Relatório 04 - Síntese de P-Nitroanilina - Gabriel e Thamires
Relatório 04 - Síntese de P-Nitroanilina - Gabriel e Thamires
Relatório 04 - Síntese de P-Nitroanilina - Gabriel e Thamires
LICENCIATURA EM QUÍMICA
QUÍMICA ORGÂNICA EXPERIMENTAL II
Prof° Hildegardo Seibert França
1. OBJETIVO:
2. INTRODUÇÃO TEÓRICA:
3. MATERIAIS E EQUIPAMENTOS:
Reagentes: Anilina, Anidrido Acético, Acetanilida, ácido nítrico, ácido sulfúrico, bicarbonato
de sódio a 5% e cloreto de cálcio anidro.
Equipamentos para refluxo (figura 1): Condensador de refluxo, balão de fundo redondo,
manta aquecedora, garras e haste universal.
Equipamentos para filtração a vácuo (figura 2): Funil de buchnner, kitassato, argola, garras,
haste universal a bomba de vácuo.
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Figura 1: Aparelhagem para o aquecimento mediante a refluxo.
4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL:
Parte 1:
Em um erlenmeyer de 125 ml adicionar a 3g de anilina (cuidado evitar contato), a 25
mL de água, e com adição cuidadosa (gota a gota) adicionar a 2,7g de anidrido acético. Ao
precipitado formado, adicionar 50 ml de água e aquecer até a dissolução completa do sólido e
material oleoso. À mistura ainda quente pode ser adicionado carvão ativo e levar a
temperatura de ebulição por alguns minutos. Filtrar a quente por gravidade, lavar com água
quente e resfriar para a recristalização (acelerar em banho de gelo por 15 minutos). Filtrar
novamente os cristais formados, pesar, calcular o rendimento, verificar o ponto de fusão e
colocar em frasco rotulado.
Parte 2:
Primeira etapa: Em um erlenmeyer colocar a Acetanilida obtida da parte 1 e 5 ml de
H2SO4 conc.. Resfriar a mistura em banho de gelo e adicionar uma mistura de 2 ml de HNO3
+ 5 ml de H2SO4 previamente gelados. A mistura de ácidos deve ser adicionada lentamente e
em pequenas porções de 0,5 ml. O tempo de adição varia de 5-10 minutos mantendo a
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temperatura do meio reacional abaixo de 10°C. Deixar a mistura em repouso durante 10
minutos e adicionar 20 ml de água gelada. Observa-se a formação de uma suspensão de
isômeros da p-nitroacetanilida e o-nitroacetanilida. Filtrar o sólido em funil de Buchner e
lavar com pequenas porções de água gelada. Recristalizar usando EtOH. (OBS: Na
recristalização, a o-nitroacetanilida obtida ficará na fase líquida, enquanto a p-nitroacetanilida
ficará em forma de cristais) Rend. médio = 80%.
Parte 3:
Segunda etapa (Hidrólise): Em um balão de fundo redondo, provido de condensador de
refluxo, e agitação magnética, adicionar 2,0 g de p-nitroacetanilida e 10 ml de solução aquosa
de H2SO4 50%. Aquecer a refluxo por 20 min.. Adicionar ainda quente a mistura reacional
sobre 50 mL de água fria, e neutralizar com solução de NaOH 20%. Resfriar o precipitado,
filtrar em funil de Buchner lavando com água gelada. Recristalizar em etanol aquoso 1:1.
Rend. médio = 90%.
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES:
O experimento em questão pode ser separados em três partes, nas quais, para facilitar o
entendimento, seus resultados também serão divididos em: Parte 1 - Síntese da acetanilida;
Parte 2A - Síntese da p-nitroacetanilida; Parte 2B - Síntese da p-nitroanilina.
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Figura 5: Reação de síntese da acetanilida.
Como dito, essa reação é conhecida como acilação que por definição é uma reação em
que o grupo amino básico efetua um ataque nucleofílico ao átomo do carbono carbonílico,
neste caso há o ataque nucleofílico do grupo amino da anilina na carbonila do anidrido
acético. As aminas podem ser acetiladas de várias maneiras, dentre elas com o uso do
anidrido acético. Segundo Angelo (2009) o anidrido acético é preferido nas reações de
acetilação, uma vez que a hidrólise do mesmo é lenta o suficiente para permitir que a
acetilação da amina ocorra preferencialmente e, portanto, que possa ser realizada em meio
aquoso.
De acordo com Bruice (2010) se um determinado reagente I tiver dois grupos
funcionais que possam reagir com outro reagente II e você quer que somente um deles reaja,
é necessário proteger o outro grupo funcional. Um grupo que protege um outro grupo
funcional de uma operação sintética é chamado de grupo de proteção. A acetilação é
frequentemente utilizada para proteger grupos funcionais amino primários e secundários,
assim um grupo amino pode ser protegido se for convertido em uma amida. O mecanismo da
reação pode ser visto na figura 6.
Figura 6: Mecanismo de reação de síntese da acetanilida
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das partículas de carvão são removidas durante a filtração, realizada a quente. Apesar da sua
utilização, o uso de excesso de carvão ativo leva a perdas do material a ser purificado.
Após a primeira filtração, resfriou-se a solução em banho de gelo, dando início ao
processo de recristalização. O material dissolvido tem a solubilidade diminuída a
temperaturas mais baixas e vai se separar da solução à medida que esta for resfriada[4]. Depois
de observar a formação do sólido cristalino, efetuou-se uma filtração à vácuo, obtendo a
acetanilida.
De acordo com a figura anterior, o ácido sulfúrico protona o ácido nítrico para gerar o
eletrófilo necessário. A perda de água pelo ácido nítrico protonado forma um íon nitrônio, o
eletrófilo necessário para a nitração [3]. O íon nitrônio sofre então o ataque nucleofílico pelo
anel aromático, formando o intermediário, íon arênio, que por sua vez, devido seu par de
elétrons estar envolvido em ressonância com a dupla ligação da carbonila é considerado um
ativador moderado. O mecanismo de reação deste processo está exposto na figura 7.
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maior será o rendimento. Por fim, uma nova filtração a vácuo foi realizada obtendo como
produto final a p-nitroacetanilida, dessa forma a figura 10 expõe a reação geral da sua síntese.
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Fonte: Autoral (via ChemSketch)
Assim, pode-se afirmar que o ácido irá funcionar como um catalisador para a reação.
Isso acontece porque a amida sem o catalisador não será protonada, uma vez que a água, um
nucleófilo muito fraco, irá atacar a amida neutra que é muito menos suscetível a ataques
nucleofílicos, quando comparada a uma amida protonada. Em resumo, segundo Bruice (2010)
um catalisador ácido aumenta a reatividade do grupo carbonila e pode tornar um grupo em
um melhor grupo de saída.
Dando continuidade ao procedimento, após 20 minutos com o sistema em refluxo,
adicionou 50mL de água fria e uma solução de NaOH 20%. A solução de NaOH irá
neutralizar o meio, levando a formação do produto final, p-nitroanilina, H2O e sulfato de
sódio (Na2SO4), sendo importante ressaltar a formação do ácido acético ainda durante a
reação de hidrólise, no entanto, como estava em aquecimento, volatilizou. O mecanismo
desta reação é mostrado a seguir na figura 12.
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6. PERGUNTAS:
Não, uma vez que se colocássemos a anilina na presença do ácido nítrico e do ácido sulfúrico
para realizar a nitração do anel aromático teria inicialmente uma reação ácido-base entre a
anilina e o ácido presente no meio reagente, levando a seguinte reação:
Após a protonação da anilina, não será possível obter a p-nitroanilina, pois o grupo ligado ao
anel aromático não será mais um grupo ativador, assim não orientando a reação de
substituição eletrofílica para as posições orto e para. Desta forma, foi necessária a acetilação
para proteger o grupo NH2 e possibilitar a nitração em para.
Para isso, faz-se necessário encontrar a quantidade de mol de cada reagente envolvidos na
reação, considerando que foram usados 3g de anilina (massa molar = 93,13 g/mol) e 2,7g de
anidrido acético (massa molar = 102,09 g/mol). Os cálculos estão dispostos a seguir:
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Assim, tem-se que o anidrido acético será o reagente limitante. Como a proporção é 1:1,
0,02644 mol de acetanilida (massa molar = 135,17 g/mol) são obtidos, logo sua quantidade
em gramas será de 3,574g de acordo com o cálculo abaixo.
1 mol de acetanilida → 135,17g de acetanilida
0,02644 mol de acetanilida → C g de acetanilida
C = 3,574g de acetanilida
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6.3. Faça os mecanismos de reação para a síntese do p-nitroanilina.
Observação: Nesta etapa de síntese da p-nitroanilina, a posição orto também será atacada,
possuindo um híbrido de ressonância semelhante ao da posição para.
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Etapa 3: Mecanismo de síntese da p-nitroanilina.
7. REFERÊNCIAS:
[2] ANGELO, Fátima de; ALVES, Rosimeire Brondi; Química Orgânica Experimental II.
Departamento de Química - ICEx, UFMG: 2009. Disponível em
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<https://www2.ufjf.br/quimicaead/wp-content/uploads/sites/224/2013/05/Apostila-de-químic
a-experimental.pdf>
[3] BRUICE, Paula Yurkanis. Química orgânica. 4.ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall,
2010 - vol. 2.
[4] ENGEL, Randall G. et al. Química orgânica experimental: técnicas de pequena escala.
3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
[6] SOLOMONS, G.; FRYHLE, C. Química Orgânica. Rio de Janeiro: LTC, v. 2, 2002.
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