de
rádio.

Na União Soviética, a economia do contexto imediatamente pós-guerra também encontrava bons


resultados.

As taxas de crescimento médio anual do produto industrial no país foram de 9,3%, entre 1950 e
1960.

A industrialização soviética estimulou o desenvolvimento também de parques industriais em


alguns países da Europa Oriental, cujas economias se ligavam ou se subordinavam diretamente
àquele país.
O processo levou a um aumento do número de operários, bem como à intensificação da
urbanização.

Houve o surgimento de instituições de educação técnica e superior, cuja função era formar uma
mão de obra capacitada a trabalhar nas fábricas.

As sociedades comunistas europeias também passaram por importantes transformações entre as


décadas de 1940 e 1960. O comando e todas as decisões sobre a economia, entretanto,
permaneceram centralizadas na burocracia estatal. Esse aspecto, em longo prazo, acabou
limitando o espaço e o impulso para o surgimento de mudanças e inovações nas economias
comunistas. Mas, essa questão só se revelou um problema mais tarde. No fim da década de 1960,
a União Soviética comunista aparecia aos olhos do mundo como um bem-sucedido caminho para
a industrialização.

 R-12 (designação SS-4), um míssil balístico de médio alcance projetado para carregar
artefatos nucleares, durante um desfile na Praça Vermelha em Moscou (1959-1962)

VERIFICANDO O APRENDIZADO

MÓDULO 2

 Distinguir os conflitos internacionais influenciados pela Guerra Fria em todo o mundo


DISTINÇÕES NECESSÁRIAS
Os efeitos do pós-Segunda Guerra Mundial e do desenvolvimento da Guerra Fria não foram
sentidos apenas no continente europeu. Se havia cautela entre Estados Unidos e União Soviética
em relação à declaração de guerra entre si, capaz de causar o colapso mundial, a disputa por
áreas de influência e interesses geopolíticos estratégicos originou conflitos bélicos em regiões
periféricas, estimulados pelas superpotências.

Conflitos entre aliados americanos e soviéticos se tornaram constantes e iniciaram uma política de
atrito militar e diplomático não tendo a Europa como palco. Precisamos distinguir o ideal de uma
Guerra Fria e os efeitos de conflitos sangrentos e muito práticos. Neste módulo,
compreenderemos suas características.

Neste vídeo, o professor, doutor em história social da cultura, Daniel Pinha, explica sobre uma
figura necessária para o entendimento dos assuntos que veremos a seguir: o proletário.

LUTAS INTERNAS E O PAPEL DA GUERRA


FRIA
O contexto pós-Guerra foi marcado também por reivindicações de independência vindas de
colônias europeias na Ásia e na África. A União Soviética e os Estados Unidos participaram
ativamente das lutas de descolonização, ora apoiando militar e financeiramente grupos políticos e
movimentos de libertação, ora pressionando as metrópoles a aceitar a autonomia das colônias.
 Os impérios coloniais ocidentais na Ásia e na África entraram em colapso nos anos seguintes
a 1945.

Movimentos de resistência às metrópoles foram constantes desde fins do século XIX, mas, após
1945, tornou-se tarefa muito mais difícil manter os laços coloniais. Até a década de 1970, muitas
colônias conquistaram sua independência e estabeleceram governos próprios. Esse processo
histórico tem relação direta com o contexto ideológico, político e econômico pós-1945 e com a
nova dinâmica das relações internacionais regidas pela Guerra Fria.

A URSS ocupou um lugar de destaque. Desde o início do século XX, seus líderes haviam
condenado explicitamente o imperialismo como forma de dominação capitalista, colocando-se ao
lado dos “povos dominados”. Após 1945, a política externa da URSS a favor da descolonização se
intensificou nos fóruns e órgãos da ONU e no suporte aos movimentos de libertação.

A atitude da URSS em dar suporte aos movimentos de libertação, aumentou a força de atração
das ideias socialistas, vistas por milhões de africanos e asiáticos como um caminho para se livrar
do controle das metrópoles e empresas estrangeiras que exploravam os recursos e a mão de obra
locais. Por isso, independência e socialismo estiveram juntos em muitos partidos e organizações
africanas e asiáticas, o que provocou uma contínua intervenção norte-americana com o objetivo
de impedir a expansão do comunismo nesses continentes.

PRIMEIROS CONFLITOS NA ÁSIA: GUERRA


NA COREIA (1950-1953)
A vitória de Mao Tsé-Tung (1893-1976) e do Exército de Libertação do Povo na China, em 1949,
teve efeitos imediatos nas relações internacionais. Era mais uma vitória do socialismo na Guerra
Fria e serviu como um forte estímulo a outros movimentos e partidos comunistas asiáticos,
aumentando as tensões no continente. Uma dessas tensões transformou-se em conflito aberto,
entre 1950 e 1953. Foi a Guerra da Coreia, primeiro enfrentamento direto entre capitalismo e
socialismo ocorrido após a Segunda Guerra Mundial.

 Mao Tse-tung

MAO TSÉ-TUNG

Mao Tsé-Tung foi o líder da Revolução Comunista Chinesa, que rompeu com o domínio inglês e
com a influência do capitalismo. Apesar de trazer um modelo comunista, o processo foi diferente,
iniciando uma revolução no campo a partir de uma coluna política.

Com a derrota japonesa, em 1945, os EUA e a URSS fizeram, na Conferência de Potsdam, um


acordo sobre o futuro da Coreia: exércitos soviéticos ocuparam a parte Norte do país, onde foi
instalado um regime comunista, enquanto os norte-americanos tomaram conta da região Sul e
apoiaram um governo capitalista. Os exércitos estrangeiros permaneceram no país dividido até
1948.

Em 1950, os líderes da Coreia do Norte, após a vitória do socialismo na China um ano antes,
receberam apoio da União Soviética para tentar reunificar a península sob um governo socialista.
As tropas norte-coreanas invadiram e ocuparam Seul, a capital sul-coreana. O governo americano
solicitou à ONU a formação de uma força multinacional para defender a Coreia do Sul.

 Uma foto do espaço da península coreana tirado pela NASA, em 2012. A imagem claramente
mostra a disparidade em termos econômicos e tecnológicos entre os dois países, com a Coreia do
Sul sendo muito mais desenvolvida que seus vizinhos do Norte.

Na ocasião, a URSS se recusou a participar da reunião do Conselho de Segurança e os Estados


Unidos conseguiram legitimar a criação de uma tropa para reagir à ação da Coreia do Norte. As
tropas anglo-americanas fizeram a resistência no Sul, reconquistando a capital e partindo em uma
investida contra o Norte. O governo chinês, sentindo-se ameaçado pela aproximação das forças
ocidentais, enviou reforços à frente de batalha, fazendo da Coreia um grande campo de batalha.

Em meados de 1951, as duas superpotências iniciaram um diálogo para buscar uma solução para
a guerra. Em 1953, o conflito terminou com a assinatura de um tratado que reafirmou a divisão do
país feita em 1945: ao Norte, a República Popular Democrática da Coreia, socialista; ao Sul, a
República da Coreia, capitalista. Essa divisão se mantém até os dias atuais, assim como os
conflitos entre os dois países.
INDEPENDÊNCIA DA INDOCHINA E A
GUERRA DO VIETNÃ
Em 1947, a Inglaterra transferiu o controle de sua colônia (Índia) para os governos independentes
do Paquistão e da União Indiana, após décadas de ações antibritânicas levadas adiante por
hindus e muçulmanos. Na China, entre 1946 e 1949, a guerra civil se encaminhava para a derrota
do Partido Nacionalista, próximo aos Estados Unidos, e a vitória dos comunistas. A Coreia
conquistara a independência, mas, dividida, esteve em guerra entre 1950 e 1953. Esse cenário
asiático se caracterizava por transformações e tensões e, na Indochina, a situação não era
diferente.

 Localização da Indochina na Ásia.

INDOCHINA

Durante a Segunda Guerra Mundial, essa colônia francesa foi ocupada pelo Japão e o movimento
nacionalista, já existente, fortaleceu-se muito com a participação de diferentes forças políticas.
Mais uma vez, os comunistas desempenharam um papel primordial e, quando a guerra teve fim,
seu principal líder, o vietnamita Ho Chi Minh (1890-1969), declarou a independência.

 Soldados comemorando a vitória sobre os franceses na Batalha de Dien Bien Phu.

A recusa francesa em atender as reivindicações dos indochineses provocou uma guerra de


libertação que se estendeu de 1946 a 1954, com a intervenção dos EUA ao lado dos franceses e
o apoio da URSS e China aos comunistas.

Em 1954, a França foi derrotada na batalha de Dien Bien Phu (Vietnã) e reconheceu a
independência da Indochina, que se fragmentou em três países: Laos, Camboja e Vietnã. Este foi
dividido em dois: a parte Norte, socialista e governada por Ho Chi Minh; e a parte Sul, com um
sistema capitalista. Assim como ocorreu na Coreia, a divisão resultou em uma longa guerra civil
entre as partes socialista e capitalista iniciada no fim da década de 1950.

 COMENTÁRIO

Em meio à Guerra Fria, mais uma vez as superpotências participaram do conflito. O governo
capitalista recebeu importante apoio dos norte-americanos, que enviaram mais de 500 mil
soldados ao Vietnã e promoveram pesados bombardeios, inclusive com armas químicas, atingindo
duramente a população civil.

No fim da década de 1960, a diferença entre o imenso poderio militar norte-americano e os


exércitos de Ho Chi Minh despertou um repúdio internacional às ações dos Estados Unidos e a
exaltação à resistência do povo vietnamita. Dentro da própria sociedade norte-americana, a
condenação ao envolvimento na guerra aumentou muito. Transmitidas pela TV, as imagens dos
caixões trazendo os corpos dos soldados mortos no Vietnã foram um poderoso aliado contra a
guerra.

 "O Terror da Guerra" fotografia do momento em que uma bomba explode na vila Trảng Bàng.
Por Nick Ut / Associated Press em 8 de junho de 1972 durante a guerra do Vietnã.

A partir de 1973, o governo dos Estados Unidos ordenou a volta de seus exércitos. O conflito se
estendeu até o ano de 1975, com a vitória do Norte e a unificação do país sob o regime
comunista; em 1976, surgiu a República Socialista do Vietnã.

GUERRA FRIA E DESCOLONIZAÇÃO DA


ÁFRICA
As independências dos países africanos ocorreram a partir de diversos modos de luta, com
distintas reações dos colonizadores europeus, e podem ser divididos em duas fases.

PRIMEIRA FASE
Iniciada em 1945, a descolonização se caracterizava por movimentos de desobediência civil e não
violência inspirados na luta indiana, e pela conquista de independência por acordos metrópole-
colônia.

SEGUNDA FASE
Entre 1962 e 1975, as independências foram alcançadas após violentas guerras que opuseram
guerrilhas de libertação e exércitos metropolitanos.

 Edifício com marcas de balas, Huambo, Angola.

Essa foi a experiência das colônias portuguesas, principalmente Guiné-Bissau, Angola e


Moçambique, que enfrentaram os militares portugueses entre o início da década de 1960 e o ano
de 1974. Importante destacar a filiação socialista dos movimentos guerrilheiros, o que, mais uma
vez, levou à intervenção de potências estrangeiras como EUA, URSS, China, Cuba e África do Sul
(controlada pela minoria branca).
ORIENTE MÉDIO E NACIONALISMO ÁRABE
Movimentos de orientação nacionalista também mostraram força nesse contexto de relações
internacionais marcado pela Guerra Fria, mobilizando milhões de pessoas a participar de partidos,
sindicatos, guerrilhas, greves, manifestações públicas. No Oriente Médio não foi diferente, com a
articulação de uma corrente nacionalista defendendo a existência de uma identidade comum entre
os povos de origem árabe e a necessidade de articular uma luta conjunta em defesa de seus
interesses.

Assim, em 1945, foi criada a Liga Árabe, com a participação de Argélia, Egito, Arábia Saudita,
Iraque, Jordânia, Iêmen, Síria e Líbia, objetivando construir uma política externa conjunta.

Um dos líderes árabes que alcançou maior destaque foi Gamal Abdel Nasser. Com um projeto de
governo modernizador e nacionalista, Nasser adotou medidas para estimular o desenvolvimento
econômico egípcio, como a nacionalização de empresas estrangeiras, a reforma agrária e os
estímulos à industrialização.

LIGA ÁRABE

É importante ressaltar que a Liga Árabe reunia países africanos, como a Argélia e o Egito, mas
excluía países, como o Irã e a Turquia, cujas populações não têm origem árabe, embora todos
tenham em comum a religião islâmica.

GAMAL ABDEL NASSER

Gamal Abdel Nasser (1918-1970), foi um militar que assumiu o governo do Egito de 1954 até sua
morte.

Com sua atuação, Nasser acabou por aproximar-se de posturas identificadas ao socialismo e à
URSS, abandonando a posição inicial de não alinhamento na Guerra Fria e dificultando bastante
suas relações com os Estados Unidos. Dentro da Liga Árabe, suas ações também despertaram a
oposição de governos próximos aos norte-americanos. Foi neste contexto que, em 1956, Nasser
nacionalizou o controle do Canal de Suez que, em mãos de uma empresa anglo-francesa desde o
século XIX, era uma rota fundamental para a economia internacional, incluindo a distribuição de
petróleo. Nasser também anunciou a intenção de proibir a passagem de navios israelenses pelo
canal e dificultou o abastecimento de petróleo para este país.

 Nasser levantando a bandeira do Egito na cidade de Port Said, no Canal de Suez, para
celebrar a retirada militar britânica do país em junho de 1956.

CANAL DE SUEZ

“O canal de Suez é uma via navegável artificial a nível do mar localizada no Egito, entre o
Mediterrâneo e o Mar Vermelho. (...) Reino Unido, França e Israel se lançaram em uma operação
militar, batizada Operação Mosqueteiro, em 29 de outubro de 1956, resultando na Crise do Canal
de Suez, que durou uma semana. A ONU confirmou a legitimidade egípcia e condenou a
expedição franco-israelo-britânica com uma resolução”.

Fonte: adaptado de Wikipedia

Se, no interior do nacionalismo árabe, tal medida se reverteu em grande prestígio para Nasser,
gerou também uma guerra entre Egito e Inglaterra, França e Israel. O conflito atingiu grande
repercussão internacional e foi encerrado após intervenção e pressão dos Estados Unidos e da
URSS. A nacionalização do canal foi mantida, com o declínio das influências francesa e inglesa na
região. Assim, a lógica da Guerra Fria passou a estar cada vez mais presente no Oriente Médio,
com intensa disputa de influência entre norte-americanos e soviéticos.

O QUE FOI A POLÍTICA DE NÃO ALINHAMENTO?


A Conferência Afro-Asiática de Bandung (Indonésia, 1955) reuniu importantes lideranças de
estados recém-independentes e teve como lema “paz e promoção social em igualdade de direitos”
para combater o racismo e a dominação estrangeira.

A partir desse evento e das conferências afro-asiáticas do Cairo (Egito, 1957) e de Acra (Gana,
1958), as ex-colônias passaram a atuar nas assembleias da ONU e na diplomacia internacional,
apoiando as lutas pelas independências nos seus continentes.

Em Bandung (Indonésia), os países participantes também declararam a intenção de fugir à


bipolaridade estabelecida pela Guerra Fria por uma posição de não alinhamento à URSS e aos
EUA, que ganhou adesões nos anos seguintes.

CRISE DOS MÍSSEIS E O MOMENTO DE


EQUILÍBRIO DA GUERRA FRIA (1962-1979)

 Fidel Castro discursando em Havana, 1978, imagem por Marcelo Montecino.


Em 1959, um movimento liderado por Fidel Castro (1926-2016) derrubou do governo de Cuba o
ditador pró-americano Fulgêncio Batista (1901-1973). Ainda no mesmo ano, o governo norte-
americano tentou depor o novo governo de Castro, apoiando membros ligados ao antigo regime e
iniciando um embargo econômico à Ilha. Com o bloqueio ao comércio de petróleo e grãos, Cuba
passou a adquirir esses produtos da URSS. O governo de Fidel Castro, inicialmente composto por
uma frente de grupos nacionalistas, populistas e de esquerda, que variava de socialdemocratas
aos de inspiração marxista-leninista, rapidamente se tornou pró-soviético.

FIDEL CASTRO

“Fidel Alejandro Castro Ruz (...) foi um político e revolucionário cubano que governou a República
de Cuba como primeiro-ministro de 1959 a 1976 e depois como presidente de 1976 a 2008. (...)
Castro morreu em Havana na noite de 25 de novembro de 2016, aos 90 anos”.

Fonte: Wikipedia

FULGÊNCIO BATISTA

“Fulgencio Batista Zaldívar (...) foi um militar cubano que serviu como presidente eleito da ilha
entre 1940 e 1944, e depois foi ditador entre 1952 e 1959, até ser derrubado pela Revolução
Cubana”.

Fonte: Wikipedia

INSTALAÇÃO DOS MÍSSEIS


Em 1961, a Agência Central de Inteligência (CIA) organizou um fracassado desembarque de
grupos de oposição armados que deporiam Fidel Castro. Diante da situação, o novo regime
cubano passou a contar com a proteção militar da União Soviética. No ano seguinte, aviões norte-
americanos detectaram a construção de silos nucleares em Cuba. A instalação de mísseis em
território cubano elevou a tensão direta entre os dois países. O então presidente americano, J. F.
Kennedy (1917-1963), bloqueou os contatos entre Cuba e a URSS posicionando navios militares
em torno da ilha.
NEGOCIAÇÕES E ACORDO
Em outubro de 1962, após diversas negociações, envolvendo a retirada de mísseis norte-
americanos na Turquia e o fim das ameaças à invasão de Cuba, foi selado um acordo entre norte-
americanos e soviéticos. O presidente Kennedy concordou em retirar os mísseis da Turquia e não
atacar Cuba, ao mesmo tempo em que Nikita Kruschev (1894-1971) retirava as instalações
nucleares da ilha.

 Vista aérea mostrando base de lançamento de mísseis em Cuba, novembro de 1962.

Após o risco concreto de uma guerra nuclear, em 1962, os governos norte-americano e soviético
passaram a considerar a necessidade de ampliar os esforços diplomáticos para evitar o que seria
uma catástrofe mundial. Nesse período, a política de distensão diplomática foi a tônica seguida
pelos diversos governos norte-americanos e por Leonid Brejnev (1906-1982), sucessor de
Kruschev à frente do Partido Comunista da União Soviética. Diversos tratados foram assinados
para o controle e a diminuição das armas nucleares, como o Tratado de Não Proliferação de
Armas Nucleares (TNP), de 1968, e os tratados bilaterais SALT I e SALT II para o congelamento
dos arsenais nucleares.

Os dois países tinham seus motivos para reduzir a competição político-militar. A ascensão da
China rompia o monopólio ideológico exercido pela URSS desde o início do século XX. Além
disso, a URSS enfrentava dificuldades econômicas e os processos de descolonização levaram o
governo norte-americano a se envolver em conflitos herdados do desmembramento dos impérios
coloniais da França e da Inglaterra. O caso mais importante, sem dúvida, foi a Guerra do Vietnã.
GUERRAS NO ORIENTE MÉDIO PELA
QUESTÃO DO PETRÓLEO
O controle sobre o petróleo e movimentos religiosos produziram (e ainda produzem) uma série de
tensões e conflitos armados no Oriente Médio. Devido às enormes reservas de petróleo, muitos
Estados capitalistas interferiam diretamente nas disputas políticas e nos conflitos armados na
região.

 Protestos, em 1978, contra o Xá (imperador) do Irã.

O caso do Irã é exemplar. Durante a primeira metade do século XX, as potências estrangeiras
agiram com muita liberdade no país, explorando as grandes reservas petrolíferas existentes. Na
década de 1950, um novo governo nacionalizou a indústria do petróleo, mas foi derrubado por um
movimento político que recebeu apoio dos Estados Unidos e instalou o governo da Dinastia
Pahlavi (1953-1979).

Veja no gráfico abaixo, com dados atualizados até 2020, como os países do Oriente Médio lideram
o ranking de reservas de petróleo:
 Maiores reservas provadas de petróleo em 2019 (Atualização – junho 2020).

A existência de governos liderados por chefes religiosos em alguns países e a crítica ao Ocidente
também motivaram interferências externas em disputas regionais.

Em 1979, grandes manifestações populares chefiadas por líderes religiosos xiitas levaram à
deposição do xá Reza Pahlavi (1919-1980), cujo governo se caracterizou por ter mais proximidade
com a cultura ocidental e com os Estados Unidos. Esse movimento ficou conhecido como
Revolução Iraniana e resultou na instauração da República Islâmica do Irã, tendo à frente do
governo o líder religioso aiatolá Khomeini (1902-1989), condenando as influências ocidentais e a
aproximação com os Estados Unidos. Apesar de encontrar resistência em alguns grupos da
população, o governo iraniano segue, até os dias atuais, ligado estreitamente ao Islã, com grande
influência dos líderes religiosos.
 O aiatolá Khomeini (a direita) em um discurso para simpatizantes.

A vitória da Revolução Iraniana alterou as relações internacionais na região. Provocou


instabilidade do petróleo, cujo preço subiu muito em decorrência das mudanças políticas. Além
disso, o regime dos aiatolás era antiocidental, antiamericano e antissoviético; condenava
publicamente a influência do governo e da cultura dos EUA entre os muçulmanos e a invasão do
Afeganistão pela URSS, ocorrida em 1979. O novo governo iraniano também serviu como
inspiração e estímulo para outros movimentos sociais islâmicos no Oriente Médio, contrários à
presença ocidental e de base religiosa.
 Um soldado iraniano carregando um companheiro ferido durante a batalha por Khorramshahr.

Nesse cenário, podemos entender o apoio que soviéticos, norte-americanos e alguns governos
árabes deram ao Iraque, país vizinho ao Irã, na guerra iniciada em 1980 e que se estendeu até
1988. O conflito acabou sem um vencedor, deixando tanto Irã quanto Iraque muito enfraquecidos
em termos econômicos.

NOVOS CONFLITOS NA DÉCADA DE 1980


A Guerra Fria alternou momentos de extrema tensão, como no caso da Guerra da Coreia, e
períodos em que norte-americanos e soviéticos estabeleciam negociações diplomáticas. A década
de 1970 foi um desses momentos em que o diálogo entre as superpotências parecia possível, mas
a situação se deteriorou rapidamente nos anos seguintes.

Um dos marcos dessa mudança de rumos foi a eleição do candidato republicano Ronald Reagan
(1911-2004) para a presidência dos Estados Unidos, em 1980, cujo discurso apresentava um forte
teor anticomunista. As relações entre os dois países foram se tornando mais tensas e baseadas
no enfrentamento. A invasão do Afeganistão pelo exército soviético, em 1979, só fez aumentar os
conflitos entre as nações, levando os Estados Unidos a decretarem uma série de sanções
econômicas à União Soviética.
 Mudanças nas fronteiras nacionais após o colapso do bloco soviético e o fim da Guerra Fria.

O novo quadro de tensões traria graves consequências para a economia soviética na década de
1980, causando a crise e o colapso da União Soviética.

VERIFICANDO O APRENDIZADO

MÓDULO 3

 Explicitar o processo histórico que desencadeou o fim da Guerra Fria

INTRODUÇÃO AO SISTEMA INTERNACIONAL


DA GUERRA FRIA
Neste vídeo, iremos contextualizar rapidamente o que foi esse conflito entre Estados Unidos e a
União Soviética.
Agora que você já sabe o porquê do termo Guerra Fria, vamos entender como se deu o início
dessa guerra.
Vamos lá?!

ORIGEM DA GUERRA FRIA


Podemos considerar o “problema alemão” o primeiro grande foco de controvérsia da Guerra Fria.
Seu foco de tensão foi a cidade de Berlim, capital alemã.

Em 1948, devido à forte crise econômica, Estados Unidos, França e Reino Unido unificaram
economicamente suas zonas de controle na Alemanha, de forma a fazer valer nelas uma única
unidade monetária: o marco alemão.

A liderança do governo soviético reprovou a ideia, considerando-a uma ameaça aos interesses
soviéticos na região. Como resposta, procurou reunificar Berlim sob sua influência.

Desse modo, em 23 de junho de 1948, todas as rotas terrestres foram fechadas pelas tropas
soviéticas, isolando a antiga capital alemã. Para não abandonar as zonas ocidentais de Berlim, os
países ocidentais estabeleceram uma ponte aérea que levou, por quase um ano, mantimentos
aos mais de dois milhões de berlinenses que viviam no lado ocidental da cidade.

Em maio de 1949, o bloqueio foi suspenso.

 Figura 1 – Havia permissão para apenas três corredores aéreos até Berlim, a partir de
Hamburgo, Buckeburgo e Frankfurt.

Pouco depois, as zonas americana, francesa e britânica foram unificadas, originando a República
Federativa da Alemanha (RFA) ou Alemanha Ocidental, cuja capital seria a cidade de Bonn.
 Figura 2 – Essa bandeira da Alemanha permanece
até os dias de hoje.


Na área soviética, surgiu a República Democrática Alemã (RDA) ou Alemanha Oriental, com a
capital em Berlim Oriental.
 Figura 3 – A bandeira da Alemanha Oriental diferia
da Ocidental devido ao brasão ao centro.

 COMENTÁRIO

Nesses primeiros momentos de tensão, o então presidente norte-americano Harry Truman


pronunciou no Congresso estadunidense, em 12 de março de 1947, um discurso em que assumia
o compromisso de "defender o mundo capitalista contra a ameaça socialista". Tal discurso deu
origem à chamada Doutrina Truman.

DOUTRINA TRUMAN

A Doutrina Truman defendia que o mundo estava dividido entre dois sistemas: os governos livres
democráticos e os totalitários comunistas. Seu objetivo central era a contenção das tentativas
soviéticas de subversão.

Veja, a seguir, um trecho do discurso do presidente americano:



A FIM DE GARANTIR O DESENVOLVIMENTO
PACÍFICO DAS NAÇÕES, SEM EXERCER PRESSÃO,
OS ESTADOS UNIDOS ASSUMIRAM A MAIOR
PARTE NA CRIAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. MAS
SÓ CONCRETIZAREMOS NOSSAS METAS, SE
ESTIVERMOS DISPOSTOS A AJUDAR POVOS
SOBERANOS NA MANUTENÇÃO DE SUAS
INSTITUIÇÕES LIVRES E DE SUA INTEGRIDADE
NACIONAL CONTRA IMPOSIÇÕES DE REGIMES
AUTORITÁRIOS.

TRUMAN, 1947.

Resolvida a divisão da Alemanha, as fronteiras internas da Europa se estabilizaram. Ao mesmo


tempo, o anúncio da Doutrina Truman tornava a Guerra Fria um evento mundial. Conflitos entre
aliados americanos e soviéticos se tornaram constantes, dando início a uma política de atrito
militar e diplomático sem precedentes — que não tinha na Europa o seu palco principal.

Para além das áreas militar e diplomática, a disputa envolvendo a Guerra Fria fundamentou uma
divisão ideológica e de visões de mundo. Super-heróis salvadores da humanidade, repercutindo a
rivalidade norte-americana e soviética, foram produzidos em grande escala pela indústria cultural.
A competição tecnológica e a corrida espacial – como a chegada do homem à Lua – são também
sintomáticas, alimentando o imaginário acerca do poderio das duas grandes superpotências.
É por este motivo que a queda da União Soviética e o fim da Guerra Fria determinaram não
apenas o fim da bipolaridade política que atravessou o século XX, mas a derrocada de utopias e
projetos de sociedade.

A URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) fazia parte de um projeto de sociedade que
motivou a luta de homens e mulheres desde o século XIX e incluía um plano de futuro capaz de
levar à igualdade e à justiça social, que se concretizou com a criação de um Estado proletário. Se
sua criação foi cercada de expectativas, seu fim não foi menos impactante.

Segundo o historiador Eric Hobsbawn, o fim da Guerra Fria encerrou o breve século XX.

A seguir, falaremos mais sobre a derrocada da União Soviética.

A QUEDA DA URSS
A estagnação econômica da União Soviética transformou-se em crise ainda nos anos 1970.

Veja como se deu esse processo.

INDICADORES SOCIAIS
Os indicadores sociais positivos, que nos anos 1950-1960 variavam de 5% a 8%, caíram para
menos de 3%. Em 1980, o Japão ultrapassou a URSS como a segunda maior economia do
mundo.

Alguns fatores permitiriam uma “folga” na área econômica soviética.


MUDANÇA DE ESTRATÉGIA DOS EUA
A distensão da Guerra Fria, promovida por Leonid Brejnev, permitiu a redução dos gastos
militares, e a alta dos preços do petróleo em 1973 e 1979 fez com que o país aumentasse as
exportações em moeda forte.

Entretanto, a mudança de estratégia dos Estados Unidos, com a retomada da corrida


armamentista no fim dos anos 1970 e início dos 1980, durante os mandatos do presidente
republicano Ronald Reagan (1981-1989), iria aprofundar ainda mais a crise soviética.

LEONID BREJNEV

Secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética-PCUS.

ORÇAMENTO MILITAR E O CONFLITO COM O


AFEGANISTÃO
Os custos militares da Guerra Fria já estavam insustentáveis para a URSS no fim dos anos 1970.
As duas grandes fronteiras do país necessitavam de um expressivo contingente de militares e
de armas.

Com um orçamento militar tão significativo, um dos maiores equívocos seria o envolvimento em
algum conflito regional. E isso ocorreu quando a URSS invadiu o Afeganistão, iniciando uma luta
de dez anos (1978-1989) com resultados catastróficos.

EXPRESSIVO CONTINGENTE

A Europa Oriental e a China absorviam, cada uma, cerca de 1 milhão de soldados. Os custos
desses dois milhões de homens em armas estavam pesando no orçamento do país.

APROXIMAÇÃO COM PAÍSES MULÇUMANOS


A situação no Afeganistão começou a trazer problemas para a URSS a partir de 1973.

Após grave crise econômica provocada por anos de seca, o general Daud Khan depôs o governo
monárquico e proclamou a República. Daud realizou uma política de aproximação com países
muçulmanos, principalmente com a Arábia Saudita, tradicional aliado americano, o que não foi
visto com agrado pela União Soviética.

E como já é de se esperar em uma guerra, Daud não seria perdoado tão facilmente.

Quais as consequências desse ato do general?

É o que veremos a seguir.

O GOLPE DE ESTADO

Em abril de 1978, um golpe de Estado, apoiado pela URSS, depôs o general Daud e colocou no
poder o Partido Democrático e Popular, de tendência pró-soviética.

 RESPOSTA

Em resposta a esse movimento, a Arábia Saudita e os Estados Unidos começaram a financiar e a


armar os guerrilheiros afegãos. Na prática, a URSS acabou se envolvendo em uma guerra longa,
com altos custos econômicos e humanos, lutando contra um inimigo disperso e determinado que
recebia ajuda militar da superpotência rival.

Os custos da Guerra do Afeganistão foram altíssimos para uma economia já em crise,


desgastando profundamente a capacidade econômica e militar da União Soviética.

Com a queda nos preços internacionais, principalmente do petróleo, entre 1984 e 1985, a URSS
perdeu a principal fonte de divisas externas em moeda forte, e a crise se aprofundou ainda mais,
pois o país não conseguia mais pagar suas importações.

Qual foi a solução encontrada para a URSS sair dessa situação?

Veremos a seguir.
 Figura 4 – Soldado afegão.

TENTATIVA DE “MODERNIZAÇÃO”:
GORBATCHOV, A PERESTROIKA E A
GLASNOST
Em março de 1985, Mikhail Gorbatchov assumiu o cargo de secretário-geral do Partido Comunista
da União Soviética (PCUS), substituindo Konstantin Tchernenko, que falecera naquele ano.

Defensor de ideias modernizantes, Gorbatchov criou dois projetos para renovar a administração
da URSS: a perestroika e a glasnost.

A seguir, veja em que consistia essas ideias.

A perestroika teve início em 1986, e foi concebida para introduzir dinamismo à economia soviética.
Já a glasnost, por sua vez, libertou dissidentes políticos e permitiu a liberdade de imprensa e
expressão.

Conheça os outros detalhes de cada projeto.


PERESTROIKA
GLASNOST

PERESTROIKA

Para que os setores econômicos do país tivessem uma expansão qualitativa e quantitativa, foram
introduzidos mecanismos para estimular a livre concorrência, rompendo com o monopólio do
Estado, e desenvolver os setores da produção de bens de consumo e de serviços por meio da
iniciativa privada.

No campo, foi estimulada a criação de cooperativas por grupos familiares e o arrendamento de


terras estatais.

A proposta também incluía o incentivo a empresas estrangeiras para atuarem no país.

GLASNOST

Na área política e social, a glasnost pretendeu colocar novos paradigmas no modo de vida
soviético. Assim, a proposta foi de acabar com a burocracia política, combater a corrupção e
introduzir a democracia em todos os níveis de participação política.

Ainda que muitos tivessem tentado impedir as mudanças, as propostas de Gorbatchov tiveram
efeito positivo no bloco socialista. Assim, a Polônia e a Hungria realizaram eleições livres (com
destaque para a vitória do partido Solidariedade na Polônia), e a Tchecoslováquia, Bulgária,
Romênia e Alemanha Oriental tiveram revoltas em massa que pediam o fim do regime socialista.
 Figura 5 – Muro de Berlin grafitado, em 1986.

Em novembro de 1989, um grande fluxo de refugiados alemães pressionou as embaixadas da


Alemanha Oriental em Praga e Varsóvia.

A pressão popular levou a que a Hungria e a Áustria abrissem suas fronteiras. Na noite de 9 de
novembro de 1989, o Muro de Berlim começou a ser derrubado depois de 28 anos de existência.

Entre 1987 e 1988, a URSS abdicou de continuar a corrida armamentista com os Estados Unidos
assinando uma nova série de acordos de limitação de armas estratégicas e convencionais.

No ano seguinte, a URSS iniciou a retirada do Afeganistão e começou a reduzir a presença militar
na Europa Oriental. Nos anos 1990, a URSS tornou-se o 15º PIB mundial, demonstrando a
fragilidade de sua economia diante do processo de transição política.

No plano interno, Gorbatchov enfrentou grandes resistências da burocracia do partido. Os mais


conservadores viam a postura de Gorbatchov no plano internacional como covarde e o acusavam
de trair a URSS e o socialismo. Este grupo, que incluía as cúpulas militar e do sistema de
segurança, era contra a retirada do Afeganistão e defendia que a URSS interviesse nos países da
Europa Oriental que estavam abandonando o modelo socialista.

Como você pode perceber, a situação estava insustentável, ao ponto de, em 1991, um grupo
tentar tomar o poder, conforme veremos a seguir.
 Figura 6 – Boris Yéltsin.

O COLAPSO DA UNIÃO SOVIÉTICA


Em 19 de agosto de 1991, um grupo chamado Comitê Estatal para o Estado de Emergência
tentou tomar o poder na capital. Anunciou-se que Mikhail Gorbatchov estava doente e tinha sido
afastado de seu posto como presidente. O vice-presidente Gennady Yanayev foi nomeado
presidente interino. Manifestações importantes contra líderes do golpe de Estado ocorreram em
Moscou e Leningrado.

O presidente da Rússia (principal Estado da URSS), Boris Yéltsin, dirigiu a resistência ao golpe a
partir do parlamento russo. Conseguindo o apoio das tropas de repressão, Yéltsin se tornou o
principal personagem dessa crise.

Em 21 de agosto de 1991, a maioria das tropas que tinham sido enviadas a Moscou se colocam
abertamente ao lado dos manifestantes. O golpe falha e Gorbatchov regressa a Moscou.

O fracasso do golpe de Estado, no entanto, precipitou o colapso das instituições da URSS. A


maior expressão disso foi o desmonte territorial da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
 Figura 7 – Mikhail Gorbatchov.

 Figura 8 – Mapa das repúblicas bálticas.

Em setembro de 1991, as repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia) declararam sua


separação do governo de Moscou. Entre outubro e dezembro o desmembramento se completou
com todas as unidades da URSS se declarando a favor de suas respectivas autonomias.
Dezembro foi o mês da grande decisão de extinguir a URSS. Veja como isso aconteceu.

Esse processo teve início no dia 1º dezembro; no dia 26 de dezembro de 1991, a URSS já não
existia mais.

Em 1º de dezembro, por meio de um plebiscito, a população da Ucrânia votou por sua


independência.


Em 21 de dezembro, líderes da Federação Russa, Ucrânia e Bielorússia assinaram um
documento no qual era declarada extinta a União Soviética. E no seu lugar era criada a CEI
(Comunidade dos Estados Independentes).


No dia de Natal de 1991, em cerimônia transmitida por satélite para o mundo inteiro, Gorbatchov
declarou oficialmente o fim da URSS.

A dissolução da União Soviética marcou profundamente o final do século XX, além de mostrar o
poderio americano. Veja, a seguir, a repercussão desse marco na sociedade.

O FIM DA HISTÓRIA
Em meio à crise, falou-se do fim das ideologias e, por decorrência, do fim da história. A dissolução
da União Soviética em 1991 marcou o fim do século XX. Alardeou-se por todo o mundo que,
vencida a Guerra Fria, o poder americano chegara ao seu auge.

 ATENÇÃO
Uma das manifestações mais emblemáticas da crise do modelo socialista soviético foi a
expressão “o fim da história”, criada pelo filósofo norte-americano Francis Fukuyama.

Seu artigo publicado em 1989 com esse título e, posteriormente, em 1992, o livro “O fim da
história e o último homem” tiveram grande repercussão na época.

Fukuyama elaborou uma linha de abordagem da história, revigorando a tese de que o capitalismo
e a democracia liberal representavam o coroamento da história da humanidade. Ou seja, a
humanidade teria atingido, no final do século XX, o ponto culminante de sua evolução com o
triunfo da democracia liberal ocidental sobre todos os demais sistemas e ideologias concorrentes.

 Figura 9 – Capa do livro de Fukuyama.

 COMENTÁRIO

Para o autor, o século XX viu a destruição do fascismo e, em seguida, a do socialismo, que fora o
grande adversário do capitalismo e do liberalismo no pós-guerra. O mundo teria assistido ao fim e
ao descrédito dessas duas alternativas globais, restando apenas resíduos de nacionalismos, sem
possibilidade de significarem um projeto para a humanidade.

Assim, com a derrocada do socialismo, Fukuyama conclui que a democracia liberal ocidental se
firmara como a solução final do governo humano, representando, assim, “o fim da história" da
humanidade.

O desmembramento de um Estado nacional com a capacidade bélica, econômica, populacional do


porte da URSS provocou impacto enorme no sistema internacional.

O papel que ocupava como potência líder de um grande bloco de países alterou a geopolítica de
boa parte do planeta. Além disso, o significado simbólico do país alterou expectativas e
possibilidades de diversos grupos políticos mundo afora.

Mas o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas não acabou com a história nem
decretou o fim dos tempos.

Os projetos políticos foram reconfigurados, mantendo o mundo em um nível de tensão ainda maior
do que na época da Guerra Fria. As ideologias ganharam novos formatos e as diferenças sociais e
culturais se reestruturaram em outros cenários.

Para corroborar essa afirmativa, veremos um outro cenário de guerra nesta mesma época: a
Guerra do Golfo.

A GUERRA DO GOLFO (1991)


Como presidente dos Estados Unidos, George Bush (1989-1993) liderou a coalizão da
Organização das Nações Unidas (ONU) na Guerra do Golfo (1990-1991).
Em 1990, comandado por Saddam Hussein, o Iraque invadira seu vizinho rico em petróleo, o
Kuwait.

Em uma ação de política externa que seria questionada mais tarde, o presidente Bush obteve uma
vitória militar incompleta, ao seguir o conselho de seu então secretário da defesa, Dick Cheney,
permitindo que Saddam Hussein ficasse no poder.

 Figura 10 – Mapa do Kuwait.

Essa vitória incompleta lhe deu esperanças para se reeleger no ano seguinte. Mas não seria tão
fácil assim, como veremos a seguir.

George H. W. Bush

A popularidade do presidente republicano George H. W. Bush nos EUA aumentou durante e


imediatamente após o aparente sucesso das operações militares. No entanto, a recessão do fim
da década de 1980 foi um fator que contribuiu para sua derrota na eleição de 1992, ficando em
segundo lugar, com 37,1% dos votos.

Bill Clinton

Nas eleições presidenciais, Bush enfrentou o candidato democrata Bill Clinton e o candidato
independente H. Ross Perot. Clinton venceu as eleições com 42,9% dos votos.

Ross Perot

H. Ross Perot, foi um político, empresário bilionário e filantropo americano. Perot até se saiu muito
bem nas eleições com 18,8% do voto popular.

O MOMENTO UNIMULTIPOLAR
Os governos americanos que se seguiram ao colapso da URSS empregaram uma política externa
projetada para manter o protagonismo do país no sistema internacional.
 RESUMINDO

O objetivo principal da política externa americana era evitar o crescimento de poderes regionais
capazes de colocar em risco os interesses militares, econômicos ou ideológicos dos EUA. Com
isso, o governo americano daria atenção a situações que poderiam ameaçar a segurança dos
EUA e seus aliados. O ponto central seria a preocupação com a prevenção em regiões-chave.

 ATENÇÃO

Dois elementos se destacam nessa nova situação: o sistema internacional sofreu o impacto de
uma doutrina americana de “prevenção global” a prováveis ameaças. Com isso, essa doutrina
tornou os EUA envolvidos, diretamente ou por omissão, em diversos conflitos regionais, muitos
dos quais se tornaram extremamente desgastantes política, militar e economicamente.

Com o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos revitalizaram organizações que haviam sido criadas
para fazer frente ao bloco soviético, entre as quais:

OTAN

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL

BANCO MUNDIAL
 Figura 11 – Insígnia da OTAN.

A OTAN adquiriu novos membros, como a Hungria, a Polônia e a República Tcheca, tendo se
expandido em direção ao oeste europeu.

Os Estados Unidos passaram a dar ênfase especial à política neoliberal do Consenso de


Washington, formulado em 1989. O conjunto de medidas tornou-se a política oficial do FMI em
1990, que começou a "receitá-lo" para promover o "ajustamento macroeconômico" dos países em
desenvolvimento, que passavam por dificuldades.

Em termos continentais, a política externa americana se manifestaria na aprovação do Tratado de


Livre Comércio da América do Norte, em 1994, com o Canadá e o México.

Os Estados Unidos fizeram com frequência movimentos unilaterais para punir economicamente
países que estavam sob suspeita de abrigar terroristas ou de cometer sérios abusos aos direitos
humanos.

Por vezes, houve algum consenso em relação a esses movimentos, tais como o embargo
americano e europeu imposto à República Popular da China, após a violenta supressão dos
protestos da Praça da Paz Celestial, em 1989, e a imposição das sanções contra o Iraque, após a
invasão deste país ao Kuwait, em 1990.
 Figura 12 – Tratado envolvendo Estados Unidos, México e Canadá.

CHEGAMOS AO FINAL DESTE ASSUNTO.


QUE TAL TESTAR O SEU CONHECIMENTO,
RESPONDENDO ÀS QUESTÕES A SEGUIR?

VERIFICANDO O APRENDIZADO

CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O fim da Guerra Fria é um exercício de compreensão. O mundo vendido e trabalhado como
realidade para ao menos duas gerações se desmontou, deixando um lapso mental, político e
econômico severo. Nosso exercício é perceber como o Sistema Internacional foi sendo
efetivamente constituído pela Guerra Fria.

Quer dizer, ele não é a Guerra Fria, ela é uma parte, uma representação, um componente político
que fundamentou as nações, as relações entre as nações e a mentalidade dessas gerações. As
representações são enormes, do cinema ao crescimento dinâmico da tecnologia.

Essa realidade mergulhou o mundo em algo muito maior do que o embate. Foram novas
identidades, novos conflitos, outras formas de se fazer comércio e de se colocar no mundo.
Árabes, africanos, sul-americanos são só alguns dos novos componentes que influenciam nossa
sociedade. Outras consequências como a corrida armamentista, os ditadores e as guerras ainda
são heranças fortemente presentes em nosso cotidiano.

Depois de consolidar o quadro internacional, passamos a notar a fragilização da economia


soviética, sua tentativa de modernização abriu possibilidade para que os EUA não fosse vitorioso
da guerra simbólica, mas efetivamente, representou a chegada de novas dinâmicas de forças,
como passamos a presenciar a partir da Guerra do Golfo, ali, na televisão, diante de todo mundo
uma Nova Ordem Mundial foi consolidada.

 PODCAST
Agora, o professor, doutor em história, Rodrigo Rainha, encerra o tema falando sobre o sistema
internacional de Guerra Fria.
AVALIAÇÃO DO TEMA:

REFERÊNCIAS
FERRO, Marc. História das civilizações. São Paulo: Cia das Letras, 1996.

GADDIS, John. A guerra fria. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.

HERNANDES, Leila. A África na sala de aula. São Paulo: Selo Negro, 2008.

HOBSBAWM, Eric J. Era dos extremos. São Paulo: Cia das Letras, 1995.

JUDT, Tony. Pós-guerra. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.

PURDY, Sean. O século americano. In: KARNAL, Leandro (org.) História dos Estados Unidos. 3.
ed. São Paulo: Contexto, 2017, p. 227.

REIS FILHO, Daniel. (org.) O século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

EXPLORE+
Assista ao filme Boa noite, boa sorte (2005), dirigido por George Clooney e entenda a perseguição
aos ideais comunistas no contexto norte-americano na década de 1950, colocando em evidência a
contradição em relação à liberdade de expressão propagada pelo ideal norte-americano de
democracia.

Leia o artigo O duelo pela hegemonia global que deixa o mundo apreensivo, de Macarena Vidal
Liy e Amanda Mars e compreenda melhor geopolítica internacional, a partir de uma comparação
entre as guerras comerciais entre China e Estados Unidos no contexto atual, e a bipolarização
ideológica entre Estados Unidos e União Soviética no contexto da Guerra Fria.

Assista ao filme Treze dias que abalaram o mundo (2000), de Roger Donaldson e saiba mais
sobre o episódio da crise dos mísseis de Cuba, em 1962.

Leia o artigo A África desde o fim da Guerra Fria, de Ricardo Soares de Oliveira e entenda a
interação desse continente com o sistema internacional do contexto da Guerra Fria e a relação
dos países africanos com os valores da democracia liberal e do capitalismo industrial.

Sobre as modificações nos hábitos e costumes dos soviéticos, após o colapso do socialismo,
assista ao filme Adeus, Lenin, de 2003.

Sobre a história militar recente dos Estados Unidos, a partir do mundo unipolar e sob a
perspectiva de Robert McNamara, assista ao filme Sob a névoa da guerra, de 2003.

CONTEUDISTA
Daniel Pinha

 CURRÍCULO LATTES

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